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Joinville Quarta-feira, 11 de abril de 2007 Santa Catarina - Brasil

Anexo - A Notícia

11 de março na História

1814

Napoleão Bonaparte (1769-1921) abdica do trono da França e segue para o exílio na Ilha de Elba. Fugiu no ano seguinte e tentou recuperar o poder, mas foi definitivamente derrotado pelos ingleses na Batalha de Waterloo. Seguiu para um novo exílio – desta vez na Ilha de Santa Helena, onde ficou até morrer.

1915

“The Tramp”, de Charles Chaplin (1889-1977), é lançado nos cinemas e consolida o Vagabundo como um dos tipos cômicos definitivos do cinema mudo. Chaplin havia criado o personagem no ano anterior, mas é nesse filme em que refina seus trejeitos. O Vagabundo apareceria ainda em clássicos como “The Kid” (1921) e “City .

Deu em A Notícia

1950

Piloto de discos voadores

Um jovem baiano enviou uma carta ao presidente americano Harry Truman. Na mensagem, ele expressava seu desejo de pilotar discos voadores. Declarava conhecer a fundo os segredos das naves alienígenas, bem como ser fluente na língua inglesa, podendo partir imediatamente para os Estados Unidos.

1967

Chuva causa desolação no País

As chuvas fortes foram implacáveis com o Nordeste, região sempre lembrada pelos longos períodos de seca. Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão foram os Estados mais atingidos. Segundo a reportagem publicada em A Notícia, a situação foi desesperadora.


A coreografia do Catumbi vem acompanhada de músicas ritmadas por tambores. Coroas de flores coloridas e espadas de madeira complementam o espetáculo de tom festivo. FOTO KÁTIA NASCIMENTO

Juramento em alto e bom som

CD “Catumbi de Itapocu” apresenta canções de tradição preservada em Guaramirim

RODRIGO SCHWARZ

O CD “Catumbi de Itapocu” é a prova de que um juramento feito há um século e meio continua sendo honrado, em alto e bom som, todos os anos. Produzido pelo departamento de cultura do Serviço Social do Comércio (Sesc), o disco traz os cantos entoados durante o Catumbi. A cerimônia é realizada em Guaramirim, no período de Natal.
Segundo a lenda, a tradição nasceu de uma promessa feita a Nossa Senhora do Rosário. Em 1854, o escravo Manuel Bengala chegou à vila de Itapocu, localidade de Guaramirim. Conhecido então como Portão do Sertão, o local era um reduto de escravos e negros libertos vindos de outras regiões do Estado e País. Na bagagem de Bengala, encontrava-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário (que permanece até hoje na comunidade). A adoração à estátua resultou na criação de uma irmandade e de uma igreja, que levam o nome da santa.
No Natal, os moradores se reúnem para o Catumbi, proferindo então as cantorias de agradecimento. De acordo com Osvaldo Mário Eufrásio, que há mais de 50 anos é o capelão da Igreja Nossa Senhora do Rosário, Manuel Bengala sempre contava uma história,quando precisava justificar a realização do Catumbi.
Bengala narrava o episódio de dois negros fugitivos, caçados por cães. Emboscados em um barranco, a dupla aguardava pela morte certa. De repente, uma escuridão envolveu os dois, despistando os cachorros. Apareceu uma bela moça, que exigiu um culto em sua homenagem, como pagamento pela salvação dos dois. “Mas nós não sabemos rezar”, retrucou um deles. “Mas sabem cantar, improvisar versos e tocar pandeiro e chocalhos. Façam dessa maneira um culto em minha memória”, respondeu a santa.
Atualmente, quem semeia essa história na comunidade de Itapocu é José Marcelino Maria, que é o capitão do Catumbi. Com detalhes e fervor, ele leva aos mais jovens as palavras de Manuel Bengala. “No momento, o Catumbi não corre risco de ser extinto. Temos um grande número de pessoas que ainda respeitam, com muito entusiasmo, o juramento feito a Nossa Senhora do Rosário”, comemora.

rodrigo.schwarz@an.com.br

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Projeto pretende democratizar a cultura

A gravação da cerimônia do Catumbi integra o projeto Registro Sonoro da Música do Brasil, do Sesc. “O grupo Catumbi de Itapocu significa uma manifestação ímpar no que diz respeito à formação social e educacional do negro em Santa Catarina”, explica Luiz Ekke Moukarzel, coordenador do projeto.
O CD não é um tesouro cultural para ser partilhado somente por pesquisadores. Mesmo alguém que desconheça o significado histórico da cerimônia pode deleitar-se com os cânticos do disco. (RS)

A Fundação Cultural de Guaramirim disponibiliza cópias do CD “Catumbi de Itapocu”. O disco custa R$ 5,00 e é embalado por um livreto que traz toda a história da cerimônia. Mais informações pelo telefone (47) 3447-1278.

o jongo sobrevive
Outro projeto similar ao CD “Catumbi de Itapocu” é o CD-livro “Jongos do Brasil” (96 páginas, R$ 45,00). Produzida pela Associação Brasil Mestiço, a obra traz um mapeamento da tradição do jongo no Brasil, como o Quilombo São José, em Valença, no Rio de Janeiro.

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“O Incrível Ladrão de Calcinhas” remete ao glamour das histórias policiais. FOTO ORLANDO PEREIRA, ESPECIAL

BONECOS

Mochileiros

Montagem catarinense “O Incrível Ladrão de Calcinhas” pega a estrada para passar por 35 cidades brasileiras

Rio do Sul

Nada mais incomum do que um ladrão de calcinhas, mas, no teatro de bonecos, não existe uma lógica cartesiana para a criação de personagens e boas histórias. Fazendo uma homenagem clara ao cinema noir e ao glamour das histórias policiais, “O Incrível Ladrão de Calcinhas”, da Trip Teatro de Animação, de Rio do Sul, é o único grupo catarinense a excursionar nacionalmente com o Circuito Sesc.
As apresentações já foram confirmadas em 35 cidades de 15 Estados e começam em 15 de maio, em São Paulo, e seguem até agosto. Depois de se apresentarem no interior, vão para a Feira de Santana e Salvador (Bahia). “É um sonho de qualquer bonequeiro mostrar o seu trabalho em Estados como no Acre e no Amazonas, onde essa arte quase não tem espaço”, comemora Willian Sieverdt, diretor do Trip. Sieverdt também observa que o convite do Sesc é uma oportunidade para mostrar o trabalho de teatro de animação que é desenvolvido em Rio do Sul. Na cidade que fica no Alto Vale do Itajaí existem outros três grupos que trabalham profissionalmente. “Mais gratificante ainda é saber que seremos o único de Santa Catarina a participar este ano”, ressalta Sieverdt.
“O Incrível Ladrão de Calcinhas” é inspirado na vida e obra de Dashiell Hammett – considerado o pai da literatura policial moderna. O clima noir, típico de filmes das décadas de 40 e 50, enfatiza a falta de caráter do mundo do crime e o ar impregnado de sedução. Na história, o detetive Bill Flecha é procurado pela senhorita Velda, uma mulher fatal que tem sua peça íntima roubada e pagará qualquer quantia para reavê-la. O que parecia um caso banal dá origem a uma série de outros crimes violentos, onde todos são suspeitos até que se prove o contrário – ou até que seus corpos sejam encontrados em algum beco escuro.
A direção, concepção e a manipulação dos personagens são do próprio Sieverdt, ajudado pela mulher, Tatiane Danna, na edição e sonoplastia e Thiago Ercik Becker, atuando como contra-regra. Depois de “O Incrível Ladrão de Calcinhas”, o diretor está montando a peça “O Flautista Hameling”, em parceria com um grupo espanhol.

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PATRIMÔNIO

A história corre entre mercadorias

Trajetória secular do Mercado Público da Capital é resgatada em livro

JÉFERSON LIMA
Florianópolis

Ernest Hemingway costumava dizer que para conhecer um povo ou uma cidade é necessário visitar feiras ou mercados. A orientação está sendo seguida pelo jornalista Paulo Clóvis Schmitz e pelo fotógrafo Danísio Silva. Juntos, estão produzindo o livro “O Mercado Público e suas Histórias”, publicação que deverá ser distribuída para escolas e bibliotecas. Com 120 páginas, o livro vai contar histórias das pessoas e de fatos que fizeram a trajetória secular do Mercado Público de Florianópolis. A tiragem será de 1,2 mil exemplares.
Inaugurado em 1898, o prédio fazia divisa com as águas da Baía Sul até os anos 70. Segundo Paulo Clóvis, com a instalação do aterro, em 1974, a história do mercado adquiriu outros contornos. Antes da modificação, boa parte dos produtos chegavam por via marítima. Mas também eram conduzidos por carroças.
Por meio de embarcações, os oleiros transportavam cerâmicas até o mercado. O mesmo ocorria com pescadores, agricultores e criadores de gado da ilha e do continente que ali entregavam peixe, carne, lenha, entre outros produtos para comercialização.
Arante Monteiro, 71 anos, é um dos personagens do livro. Ele costumava fazer o percurso de mais de 20 quilômetros com uma caixa com 25 galinhas no ombro. Nos anos 50, fazia a viagem a pé do Pântano do Sul até o Saco dos Limões. Ali, tomava um ônibus até o centro da cidade – no total, percorria cerca de 35 quilômetros.
No livro, também estão relacionadas as mudanças sofridas pelo mercado, que já teve 14 açougues e hoje tem só dois. Outra modificação foi a instalação do Box 32 no local, que deu sofisticação ao mercado. No levantamento de personagens para o livro, Paulo Clóvis e Danísio também procuram por visitantes que vão ao mercado em busca do cheiro do peixe, já que a maresia desapareceu com o afastamento do mar.

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CRÔNICA

rubens da cunha, escritor
rubensdacunha@hotmail.com

A voz

Fico aqui pensando nos encantos da voz. Aquela magnitude que doura a palavra de força e forma. O quanto a voz consegue mascarar o que esta sendo dito? O quanto uma voz adequada se torna superior à palavra, ao significado do discurso? Muitas vezes nem prestamos atenção no que é dito, mas como é dito. Não apenas isso: ouvir é uma experiência que nos exige uma mudança de atitude, é quase como se estacionássemos os outros sentidos: os gestos se atenuam, a postura centra-se, por vezes fechamos os olhos, controlamos a respiração. Ouvir passa a ser o nosso corpo todo. Em tempos modernos, de barulhos constantes e inarticulados, ouvir é quase sempre uma dor. Porém, quando nos dispomos a este ato para além da obviedade é de uma beleza intraduzível, sobretudo se ouvimos a voz humana se esbaldando numa declamação poética. O nome é meio antigo: declamação, por isso prefiro a idéia de dizer um poema. No entanto, este dizer funciona melhor para os que têm voz, mais: os que têm beleza na voz.
Conheço alguns poetas que são donos desse império. Lembro-me da minha estupefação ao ouvir pela primeira vez Dennis Radünz dizer um poema em público. Dennis é um homem magro, tem um corpo quase frágil que se engrandece, se assoberba quando fala. Até hoje, depois de assisti-lo várias vezes, ainda me impressiona sua mutação, seu gigantismo quando diz um poema sobre o palco. Por outro lado, existe a poeta Dúnia de Freitas, que a voz já é um trovão natural, quando colocada a serviço do poema esplende ainda mais por todo o ambiente. Eu, poeta de voz encabulada, fico admirando meus amigos faladores de poemas. Mais: refazedores de poemas pela voz, pois eles alargam as fronteiras das palavras.
Se formos para o campo amoroso, a fala é tão sedutora quanto o tato. Falar é o mesmo que acariciar, lambuzar a pele com delicadeza e doçura. Por isso tantos, e tantas, ainda caem na lábia alheia, esquecem o discurso muitas vezes mentiroso e ficam apenas com a envolvência terna da voz, da palavra expelida por boca carinhosa, mesmo que falsa. É como se a voz, e não a palavra, tivesse o poder de profetizar, prometer, manipular, tornando-se arma poderosa, quase impossível de resistir.
A voz é componente essencial também para o canto. A mais hipnótica das artes. O canto é a capacidade que a voz tem de superar-se, ir além de si e tornar-se céu, vento, mar. Tornar-se natureza pura e concentrada. O canto produz elevações ímpares, por isso é dado a poucos.
Não há instrumento mais preciso que a voz humana, nem mais bonito para se ouvir. Pena que esteja tão maltratada, tão jogada aos berros, aos gritos. A voz está merecendo paz...

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MÚLTIPLAS

Cultura
Curso discute o mito de Orfeu
Com a exibição de “Orfeu”, de Jean Cocteau, filme francês lançado em 1949, começa hoje, em Florianópolis, o curso sobre cinema e mitologia “Cinco Vezes Orfeu”, promovido pela Fundação Cultural Badesc e pela Secretaria Regional Sul da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos. Gratuito, o curso é realizado sempre às quartas-feiras, das 18h30 às 21h30, até 9 de maio, no auditório da Fundação Badesc (rua Visconde de Ouro Preto, 216, centro). Mais informações: (48) 3224-8846.

Literatura
Nélida recebe honoris causa
A escritora brasileira Nélida Piñon (foto) receberá amanhã, na capital mexicana, o título de doutora honoris causa pela Universidade Autônoma do México. Nélida, que ganhou o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras em 2005 e o Juan Rulfo de literatura em 1995, fará uma leitura de sua obra literária. O filósofo espanhol Fernando Savater, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e o italiano Giovanni Sartori também receberão o mesmo título amanhã. Os acadêmicos, incluindo Nélida, farão conferências para universitários sobre as respectivas especialidades, ainda esta semana.

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A Plaza Mayor (foto grande) e os jardins do Palácio de Aranjuez (C) são boas atrações para quem vai a Madri; à esquerda, vista geral de Lisboa, cuja Torre de Belém (D) é um dos principais cartões-postais da cidade. FOTOS DIVULGAÇÃO

Dois destinos, um só prazer

Distância torna fácil conhecer, na mesma viagem, Lisboa e Madri, que aliam cultura, tradição e entretenimento

Lisboa

Exatos 636 quilômetros separam Lisboa e Madri, as duas capitais da Península Ibérica. É menos do que a distância entre São Paulo e Florianópolis (705 quilômetros) e pouco mais do que o percurso da capital paulista a Belo Horizonte (587 quilômetros). A comparação é válida porque ainda que você se planeje para conhecer a capital portuguesa ou tenha o sonho de caminhar por Madri, está cada vez mais fácil juntar as duas cidades em um mesmo roteiro, sem gastar tempo nem dinheiro.
Do aeroporto de Barajas, ou no sentido inverso, a partir de Lisboa, algumas companhias aéreas vendem passagens de ida e volta por menos de 100 euros – o mesmo preço de um ônibus leito do Terminal do Tietê até Floripa. De ônibus ou de carro, aliás, a viagem pode levar cerca de 8 horas. Ou o tempo que você quiser caso decida parar no caminho.
Já que a vocação histórica de Lisboa é a de ser um ponto de partida – não se esqueça que, nos séculos 15 e 16, de seu porto zarparam grandes navegadores em busca de terras desconhecidas –, comece por ela a exploração do Velho Continente. Não hesite em dedicar pelo menos uma semana à cidade. Dos países que aderiram na primeira hora à Comunidade Européia, ela talvez seja a capital mais atrasada: o trânsito é complicado e a malha de transportes só se expandiu nos últimos dez anos. Pelas ruas é comum ainda encontrar casas com fachadas de azulejos à espera de uma boa recuperação. Mas é melhor tomar esse “atraso” como um elemento a mais a compor o charme local.
Prepare-se para conhecer a Baixa, ou centro histórico, a pé. Comece pela Praça do Rocio, uma das paradas obrigatórias. Cercada por pequenas ruas, em que circulam bondes (os famosos elétricos amarelos), ônibus e carros, liga-se à Praça do Comércio pela Rua Augusta, um movimentado centro comercial onde há lojas centenárias.
A Praça do Comércio, com seu portal e suas arcadas pintadas de amarelo, era local de desembarque dos navegadores. Com alguma disposição, vale seguir até a Praça dos Restauradores, subir a Avenida da Liberdade, espiar os preços proibitivos de suas grifes, fotografar a estátua do Marquês de Pombal na praça homônima e terminar a caminhada no Parque Eduardo 7.
Da Baixa, pode-se, ainda, seguir para outros três bairros históricos: o Chiado, o Bairro Alto e a zona do Carmo. Para ascender ao Carmo, o meio de transporte fundamental é o Elevador de Santa Justa (ingressos a 2,60 euros). O convento, a igreja e o largo do Carmo, que foi palco da Revolução dos Cravos, em 1974 merecem uma conferida.

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Aula de história e gastronomia leva a caminhar pelas margens do Tejo

Numa caminhada ou num passeio de bonde, por qualquer região de Lisboa que você passar, terá contato com monumentos ou pontos históricos relacionados ao rico período dos Descobrimentos (séculos 15 e 16), quando Portugal dominava, ao lado da Espanha, as grandes navegações. E o bairro mais emblemático dessa época é Belém, às margens do Rio Tejo.
Foi dali, por exemplo, que Vasco da Gama traçou o caminho marítimo para a Índia. A mais marcante construção histórica da região é o Mosteiro dos Jerónimos, erguido em 1501 a mando do rei Dom Manuel I e tido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
Atualmente, funcionam em seu interior o Museu da Marinha e o de Arqueologia. No esplendoroso templo do mosteiro, a Igreja de Santa Maria de Belém, estão os túmulos de Vasco da Gama (à esquerda de quem entra), do poeta Luís de Camões (à direita) e, na nave central, os de d. Manuel I e da rainha dona Maria.
Cerca de 500 metros Tejo acima encontra-se talvez o cartão-postal mais representativo da cidade: a Torre de Belém (entrada a 3 euros). No passado servia, entre outras coisas, como forte de defesa do estuário do rio. À distância, ela não parece tão interessante assim. Mas uma observação mais atenta desse outro monumento manuelino do século 16 acabará com a má impressão. A torre é quadrangular e sua fachada tem balcões e varandas ricamente esculpidos nos estilos veneziano e árabe. Por dentro, é verdade, não há nada de tão espetacular a ser visto.
É quando a noite cai que Lisboa se revela mais efervescente e parecida com outras grandes cidades européias. Como em Londres ou Amsterdã, discotecas de Santa Apolónia tocam os hits recentes da música eletrônica. Regiões deterioradas até pouco tempo, como as Docas de Alcântara, foram recuperadas seguindo o exemplo de Berlim oriental. E o hábito de flanar numa mesma balada pelos bares do Bairro Alto encontra eco na tradição dos jovens madrilenhos de perambular noite adentro.

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Madri convida para uma viagem imaginária à rica Idade Média

Aranjuez, Espanha

A capital espanhola guarda preciosidades que referendam seu prestígio entre turistas do mundo inteiro. É provável que quando você contar que está de partida para Madri, alguém virá lhe dizer: “Existe a Madri de los Austrias e a Madri de los Bourbons”. Não se trata de duas cidades, mas de duas facetas. Madri de los Austrias (referência à dinastia que comandou a Espanha) nada mais é que o centro histórico, cortado por ruas tão estreitas que, uma vez lá, você fará uma imaginária viagem à Idade Média. E Madri de los Bourbons é a porção mais moderna, cuja menção também remete a outro período da monarquia, com suas avenidas largas, museus e praças com fontes monumentais. Para conhecer uma e outra, faça como os locais: caminhe, caminhe, caminhe.
Embora a Plaza Mayor, na Madri de Los Austrias, seja a grande referência da cidade, a Puerta del Sol é o melhor ponto para se localizar no centro. De lá partem algumas das ruas mais importantes, como a Calle de Alcalá, a Montera e a Mayor. Esta conduz à Plaza Mayor, uma maravilha arquitetônica retangular cercada por prédios. Pela Calle Arenal, chega-se à Plaza de Oriente, onde está o Palácio Real. O rei Juan Carlos não vive ali, mas o utiliza para eventos oficiais. Ao lado está a Catedral de Almudena, cuja obra começou em 1883, por ordem do rei Alfonso 12.
Reserve dois dias para o circuito completo pelos três museus da Madri de Los Bourbons. Tome o Paseo del Prado e comece pelo Museu do Prado. É o maior e mais representativo do país, por abrigar obras dos grandes pintores espanhóis dos séculos 17 ao 19. Menor em tamanho, o Museu Thyssen-Bornemisza tem sua relevância por exibir mil quadros representativos da escola holandesa do século 15, do expressionismo alemão e da pop art dos anos 60. No segundo andar, dedique atenção especial à “Guernica”, obra essencial de Picasso.

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Boêmia, capital espanhola oferece muita agitação madrugada adentro

Os madrilenhos são boêmios. Alguns bares e restaurantes abrem após as 22 horas e só começam a ficar movimentados depois da 1 hora. São diversos os pólos de agitação noturna, como o centro, Lavapiés e Chueca. Por isso, convém escolher um deles a cada noite.
A Zona de Huertas, onde fica a Plaza de Santa Ana, é um emaranhado de bares para dançar, pubs e cervejarias. Para encontrar um que lhe agrade, só na base da tentativa e erro. Para acertar em cheio, recorra ao Museo Chicote, no meio do caminho para Chueca. A lenda conta que o bar tem uma coleção de 18 mil garrafas de licor e que a primeira teria sido de um rótulo brasileiro.
Vale a pena investir um dia em Aranjuez, cidadezinha a 40 minutos de trem da capital. A primavera, entre abril e junho, deixa a visita ainda mais especial. Siga, rápido, para o Palácio Real de Aranjuez. Construído a partir de 1560 pelo rei Felipe 2, o palácio foi ampliado em 1715 por Felipe 5 e concluído em 1778 por Carlos 2. No passado, seus 200 aposentos serviam como palácio de primavera da realeza. Desses, cerca de 60 estão abertos à visitação. Nos diversos salões é possível ver como e onde os monarcas dormiam, comiam, festejavam, recebiam visitas. Tapeçarias do século 16, algumas delas confeccionadas com fios de ouro e de prata, centenas de obras de arte, oratórios e, curiosamente, 40 relógios espalham-se pelo local. Em permanente restauro. Não é raro os restauradores continuarem a encontrar relíquias em meio a seu trabalho, como um pedaço do teto decorado pelo italiano Lucas Giordano no século 17, descoberto há quatro anos.
O conjunto de jardins é igualmente exuberante. Projetado em estilo francês e mais próximo do palácio, o Jardim de La Isla tem uma via central com 1 quilômetro de extensão. Um passeio calmo entre as fontes e árvores originárias de diversos países levará pelo menos uma hora e meia. Há, ainda, o Jardim do Príncipe, com suas fontes e pequenas ilhas cercadas pelo Rio Tajo, o maior da Península Ibérica, que, em Portugal, ganhará o nome de Tejo.

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PÃO E CIRCO

José António Baço, publicitário e jornalista de Lisboa
kiosanin@yahoo.com

www.boquirrotos.com

Até alguns anos, quando uma pessoa queria se manifestar publicamente sobre um assunto, havia uma forma: escrevia um artigo e tentava publicar num jornal. Mas, em tempos de internet, tudo mudou. Hoje é mais fácil criar um blog e emitir a tal opinião que, como sabermos, nem sempre é bem fundamentada.
É expressivo o número de blogs e de “opinionistas” que infestam a rede, em clara concorrência com os jornais. Nos Estados Unidos, o tráfego dos blogs cresceu mais de 200% no ano passado, enquanto as visitas aos sites dos jornais mantiveram um modesto crescimento de 9%.
À primeira vista, tudo bem. É uma forma que permite uma quase ilimitada – e sempre bem-vinda – liberdade de expressão. O lado mau é que se instalou um insano reino da “doxa”, um território de opinião que muitas vezes foge à sensatez e ao bom senso.
Há um fato. Não-especialistas, não-estudiosos e não-informados se apoderaram da rede através dos blogs. Mas o sistema “blogueiro” ignora os peritos que se dedicam à dura tarefa (dura porque é preciso estudar a sério) de investigar a sociedade.
É a consagração do perspectivismo nietzschiano: não há uma verdade, mas a verdade de cada um. Todos têm direito à opinião, mas poucos sentem o dever de estar bem informados.
O tempo se encarregará de fazer uma limpeza na blogsfera. Afinal, todos aprendemos que o circuito de comunicação é integrado por emissor, mensagem e receptor. Um jornal é um emissor de mensagens para muitos “one-to-many” (um-para-muitos). Mas o que vai acontecer, no universo dos blogueiros, será um simples “muitos-para-poucos” ou mesmo “muitos-para-ninguém”.

FLASH
Veio a primavera e os dias de neve no continente europeu começaram a escassear. E os apreciadores de esqui ou snowboard não perdem as últimas oportunidades para umas descidas nas pistas de neve. É o caso desta multidão em Sierra Nevada, popular estância da Espanha.

MONTANHA RUSSA

ALTO
Funcionário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português (o nome não foi revelado) foi em cana. O calhorda exigia sexo a imigrantes brasileiras que tentavam regularizar a situação em Portugal. Facilitava ou dificultava os processos de acordo com as respostas às suas investidas.

BAIXO
As eleições na França mais parecem eleições para o reino do besteirol. Sempre que falam em assuntos complexos, os candidatos dizem besteira. Agora foi a vez de Nicolas Sarkokzy, da direita, dizer que a pedofilia é inata e que a tendência ao suicídio é genética. Um gênio.

Rede louca

BARBA E BIGODE – O bigode está fora de moda? Não para estes tipos, que participam do Campeonato Mundial de Barbas e Bigodes, em diversas categorias. Uma coisa é certa: os sujeitos não têm medo do ridículo. Clique em “gallery of contestants and champions” e veja.
Em www.worldbeardchampionships.coml

Oooops!
"As escolas devem ser lugares de treino para a tolerância e não redutos de repressão e discriminação”.
Scott Long, do grupo Human Rights Watch, sobre o governo da Polônia

A Polônia está na contra-mão das políticas da União Européia para as liberdades individuais. O governo avançou com uma proposta para censurar a discussão do tema “homossexualidade” nas escolas. Os professores que insistirem correm o risco de ser demitidos. Insanidade.

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QUADRINHOS

A volta dos pequenos filósofos

Calvin e Haroldo saem da geladeira para protagonizar série de álbuns da Conrad

São Paulo

Eles foram embora há quase 12 anos, mas parece que os fãs não estão nem um pouco a fim de registrar isso. Calvin e Haroldo mantêm o fôlego mesmo depois de sua tira ter sido cancelada pelo criador, o americano Bill Watterson, em dezembro de 1995, e, mais, seguem conquistando jovens leitores.
Agora, num alento para os que sentem saudades do pensador de seis anos e seu tigre de pelúcia, a Editora Conrad lança “O Mundo é Mágico – as Aventuras de Calvin & Haroldo”, álbum inédito no Brasil. É o primeiro de uma série de livros que a editora vai lançar com toda a produção de Watterson para a dupla de personagens, criada em 1985.
Watterson não é de falar muito, tanto é que nem escreveu um prefácio para o livro. E é tão cuidadoso com seus personagens que jamais aceitou as propostas de licenciamento da marca, evitando que Calvin e Haroldo fossem estampados em lancheiras, álbuns de figurinhas e tranqueiras de todo o tipo. Não quis prejudicar a personalidade rebelde e contestatória dos personagens, transformando-os em mais um produto de marketing na prateleira.
Watterson também não dá entrevistas. Mas no lançamento das obras completas nos Estados Unidos, em 2005, topou responder algumas perguntas de fãs no site da editora Andrews McMeel Publishing. Ele negou, por exemplo, que tenha se baseado nas próprias experiências da infância para criar Calvin, embora reconheça que o personagem carrega algo de sua personalidade. “Eu nunca tive amigos imaginários, sempre me mantive afastado de problemas e fui um bom aluno, então, não posso dizer que a tirinha seja autobiográfica”, respondeu ele a um fã.
Watterson observou, ainda, que este não é um grande momento para as tiras de jornal. “Eu tento, mas agora não leio mais quadrinhos como a maioria das pessoas normais, mas me divirto com algumas tiras”, revelou.
“O Mundo é Mágico” traz tirinhas memoráveis dos pequenos filósofos – no original, eles são Calvin e Hobbes, nomes inspirados no teólogo francês Jean Calvin e no filósofo inglês Thomas Hobbes. O destaque é a série em que a dupla está às voltas com extraterrestres – Calvin como o incrível astronauta Spiff contra as engraçadíssimas criaturas-inseto do planeta Zarton-9.
Há ainda uma seqüência generosa de tiras de domingo, coloridas. Tudo admiravelmente atual. “Eu optei por não ancorar a tira no tempo. Os brinquedos de Calvin, por exemplo, poderiam ser usados em qualquer época”, teorizou Watterson. “Suponho que se fosse fazer o Calvin hoje, ele seria diferente daquele de dez anos atrás, não porque estamos numa era diferente, mas porque eu penso de maneira diferente neste estágio da minha vida.”

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