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Avaliação
Com a cabeça em 2007
Enquanto comemora
sucesso do 24º Festival, comissão organizadora estuda
novidades para os 25 anos

Apresentação da David Parsons Dance
Company na Noite de Gala do dia 25, momento que representa a
internacionalização do evento. Foto: Pena Filho/AN
Juliano Nunes
Depois de 11 dias intensos de dança, estudos, pesquisas,
polêmicas e afins em torno do assunto, o 24º Festival
de Dança de Joinville chegou ao fim na noite de sábado,
com a Noite dos Campeões. A 25ª edição
já tem data definida: 18 a 28 de julho de 2007. Reunião
no final de agosto começará a delineá-la.
Por enquanto, os organizadores só adiantam que estudam
novidades para 2007. O diretor executivo do Instituto Festival
de Dança, Ely Diniz, afirma que há "muitas
idéias", e uma delas é intensificar parcerias
com a iniciativa privada.
Na manhã deste sábado, a organização
realizou reunião, onde avaliou positivamente o evento
que se encerra. Para o presidente do instituto, José Francisco
Payão, a equipe por trás do evento é a grande
responsável pelo sucesso. Pela primeira vez, ele acompanhou
de perto os trabalhos, e chegou à conclusão de
que o festival é o que é "porque tem equipe
que veste a camisa". Todos apoiados na experiência
aprimorada desde a 1ª edição, em 1983. Payão
reparou ainda que muitos costumam retornar por anos seguidos.
"Isso demonstra que o festival tem luz especial", disse.
A premiação também foi abordada por Payão.
No seu entendimento, os concorrentes mudaram a concepção
e não têm mais prioridade de ficar em primeiro.
"O que querem é se apresentar", entende.
Ainda de acordo com Diniz, o Festival de Dança segue tendência
de promover cada vez mais atividades simultâneas. E cita
as apresentações em palcos abertos em horários
coincidentes a outras atividades. Destaca o processo de internacionalização,
representado pela David Parsons Dance Company na Noite de Gala.
Para receber tais atrações, lembra ser preciso
estar atento à estrutura, que, por sinal, é a mesma
oferecida a todos os outros grupos. "O festival tem condições
de receber personalidades da dança com dignidade",
considera.
Diniz ressalta ainda a acessibilidade do evento a todo o público
em função dos preços praticados. De acordo
com ele, enquanto o ingressos mais baratos para a apresentação
da David Parsons Dance Company, na Noite de Gala deste ano, custavam
R$ 10,00, o mesmo espetáculo, no restante da turnê
custa entre R$ 80,00 e R$ 140,00.
Para a conselheira artística Silvia Soter, os participantes
do festival têm freqüentado mais atividades enquanto
estão no evento. "Ele fica muito mais horas aqui
dentro", disse. Elogia as reuniões entre jurados
e dançarinos, como encontros produtivos a todos. Destaca
ainda a crescente profissionalização das próprias
companhias concorrentes, ao explorarem cada vez melhor luz, som,
cenário, figurino, etc.
Para Carlota Portella, também do conselho, o festival
acertou em tornar o Meia-ponta mostra não-competitiva,
ao contrário do ano passado. "As crianças
se sentiram aliviadas!", acredita. A dança contemporânea
foi o destaque das noites competitivas, para Portella, que percebeu
comprometimento com a qualidade dos espetáculos. Soter
concorda e acrescenta: "É legitimação
do festival como espaço para a dança contemporânea".
Lembra que há profissionais migrando de gêneros
como jazz para o contemporâneo.
A participação de portadores de necessidades especiais
também foi abordada. É consenso entre os organizadores
o caráter inclusivo das apresentações que
chegarem até mesmo aos locais públicos.
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CrÍtica
Acabou. Que venham os 25 anos!
mrosolia@terra.com.br
Julho é um mês esperado pelos bailarinos de todo
o Brasil. É nas férias que eles respiram a arte
que mais lhes toca. E é em Joinville que tudo se transforma
em dança. Quantos não vêm de longe e passam
dias dentro de um ônibus, ou apertados numa van? Também
tem aqueles que chegam com o dinheiro contado, que dançam
por amor e vão embora sem aproveitar os outros dias. Sim,
esses casos existem, bem na frente dos nossos olhos, e muitas
vezes não somos capazes de lembrar ou parar para pensar
como a dança é capaz de trabalhar com o sacrifício.
Independente de colocação, os bailarinos e suas
bolhas nos pés tiveram o pagamento mais importante: o
aplauso. E isso o público do 24º Festival de Dança
soube dar.
Desde o dia 19, a cidade se transformou na Capital da Dança.
Todos foram presenteados com um leque de opções.
Quantos poderiam ir ao Rio de Janeiro assistir ao espetáculo
"A Criação", do alemão Uwe Scholz
(1958-2004), com interpretação do Ballet do Teatro
Municipal do Rio de Janeiro? Ou ir a uma das apresentações
de "Some Like It Hot", que a The Parsons Dance Company
faz no Brasil? Não foi preciso mover muitos músculos,
pois estavam diante dos olhos de mais de 5.000 pessoas por um
preço acessível. Isso é a popularização
da dança, importante para a sobrevivência da arte
num País como o Brasil.
O público ainda pôde assistir às apresentações
do "Meia-ponta" - evento específico para jovens
bailarinos entre dez e 12 anos - e também aos espetáculos
profissionais da "Mostra de Dança Contemporânea",
que trouxe linguagens diversificadas ao Teatro Juarez Machado.
No ano que vem, se mais noites forem criadas, com certeza serão
bem aceitas. As noites competitivas - apesar de algumas não
terem sido tão boas assim - revelaram jurados com bom
senso de justiça (crítica e estética). Por
isso muitas categorias não foram premiadas em primeiro
lugar, como jazz conjunto sênior, dança de rua conjunto
júnior, balé clássico conjunto avançado,
sapateado conjunto sênior, balé clássico
grand pas de deux avançado e outras.
Pontos positivos para o encontro com os jurados, no qual os grupos
puderam esclarecer eventuais dúvidas quanto às
notas e a apresentação como um todo. Esse intercâmbio
é importante, afinal a banca do júri é muitas
vezes "a" referência de coreógrafos. Deu
para perceber como Roseli Rodrigues (Raça Cia de Dança
de São Paulo) e seu "Caminho da Seda" foram
homenageados neste festival. E também ao espaço
literário, no qual livros sobre dança foram lançados.
É a teoria e prática em um só lugar.
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Noite de gala
Hora de aplaudir os melhores do
Festival de Dança
Chega ao fim mais um Festival de Dança de Joinville,
e com ele toda a sorte de movimentos, bruscos ou doces, rápidos
ou suaves, vista ao longo dos últimos 11 dias na maior
cidade de Santa Catarina. E não só na arena do
Centreventos Cau Hansen, mas nas praças, shoppings, hospitais,
fábricas, na Feira da Sapatilha, nas ruas tomadas de bailarinos
que arriscam um passo onde quer que estejam. No entanto, antes
de as cortinas serem baixadas definitivamente, a última
noite do festival (sábado) é a "saideira"
perfeita. Dedicada aos campeões de cada modalidade, reúne
no palco do Cau Hansen aqueles que os jurados consideraram os
melhores para um último e consagrador aplauso. Através
deles, o AN Festival rende sua homenagem a todos os participantes
- bailarinos, professores, coreógrafos, jurados, organizadores,
convidados especiais - e diz: até 2006, nas bodas de prata
do Festival de Dança de Joinville. As imagens são
Pena Filho e Cléber Gomes

Fúria das ruas

Grupo Kadwah

Galpão 1 Erika Novachi

Dança Rio

Banana Broadway

Millennium

Pavilhãozinho

Juliana Garcia

Sheilas Ballet

Tania Suares

Vera Passos

Ballet Paula Tiretti

Lyceu

Cia. do Mato

Grupo de danças folclóricas alemãs da Furb

Especial academia de ballet

Assaf e Franzoi

Especial academia de ballet

Centro de dança rio

Personal
Os campeões
Os primeiros lugares
Balé clássico de repertório pas de trois
júnior: Centro de Dança Rio (RJ)
Balé clássico de repertório grande pas de
deux sênior: Especial Academia de Ballet (SP)
Balé clássico de repertório variação
feminina júnior: Lyceu Centro de Danças Clássicas
(RJ)
Danças Populares conjunto avançada: Grupo de Danças
Folclóricas Alemãs da Furb (SC)
Balé clássico conjunto júnior: Pavilhãozinho
(SP)
Balé clássico solo feminino júnior: Ballet
Tânia Suares Cidade Mariana (MG)
Dança contemporânea conjunto avançada: Kadwah
Grupo de Dança (SP)
Dança de rua conjunto sênior: Grupo de Dança
Millennium (SC)
Balé clássico de repertório pas de deux
júnior: Pavilhãozinho (SP)
Balé clássico de repertório variação
feminina sênior: Especial Academia de Ballet (SP)
Balé clássico de repertório variação
masculina sênior: Centro de Dança Rio (RJ)
Jazz conjunto avançada: Galpão 1 Erika Novachi
Grupo de Dança (SP)
Danças populares conjunto sênior: Banana Broadway
(SP)
Danças populares conjunto sênior: Academia Sheilas
Ballet (SP)
Sapateado conjunto avançada: Studio de Sapateado Juliana
Garcia (SP)
Balé clássico de repertório variação
feminina avançada: Ballet Paula Firetti (SP)
Dança contemporânea trio avançada: Cia. do
Mato (MS)
Dança contemporânea solo masculino avançada:
Banguê Cia. de Dança (RN)
Dança de rua conjunto avançada: Fúria das
Rua (SC)
Dança contemporânea solo feminino avançada:
Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão (RN)
Balé clássico de repertório variação
masculina júnior: Personal Studio Ballet Elisa (SP)
Balé clássico de repertório conjunto avançada:
Escola Estadual de Danças Maria Olewa (RJ)
Balé clássico de repertório conjunto sênior:
Ballet Assaf e Franzoi (SP)
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Adri Buch
E o festival chegou ao fim
Chegamos na sexta-feira à última noite competitiva
do Festival de Dança e neste sábado à esperada
Noite dos Campeões, e nem bem a 24ª edição
se despede, já deixa saudades e gostinho de quero mais.
De 19 a 29 de julho, foram apresentados ao público grandes
espetáculos e os melhores talentos do Brasil, demonstrando
muita criatividade na arte da dança.
Para que o 24º Festival obtivesse o sucesso já confirmado,
é importante destacar a dedicação e horas
de trabalho de centenas de pessoas que não se apresentaram
no palco, mas realizaram seu show por trás das cortinas.
A soma da dedicação dos participantes e da estrutura
do festival, além do trato com a imprensa, resultou na
satisfação do público.

Vice-prefeito de Nova Veneza (SC) Marcos Aurélio Spilare
e Adriana Spilare torcem pelo grupo de sua cidade

Presidentes da Associação Brasileira de Jornalistas
de Turismo Cláudio Magnavita, da Promotur Vilmar de Souza,
da Agência de Desenvolvimento do Turismo da Mesorregião
Sul, Ricardo Ziemath, e a aluna do Bolshoi do Brasil, Mariana
Zschoerper

Therence Mir e Tânia Polzin prestigiam camarote com os
amigos

Música: Francisco Cassemiro, responsável por toda
a parte técnica da sonorização

Patrocinadores: Cléber Daniel Cardoso, Ivone Hoffmann,
Lauro Machado Filho
confraternizam com clientes e amigos no camarote da Vivo

Camarote: Samuel Luiz Gomes e Viviane Koerich Gomes prestigiaram
algumas noites do festival

Bailarina Mariana Gomes assistiu às noites do festival
e fez belíssima apresentação da suíte
do balé "O Quebra-nozes"
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Mostra competitiva
Última "boa noite"
de disputa
Concorrentes nos
gêneros balé clássico e dança contemporânea
mostraram trabalhos de alto nível técnico
Foi com a remontagem de Sérgio Lobato para o balé
"O Corsário", de Marius Petipa (1818-1910),
que a Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, do Rio
de Janeiro, conquistou o público presente na última
noite competitiva do 24º Festival de Dança. Sob a
música de Ricardo Drigo, o trabalho inserido na categoria
de balé clássico de repertório conjunto
avançada revelou bailarinas muito precisas e bem preparadas
tecnicamente. Com figurino de muito bom gosto (tutus rosa e amarelo),
as intérpretes foram fiéis à montagem original
- nem sempre isso acontece no palco do Centrevento ou de qualquer
outro festival.
Na categoria sênior, quem agradou foi o Ballet Assaf e
Franzói, de São Paulo, com sua impecável
"Paquita", também do gênio da dança
clássica Marius Petipa e remontagem de Adriana Assaf e
Silvana Franzói. O corpo de baile estava entrosado e a
solista (Ana Carolina Figueiredo) roubou a cena. Sua precisão
nos giros e fouetées arrancou aplausos da platéia
calorosa. O Festival de Dança é assim, apesar das
pessoas estarem aqui competindo e lutando para que seus trabalhos
sejam reconhecidos, o calor humano é grande. Bailarinos
são pessoas iluminadas, dotadas da sensível arte
do movimento.
A noite "clássica" - que levou trabalhos bem
montados e de bom nível coreográfico ao palco -
também teve coreografias de dança contemporânea
na primeira parte do programa, nas categorias conjunto sênior
e solo feminino avançada. E foi no solo que performances
inteligentes apareceram. A apresentação de Marília
Coelho, que assina "Deus Lhe Pague", pela Oficina da
Dança de Botucatu (SP), durou apenas dois minutos e 55
segundos, mas neste tempo foi possível notar uma intérprete
inteligente.
Ela dançou somente em um foco de luz, mas o espaço
delimitado tinha tudo a ver com a sua proposta. A trilha sonora
era, na verdade um desabafo, uma prece, filosofia, na qual a
velocidade e o tom de sua voz - por vezes editada - geravam a
qualidade do movimento. Gravar com palavras a sua própria
trilha não é novidade, mas Marília conseguiu
sair do tradicional por conta do texto.
Esse é o desafio do coreógrafo contemporâneo,
criar em cima do que já existe (porque o novo é
só aquilo que nunca vimos) e ser capaz de tocar o espectador.
Marcela Benvegnu, jornalista e crítica de dança
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