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Ecos da tragédia com
o acidente da tam
Prédio vai abaixo em 3 segundos
Implosão da TAM Express,
cenário do acidente, deixou 18 mil toneladas de entulho
Às 15h29 de ontem as sirenes da Defesa Civil da cidade
de São Paulo tocaram, câmeras fotográficas
foram levantadas por centenas de curiosos e, um minuto depois,
o prédio da TAM Express, veio abaixo na avenida Washington
Luiz.
A implosão do edifício na frente do aeroporto de
Congonhas, onde caiu o Airbus da companhia aérea, durou
três segundos, mas uma estrutura de uma parede a esquerda
do prédio resistiu e teve de ser destruída em seguida
por uma retroescavadeira, assim como o posto de gasolina ao lado.
O sentido bairro da avenida Washington Luiz, interditado desde
a data do acidente que matou 199 pessoas, foi liberado pouco
antes das 18 horas.
Hoje, a Defesa Civil começa a avaliar a desinterdição
de 22 imóveis no entorno do edifício. O aeroporto
foi paralisado das 15h10 às 16h por causa dos trabalhos
e no início da tarde de ontem acumulava 50 cancelamentos
de 120 vôos previstos e quatro atrasos. A Infraero negou
que a situação tivesse relação com
a implosão do prédio. O governador José
Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acompanharam
a implosão. "A implosão encerra uma etapa
desse processo tão doloroso, o que volta é a tristeza
daquele dia, daquela noite, que realmente se o inferno tiver
uma imagem é a que vimos na noite do acidente. O importante
é trabalhar, o Brasil trabalhar para evitar a repetição
de tragédias como essa", disse Serra. Questionado
sobre providências do governo estadual frente à
União após a tragédia, responsabilizou a
pista curta de Congonhas pelo acidente. "O governo estadual
não tem influência direta na política aeroportuária.
Uma coisa me parece clara: que aqui em Congonhas tem de ser feita
uma pista de escape, que independentemente das causas do acidente,
a falta de pista de escape é o que precipitou a tragédia."
O engenheiro responsável pela operação,
Manoel Jorge Dias, afirmou que já era previsto que parte
da lateral esquerda poderia resistir à implosão.
Segundo ele, foi colocada uma carga de dinamite menor naquele
ponto no total foram usados 75 kg para evitar uma
interdição de mais quarteirões da área,
além dos quatro que já tinham sido isolados pela
Defesa Civil. Dias trabalhou também nas implosões
do Carandiru e do Palace 2. De acordo com ele, serão necessários
1.800 caminhões para retirar as 18 mil toneladas de entulho
que restaram no local. O entulho deverá seguir para área
da TAM em São Carlos, para análises. A companhia
aérea divulgou nota sábado reafirmando a doação
da área do prédio à Prefeitura de SP
o município promete uma praça e um memorial para
as vítimas no local.
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R$ 350 milhões para aeroportos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou aumento
do capital social da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária
(Infraero) em R$ 350 milhões. A decisão foi tomada
na sexta-feira com a assinatura de um decreto que será
publicado na edição de hoje do Diário Oficial
da União.
O dinheiro extra será investido na ampliação
da capacidade e modernização e recuperação
de pistas e instalações de oito aeroportos, entre
eles Congonhas e Guarulhos. Os recursos para o aumento de capital
sairão do orçamento do Ministério da Defesa,
informou ontem a Secretaria de Comunicação da Presidência
da República por meio de nota oficial. Além dos
dois aeroportos paulistas, também receberão investimentos
os aeroportos de Santos Dumont (RJ), Vitória (ES), Goiânia
(GO), Brasília (DF), Macapá (AP) e Salvador (BA).
A secretaria acrescentou que o aumento de capital será
ainda homologado pela assembléia-geral de acionistas,
o que é uma formalidade, já que a União
detém 88,8% do capital da Infraero.
As ações restantes pertencem ao Fundo Nacional
de Desenvolvimento (FND), administrado pelo BNDES. O governo
considera os investimentos imprescindíveis para evitar
qualquer limitação de tráfego aéreo
nos aeroportos, que observaram demanda crescente nos últimos
anos, ressalta a nota.
Outra preocupação manifestada pelo governo é
garantir que os aeroportos passem nas auditorias e inspeções
periódicas feitas pela Organização de Aviação
Civil Internacional. A entidade é responsável pela
certificação de capacidade operacional e de segurança
dos aeroportos em todos os países que integram a organização.
Está em estudo a aplicação de R$ 2 bilhões
no setor, o que elevaria o orçamento do PAC para os aeroportos
para R$ 5 bilhões até 2010.
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Guarulhos terá reforma definitiva
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou ontem a reforma
definitiva do Aeroporto de Guarulhos. Durante visita feita ao
Comando Militar da Amazônia, em Manaus, explicou que a
reforma será feita em três etapas. "Vamos fazer
uma reforma definitiva, ou seja, foi afastada a hipótese
de reforma provisória.
Uma etapa começa numa das cabeceiras da pista. Encerrada
essa fase, serão utilizadas as outras duas partes e, quando
tiver de fazer a reforma da parte central, paralisa-se a pista
e aí Viracopos (Campinas) já estará pronto
para receber os 21 vôos que precisam ser deslocados",
disse o ministro.
Os recursos necessários para a obra virão do Ministério
da Defesa. Jobim informou que em breve receberá um levantamento
sobre condições e detalhes dos aeroportos, elaborado
pela Aeronáutica e a Infraero. "Eu pedi levantamento
completo não só sobre as condições
de todas as pistas, mas também sobre o zoneamento urbano
no entorno do aeroporto, para disciplinar todas as atividades
antes mesmo de os problemas acontecerem", afirmou.
Para Jobim, segurança, regularidade e pontualidade definem
o que a população está buscando neste momento
na prestação dos serviços aéreos.
"A segurança está vinculada ao tráfego
aéreo, à manutenção das aeronaves
e ao estado dos aeroportos.
A regularidade é a forma pela qual as empresas estão
prestando o serviço, ou seja, nós precisamos casar
esses três elementos", comentou.
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Gaudenzi assume sob investigação
O novo presidente da Infraero Sérgio Gaudenzi, escolhido
pelo ministro Nelson Jobim, assumirá o cargo já
tendo de dar explicações sobre uma análise
de contas aberta pelo Tribunal de Contas da União (TCU)
envolvendo sua gestão à frente da Agência
Espacial Brasileira (AEB), da qual é presidente.
O TCU pediu esclarecimentos sobre o fato de R$ 16 milhões,
parte do custo da viagem do astronauta brasileiro Marcos Pontes
na nave russa Soyuz, terem sido pagos sem prévia autorização
do Congresso Nacional. A troca de comando na diretoria da Infraero,
estatal que administra os aeroportos, será homologada
hoje, em reunião do Conselho de Administração
da Infraero, primeiro encontro após o ministro da Defesa,
Nelson Jobim, assumir o cargo. Jobim é também presidente
do conselho e deverá formalizar a decisão de demitir
o brigadeiro, José Carlos Pereira, e nomear Gaudenzi para
a função.
Pereira não aceitou entregar ao conselho uma carta de
demissão e anunciou que participará de parte da
reunião em que o ministro o demitirá. Não
pedi para entrar, por isso não tenho de pedir para sair,
afirmou o brigadeiro no final de semana.
No final de semana, Jobim afirmou que não houve
participação partidária na escolha
de Gaudenzi para a Infraero porque ela foi exclusivamente sua
e feita dentro do critério de gestão que pretende
implementar nos órgãos responsáveis pelo
setor aéreo do País.
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Frota registra três falhas
por mês
A frota de 61 Airbus A320 da TAM registra, pelo menos, três
falhas que impedem suas decolagens todo mês. A empresa
informa que o número é normal para aviões
que voam em média dez a 12 horas por dia e fazem um pouso
e uma decolagem a cada 1h20.
Os números da manutenção da empresa chamaram
a atenção depois que o histórico de defeitos
do A320 prefixo MBK tornou-se público. Antes de varar
a pista de Congonhas e se chocar com o prédio da TAM,
a aeronave havia apresentado problemas no reverso direito, um
aumento na temperatura da turbina direita e o mal funcionamento
de um sensor de seus trens de pouso. Tudo isso é considerado
normal para uma avião. Muitas dessas panes não
seriam defeitos, mas apenas o resultado de situações
como a temperatura em altitudes elevadas, que leva à formação
de gelo, ou da variação de tensão elétrica
na aeronave.
O fato de pilotos e mecânicos apontá-los em relatórios
faria parte da cultura do setor de incentivar que qualquer anormalidade
seja reportada. Um sensor, por exemplo, pode apresentar um defeito
num dia e depois voltar ao normal. Se ele volta a apresentar
a mesma falha, pode ser hora de trocá-lo, diz Ruy
Amparo, vice-presidente técnico da TAM.
Ontem, um avião da TAM que saiu de Miami (EUA) para Salvador
(BA) teve de ficar mais tempo que o previsto no aeroporto de
Fortaleza (CE) por causa de problemas técnicos. O vôo,
que deveria sair às 13 horas para a capital da Bahia,
foi cancelado às 16h40.
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Lei dos hotéis
Terça decisiva para Dário
Berger
Vereadores decidem amanhã
se abrem comissão processante para investigar o prefeito
Florianópolis
A Câmara de Vereadores da Capital decide amanhã,
com a retomada das sessões, se abre ou não uma
comissão processante para investigar o prefeito Dário
Berger (PSDB). Ele é suspeito de ter criado a Lei do Hotéis
para beneficiar empresários do setor, especialmente o
dono do hotel Costão do Santinho, Fernando Marcondes de
Mattos. A lei concede descontos de até 50% no Imposto
Predial e Territorial e Urbano (IPTU) e Imposto sobre Serviço
de Qualquer Natureza (ISS).
Placar
São necessários nove dos 16 votos para instalar
a comissão processante na Câmara de Vereadores |
Para
que a comissão seja instalada, são necessários
nove votos. A partir daí, o tucano deverá ser afastado
temporariamente do cargo por até 180 dias para que não
interfira no processo. E, se ao final da investigação,
os vereadores concluírem que houve crime, o prefeito pode
ser cassado.
Dário Berger está sendo investigado pelo Ministério
Público do Estado (MP-SC), que viu indícios de
ilegalidade na Lei dos Hotéis e pediu ao Tribunal de Justiça
(TJ) a suspensão imediata da medida por meio de uma ação
direta de inconstitucionalidade.
As suspeitas sobre Dário Berger e o possível interesse
dele na lei surgiram em escutas telefônicas interceptadas
pela Polícia Federal. Há diálogos do prefeito
com o ex-vereador e advogado Michel Curi, que sugerem interesse
em atender, com a Lei do Hotéis, o empresário Fernando
Marcondes de Mattos. Trechos indicam que Berger dá carta
branca para fazer alterações no texto a fim de
atender a um pedido de Marcondes. O prefeito nega interesses
e sustenta que a lei atende a todo o ramo turístico e
que existe regra semelhante em outras cidades.
Em outro diálogo, o ex-vereador Juarez Silveira dá
a entender que houve negociação de R$ 500 mil com
Marcondes de Mattos em troca da lei hoteleira. O dinheiro iria
para a campanha de Djalma Berger (PSB), irmão de Dário
Berger. Os irmãos Berger e Marcondes negam a doação.
Por conta disso, o advogado do prefeito, Péricles Prade,
prepara uma ação criminal contra Juarez no Fórum
da Capital. Queremos que Juarez mostre as provas,
argumenta, sob pena de ingressar depois com um processo judicial
por calúnia contra ele.
Juarez Silveira, que já foi líder do governo na
Câmara, prefere não comentar o fim da relação
com o prefeito. "Não sou mais vereador, não
tenho o que falar. Agora eu sou cidadão comum e não
tenho mais relação com o prefeito. Mas eu não
sou mentiroso. Ele (Dário) que faça o que achar
que deve", comentou.
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o que pode acontecer
Na Câmara
O que pode acontecer com o prefeito se a Câmara aprovar
a comissão processante?
O decreto-lei federal 201/1967 diz que os prefeitos cometem crimes
de responsabilidade ao proceder de modo incompatível com
a dignidade e o decoro do cargo. Se os vereadores concluírem
que houve crime, o prefeito pode ter o mandato cassado.
Como o Legislativo vai agir?
Amanhã, o presidente da Casa coloca em votação
um requerimento para que o prefeito seja investigado. Para que
seja aprovado, são necessários nove votos.
Que conseqüência tem essa votação?
Se aprovado o requerimento, os vereadores elegem uma comissão
processante formada por cinco parlamentares. Essa comissão
dará início a uma investigação e
notificará o prefeito para que se explique sobre as acusações,
num prazo de 15 dias.
Aonde pode levar a investigação?
Depois de receber a defesa, ou ao fim do prazo de 15 dias, a
comissão pode concluir pelo arquivamento da denúncia
ou a abertura de processo contra o prefeito. Nesse último
caso, a decisão precisa ser tomada por dois terços
dos vereadores (11 votos).
O que ocorre se o processo for instalado?
Se a Câmara aprovar a abertura do processo, o prefeito
será automaticamente afastado do cargo por até
180 dias. Durante esse período, a Câmara pode recomendar
o arquivamento da denúncia ou a cassação.
Por que o prefeito é afastado de forma temporária?
Para que não interfira no processo na Câmara. Se
os vereadores não concluírem o processo em 180
dias, o prefeito volta ao cargo. Se for cassado, perde os direitos
políticos por oito anos, a partir do fim do atual mandato.
Ele pode recorrer ao TJ.
No Ministério público
O MP-SC entrou com ação pedindo a anulação
da Lei dos Hotéis, alegando indícios de improbidade
administrativa e descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal,
com perda de receita sem medidas compensatórias. Se, ao
final da investigação, o MPE concluir que houve
crime, pode propor uma ação criminal contra o prefeito
no Tribunal de Justiça.
O que é foro privilegiado
No caso do prefeito, só o procurador-geral de Justiça,
chefe do Ministério Público Estadual, pode investigar
eventuais crimes cometidos e propor ação criminal.
Os prefeitos também só podem ser julgados pelos
Tribunais de Justiça e não por juiz de primeira
instância nas comarcas.
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Muito frio
Enganou-se quem pensava que estaria livre do frio em Santa
Catarina. Ontem, as temperaturas baixaram ainda mais. Em São
Joaquim, os termômetros marcaram 1,4ºC e, em Lages,
6,2ºC. Para dar um passeio na catedral de Lages ontem, a
comerciária Sônia Oliveira, 42 anos, precisou agasalhar
bem a sobrinha Emili Pires, de quatro anos. Sônia achou
o domingo agradável, apesar do vento e da nebulosidade.
Para hoje, a previsão dos meteorologistas é de
chuva entre o Norte até a Grande Florianópolis.
Nas demais regiões, sol com aumento de nuvens e chuva
isolada a partir da tarde. As temperaturas devem baixar à
noite.
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Educação
UFSC retoma as aulas hoje
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deve retormar
as aulas hoje, mesmo com cerca de 80% dos servidores técnico-administrativos
em greve desde o início de junho. Os professores não
aderiram à paralisação, mas setores essenciais
como a biblioteca central, o restaurante universitário,
o departamento de administração escolar e o núcleo
de processamento de dados (NPD) estão parados. O reitor
Lúcio Botelho fez uma apelo aos grevistas, por meio de
um ofício, para que coloquem em operação
pelo menos o NPD. Com o setor parado, os alunos não têm
acesso aos pedidos de matrícula e até a folha de
pagamento dos professores pode ser prejudicada.
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São José
Concessão de coleta de lixo
é revogada
Depois de seis meses de polêmica, o prefeito de São
José, Fernando Elias (PSDB), revogou o contrato de concessão
para coleta e distribuição do lixo e cancelou o
aumento na taxa. As reclamações começaram
no início do ano, quando a Prefeitura reajustou a coleta
em até 39%. O tumulto gerou uma comissão parlamentar
de inquérito (CPI) na Câmara, protestos nas ruas
e batalhas judiciais. O prefeito vai falar
sobre o assunto hoje.
O relatório final da CPI apontou irregularidade nos contratos
e nos aditivos, além de falhas na fiscalização
e na
cobrança dos serviços.
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Alto-mar
Pesqueiro encalha no Leste da Ilha
Um barco pesqueiro encalhou na praia de Moçambique,
no Leste da Ilha, na madrugada de sábado, e teve de ser
rebocado por pescadores. Depois de 23 dias no Rio Grande do Sul,
a embarcação seguia viagem até Itajaí,
quando ficou presa. Devido à neblina, o comandante perdeu
o controle do barco que transportava cinco toneladas de peixes.
A carga eraw de pescado especial, como namorado e cherne, de
alto valor comercial. Pelo menos uma tonelada e meia foi retirada
do barco e vendida para diminuir o peso da embarcação.
Ontem, o barco seguiu viagem até Itajaí.
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Agronegócio
Orgânica da lavoura ao rebanho
Cabras se alimentam de ração
produzida sem agrotóxicos
Marcelo Miranda
Campo Alegre
Ração balanceada, sem agrotóxicos, e
conforto. Com estes cuidados, uma fazenda de Campo Alegre, no
Planalto Norte catarinense, está garantindo o bom lucro
que a produção orgânica permite e um tempo
de vida superior aos animais. No Rancho das Cabras, o rebanho
se alimenta de hortaliças e frutas cultivadas sem defensivos
químicos. Apenas,técnicas de manejo de solo e aplicação
de adubo natural são utilizadas na plantação
a mesma de onde sai a salada que vai para a mesa do produtor.
E o esterco das cabras vira adubo para a lavoura.
Diversas experiências são realizadas na fazenda.
Há, além dos animais, cultivo de árvores
frutíferas e hortaliças algumas nem tão
comuns na região plantadas e cultivadas sem o uso
de agrotóxicos.
Mas a fonte de renda da propriedade são as cabras. Cada
uma produz, no período de safra, cerca de dois litros
de leite ao dia. O produto é comercializado na própria
fazenda a R$ 3,50 o litro. O valor é quase seis vezes
superior ao pago pelo litro do leite de vaca, que está
sendo comercializado a R$ 0,60 nesta época do ano em que
o produto temuma valorização. E a fazenda também
produz derivados de leite de cabra, vendidos no local. A clientela
é fixa e fiel, afirma o produtor José Ângelo
Lyra. Semanalmente, ele recebe clientes no Rancho das Cabras.
E quem chega lá vê que a alimentação
orgânica não é o único agrado para
o rebanho.
A ordenha dos animais é feita manualmente. Desta forma
se evitam doenças, como a mastite, e se prolonga a vida
das cabras. Cada uma chega a produzir leite por mais de 12 anos
o tempo médio de produção é
de quatro anos. Aqui as cabras morrem de velhas. Não
se abatem os animais.
O curral é mantido sempre limpo e bem arejado. Atenção
especial à comida, que é desidratada antes de ser
servida. Mais atenção ainda com as mais velhas:
na hora de deitar, o tratador ajuda para evitar que se machuquem.
E uma cama é feita para que fiquem mais confortáveis.
Os animais são da raça leiteira saani, originária
da Suíça. Esta é a única propriedade
onde a espécie é criada em Campo Alegre. A atividade
iniciou há dez anos, com um animal. Hoje, são 55
cabeças.
Para o engenheiro-agrônomo Gilson Brunquell, é graças
a iniciativas como estas, inovadoras para a atividade agropecuária,
que o criador consegue se manter no campo.
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Galinhas serão usadas no
lugar de herbicidas
A produção orgânica na Rancho das Cabras
não vai parar por aí. Agora, o objetivo é
preparar a fazenda para criação de galinhas orgânicas.
Existem raças específicas, capazes de produzir
até 260 ovos por ano. Elas funcionarão como uma
espécie de herbicidas. Soltas na lavoura, as galinhas
se alimentarão de ervas invasoras e farão o controle
natural das pragas, dispensando o uso de agrotóxicos.
A fazenda é aberta à visitação e
promete uma verdadeira aula de preservação ambiental,
incluindo o cultivo das plantas e o manejo dos animais. O acesso
é pela SC-301, na localidade de São Miguel, distante
cerca de sete quilômetros do centro da cidade. |