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11 de março na História
1814
Napoleão Bonaparte (1769-1921) abdica
do trono da França e segue para o exílio na Ilha
de Elba. Fugiu no ano seguinte e tentou recuperar o poder, mas
foi definitivamente derrotado pelos ingleses na Batalha de Waterloo.
Seguiu para um novo exílio desta vez na Ilha de
Santa Helena, onde ficou até morrer.
1915
The Tramp, de Charles Chaplin (1889-1977),
é lançado nos cinemas e consolida o Vagabundo como
um dos tipos cômicos definitivos do cinema mudo. Chaplin
havia criado o personagem no ano anterior, mas é nesse
filme em que refina seus trejeitos. O Vagabundo apareceria ainda
em clássicos como The Kid (1921) e City
. |
Deu em A Notícia
1950
Piloto de discos voadores
Um jovem baiano enviou uma carta ao presidente
americano Harry Truman. Na mensagem, ele expressava seu desejo
de pilotar discos voadores. Declarava conhecer a fundo os segredos
das naves alienígenas, bem como ser fluente na língua
inglesa, podendo partir imediatamente para os Estados Unidos.
1967
Chuva causa desolação no País
As chuvas fortes foram implacáveis com
o Nordeste, região sempre lembrada pelos longos períodos
de seca. Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba
e Maranhão foram os Estados mais atingidos. Segundo a
reportagem publicada em A Notícia, a situação
foi desesperadora. |

A coreografia do Catumbi vem acompanhada de músicas ritmadas
por tambores. Coroas de flores coloridas e espadas de madeira
complementam o espetáculo de tom festivo. FOTO KÁTIA
NASCIMENTO
Juramento em alto e bom som
CD Catumbi
de Itapocu apresenta canções de tradição
preservada em Guaramirim
RODRIGO SCHWARZ
O CD Catumbi de Itapocu é a prova de que
um juramento feito há um século e meio continua
sendo honrado, em alto e bom som, todos os anos. Produzido pelo
departamento de cultura do Serviço Social do Comércio
(Sesc), o disco traz os cantos entoados durante o Catumbi. A
cerimônia é realizada em Guaramirim, no período
de Natal.
Segundo a lenda, a tradição nasceu de uma promessa
feita a Nossa Senhora do Rosário. Em 1854, o escravo Manuel
Bengala chegou à vila de Itapocu, localidade de Guaramirim.
Conhecido então como Portão do Sertão, o
local era um reduto de escravos e negros libertos vindos de outras
regiões do Estado e País. Na bagagem de Bengala,
encontrava-se a imagem de Nossa Senhora do Rosário (que
permanece até hoje na comunidade). A adoração
à estátua resultou na criação de
uma irmandade e de uma igreja, que levam o nome da santa.
No Natal, os moradores se reúnem para o Catumbi, proferindo
então as cantorias de agradecimento. De acordo com Osvaldo
Mário Eufrásio, que há mais de 50 anos é
o capelão da Igreja Nossa Senhora do Rosário, Manuel
Bengala sempre contava uma história,quando precisava justificar
a realização do Catumbi.
Bengala narrava o episódio de dois negros fugitivos, caçados
por cães. Emboscados em um barranco, a dupla aguardava
pela morte certa. De repente, uma escuridão envolveu os
dois, despistando os cachorros. Apareceu uma bela moça,
que exigiu um culto em sua homenagem, como pagamento pela salvação
dos dois. Mas nós não sabemos rezar,
retrucou um deles. Mas sabem cantar, improvisar versos
e tocar pandeiro e chocalhos. Façam dessa maneira um culto
em minha memória, respondeu a santa.
Atualmente, quem semeia essa história na comunidade de
Itapocu é José Marcelino Maria, que é o
capitão do Catumbi. Com detalhes e fervor, ele leva aos
mais jovens as palavras de Manuel Bengala. No momento,
o Catumbi não corre risco de ser extinto. Temos um grande
número de pessoas que ainda respeitam, com muito entusiasmo,
o juramento feito a Nossa Senhora do Rosário, comemora.
rodrigo.schwarz@an.com.br
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Projeto pretende democratizar a
cultura
A gravação da cerimônia do Catumbi integra
o projeto Registro Sonoro da Música do Brasil, do Sesc.
O grupo Catumbi de Itapocu significa uma manifestação
ímpar no que diz respeito à formação
social e educacional do negro em Santa Catarina, explica
Luiz Ekke Moukarzel, coordenador do projeto.
O CD não é um tesouro cultural para ser partilhado
somente por pesquisadores. Mesmo alguém que desconheça
o significado histórico da cerimônia pode deleitar-se
com os cânticos do disco. (RS)
A Fundação Cultural de Guaramirim disponibiliza
cópias do CD Catumbi de Itapocu. O disco custa
R$ 5,00 e é embalado por um livreto que traz toda a história
da cerimônia. Mais informações pelo telefone
(47) 3447-1278.
o jongo sobrevive
Outro projeto similar ao CD Catumbi de Itapocu é
o CD-livro Jongos do Brasil (96 páginas, R$
45,00). Produzida pela Associação Brasil Mestiço,
a obra traz um mapeamento da tradição do jongo
no Brasil, como o Quilombo São José, em Valença,
no Rio de Janeiro.
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O Incrível Ladrão de Calcinhas remete
ao glamour das histórias policiais. FOTO ORLANDO PEREIRA,
ESPECIAL
BONECOS
Mochileiros
Montagem catarinense
O Incrível Ladrão de Calcinhas pega
a estrada para passar por 35 cidades brasileiras
Rio do Sul
Nada mais incomum do que um ladrão de calcinhas, mas,
no teatro de bonecos, não existe uma lógica cartesiana
para a criação de personagens e boas histórias.
Fazendo uma homenagem clara ao cinema noir e ao glamour das histórias
policiais, O Incrível Ladrão de Calcinhas,
da Trip Teatro de Animação, de Rio do Sul, é
o único grupo catarinense a excursionar nacionalmente
com o Circuito Sesc.
As apresentações já foram confirmadas em
35 cidades de 15 Estados e começam em 15 de maio, em São
Paulo, e seguem até agosto. Depois de se apresentarem
no interior, vão para a Feira de Santana e Salvador (Bahia).
É um sonho de qualquer bonequeiro mostrar o seu
trabalho em Estados como no Acre e no Amazonas, onde essa arte
quase não tem espaço, comemora Willian Sieverdt,
diretor do Trip. Sieverdt também observa que o convite
do Sesc é uma oportunidade para mostrar o trabalho de
teatro de animação que é desenvolvido em
Rio do Sul. Na cidade que fica no Alto Vale do Itajaí
existem outros três grupos que trabalham profissionalmente.
Mais gratificante ainda é saber que seremos o único
de Santa Catarina a participar este ano, ressalta Sieverdt.
O Incrível Ladrão de Calcinhas é
inspirado na vida e obra de Dashiell Hammett considerado
o pai da literatura policial moderna. O clima noir, típico
de filmes das décadas de 40 e 50, enfatiza a falta de
caráter do mundo do crime e o ar impregnado de sedução.
Na história, o detetive Bill Flecha é procurado
pela senhorita Velda, uma mulher fatal que tem sua peça
íntima roubada e pagará qualquer quantia para reavê-la.
O que parecia um caso banal dá origem a uma série
de outros crimes violentos, onde todos são suspeitos até
que se prove o contrário ou até que seus
corpos sejam encontrados em algum beco escuro.
A direção, concepção e a manipulação
dos personagens são do próprio Sieverdt, ajudado
pela mulher, Tatiane Danna, na edição e sonoplastia
e Thiago Ercik Becker, atuando como contra-regra. Depois de O
Incrível Ladrão de Calcinhas, o diretor está
montando a peça O Flautista Hameling, em parceria
com um grupo espanhol.
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PATRIMÔNIO
A história corre entre mercadorias
Trajetória
secular do Mercado Público da Capital é resgatada
em livro
JÉFERSON LIMA
Florianópolis
Ernest Hemingway costumava dizer que para conhecer um povo
ou uma cidade é necessário visitar feiras ou mercados.
A orientação está sendo seguida pelo jornalista
Paulo Clóvis Schmitz e pelo fotógrafo Danísio
Silva. Juntos, estão produzindo o livro O Mercado
Público e suas Histórias, publicação
que deverá ser distribuída para escolas e bibliotecas.
Com 120 páginas, o livro vai contar histórias das
pessoas e de fatos que fizeram a trajetória secular do
Mercado Público de Florianópolis. A tiragem será
de 1,2 mil exemplares.
Inaugurado em 1898, o prédio fazia divisa com as águas
da Baía Sul até os anos 70. Segundo Paulo Clóvis,
com a instalação do aterro, em 1974, a história
do mercado adquiriu outros contornos. Antes da modificação,
boa parte dos produtos chegavam por via marítima. Mas
também eram conduzidos por carroças.
Por meio de embarcações, os oleiros transportavam
cerâmicas até o mercado. O mesmo ocorria com pescadores,
agricultores e criadores de gado da ilha e do continente que
ali entregavam peixe, carne, lenha, entre outros produtos para
comercialização.
Arante Monteiro, 71 anos, é um dos personagens do livro.
Ele costumava fazer o percurso de mais de 20 quilômetros
com uma caixa com 25 galinhas no ombro. Nos anos 50, fazia a
viagem a pé do Pântano do Sul até o Saco
dos Limões. Ali, tomava um ônibus até o centro
da cidade no total, percorria cerca de 35 quilômetros.
No livro, também estão relacionadas as mudanças
sofridas pelo mercado, que já teve 14 açougues
e hoje tem só dois. Outra modificação foi
a instalação do Box 32 no local, que deu sofisticação
ao mercado. No levantamento de personagens para o livro, Paulo
Clóvis e Danísio também procuram por visitantes
que vão ao mercado em busca do cheiro do peixe, já
que a maresia desapareceu com o afastamento do mar.
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CRÔNICA
rubens da cunha, escritor
rubensdacunha@hotmail.com
A voz
Fico aqui pensando nos encantos da voz. Aquela magnitude que
doura a palavra de força e forma. O quanto a voz consegue
mascarar o que esta sendo dito? O quanto uma voz adequada se
torna superior à palavra, ao significado do discurso?
Muitas vezes nem prestamos atenção no que é
dito, mas como é dito. Não apenas isso: ouvir é
uma experiência que nos exige uma mudança de atitude,
é quase como se estacionássemos os outros sentidos:
os gestos se atenuam, a postura centra-se, por vezes fechamos
os olhos, controlamos a respiração. Ouvir passa
a ser o nosso corpo todo. Em tempos modernos, de barulhos constantes
e inarticulados, ouvir é quase sempre uma dor. Porém,
quando nos dispomos a este ato para além da obviedade
é de uma beleza intraduzível, sobretudo se ouvimos
a voz humana se esbaldando numa declamação poética.
O nome é meio antigo: declamação, por isso
prefiro a idéia de dizer um poema. No entanto, este dizer
funciona melhor para os que têm voz, mais: os que têm
beleza na voz.
Conheço alguns poetas que são donos desse império.
Lembro-me da minha estupefação ao ouvir pela primeira
vez Dennis Radünz dizer um poema em público. Dennis
é um homem magro, tem um corpo quase frágil que
se engrandece, se assoberba quando fala. Até hoje, depois
de assisti-lo várias vezes, ainda me impressiona sua mutação,
seu gigantismo quando diz um poema sobre o palco. Por outro lado,
existe a poeta Dúnia de Freitas, que a voz já é
um trovão natural, quando colocada a serviço do
poema esplende ainda mais por todo o ambiente. Eu, poeta de voz
encabulada, fico admirando meus amigos faladores de poemas. Mais:
refazedores de poemas pela voz, pois eles alargam as fronteiras
das palavras.
Se formos para o campo amoroso, a fala é tão sedutora
quanto o tato. Falar é o mesmo que acariciar, lambuzar
a pele com delicadeza e doçura. Por isso tantos, e tantas,
ainda caem na lábia alheia, esquecem o discurso muitas
vezes mentiroso e ficam apenas com a envolvência terna
da voz, da palavra expelida por boca carinhosa, mesmo que falsa.
É como se a voz, e não a palavra, tivesse o poder
de profetizar, prometer, manipular, tornando-se arma poderosa,
quase impossível de resistir.
A voz é componente essencial também para o canto.
A mais hipnótica das artes. O canto é a capacidade
que a voz tem de superar-se, ir além de si e tornar-se
céu, vento, mar. Tornar-se natureza pura e concentrada.
O canto produz elevações ímpares, por isso
é dado a poucos.
Não há instrumento mais preciso que a voz humana,
nem mais bonito para se ouvir. Pena que esteja tão maltratada,
tão jogada aos berros, aos gritos. A voz está merecendo
paz...
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MÚLTIPLAS
Cultura
Curso discute o mito de Orfeu
Com a exibição de Orfeu, de Jean Cocteau,
filme francês lançado em 1949, começa hoje,
em Florianópolis, o curso sobre cinema e mitologia Cinco
Vezes Orfeu, promovido pela Fundação Cultural
Badesc e pela Secretaria Regional Sul da Sociedade Brasileira
de Estudos Clássicos. Gratuito, o curso é realizado
sempre às quartas-feiras, das 18h30 às 21h30, até
9 de maio, no auditório da Fundação Badesc
(rua Visconde de Ouro Preto, 216, centro). Mais informações:
(48) 3224-8846.
Literatura
Nélida recebe honoris causa
A escritora brasileira Nélida Piñon (foto) receberá
amanhã, na capital mexicana, o título de doutora
honoris causa pela Universidade Autônoma do México.
Nélida, que ganhou o Prêmio Príncipe de Astúrias
das Letras em 2005 e o Juan Rulfo de literatura em 1995, fará
uma leitura de sua obra literária. O filósofo espanhol
Fernando Savater, o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e o italiano
Giovanni Sartori também receberão o mesmo título
amanhã. Os acadêmicos, incluindo Nélida,
farão conferências para universitários sobre
as respectivas especialidades, ainda esta semana.
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A Plaza Mayor (foto grande) e os jardins do Palácio de
Aranjuez (C) são boas atrações para quem
vai a Madri; à esquerda, vista geral de Lisboa, cuja Torre
de Belém (D) é um dos principais cartões-postais
da cidade. FOTOS DIVULGAÇÃO
Dois destinos, um só prazer
Distância
torna fácil conhecer, na mesma viagem, Lisboa e Madri,
que aliam cultura, tradição e entretenimento
Lisboa
Exatos 636 quilômetros separam Lisboa e Madri, as duas
capitais da Península Ibérica. É menos do
que a distância entre São Paulo e Florianópolis
(705 quilômetros) e pouco mais do que o percurso da capital
paulista a Belo Horizonte (587 quilômetros). A comparação
é válida porque ainda que você se planeje
para conhecer a capital portuguesa ou tenha o sonho de caminhar
por Madri, está cada vez mais fácil juntar as duas
cidades em um mesmo roteiro, sem gastar tempo nem dinheiro.
Do aeroporto de Barajas, ou no sentido inverso, a partir de Lisboa,
algumas companhias aéreas vendem passagens de ida e volta
por menos de 100 euros o mesmo preço de um ônibus
leito do Terminal do Tietê até Floripa. De ônibus
ou de carro, aliás, a viagem pode levar cerca de 8 horas.
Ou o tempo que você quiser caso decida parar no caminho.
Já que a vocação histórica de Lisboa
é a de ser um ponto de partida não se esqueça
que, nos séculos 15 e 16, de seu porto zarparam grandes
navegadores em busca de terras desconhecidas , comece por
ela a exploração do Velho Continente. Não
hesite em dedicar pelo menos uma semana à cidade. Dos
países que aderiram na primeira hora à Comunidade
Européia, ela talvez seja a capital mais atrasada: o trânsito
é complicado e a malha de transportes só se expandiu
nos últimos dez anos. Pelas ruas é comum ainda
encontrar casas com fachadas de azulejos à espera de uma
boa recuperação. Mas é melhor tomar esse
atraso como um elemento a mais a compor o charme
local.
Prepare-se para conhecer a Baixa, ou centro histórico,
a pé. Comece pela Praça do Rocio, uma das paradas
obrigatórias. Cercada por pequenas ruas, em que circulam
bondes (os famosos elétricos amarelos), ônibus e
carros, liga-se à Praça do Comércio pela
Rua Augusta, um movimentado centro comercial onde há lojas
centenárias.
A Praça do Comércio, com seu portal e suas arcadas
pintadas de amarelo, era local de desembarque dos navegadores.
Com alguma disposição, vale seguir até a
Praça dos Restauradores, subir a Avenida da Liberdade,
espiar os preços proibitivos de suas grifes, fotografar
a estátua do Marquês de Pombal na praça homônima
e terminar a caminhada no Parque Eduardo 7.
Da Baixa, pode-se, ainda, seguir para outros três bairros
históricos: o Chiado, o Bairro Alto e a zona do Carmo.
Para ascender ao Carmo, o meio de transporte fundamental é
o Elevador de Santa Justa (ingressos a 2,60 euros). O convento,
a igreja e o largo do Carmo, que foi palco da Revolução
dos Cravos, em 1974 merecem uma conferida.
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Aula de história e gastronomia
leva a caminhar pelas margens do Tejo
Numa caminhada ou num passeio de bonde, por qualquer região
de Lisboa que você passar, terá contato com monumentos
ou pontos históricos relacionados ao rico período
dos Descobrimentos (séculos 15 e 16), quando Portugal
dominava, ao lado da Espanha, as grandes navegações.
E o bairro mais emblemático dessa época é
Belém, às margens do Rio Tejo.
Foi dali, por exemplo, que Vasco da Gama traçou o caminho
marítimo para a Índia. A mais marcante construção
histórica da região é o Mosteiro dos Jerónimos,
erguido em 1501 a mando do rei Dom Manuel I e tido como Patrimônio
Cultural da Humanidade pela Unesco.
Atualmente, funcionam em seu interior o Museu da Marinha e o
de Arqueologia. No esplendoroso templo do mosteiro, a Igreja
de Santa Maria de Belém, estão os túmulos
de Vasco da Gama (à esquerda de quem entra), do poeta
Luís de Camões (à direita) e, na nave central,
os de d. Manuel I e da rainha dona Maria.
Cerca de 500 metros Tejo acima encontra-se talvez o cartão-postal
mais representativo da cidade: a Torre de Belém (entrada
a 3 euros). No passado servia, entre outras coisas, como forte
de defesa do estuário do rio. À distância,
ela não parece tão interessante assim. Mas uma
observação mais atenta desse outro monumento manuelino
do século 16 acabará com a má impressão.
A torre é quadrangular e sua fachada tem balcões
e varandas ricamente esculpidos nos estilos veneziano e árabe.
Por dentro, é verdade, não há nada de tão
espetacular a ser visto.
É quando a noite cai que Lisboa se revela mais efervescente
e parecida com outras grandes cidades européias. Como
em Londres ou Amsterdã, discotecas de Santa Apolónia
tocam os hits recentes da música eletrônica. Regiões
deterioradas até pouco tempo, como as Docas de Alcântara,
foram recuperadas seguindo o exemplo de Berlim oriental. E o
hábito de flanar numa mesma balada pelos bares do Bairro
Alto encontra eco na tradição dos jovens madrilenhos
de perambular noite adentro.
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Madri convida para uma viagem imaginária
à rica Idade Média
Aranjuez, Espanha
A capital espanhola guarda preciosidades que referendam seu
prestígio entre turistas do mundo inteiro. É provável
que quando você contar que está de partida para
Madri, alguém virá lhe dizer: Existe a Madri
de los Austrias e a Madri de los Bourbons. Não se
trata de duas cidades, mas de duas facetas. Madri de los Austrias
(referência à dinastia que comandou a Espanha) nada
mais é que o centro histórico, cortado por ruas
tão estreitas que, uma vez lá, você fará
uma imaginária viagem à Idade Média. E Madri
de los Bourbons é a porção mais moderna,
cuja menção também remete a outro período
da monarquia, com suas avenidas largas, museus e praças
com fontes monumentais. Para conhecer uma e outra, faça
como os locais: caminhe, caminhe, caminhe.
Embora a Plaza Mayor, na Madri de Los Austrias, seja a grande
referência da cidade, a Puerta del Sol é o melhor
ponto para se localizar no centro. De lá partem algumas
das ruas mais importantes, como a Calle de Alcalá, a Montera
e a Mayor. Esta conduz à Plaza Mayor, uma maravilha arquitetônica
retangular cercada por prédios. Pela Calle Arenal, chega-se
à Plaza de Oriente, onde está o Palácio
Real. O rei Juan Carlos não vive ali, mas o utiliza para
eventos oficiais. Ao lado está a Catedral de Almudena,
cuja obra começou em 1883, por ordem do rei Alfonso 12.
Reserve dois dias para o circuito completo pelos três museus
da Madri de Los Bourbons. Tome o Paseo del Prado e comece pelo
Museu do Prado. É o maior e mais representativo do país,
por abrigar obras dos grandes pintores espanhóis dos séculos
17 ao 19. Menor em tamanho, o Museu Thyssen-Bornemisza tem sua
relevância por exibir mil quadros representativos da escola
holandesa do século 15, do expressionismo alemão
e da pop art dos anos 60. No segundo andar, dedique atenção
especial à Guernica, obra essencial de Picasso.
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Boêmia, capital espanhola
oferece muita agitação madrugada adentro
Os madrilenhos são boêmios. Alguns bares e restaurantes
abrem após as 22 horas e só começam a ficar
movimentados depois da 1 hora. São diversos os pólos
de agitação noturna, como o centro, Lavapiés
e Chueca. Por isso, convém escolher um deles a cada noite.
A Zona de Huertas, onde fica a Plaza de Santa Ana, é um
emaranhado de bares para dançar, pubs e cervejarias. Para
encontrar um que lhe agrade, só na base da tentativa e
erro. Para acertar em cheio, recorra ao Museo Chicote, no meio
do caminho para Chueca. A lenda conta que o bar tem uma coleção
de 18 mil garrafas de licor e que a primeira teria sido de um
rótulo brasileiro.
Vale a pena investir um dia em Aranjuez, cidadezinha a 40 minutos
de trem da capital. A primavera, entre abril e junho, deixa a
visita ainda mais especial. Siga, rápido, para o Palácio
Real de Aranjuez. Construído a partir de 1560 pelo rei
Felipe 2, o palácio foi ampliado em 1715 por Felipe 5
e concluído em 1778 por Carlos 2. No passado, seus 200
aposentos serviam como palácio de primavera da realeza.
Desses, cerca de 60 estão abertos à visitação.
Nos diversos salões é possível ver como
e onde os monarcas dormiam, comiam, festejavam, recebiam visitas.
Tapeçarias do século 16, algumas delas confeccionadas
com fios de ouro e de prata, centenas de obras de arte, oratórios
e, curiosamente, 40 relógios espalham-se pelo local. Em
permanente restauro. Não é raro os restauradores
continuarem a encontrar relíquias em meio a seu trabalho,
como um pedaço do teto decorado pelo italiano Lucas Giordano
no século 17, descoberto há quatro anos.
O conjunto de jardins é igualmente exuberante. Projetado
em estilo francês e mais próximo do palácio,
o Jardim de La Isla tem uma via central com 1 quilômetro
de extensão. Um passeio calmo entre as fontes e árvores
originárias de diversos países levará pelo
menos uma hora e meia. Há, ainda, o Jardim do Príncipe,
com suas fontes e pequenas ilhas cercadas pelo Rio Tajo, o maior
da Península Ibérica, que, em Portugal, ganhará
o nome de Tejo.
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PÃO E CIRCO
José António Baço, publicitário
e jornalista de Lisboa
kiosanin@yahoo.com
www.boquirrotos.com
Até alguns anos, quando uma pessoa queria se manifestar
publicamente sobre um assunto, havia uma forma: escrevia um artigo
e tentava publicar num jornal. Mas, em tempos de internet, tudo
mudou. Hoje é mais fácil criar um blog e emitir
a tal opinião que, como sabermos, nem sempre é
bem fundamentada.
É expressivo o número de blogs e de opinionistas
que infestam a rede, em clara concorrência com os jornais.
Nos Estados Unidos, o tráfego dos blogs cresceu mais de
200% no ano passado, enquanto as visitas aos sites dos jornais
mantiveram um modesto crescimento de 9%.
À primeira vista, tudo bem. É uma forma que permite
uma quase ilimitada e sempre bem-vinda liberdade
de expressão. O lado mau é que se instalou um insano
reino da doxa, um território de opinião
que muitas vezes foge à sensatez e ao bom senso.
Há um fato. Não-especialistas, não-estudiosos
e não-informados se apoderaram da rede através
dos blogs. Mas o sistema blogueiro ignora os peritos
que se dedicam à dura tarefa (dura porque é preciso
estudar a sério) de investigar a sociedade.
É a consagração do perspectivismo nietzschiano:
não há uma verdade, mas a verdade de cada um. Todos
têm direito à opinião, mas poucos sentem
o dever de estar bem informados.
O tempo se encarregará de fazer uma limpeza na blogsfera.
Afinal, todos aprendemos que o circuito de comunicação
é integrado por emissor, mensagem e receptor. Um jornal
é um emissor de mensagens para muitos one-to-many
(um-para-muitos). Mas o que vai acontecer, no universo dos blogueiros,
será um simples muitos-para-poucos ou mesmo
muitos-para-ninguém.
FLASH
Veio a primavera e os dias de neve no continente europeu começaram
a escassear. E os apreciadores de esqui ou snowboard não
perdem as últimas oportunidades para umas descidas nas
pistas de neve. É o caso desta multidão em Sierra
Nevada, popular estância da Espanha.
MONTANHA RUSSA
ALTO
Funcionário do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras
português (o nome não foi revelado) foi em cana.
O calhorda exigia sexo a imigrantes brasileiras que tentavam
regularizar a situação em Portugal. Facilitava
ou dificultava os processos de acordo com as respostas às
suas investidas.
BAIXO
As eleições na França mais parecem eleições
para o reino do besteirol. Sempre que falam em assuntos complexos,
os candidatos dizem besteira. Agora foi a vez de Nicolas Sarkokzy,
da direita, dizer que a pedofilia é inata e que a tendência
ao suicídio é genética. Um gênio.
Rede louca
BARBA E BIGODE O bigode está fora de
moda? Não para estes tipos, que participam do Campeonato
Mundial de Barbas e Bigodes, em diversas categorias. Uma coisa
é certa: os sujeitos não têm medo do ridículo.
Clique em gallery of contestants and champions e
veja.
Em www.worldbeardchampionships.coml
Oooops!
"As escolas devem ser lugares de treino para a tolerância
e não redutos de repressão e discriminação.
Scott Long, do grupo Human Rights Watch, sobre o governo da Polônia
A Polônia está na contra-mão das políticas
da União Européia para as liberdades individuais.
O governo avançou com uma proposta para censurar a discussão
do tema homossexualidade nas escolas. Os professores
que insistirem correm o risco de ser demitidos. Insanidade.
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QUADRINHOS
A volta dos pequenos filósofos
Calvin e Haroldo
saem da geladeira para protagonizar série de álbuns
da Conrad
São Paulo
Eles foram embora há quase 12 anos, mas parece que
os fãs não estão nem um pouco a fim de registrar
isso. Calvin e Haroldo mantêm o fôlego mesmo depois
de sua tira ter sido cancelada pelo criador, o americano Bill
Watterson, em dezembro de 1995, e, mais, seguem conquistando
jovens leitores.
Agora, num alento para os que sentem saudades do pensador de
seis anos e seu tigre de pelúcia, a Editora Conrad lança
O Mundo é Mágico as Aventuras de Calvin
& Haroldo, álbum inédito no Brasil. É
o primeiro de uma série de livros que a editora vai lançar
com toda a produção de Watterson para a dupla de
personagens, criada em 1985.
Watterson não é de falar muito, tanto é
que nem escreveu um prefácio para o livro. E é
tão cuidadoso com seus personagens que jamais aceitou
as propostas de licenciamento da marca, evitando que Calvin e
Haroldo fossem estampados em lancheiras, álbuns de figurinhas
e tranqueiras de todo o tipo. Não quis prejudicar a personalidade
rebelde e contestatória dos personagens, transformando-os
em mais um produto de marketing na prateleira.
Watterson também não dá entrevistas. Mas
no lançamento das obras completas nos Estados Unidos,
em 2005, topou responder algumas perguntas de fãs no site
da editora Andrews McMeel Publishing. Ele negou, por exemplo,
que tenha se baseado nas próprias experiências da
infância para criar Calvin, embora reconheça que
o personagem carrega algo de sua personalidade. Eu nunca
tive amigos imaginários, sempre me mantive afastado de
problemas e fui um bom aluno, então, não posso
dizer que a tirinha seja autobiográfica, respondeu
ele a um fã.
Watterson observou, ainda, que este não é um grande
momento para as tiras de jornal. Eu tento, mas agora não
leio mais quadrinhos como a maioria das pessoas normais, mas
me divirto com algumas tiras, revelou.
O Mundo é Mágico traz tirinhas memoráveis
dos pequenos filósofos no original, eles são
Calvin e Hobbes, nomes inspirados no teólogo francês
Jean Calvin e no filósofo inglês Thomas Hobbes.
O destaque é a série em que a dupla está
às voltas com extraterrestres Calvin como o incrível
astronauta Spiff contra as engraçadíssimas criaturas-inseto
do planeta Zarton-9.
Há ainda uma seqüência generosa de tiras de
domingo, coloridas. Tudo admiravelmente atual. Eu optei
por não ancorar a tira no tempo. Os brinquedos de Calvin,
por exemplo, poderiam ser usados em qualquer época,
teorizou Watterson. Suponho que se fosse fazer o Calvin
hoje, ele seria diferente daquele de dez anos atrás, não
porque estamos numa era diferente, mas porque eu penso de maneira
diferente neste estágio da minha vida. |