Joinville         -          Sábado, 2 de Novembro de 2002         -          Santa Catarina - Brasil
 
 

ANotícia  




 





Ilustração - Gugue

Destaques da
literatura inglesa

Nick Hornby e Ian McEwan, dois ficcionistas muito badalados, são bem recebidos pela crítica

Antonio Madalena
Especial para o Anexo

Florianópolis - Nick Hornby e Ian McEwan, provavelmente os dois escritores ingleses mais em moda atualmente, tiveram seus livros mais recentes lançados no País. "Como Ser Legal", de Hornby, pela Rocco, e "Reparação", de McEwan, pela Editora Companhia das Letras, merecem a atenção do leitor, embora sejam livros bastante diferentes entre si. Para começar, Hornby é um escritor pop. Em geral seus livros viram filmes, como foi o caso com "Alta Fidelidade", sucesso no cinema, com John Cusack no papel principal, sob a direção de Stephen Frears, e agora com o recém lançado no Brasil, "Um Grande Garoto", tendo Hugh Grant como protagonista.
McEwan também já foi adaptado para o cinema, além de escrever roteiros, mas sua literatura não tem esse apelo, no bom sentido, que Hornby desfruta. Se se pode falar em apelo em se tratando de "Reparação" é o de que o livro consegue um marco raro nesses dias: o de ser apontado por boa parte da crítica como uma obra-prima, além do autor já ter recebido o prêmio maior da literatura inglesa, o Booker Prize. Se, ao que parece, McEwan realizou uma obra-prima, "Como ser Legal" é boa literatura de entretenimento, que ao mesmo tempo diverte e faz pensar. Medir um pelo outro é cometer injustiça, qualquer que seja o ângulo que se veja. Os dois são grandes ficcionistas, mesmo que, talvez, apenas McEwan possa ser considerado grande escritor, já que consegue criar personagens com toda sua densidade e singularidade, enquanto em Hornby os personagens são tipos, mais superficiais, embora, convenhamos, absolutamente adequados para esses tempos.
"Como ser Legal" se passa em Londres. Hornby mostra o tempo e a cena contemporânea. Seus livros são cheios de referências a livros, discos, artistas e outros ícones atuais. A ação é centrada em personagens em torno dos 40 anos, com um conjunto de valores e visão de mundo que refletem os dramas, anseios e sonhos dessa geração. Katie e David formam um casal, com dois filhos em torno dos 10 anos, e que não sabem se querem ou não continuar casados. Se não querem, passam de alguma forma a querer, e vice-versa, num movimento pendular que reflete uma ambigüidade de valores em relação ao casamento.

Narrativa

Katie é medica, e é ela quem narra a estória. Ela se surpreende consigo mesma ao ligar para David e dizer que não quer mais continuar casada. David estava em casa, cuidando das crianças. Ela só ligou para lembrar de algo em relação a um dos filhos e as coisas saíram assim. É assim que começa o livro. E a questão que surge para Katie é a de como pode alguém que se acha legal fazer isso? Afinal, inclusive a escolha da profissão passou por esse critério. Ser médica é ser prestativa e dedicada ao outro, legal, portanto.
O título, com seu caráter afirmativo, traduz um olhar irônico do autor para algumas pretensões de seus personagens e de uma geração que, pós anos 60, cresceu com uma auto-referência vaga e, portanto, narcisista, de que o desejo de "ser legal" implica por si só no fato de "ser legal". Como se o comportamento ético se definisse como tal apenas pelo desejo de sê-lo e não pela exigência de sê-lo em relação ao mundo e ao outro.
Enquanto Katie se questiona, o anúncio do divórcio muda o jogo entre o casal. O mal humorado David, autor da coluna "O Homem mais Irritado de Holloway" no jornal do bairro, ameniza os seus ataques verbais. E sofre uma brusca transformação interior, através das mãos milagrosas de Boas Novas, um curandeiro que dá um jeito na sua dor nas costas e acaba mudando sua vida.
Katie perplexa vê David trazer Boas Novas para morar com a família e mobilizar os vizinhos de rua para adotar menores sem lar. Em meio a toda essa reviravolta, o impasse prossegue com o casal, cada um deles, em sua individualidade, dividido entre o amor, a culpa, um certo sentido do que é ser responsável e a incerteza quanto a dar ou não um passo que não tem volta. Entre trocar a terra firme por um horizonte que está ali adiante, e que afinal, mesmo que acene com alguns atrativos, não dá garantia de nada, Katie e David preferem o que já conhecem.
"Reparação" também fala de amor e culpa, numa trama que prende o leitor do início ao fim. Se no livro de Hornby estes dois elementos então entrelaçados, aqui eles se dão em planos diferentes. McEwan imprime uma tensão sedutora ao longo de toda a narrativa em um romance que surpreende ainda, ao final, ao mostrar um novo ponto de vista através do qual toda a estória pode ser vista como uma reflexão sobre as relações e os limites entre arte e realidade.
A trama se passa em torno de Briony Tallis, pré-adolescente imaginativa com talento para a literatura. Em 1935, numa casa de campo, a família irá se reunir. Para o retorno de Leon, irmão mais velho, Briony escreveu uma peça e a ensaia com os primos recém chegados. Cecília, a outra irmã, já está de volta a casa. E é ela que protagoniza uma cena que a menina de 13 anos não conseguirá entender. De uma janela, Briony assiste a irmã entrar semi-nua numa fonte, sob os olhos de Robbie, filho da faxineira, que sob a proteção da família Tallis se prepara para estudar medicina. A visão da cena aliada à fantasia da menina gera desdobramentos em sua mente que a levam a cometer um crime, que irá mudar a sua vida e de toda a família.
A narrativa apresenta as ações sendo descritas pelo ponto de vista dos diferentes personagens, o que faz com que a descrição dos mesmos acontecimentos gere não apenas uma riqueza maior de detalhes, mas também a percepção de que descrever é interpretar e, portanto, construir diferentes realidades. Não existem fatos absolutos, cada descrição constrói uma realidade própria.
Dividido em três partes, o livro apresenta também uma descrição magistral e tocante da presença dos soldados ingleses na França durante a Segunda Guerra, e a enorme distância entre o que era relatado oficialmente e a situação real da guerra naquele país. Traz também um quadro da Londres no início da guerra, antes dos ataques alemães, quando a população não tinha idéia do que viria acontecer, amortecida também por uma discutível apresentação oficial das autoridades quanto ao que acontecia de fato. Tanto nessa apresentação da guerra e da cidade de Londres, quanto no seu núcleo central, o romance se abre, através da beleza narrativa, a uma atraente investigação filosófica das relações entre os fatos e suas interpretações.

"Como ser Legal", Nick Hornby, Editora Rocco, 308 páginas, R$ 31,00
"Reparação", de Ian McEwan, Editora Companhia das Letras, 444 páginas, R$ 39,50
Antonio Madalena, escritor.


Bonson expõe aquarelas
e desenhos em São Paulo

Artista participa, com outros catarinenses, de mostra que reúne obras de todo o Brasil

Ana Cláudia Menezes

Florianópolis - O artista plástico e chargista Sérgio Bonson expõe, a partir de segunda-feira, quatro de seus desenhos e aquarelas em São Paulo. O escritório de arte Jorge Novaes abre a exposição Ecologia, Paisagens e Patrimônios do Brasil com a participação das obras de 23 representantes de vários Estados brasileiros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Além de Bonson, de Santa Catarina estarão presentes na mostra Cirley Ludwig, Loiva Biff e Hamilton Cordeiro.
A série de aquarelas e desenhos de Bonson, chargista do AN capital, suplemento de A Notícia na Grande Florianópolis, começou a ser produzida em 1999, retratando o centro urbano de Florianópolis. Desde então tem sido vista em vários locais - em exposições individuais ou impressa em camisetas, o veículo que melhor tem servido para divulgar a obra do artista, nascido em Florianópolis há 52 anos. "É muito difícil a venda de trabalhos sobre papel. As pessoas pensam que eles não duram", explica. Ele esclarece que após o término de cada desenho, pincela uma camada de solução de formol nas "costas" do papel. O desenho, acredita, é o registro, a caligrafia do artista, mas, mesmo assim, pouco valorizado e abafado pelo "predomínio" do óleo nas artes plásticas. Por isso, as galerias de arte em Florianópolis pouco espaço dão a essa técnica. Atualmente, Bonson está envolvido na elaboração de uma série de aquarelas sobre Florianópolis à noite. "O problema é iluminar a prancheta", brinca.

O QUÊ: EXPOSIÇÃO DE ARTE ECOLOGIA, PAISAGENS E PATRIMÔNIOS DO BRASIL. QUANDO: De 5 a 27 de novembro. Abertura na segunda, 19h. ONDE: Jorge Novaes Escritório de Arte, av. Armando Ferrentini, 668, Aclimação, São Paulo, tel.: (11) 3346-7799/3207-9199.


Encontro avalia
história cultural da atualidade

Florianópolis - O 9o Encontro Estadual de História, que acontece entre domingo e a próxima quinta-feira, na Capital, servirá para a discussão de teoria e metodologia da história cultural da atualidade. Professores pesquisadores e historiadores irão apresentar trabalhos e debater temas novos desta ciência - como a história ambiental - além de outros tradicionais como as idades antiga, média, moderna e contemporânea, religião e cinema, evolução dos Estados das regiões Sul e Sudeste, entre outros.
A abertura oficial acontece neste domingo, com sessão de autógrafos de três livros recém-lançados e que abordam assuntos pontuais da história catarinense: "As Correspondências - Uma História das Cartas e das Práticas de Escritas do Vale do Itajaí" (EdUFSC), de Marlon Salomon; "A Fabricação Escolar das Elites: O Ginásio Catarinense da Primeira República" (Editora Cidade Futura), de Norberto Dallabrida; e "A Formação da Colônia Alemã Teresópolis e a Atuação da Igreja Católica (edição do autor), de Toni Vidal Jochem.
Ao todo, são 215 trabalhos inscritos, que serão apresentados em cinco minicursos, nove mesas-redondas, 51 comunicações coordenadas (grupos de estudo), 20 painéis e quatro conferências com convidados especiais. Na segunda-feira, a primeira conferência será às 10 horas, com o professsor doutor em história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tomaz Tadeu da Silva, que falará sobre "Pensamento da Diferença e Educação". No mesmo dia, às 18h30, será a vez da professora doutora Joana Maria Pedro, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com "Estudos de Gênero e História".

PROGRAMA

As conferências acontecem no auditório da Reitoria e estão programadas ainda as palestras dos professores-doutores Kátia Maria Abud, da Universidade de São Paulo (USP); Durval Muniz de Albuquerque Júnior, da Universidade Federal da Paraíba, e José Rivair de Macedo, também da UFRGS.

O QUÊ: 9º ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA. QUANDO: Até quinta, dia 7, durante todo o dia; amanhã às 18h, abertura oficial. ONDE: Auditório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Trindade, Florianópolis, tel.: (48) 331-9359, ramal 5. QUANTO: Gratuito. INFORMAÇÕES: www.cfh.ufsc.br/~anpuhsc


Festas entram
no clima do pop e techno

Brusque - A Ibiza promove, neste sábado, a festa Exotic Ibiza, tocando uma trilha que vai do tech-house ao som mais progressivo, apontando as músicas que estão fazendo sucesso nas pistas da Inglaterra, Bélgica, França e Estados Unidos.
Na pista principal estarão o DJ residente Zeca Fernandes, o DJ Rodrigo Ferrari, e o DJ Ilan, da Big Fish, de Curitiba. Nos bares temáticos, estão o Dj Gavinha, na Terrazza do Cielo, Renato Rocha com o som "Disco do Las Dos Lunas", e Lala, no surf-bar KU.
Já o Baturité traz a banda Tempestade, na pista acústica, com pop e rock. Sons de Red Hot Chilli Peppers, Nirvana, The Calling, Madonna, Bee Gees, e os nacionais Legião Urbana, Barão Vermelho, Cazuza e Titãs estão no programa de hoje.
O Dj Handerson, na pista principal, mistura estilos, com techno, drumm and bass, hard e até o pop. Na pista Cellebration, Dj Juba toca as músicas que marcaram os anos 60, 70 e 80.

O QUÊ: Festa EXOTIC IBIZA. QUANDO: Hoje, 23h. ONDE: Ibiza, av. Atlântica, s/nº, Barra Sul (próximo ao Parque Unipraias), Balneário Camboriu, tel.: (47) 361-5318. QUANTO: R$ 15,00 (antecipados, Ibiza e Pit Stop).

O QUÊ: Show TEMPESTADE. QUANDO: Hoje, 23h. ONDE: Baturité, av. Atlântica, 5.900, Barra Sul, Balneário Camboriú, tel.: (47) 367-4897. QUANTO: R$ 10,00 (feminino)/R$ 15,00 (masculino), até 0h30; depois, R$15,00(feminino) e R$ 20,00 (masculino).


Dominando as pick-ups

Estão abertas as inscrições para um curso que vai ensinar os primeiros passos para quem quer se dar bem nas pick-ups e fazer sucesso nas pistas de dança. As aulas iniciam neste sábado, na rua Joaçaba, 204, no bairro Saguaçu, em Joinville, e acontecerão às terças, quartas, quintas e sábados. Ministrado pelo DJ Jeison Torres - que já tocou na Seven e Jamming Club e hoje atua em festas e raves -, o curso terá duração de 50 horas e custa R$ 100,00. Técnicas de mixagem, scratches, back to back, performance, tendências da música eletrônica, freqüências e noções de produção musical são algumas das "disciplinas" do curso. Mais informações pelo telefone (47) 9995-7796.


Duas peças
nos palcos da Capital

Teatro da Ubro e antiga fábrica abrigam espetáculos

Florianópolis - O teatro tem programação dupla este final de semana na Capital, com sessões das peças "Quinnipack - Mundos de Vidro", do grupo O Dromedário Loquaz, e "O Melhor de mim São Eles", montagem da Áprika Produção em Arte para textos literários de autores cujas obras estarão incluídas em perguntas do vestibular 2003 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Adaptação de Sulanger Bavaresco, também diretora do espetáculo, "Quinnipack" é baseado no texto "Castelli di Rabbia", do italiano Alessandro Baricco. Estreou na sexta-feira, num cenário inusitado montado no interior da antiga fábrica de bordados Hoepcke, e comemora os 21 anos da companhia, que tem entre seus fundadores Isnard Azevedo, que hoje empresta nome ao festival de teatro de Florianópolis. A história reúne personagens que vivem numa cidade imaginária e se confrontam com seus dramas, passados e presentes, e sonhos para o futuro.

Literatura

No Teatro da União Brasileira Recreativa Operária (Ubro), "O Melhor de Mim são Eles" mostra a adaptação dos contos "A Terceira Margem do Rio", "Luas-de-mel", "Famigerado" e "O Cavalo que Bebia Cerveja", do livro "Primeiras Histórias", de João Guimarães Rosa; "Zélica Tavares", "Simão Pedro", "Malvina Queluz" e "Lourenço Roxadel", de "Zélica e Outros", do catarinense Flávio José Cardozo; e poemas do "Livro sobre Nada", de Manoel de Barros.

O QUÊ: Peça QUINNIPACK - MUNDOS DE VIDRO, adaptação e direção de Sulanger Bavaresco para o texto literário Castelli di Rabbia, do autor italiano Alessandro Baricco. Com o Grupo Teatral O Dromedário Loquaz.
QUANDO: Pré-estréia hoje, às 21h. Temporada sexta, sábado e domingo, às 21h, até 8 de dezembro. ONDE: Antiga Fábrica de Bordados Hoepcke, rua Hoepcke, s/nº, centro, Florianópolis. QUANTO: R$ 10,00/R$ 5,00 (estudantes).

O QUÊ: Estréia do LITERATURA IN CENA, com o espetáculo O MELHOR DE MIM SÃO ELES, adaptação de textos de Guimarães Rosa, Flávio José Cardozo e Manoel de Barros, direção Rafael Pereira Oliveira. QUANDO: Hoje, 20h30. Temporada até 7/11, de segunda a sexta, 20h30; sábado e domingo, 17h e 20h30. ONDE: Teatro da Ubro, escadaria da rua Pedro Soares, centro (entre as ruas Artista Bittencourt e Anita Garibaldi), Florianópolis. QUANTO: R$ 12,00 (inteira)/R$ 6,00 (estudantes, professores classe artística e portadores de bônus).


Derico toca com o
irmão Sérgio em Florianópolis

Florianópolis - O Duo Sciotti, formado pelo irreverente Derico, integrante da banda Sexteto Onze e Meia, que dá ritmo ao programa do Jô Soares, e por seu irmão Sérgio Sciotti, faz show hoje, no Ópera Games, na Capital. Eles apresentam o repertório do disco que leva o nome da dupla e na qual Derico (sax e flauta) e Sérgio (piano), misturam estilos, o mesmo que dá a tônica do espetáculo descontraído e bem-humorado que fazem pelo Brasil.
Formando em 1982 para pequenas apresentações em festas e convenções, o Duo Ciotti ampliou ao longo da década passada o número de apresentações, abrindo espaços para shows em teatros e casas noturnas em todo o País. Graças aos vários anos de experiência, a dupla possui um repertório extremamente abrangente e diversificado, justamente para atender aos mais variados gostos musicais e aos mais exigentes públicos de todas as partes do Brasil.

Repertório

No show deste sábado, além das 12 faixas do disco "Derico & Sérgio", os irmãos interpretam músicas famosas como "Você é Linda" (Caetano Veloso); "Eleanor Rigby" (Paul McCartney), "Killing Me Softly With This Song" (Norman Gimble-Charles Fox); "Codinome Beija-Flor" (Cazuza); "Fato Consumado" (Djavan); "Imagine" (Paul McCartney/John Lennon); "Against All Odds", Phill Collins; "This Masquerade" (Leon Russel), entre outras.

O QUÊ: Show DERICO & SÉRGIO, com o Duo Sciotti. QUANDO: Hoje, 21h. ONDE: Ópera Games, av. Beira-mar Norte, 1.280, centro, Florianópolis, tel.: 225-1550. QUANTO: R$ 7,00.


Desenvolvendo o talento

Adolescentes expõem trabalhos e já pensam em carreira artística

Marlise Groth

Joinville - Acostumada a receber artistas com carreira já consolidada, a Galeria de Arte Victor Kursancew sedia, até o dia 7, trabalhos dos 49 adolescentes que participam do curso de arte juvenil da Escola de Artes Fritz Alt, na Casa da Cultura. A mostra de desenhos, pinturas e esculturas reflete o espírito jovem e contrasta com a porcelana e faiança dos adultos que também participam da coletiva.
De acordo com a professora Evelise Maria Vieira Dietrich, o diferencial do curso de arte juvenil é o interesse dos adolescentes em aprender. Com o mínimo de faltas, as turmas cobram resultados e unem conhecimentos teóricos e técnicos que agora podem ser vistos na exposição. Além de desenvolver o fazer artístico, o programa de desenho, pintura, modelagem e escultura promove o conhecimento das técnicas sempre buscando ganchos na história da arte.
Assim, é possível estudar perspectiva e viajar pelo Renascimento e explorar as histórias em quadrinhos compreendendo um pouco do que foi a Pop Art. Relacionar volumes e texturas ao Modernismo e assim por diante. "A história da arte não é vista de forma linear, mas faz parte do cotidiano desses alunos fazendo com que desenvolvam um olhar mais sensível e atento diante do mundo", registra Evelise.
E para conseguir manter a atenção da turminha, as professoras Evelise, Juliana Appel e Heloísa Steffen precisam de jogo de cintura. "Os interesses são diversos e as nossas propostas devem vir ao encontro da expectativa dos alunos, sem fugir do programa pré-estabelecido", observa.
Para Mariá de Sousa, 14 anos, a carreira artística é um sonho a ser concretizado. O mesmo pensa André Luiz Raulino, 14, cuja habilidade aparece em histórias em quadrinhos. "Meu sonho é ter tirinhas publicadas no Anexo", declara. Com uma irmã musicista, Rodrigo Spezia, 14, vê na arte um futuro promissor e investe na pintura e na cerâmica. Com conhecimento adiantado, já deu aula no colégio sobre ponto de fuga. Embora seja um apaixonado pelo computador, Andreas Stollmeier, 13, não costuma faltar às aulas de arte para desenvolver o desenho. "Para quem só fazia 'zé palito' meus resultados podem ser considerados obra de arte", completa Jaqueline Giovanella, 14, que precisou convencer a mãe para freqüentar as aulas.

O QUÊ: Exposição de Arte Juvenil, Porcelana e Faiança. QUANDO: Até 7 de novembro, de segunda a sexta, das 8 às 12h e das 14 às 20h. Sábado, das 9 às 12h. ONDE: Galeria Municipal de Arte Victor Kursancew, Casa da Cultura, rua Dona Francisca, 800, Joinville, tel.: (47) 433-2266. QUANTO: Gratuito.


Um jeito
diferente de ser

Jovens buscam alternativas para derrubar padrões mesmo com toda a modernidade dos anos 2000

Rosane Berti
Especial para o Anexo

Florianópolis - Romper com os costumes faz parte da adolescência. De uma forma ou outra as últimas gerações sabem sobre os movimentos que envolveram jovens como eles nos anos 60. Woodstock (1969) e a luta armada contra o regime militar brasileiro que impedia a liberdade de expressão (de 1964 a 1968) são dois exemplos que mostraram o inconformismo com o quadro social daqueles momentos. "Todo mundo sabe que hoje está uma merda, mas ninguém faz nada para mudar por falta de objetivos claros. Se fosse uma causa importante para muita gente eu entraria em um movimento para melhorar o mundo", garante a estudante Nara Rocha, 16 anos.
Ao fazer o gênero radical e infantil ao mesmo tempo, Nara mostra seu jeito diferente de ser, embora não admita. Quatro furos numa orelha e dois na outra levam piercings e dois pequenos brincos, rosas e liláses. A exemplo dos brincos, as presilhas no cabelo liso e curto e a mochila cor roxa nas costas também dão um tom de menina. Já a saia de nylon abaixo dos joelhos e os tênis botinhas, pretos como a camiseta, tem o escuro quebrado pelo tom alaranjado das meias. "Não sou diferente, sou apenas original", diz Nara.
Três anos a mais que Nara, o estudante do 2o ano do 2o grau, Everson Vargas, 19, já pensa no vestibular, de música ou ciências da computação. O cabelo, até há poucos dias na altura dos ombros, agora está curto. Superiores da empresa onde trabalha não exigiram, mas comentaram que ficaria com melhor aparência. "Era uma forma de ser diferente, mas a sociedade cobra um padrão perfeito para a pessoa. Hoje é preciso ser bem-sucedido, estar bem vestido, saber se expressar e ter uma boa aparência física. É difícil ser diferente porque a sociedade discrimina quem tenta ousar."
A cruz egípcia, pingente da corrente no pescoço de Everson, segundo ele significa sociedade alternativa. "Foi criada em 1974 para repugnar a ditadura militar", diz. E cita Woodstock, o movimento que recebeu em torno de um milhão pessoas em prol da paz e do amor livre. "Foi uma boa manifestação que incentivou as pessoas a ter liberdade de cultura e expressão. Nos dias de hoje, um movimento que admiro é o Greenpeace, organização não-governamental (ONG) que atua na preservação ambiental, porque seus integrantes lutam por um objetivo sério", afirma.
Sobre Woodstock, Vitor Favero, 16 anos, cursando o 2o grau, garante que se um movimento semelhante ocorresse atualmente estaria participando. "Se pudesse fazer algo bem diferente, tentaria acabar com a lei da selva, essa coisa de um homem querer dominar o outro."
O estudante Marcelo Mendes Nazario, 20 anos recém feitos, traz uma moeda de 0,10 centavos, datada de 1986, pendurada na corrente ao pescoço. "Como faço coleção de moedas e tinha essa repetida, usei uma furadeira para passar a corrente. É legal usar algo diferente", diz. Outra alternativa utilizada por Marcelo para romper com ao costumes atuais são os gritos. "Tento ser bem extrovertido e grito na rua justamente para chamar a atenção. É um jeito que encontrei de tentar alegrar o povo", observa.
Enquanto Marcelo busca formas de se manifestar, sua amiga, Patrícia Figueiredo Gomes, 14 anos e na 8a série, apesar da idade, desistiu por conta própria de levar adiante o ano letivo de 2002. Patrícia percebeu que suas notas seriam insuficientes para a aprovação. Diz que levou bronca dos pais, mas nada tão sério a ponto de ser castigada ou impedida de sair de casa para se divertir com os amigos ou ter hora para voltar. Talvez seja justamente herança da liberdade conquistada nos tempos de Woodstock, quando seus pais eram mais jovens. "Não gosto e não entendo a maioria das disciplinas, até me esforço, mas não consigo entender", justifica Patrícia. Ela diz que pretende voltar aos estudos no próximo ano.


Woody Allen,
cada vez melhor

"O Escorpião de Jade" apresenta roteiro com humor inteligente e sofisticado

LUIZ ZANIN ORICCHIO
AGÊNCIA ESTADO

São Paulo - Pode ser que Woody Allen não seja mais tão profundo, mas ninguém pode negar que esteja cada vez mais engraçado. Se duvidar, confira este "O Escorpião de Jade". Você irá ver um Allen livre, leve e solto, empenhado apenas naquilo que sabe fazer melhor - humor. E humor inteligente, sofisticado, sem necessidade de ostentação de QI.
A trama usa um recurso cômico dos mais manjados - a pessoa hipnotizada, que faz as coisas e depois não se lembra de nada. Allen é C.W. Briggs, detetive de uma companhia de seguros, e que tem em seu currículo a recuperação de um Picasso que desaparecera. Mas seu reinado passa a perigar com a contratação de Ann Fitzgerald (Helen Hunt), gerente que propõe novos métodos de organização para a empresa. Ela é esse tipo de profissional, amado pelos patrões, que gosta de cortar custos e funcionários. Briggs é um velho detetive, auto-suficiente, avesso a novidades. Ann e Briggs se detestam, de forma nada cordial.
Numa festa da firma, um mágico hipnotiza os dois e faz com que se acreditem perdidamente apaixonados um pelo outro. Mas o hipnotizador guarda para si um trunfo na manga. Sob o estímulo de uma determinada palavra mágica, Allen passará a agir sob o seu controle, e uma vez desperto irá ignorar o que fez. Muito útil, pois esse detetive especializado em furtos poderá ser usado justamente para furtar. No caso, afanar jóias de grande valor, entre elas o escorpião do título. O recurso cômico faz com que Briggs passe a investigar crimes que ele mesmo cometeu. E viver aventuras que não havia previsto - sendo que conhecer o avião Charlize Theron certamente não é das menores.
Com "O Escorpião de Jade", além de continuar investindo na linha da comédia pura, Allen dialoga com algumas tradições do melhor cinema americano, no caso, a do filme noir. Um diálogo cômico, desmistificador, que corrói a seriedade do tipo consagrado por Humphrey Bogart, um dos ícones de Allen. Briggs é um Sam Spade trapalhão, pouco à vontade diante de mulheres desinibidas e, no fundo, nem um pouco brilhante. Mas é a soma de suas insuficiências que faz o seu encanto.
E, claro, há uma inteligência de fundo nesse detetive boboca, que acabará por conquistar não apenas a platéia como uma mulher em princípio refratária a ele. Allen é um mestre nesse tipo de autoparódia. Construiu a imagem de fragilidade para si mesmo, para seus personagens, e trabalha bem com o estereótipo. Sabe mantê-lo e desconstruí-lo ao mesmo tempo. Quer dizer, sabe que o público deseja ver um Woody Allen frágil e limitado, sendo que esse mesmo público sabe que ele não é nada disso na realidade. É, sim, uma pessoa extremamente bem-sucedida, que controla com eficácia a sua vida profissional e pessoal. Pode-se intuir que seja também muito bem resolvido mentalmente, por causa, ou talvez apesar das incontáveis horas de vôo em divãs de analistas.
Pelo menos, para a felicidade dos seus fãs, Allen tem sabido administrar sua angústia e diluí-la em doses generosas de humor. Basta lembrar que desde o doloroso fim do casamento com Mia Farrow, ele já dirigiu filmes tão engraçados como "Poderosa Afrodite", "Desconstruindo Harry", "Trapaceiros" e agora "O Escorpião de Jade". Um longa-metragem por ano, mantendo invejável nível médio de qualidade, e paradoxalmente sofrendo para encontrar público em seu país de origem.

Manchetes AN

 Das últimas edições de Anexo
01/11 - Blumenau faz encontro de escritores
31/10 - Poeta do desencanto
30/10 - Excentricidades...
29/10 - Alma e fantasia
28/10 - Papo-cabeça com Ziraldo
27/10 - Esquecido pelo tempo
26/10 - Entre o concreto e o abstrato

Leia também

Prato Principal

Gostinho da colônia

Frango do tipo caipira volta ao mercado, resgantando a culinária com base nos livros de receitas das vovós

JEAN VILAS BOAS SOUZA
Especial para o Anexo

Concórdia - As agroindústrias que ajudaram a tornar o frango a carne mais barata do País estão descobrindo que há consumidor disposto a pagar mais por um produto que recupera as características da saudosa "galinha caipira". Já é possível encontrar em supermercados das principais cidades catarinenses aves com maior peso, coloração mais amarela e carne bem mais consistente. Elas levam no rótulo o adjetivo "caipira" ou "colonial" e são indicadas principalmente para pratos cozidos, como sopas, risotos e frango ao molho.
A avicultura passou de uma atividade incipiente para o setor mais organizado da agropecuária brasileira em 30 anos. Hoje, o Brasil é o segundo maior produtor de carne do gênero do mundo e exporta para vários mercados exigentes. Para chegar a esse patamar, o frango brasileiro mudou radicalmente do ponto de vista genético. Nos anos 60, eles demoravam mais de cem dias para ficarem prontos para o abate. Hoje, seguem para o frigorífico com 42 dias de idade em média.
A mudança genética que proporcionou a precocidade, interferiu na consistência da carne. Ela ficou extremamente macia e passou a se desprender do osso com muita facilidade. Essa característica, que não muda a qualidade do produto, dificulta a preparação de pratos que exigem um bom tempo de fervura. O contrário acontece com os do tipo caipira, que se prestam para longos cozimentos.
Só que as agroindústrias não estão pensando nas possibilidades culinárias para as quais essa variedade se permite. O que mais interessa aos frigoríficos é o preço de venda do frango especial. Enquanto um quilo do industrial custa pouco mais de R$ 1,00, os caipiras saem por três vezes mais.
O preço alto dessa varidade faz com sejam bastante procurados para almoços e jantares festivos, que normalmente são integrados por toda a família. "Como ele é maior, serve bem para ocasiões que reúnem mais pessoas", afirma o pesquisador Élsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves de Concórdia. Foi ele quem desenvolveu o frango colonial da Embrapa e acredita que os especiais podem atingir até 5% do mercado nacional de carne de frango.

PRATO SAUDÁVEL

O retorno do frango caipira está recuperando uma tradição ainda respeitada por muitas mulheres. Garantem as vovós que o caldo de galinha é o prato mais indicado para as mamães que acabaram de deixar a maternidade e estão no período da recuperação. "Antigamente se acreditava que ele funcionava como um antibiótico e ajudava a mulher a superar o esforço do parto", explica Janete Baseggio, especialista em pratos à base da carne de frango.
Entre os imigrantes italianos que colonizaram Concórdia e os demais municípios do Alto Uruguai catarinense, era comum após dar à luz, as mães em recuperação recebessem de presente das visitas uma galinha. A ave era fervida somente com água, sal e algum tempero durante um bom tempo, até que a carne ficasse macia.
Foi nessa época que se popularizou um prato típico italiano, conhecido como brodo. Servido principalmente em noites frias, é muito simples e fácil de fazer. Basta ferver por duas a três horas vários pedaços de frango, um maço amarrado de tempero verde, sal e água. Toma-se o caldo em grandes panelas com queijo ralado, acompanhado de torradinhas e lessa, palavra italiana que define a carne cozida retirada do caldo.

Asas apimentadas

Ingredientes
1 colher (sopa) de óleo vegetal
1 cebola picada
1 dente de alho, esmagado
1 pedaço de 2,5cm de gengibre fresco, descascado e picado
1/2 colher chá de pimenta caiena
1/2 colher (chá) de páprica
3 colheres (sopa) de vinagre de vinho tinto
85ml (1/3 de xícara) de ketchup
2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
2 colheres (sopa) de pimenta forte ou molho de pimenta malagueta
2 colheres (chá) de mostarda tipo Dijon
16 asas de frango.

Modo de preparar
Aqueça o óleo, cozinhe a cebola, o alho e o gengibre até ficarem macios. Adicione a pimenta caiena e a páprica. Cozinhe por um minuto, mexendo. Adicione o vinagre, o ketchup, o açúcar mascavo, o molho de pimenta e a mostarda e cozinhe por quatro a cinco minutos. Pré-aqueça o forno. Arrume as asas de frango em uma forma refratária rasa ou assadeira - não as coloque muito juntas umas às outras. Despeje por cima o molho e asse as asas de frango em forno forte por 12 a 15 minutos, virando e regando freqüentemente com o molho até ficarem crocantes.

Coxas com mel

Ingredientes
8 coxas de frango
4 colheres (sopa) de mel claro
2 colheres (chá) de mostarda tipo Dijon
2 colheres (chá) de mostarta em grão
1 colher (chá) de molho de soja (shoyu)
1 colher (chá) de alecrim seco.

Modo de preparar
Faça três cortes em diagonal na carne dos dois lados das coxas e cololoque em um prato refratário raso, ou assadeira. Misture o mel, as mostardas e o molho de soja e despeje sobre as coxas. Tampe e deixe marinar por uma hora, virando de vez em quando. Pré-aqueça o forno a 200 graus. Salpique o alecrim sobre as coxas e asse na parte superior do forno por 25 minutos. Aumente a temperatura para 230 graus e asse por mais dez minutos, regando e virando as coxas várias vezes. Qualquer marinada que restar na panela pode ser adicionada a quatro colheres (sopa) de maionese com algumas gotas de limão para servir com as coxas.

À provençal

Ingredientes
25g (6 colheres de chá) de manteiga
1 colher (sopa) de azeite de oliva
6 dentes de alho, descascados
4 coxas e 4 sobrecoxas de frango
115ml (1/2 xícara (chá) de xerez meio seco
400g de tomates em lata, picados
2 colheres (sopa) de massa de tomate
2 colheres (sopa) de ervas frescas picadas
sal
Pimenta-do-reino.

Modo de preparar
Em uma panela grande, aqueça a manteiga e o azeite, coloque o alho e o frango, com o lado da pele para baixo, e cozinhe por 15 minutos de um lado até o frango estar cozido pela metade. Adicione o xerez à panela e ferva rapidamente até reduzir à metade. Vire os pedaços de frango e continue a cozinhar até o xerez ter se reduzido. Adicione os tomates e a massa de tomate e continue cozinhando por mais 15 minutos, até o frango estar macio e o molho ter se reduzido a uma calda. Adicione as ervas picadas e tempere com um pouco de sal e pimenta-do-reino. Sirva com arroz de açafrão e vagens.


Jovem promessa

Estudante de gastronomia Eduardo Jacinto, de 23 anos, vence concurso na Fenaostra e ganha como prêmio curso na escola francesa La Rochelle

Regis mallmann

Florianópolis - Uma receita de ostras com molho de jabuticaba garantiu ao estudante de gastronomia da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Eduardo Avelar Jacinto, uma temporada de 15 dias na França, onde vai participar de cursos na escola La Rochelle, conceituada instituição que qualifica chefs do mundo inteiro. O prêmio foi obtido no concurso da categoria acadêmico da última Festa Nacional da Ostra (Fenaostra), em outubro, hoje o maior encontro do gênero no País.
Com assistência do colega de turma Fábio Coelho, com quem estuda no quarto semestre do curso, Eduardo surpreendeu a comissão julgadora ao criar uma combinação que bateu as demais receitas apresentadas na ocasião. Batizado de ostras em seus viveiros de criação com molho de jabuticaba - a fruta cozida com água e açúcar -, o prato foi servido com os moluscos deitados sobre um fundo de alcachofras e tomates concasse - despeleados num banho de água quente, sem semente, cortados em cubinhos. A guarnição era composta por batatas gratinadas, com ostras cozidas e creme de leite com ervas (tomilho, alecrim e noz-moscada). A iguaria aponta para a criatividade de Eduardo, que aos 23 anos é uma jovem promessa, cujos primeiros passos no mundo da culinária foram dados no final da década de 90 ao prestar serviço militar na Base Aérea de Florianópolis (BAF). O bom desempenho nesse período o qualificou para trabalhar na cozinha, onde atentos olhares se voltaram para ele, que acabou sendo convidado para trabalhar na casa do comandante.
Foi nessa época que ele se decidiu por prestar vestibular para gastronomia. "O Fábio tem um pouco de responsabilidade nisso", conta, lembrando que na época eles eram colegas na BAF, onde Eduardo continua lotado. Além de estudarem, Eduardo continua na carreira militar e Fábio trabalha na cozinha de um hotel da Capital.
Ambos afirmam que o mercado profissional para o qual estão se preparando cresceu muito em Santa Catarina. Lamentam, entretanto, que a remuneração ainda não seja equivalente. "Ainda não se paga tão bem", diz Eduardo, que espera da Prefeitura de Florianópolis a definição para usufruir o prêmio que ganhou, o que deve ocorrer, acredita ele, no primeiro semestre do próximo ano.


Sabores do Paraná

Mostra reúne em Curitiba o melhor da comida e serviços do gênero

Florianópolis - Uma visão do mundo gastronômico curitibano e suas peculiaridades reunidos num só local. Este é objetivo da 3a Mostra de Gastronomia - Feira de Restaurantes e Afins, que acontece de 7 a 10 de novembro, no Shopping Novo Batel, na capital paranaense, quando estarão reunidos mais de 60 expositores. A expectativa é de que mais de 12 mil visitantes passem pela feira, que irá reunir neste ano expositores de gastronomia, restaurantes, bares, panificadoras, delicatessen, lojas de conveniência, produtos para cestas, artigos e compras natalinas, que já estarão disponíveis à venda, e diversas empresas do ramo de fornecimento de alimentação, móveis e utensílios para restaurantes, bares e cozinhas em geral. Entre as novidades, o público não vai resistir às delícias: chocolates e trufas importados, doces franceses, massas especiais para Natal e Ano-Novo, lançamentos de produtos como leite condensado e brigadeiro para diabéticos, suspiro diet, linha de adoçantes à base de stévia, degustação de carnes exóticas, cervejas artesanais, máquinas para fabricação de cafés, extratos, balas e sorvetes feitos à base de erva-mate, queijos especiais, cestas e produtos natalinos, utensílios importados para restaurantes, linha de eletrodomésticos importada, panelas francesas, etc. A degustação de vinhos com a presença de especialistas que farão palestras sobre vinhos nacionais e importados é outra atividade que deve atrair muitos participantes. Na edição de 2001, a Mostra Curitibana de Restaurantes e Afins contou com um público de 9 mil pessoas, durante os quatro dias de evento. Os negócios realizados movimentaram em torno de R$ 10 milhões. Este ano, os organizadores calculam um aumento de 10% nas vendas, apostando na variedade de produtos e serviços e nas atrações programadas durante a feira.

O QUÊ: 3ª MOSTRA DE GASTRONOMIA - FEIRA DE RESTAURANTES E AFINS. QUANDO: De 7 a 10 de novembro, das 16 às 22h. ONDE: Piso C do Shopping Novo Batel, rua Cel. Dulcídio, 517, Batel, Curitiba. QUANTO: R$ 5,00, com renda destinada a uma instituição de caridade.


VIVA A PIZZA!

A pizza pode ser encontrada em praticamente todos os lugares do mundo. Ela se tornou, nos últimos 15 anos, um dos carros-chefes das lojas de conveniência e fast food. Uma grande variedade de massas frescas e congeladas também é encontrada em supermercados, mercearias e padarias, para assar em casa. De modestas origens, quando era vendida nas ruas de Nápoles, ela cresceu para tornar-se uma maneira sofisticada de comer uma variedade rica de ingredientes deliciosos, desde a simples combinação de tomate e queijo, assada com ervas frescas e azeite de oliva, até os exóticas de mariscos, verduras e condimentos orientais.
Em Nápoles, num verão por volta do fim de 1800, a rainha Margherita de Sabóia morava com a sua família no parque de Capodimonte. Ela ouvira falar muito sobre a pizza e decidiu experimentá-la. O pizzaiolo local foi convocado e serviu-lhe uma com um recheio que acabara de inventar. Daquela época em diante, a pizza de molho de tomate, queijo, muzzarela e manjericão fresco é conhecida como Margherita.
Até aquela época, elas eram vendidas nas ruas para as pessoas do povo, no café da manhã, almoço e jantar. Eram assadas em uma forma grande e cortada em fatias, com um recheio simples de cogumelos e anchovas. À medida que se tornou mais popular, erguiam-se barracas onde a massa era feita na hora, no formato solicitado pelo cliente. Vários recheios foram inventados, inclusive o de tomate, que chegara da América. O hábito cresceu e contribuiu para a abertura da pizzeria, um local a céu aberto, onde as pessoas se reuniam para comer, beber e conversar.
Isso logo se transformou nas pizzarias que temos hoje e que gozam de tanta popularidade. A massa básica é assada em outros países do mediterrâneo há muito tempo. Os franceses têm a sua própria receita de pissaladière. Nos países do Oriente Médio, há o pão pitta, e a Espanha usa a massa com recheios deliciosos e picantes. Até mesmo na longínqua e tradicional China, o mesmo tipo de massa é cozida no vapor e servido em forma de petiscos recheados . Apesar da sua popularidade constante, parece que a pizza está se tornando uma comida sofisticada e da moda, com recheios exóticos, ou tomou formas diferentes, grandes e pequenas, com recheios excitantes. Quem sabe o que acontecerá com a elas nos próximos anos ?

Minha receita

À Moda Frederico

Cesta de ingredientes
Massa de pizza; tomates maduros; cebola; alho; orégano fresco; manjericão fresco; vinho branco seco; noz-moscada; sal; azeite de oliva; muzzarela de búfala; atum cru e fresco; abobrinha verde; gemas de ovos.

Modo de preparar
Prepare a massa da pizza ou compre pronta (a massa do seu gosto). Pré-aqueça o forno. Faça um molho com tomates maduros sem pele, cebola branca ralada, alho ralado, orégano fresco, manjericão fresco, meio copo de vinho branco seco, noz-moscada, sal e azeite de oliva. Refogue bem até formar um molho denso. Cubra a massa com o molho. Cubra o molho com muzzarela de búfala, jogue por cima fatias bem finas de atum fresco, fatias finas de abobrinha verde e gemas de ovos, batido com pouco sal. Cubra novamente com muzzarela. Por último cubra tudo com o molho. Bote a pizza no forno com o fogo médio por 15 minutos. Está pronta. Degusta com azeite de oliva, pimenta-do-reino moída na hora e um branco seco.


Degustação de vinho

Estive a convite de Vilmar Schürmann, no seu mais novo empreendimento, o Hotel Recanto das Águas, entre Balneário Camboriú e Itajaí, para uma degustação da vinícola Valduga. Estiveram presentes nesse evento representantes de todo o Estado, gente apaixonada por vinho. O palestrante foi o próprio Valduga, que trouxe a melhor safra de seus vinhos, das últimas décadas: a de 2002. Realmente, uma oportunidade maravilhosa e de inestimável valor ao paladar e prazer dos participantes. Essa noite agradável acabou com um requintado jantar, onde como prato principal foi servido um medalhão de cherne ao molho de baunilha. O peixe de 145 quilos, foi pescado pelo próprio anfitrião. Parabéns pela iniciativa do evento, e espero que outros empreendimentos do setor possam estar trazendo para a sociedade catarinense as novidades da nossa gastronomia.

 
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