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Qual será o peso do pedágio
no seu bolso
Em 2008, SC terá quatro
praças na BR-101 e três na BR-116
Rodrigo Stüpp
Prepare o bolso. Pedágios deverão fazer parte
da rotina do catarinense já em 2008. Com a instalação
de três praças na BR-116 (Planalto) e quatro na
BR-101 (Litoral Norte), Santa Catarina deixará de ser
o único Estado do Sul a não ter praças de
cobrança. Situação de luxo, num País
que tem mais de 300 trechos de rodovias "privatizadas".
A boa notícia: quase todos os valores máximos (confira
ao lado e abaixo), estabelecidos pela Agência Nacional
de Transportes Terrestres (ANTT), serão ainda mais baixos
que os mínimos cobrados hoje no Paraná e no Rio
Grande do Sul. Foram reduzidos por ação do Tribunal
de Contas da União (TCU), que interveio duas vezes. Mas
isso não é lá grande vantagem. Os Estados
vizinhos brigam para modificar seus modelos de pedágio,
semelhantes ao que será implantado aqui e que consideram
injustos.
Em Santa Catarina, se os valores próximos ao teto (preço
máximo) da ANTT forem praticados pelas empresas que vencerem
a licitação prevista para 6 de outubro, o valor
do pedágio em viagens curtas de carro poderá custar
até 33% do gasto com combustível. Isso no caso
de viagem entre Barra Velha e Joinville, por exemplo.
Barra Velha, destino de verão de moradores do Norte do
Estado, fica a 40 quilômetros de Joinville. Entre elas,
no quilômetro 78 da BR-101, em Araquari, haverá
uma praça de pedágio. O máximo de R$ 2,75
para carros é o mais baixo do Sul do País. Somando
ida e volta, os motoristas teriam de desembolsar R$ 5,50. É
um terço dos R$ 15,00 necessários em combustível
para percorrer a distância, com um carro popular. Ou seja,
pesa no bolso de quem faz um bate-volta para passar um dia na
praia.
Um fim de semana em Balneário Camboriú deverá
ter custo adicional de R$ 5,50 para quem sai de Florianópolis
ou de Joinville. Quem sai da Capital pagará pedágio
no quilômetro 162, em Tijucas. Os joinvilenses passariam
pelo de Araquari. Uma viagem de carro entre a Capital e a cidade
mais populosa do Estado ficaria R$ 11,00 mais cara.
Com base na regra aplicada pelas operadoras do PR e do RS, um
caminhão pequeno, como de frete, gastaria cerca de R$
40,00 para sair de Joinville, ir à Capital e retornar
ao Norte do Estado. Um caminhão de quatro eixos, como
os que transportam contêineres, pagaria cerca de R$ 20,00
de pedágio para ir de São João Batista,
pólo exportador de calçados, ao Porto de Itajaí
e voltar.
Ainda não está definido se motociclistas pagarão
em Santa Catarina nos Estados vizinhos, o valor geralmente
é a metade do cobrado de veículos de passeio. Também
não se sabe se veículos de empresas pagarão
o dobro da tarifa, como ocorre no Rio Grande do Sul. Os tetos
para automóveis servirão de referência para
as outras cobranças: caminhões, vans, ônibus
e engates.
rodrigo.stupp@an.com.br
Você acha justa a cobrança de pedágio?
"Acho justo porque em São Paulo, Rio de Janeiro,
Paraná e Rio Grande do Sul tem. Só aqui não
tem. Não vai aumentar muito o que já gastamos e
a estrada vai ficar melhor."
João Fabris, 50 anos, caminhoneiro
"Não acho justo porque já pagamos muitos
impostos. O governo deveria arrumar as estradas sem precisar
colocar terceiros para explorar as praças de pedágio."
Rodrigo Antônio Alves, 24 anos, caminhoneiro
"A segurança tem de estar em primeiro lugar.
Se for para melhorar a qualidade, ter socorro como ambulâncias,
sou a favor. Mas espero que não seja muito caro."
Erlon Vieira, 52 anos, motorista de ônibus
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Transportadores defendem a tarifa
social
Mesmo com a decisão de implantar o pedágio ser
praticamente irreversível, a Federação das
Empresas de Transporte de Carga de Santa Catarina (Fetrancesc)
não desiste. O presidente, Pedro Lopes, diz que vai até
as últimas conseqüências. O valor cobrado,
cerca de R$ 0,07 por quilômetro rodado, não leva
em conta outras várias tecnologias, nem mesmo o fluxo
de veículos, argumenta. Ações judiciais
estão sendo preparadas. Vamos aguardar o desenrolar
da licitação para agirmos, garante.
A Fetrancesc sugere o pedágio social, que leva em conta
itens ignorados pelo modelo a ser implantado em SC. Com
um chip no veículo você pode cobrar apenas por quilômetro
rodado. A fatura vem no cartão de crédito, conta
corrente, onde quiser, diz. O processo existe no Chile
e Europa.
Os transportadores criticam medidas previstas. Um telefone
público por quilômetro? Isso é da época
que ninguém tinha celular. É desperdício
de dinheiro, afirma Lopes. Segundo ele, os cerca de 300
mil trabalhadores do transporte de SC também sairão
perdendo, pois terão de arcar com o pagamento nas praças.
O economista Roberto Azeredo afirma que o Estado perderá
também em competitividade. O transporte de mercadorias
do Oeste e do Planalto, por exemplo, ficará mais caro.
Exportações do RS vêm ao Porto de Itajaí
pela ausência de pedágio aqui. Agora, esse jogo
pode mudar, avisa.
Nem as promessas de melhorias nas pistas animam. Transportadores
e empresas de ônibus afirmam que a economia de combustível
e manutenção nos veículos será irrisória
frente ao custo com pedágio. No transporte coletivo, o
valor do pedágio será dividido pelo número
de assentos do ônibus. Uma passagem de Florianópolis
a Joinville, por exemplo, que custa hoje cerca de
R$ 35,00, teria acréscimo de cerca de R$ 0,30.
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Críticas nos Estados que
já usam o modelo
Modelo semelhante ao que deve ser implantado em Santa Catarina
não é bem visto nos Estados vizinhos. Paraná
e Rio Grande do Sul, com quase dez anos de cobrança de
pedágio, têm ações judiciais e querem
modificar o critério da cobrança ou excluí-la.
No RS, uma CPI na Assembléia Legislativa apura irregularidades
nas praças de pedágio. O deputado Gilmar Sossella
(PDT-RS) comanda as investigações. Do jeito
que está, o condutor só perde." Para ele,
não há controle suficiente na arrecadação,
nas obrigações das concessionárias e sobre
o fluxo de veículos, que baixaria a tarifa. O deputado
propõe pedágios comunitários ou estatais,
administrados por conselhos regionais.
No Paraná, o governo entrou com quase 50 ações
na Justiça contra a cobrança. É um
absurdo, o usuário paga duas vezes. O governo federal
não investe o recurso da Cide (Contribuição
sobre Intervenção no Domínio Econômico
imposto federal que incide sobre os combustíveis)
e entrega as estradas à iniciativa privada, sem critério,
afirma o secretário de Transportes, Rogério Tizzot.
Segundo ele, a arrecadação no PR foi de R$ 750
milhões em 2006. Para cuidar de apenas 2,5 mil quilômetros
de rodovias, critica.
As concessionárias dizem que são vigiadas pela
ANTT e que, se cometerem algum deslize, serão punidas.
Afirmam que só cumprem o modelo proposto pelo governo.
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