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Joinville Domingo, 30 de julho de 2006 Santa Catarina - Brasil

AN Festival - A Notícia

Avaliação

Com a cabeça em 2007

Enquanto comemora sucesso do 24º Festival, comissão organizadora estuda novidades para os 25 anos


Apresentação da David Parsons Dance Company na Noite de Gala do dia 25, momento que representa a internacionalização do evento. Foto: Pena Filho/AN

Juliano Nunes

Depois de 11 dias intensos de dança, estudos, pesquisas, polêmicas e afins em torno do assunto, o 24º Festival de Dança de Joinville chegou ao fim na noite de sábado, com a Noite dos Campeões. A 25ª edição já tem data definida: 18 a 28 de julho de 2007. Reunião no final de agosto começará a delineá-la. Por enquanto, os organizadores só adiantam que estudam novidades para 2007. O diretor executivo do Instituto Festival de Dança, Ely Diniz, afirma que há "muitas idéias", e uma delas é intensificar parcerias com a iniciativa privada.
Na manhã deste sábado, a organização realizou reunião, onde avaliou positivamente o evento que se encerra. Para o presidente do instituto, José Francisco Payão, a equipe por trás do evento é a grande responsável pelo sucesso. Pela primeira vez, ele acompanhou de perto os trabalhos, e chegou à conclusão de que o festival é o que é "porque tem equipe que veste a camisa". Todos apoiados na experiência aprimorada desde a 1ª edição, em 1983. Payão reparou ainda que muitos costumam retornar por anos seguidos. "Isso demonstra que o festival tem luz especial", disse. A premiação também foi abordada por Payão. No seu entendimento, os concorrentes mudaram a concepção e não têm mais prioridade de ficar em primeiro. "O que querem é se apresentar", entende.
Ainda de acordo com Diniz, o Festival de Dança segue tendência de promover cada vez mais atividades simultâneas. E cita as apresentações em palcos abertos em horários coincidentes a outras atividades. Destaca o processo de internacionalização, representado pela David Parsons Dance Company na Noite de Gala. Para receber tais atrações, lembra ser preciso estar atento à estrutura, que, por sinal, é a mesma oferecida a todos os outros grupos. "O festival tem condições de receber personalidades da dança com dignidade", considera.
Diniz ressalta ainda a acessibilidade do evento a todo o público em função dos preços praticados. De acordo com ele, enquanto o ingressos mais baratos para a apresentação da David Parsons Dance Company, na Noite de Gala deste ano, custavam R$ 10,00, o mesmo espetáculo, no restante da turnê custa entre R$ 80,00 e R$ 140,00.
Para a conselheira artística Silvia Soter, os participantes do festival têm freqüentado mais atividades enquanto estão no evento. "Ele fica muito mais horas aqui dentro", disse. Elogia as reuniões entre jurados e dançarinos, como encontros produtivos a todos. Destaca ainda a crescente profissionalização das próprias companhias concorrentes, ao explorarem cada vez melhor luz, som, cenário, figurino, etc.
Para Carlota Portella, também do conselho, o festival acertou em tornar o Meia-ponta mostra não-competitiva, ao contrário do ano passado. "As crianças se sentiram aliviadas!", acredita. A dança contemporânea foi o destaque das noites competitivas, para Portella, que percebeu comprometimento com a qualidade dos espetáculos. Soter concorda e acrescenta: "É legitimação do festival como espaço para a dança contemporânea". Lembra que há profissionais migrando de gêneros como jazz para o contemporâneo.
A participação de portadores de necessidades especiais também foi abordada. É consenso entre os organizadores o caráter inclusivo das apresentações que chegarem até mesmo aos locais públicos.

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CrÍtica

Acabou. Que venham os 25 anos!


mrosolia@terra.com.br

Julho é um mês esperado pelos bailarinos de todo o Brasil. É nas férias que eles respiram a arte que mais lhes toca. E é em Joinville que tudo se transforma em dança. Quantos não vêm de longe e passam dias dentro de um ônibus, ou apertados numa van? Também tem aqueles que chegam com o dinheiro contado, que dançam por amor e vão embora sem aproveitar os outros dias. Sim, esses casos existem, bem na frente dos nossos olhos, e muitas vezes não somos capazes de lembrar ou parar para pensar como a dança é capaz de trabalhar com o sacrifício. Independente de colocação, os bailarinos e suas bolhas nos pés tiveram o pagamento mais importante: o aplauso. E isso o público do 24º Festival de Dança soube dar.
Desde o dia 19, a cidade se transformou na Capital da Dança. Todos foram presenteados com um leque de opções. Quantos poderiam ir ao Rio de Janeiro assistir ao espetáculo "A Criação", do alemão Uwe Scholz (1958-2004), com interpretação do Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro? Ou ir a uma das apresentações de "Some Like It Hot", que a The Parsons Dance Company faz no Brasil? Não foi preciso mover muitos músculos, pois estavam diante dos olhos de mais de 5.000 pessoas por um preço acessível. Isso é a popularização da dança, importante para a sobrevivência da arte num País como o Brasil.
O público ainda pôde assistir às apresentações do "Meia-ponta" - evento específico para jovens bailarinos entre dez e 12 anos - e também aos espetáculos profissionais da "Mostra de Dança Contemporânea", que trouxe linguagens diversificadas ao Teatro Juarez Machado. No ano que vem, se mais noites forem criadas, com certeza serão bem aceitas. As noites competitivas - apesar de algumas não terem sido tão boas assim - revelaram jurados com bom senso de justiça (crítica e estética). Por isso muitas categorias não foram premiadas em primeiro lugar, como jazz conjunto sênior, dança de rua conjunto júnior, balé clássico conjunto avançado, sapateado conjunto sênior, balé clássico grand pas de deux avançado e outras.
Pontos positivos para o encontro com os jurados, no qual os grupos puderam esclarecer eventuais dúvidas quanto às notas e a apresentação como um todo. Esse intercâmbio é importante, afinal a banca do júri é muitas vezes "a" referência de coreógrafos. Deu para perceber como Roseli Rodrigues (Raça Cia de Dança de São Paulo) e seu "Caminho da Seda" foram homenageados neste festival. E também ao espaço literário, no qual livros sobre dança foram lançados. É a teoria e prática em um só lugar.

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Noite de gala

Hora de aplaudir os melhores do Festival de Dança

Chega ao fim mais um Festival de Dança de Joinville, e com ele toda a sorte de movimentos, bruscos ou doces, rápidos ou suaves, vista ao longo dos últimos 11 dias na maior cidade de Santa Catarina. E não só na arena do Centreventos Cau Hansen, mas nas praças, shoppings, hospitais, fábricas, na Feira da Sapatilha, nas ruas tomadas de bailarinos que arriscam um passo onde quer que estejam. No entanto, antes de as cortinas serem baixadas definitivamente, a última noite do festival (sábado) é a "saideira" perfeita. Dedicada aos campeões de cada modalidade, reúne no palco do Cau Hansen aqueles que os jurados consideraram os melhores para um último e consagrador aplauso. Através deles, o AN Festival rende sua homenagem a todos os participantes - bailarinos, professores, coreógrafos, jurados, organizadores, convidados especiais - e diz: até 2006, nas bodas de prata do Festival de Dança de Joinville. As imagens são Pena Filho e Cléber Gomes


Fúria das ruas


Grupo Kadwah


Galpão 1 Erika Novachi


Dança Rio


Banana Broadway


Millennium

 


Pavilhãozinho


Juliana Garcia


Sheilas Ballet


Tania Suares


Vera Passos


Ballet Paula Tiretti


Lyceu


Cia. do Mato


Grupo de danças folclóricas alemãs da Furb


Especial academia de ballet


Assaf e Franzoi


Especial academia de ballet


Centro de dança rio


Personal

 

Os campeões

Os primeiros lugares

Balé clássico de repertório pas de trois júnior: Centro de Dança Rio (RJ)
Balé clássico de repertório grande pas de deux sênior: Especial Academia de Ballet (SP)
Balé clássico de repertório variação feminina júnior: Lyceu Centro de Danças Clássicas (RJ)
Danças Populares conjunto avançada: Grupo de Danças Folclóricas Alemãs da Furb (SC)
Balé clássico conjunto júnior: Pavilhãozinho (SP)
Balé clássico solo feminino júnior: Ballet Tânia Suares Cidade Mariana (MG)
Dança contemporânea conjunto avançada: Kadwah Grupo de Dança (SP)
Dança de rua conjunto sênior: Grupo de Dança Millennium (SC)
Balé clássico de repertório pas de deux júnior: Pavilhãozinho (SP)
Balé clássico de repertório variação feminina sênior: Especial Academia de Ballet (SP)
Balé clássico de repertório variação masculina sênior: Centro de Dança Rio (RJ)
Jazz conjunto avançada: Galpão 1 Erika Novachi Grupo de Dança (SP)
Danças populares conjunto sênior: Banana Broadway (SP)
Danças populares conjunto sênior: Academia Sheilas Ballet (SP)
Sapateado conjunto avançada: Studio de Sapateado Juliana Garcia (SP)
Balé clássico de repertório variação feminina avançada: Ballet Paula Firetti (SP)
Dança contemporânea trio avançada: Cia. do Mato (MS)
Dança contemporânea solo masculino avançada: Banguê Cia. de Dança (RN)
Dança de rua conjunto avançada: Fúria das Rua (SC)
Dança contemporânea solo feminino avançada: Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão (RN)
Balé clássico de repertório variação masculina júnior: Personal Studio Ballet Elisa (SP)
Balé clássico de repertório conjunto avançada: Escola Estadual de Danças Maria Olewa (RJ)
Balé clássico de repertório conjunto sênior: Ballet Assaf e Franzoi (SP)

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Adri Buch

E o festival chegou ao fim

Chegamos na sexta-feira à última noite competitiva do Festival de Dança e neste sábado à esperada Noite dos Campeões, e nem bem a 24ª edição se despede, já deixa saudades e gostinho de quero mais. De 19 a 29 de julho, foram apresentados ao público grandes espetáculos e os melhores talentos do Brasil, demonstrando muita criatividade na arte da dança.
Para que o 24º Festival obtivesse o sucesso já confirmado, é importante destacar a dedicação e horas de trabalho de centenas de pessoas que não se apresentaram no palco, mas realizaram seu show por trás das cortinas.
A soma da dedicação dos participantes e da estrutura do festival, além do trato com a imprensa, resultou na satisfação do público.

 


Vice-prefeito de Nova Veneza (SC) Marcos Aurélio Spilare
e Adriana Spilare torcem pelo grupo de sua cidade


Presidentes da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo Cláudio Magnavita, da Promotur Vilmar de Souza, da Agência de Desenvolvimento do Turismo da Mesorregião Sul, Ricardo Ziemath, e a aluna do Bolshoi do Brasil, Mariana Zschoerper


Therence Mir e Tânia Polzin prestigiam camarote com os amigos


Música: Francisco Cassemiro, responsável por toda a parte técnica da sonorização


Patrocinadores: Cléber Daniel Cardoso, Ivone Hoffmann, Lauro Machado Filho
confraternizam com clientes e amigos no camarote da Vivo


Camarote: Samuel Luiz Gomes e Viviane Koerich Gomes prestigiaram algumas noites do festival


Bailarina Mariana Gomes assistiu às noites do festival
e fez belíssima apresentação da suíte do balé "O Quebra-nozes"

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Mostra competitiva

Última "boa noite" de disputa

Concorrentes nos gêneros balé clássico e dança contemporânea mostraram trabalhos de alto nível técnico

Foi com a remontagem de Sérgio Lobato para o balé "O Corsário", de Marius Petipa (1818-1910), que a Escola Estadual de Danças Maria Olenewa, do Rio de Janeiro, conquistou o público presente na última noite competitiva do 24º Festival de Dança. Sob a música de Ricardo Drigo, o trabalho inserido na categoria de balé clássico de repertório conjunto avançada revelou bailarinas muito precisas e bem preparadas tecnicamente. Com figurino de muito bom gosto (tutus rosa e amarelo), as intérpretes foram fiéis à montagem original - nem sempre isso acontece no palco do Centrevento ou de qualquer outro festival.
Na categoria sênior, quem agradou foi o Ballet Assaf e Franzói, de São Paulo, com sua impecável "Paquita", também do gênio da dança clássica Marius Petipa e remontagem de Adriana Assaf e Silvana Franzói. O corpo de baile estava entrosado e a solista (Ana Carolina Figueiredo) roubou a cena. Sua precisão nos giros e fouetées arrancou aplausos da platéia calorosa. O Festival de Dança é assim, apesar das pessoas estarem aqui competindo e lutando para que seus trabalhos sejam reconhecidos, o calor humano é grande. Bailarinos são pessoas iluminadas, dotadas da sensível arte do movimento.
A noite "clássica" - que levou trabalhos bem montados e de bom nível coreográfico ao palco - também teve coreografias de dança contemporânea na primeira parte do programa, nas categorias conjunto sênior e solo feminino avançada. E foi no solo que performances inteligentes apareceram. A apresentação de Marília Coelho, que assina "Deus Lhe Pague", pela Oficina da Dança de Botucatu (SP), durou apenas dois minutos e 55 segundos, mas neste tempo foi possível notar uma intérprete inteligente.
Ela dançou somente em um foco de luz, mas o espaço delimitado tinha tudo a ver com a sua proposta. A trilha sonora era, na verdade um desabafo, uma prece, filosofia, na qual a velocidade e o tom de sua voz - por vezes editada - geravam a qualidade do movimento. Gravar com palavras a sua própria trilha não é novidade, mas Marília conseguiu sair do tradicional por conta do texto.
Esse é o desafio do coreógrafo contemporâneo, criar em cima do que já existe (porque o novo é só aquilo que nunca vimos) e ser capaz de tocar o espectador.

Marcela Benvegnu, jornalista e crítica de dança


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