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Tragédia no vôo
3054
4 dias depois...
Lula vai à TV anunciar
pacote de ações para conter a crise no setor aéreo,
presta solidariedade às famílias das vítimas
e pede serenidade
Brasília
Quatro dias depois e 191 mortes confirmadas até agora,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu, em pronunciamento
à nação, que o governo fará o "possível
e impossível" para apurar as causas do acidente com
o Airbus 320 da TAM, na terça-feira, em Congonhas. Ao
anunciar um pacote de medidas para o setor aéreo, ele
classificou o Aeroporto de Congonhas, palco da maior tragédia
da aviação brasileira, como o maior problema.
"Com as medidas que anuncio hoje (ontem) e com outras providências
que o governo irá tomar nos próximos dias, tenho
certeza de que o nosso sistema aéreo voltará a
se adequar às necessidades do País", prometeu.
Ele pediu serenidade aos brasileiros em relação
ao pacote de medidas que o governo vai implantar para controlar
a crise do tráfego aéreo do País.
Repetidas vezes, Lula afirmou que o sistema de tráfego
aéreo brasileiro é seguro. "O nível
de segurança do nosso sistema aéreo é compatível
com todos os padrões internacionais. Não podemos
perder isso de vista."
O teor do pronunciamento, que seria mais técnico, acabou
sendo mudado pelo cerimonial ao longo do dia. O tom mais emotivo
foi definido após a repercussão negativa dos gestos
obscenos feitos pelo assessor da Presidência, Marco Aurélio
Garcia, flagrados enquanto assistia ao noticiário do "Jornal
Nacional" que levantava a suspeita de falha mecânica
no avião da TAM (leia mais na página A6).
O presidente prestou condolências às famílias
das vítimas do maior acidente da aviação
brasileira. "Choramos e nos revoltamos junto com vocês.
Não conseguimos aceitar a tragédia. E eu, pessoalmente,
sofro como pai, como esposo e como presidente. Acima de qualquer
outra consideração, é hora de dar todo carinho
e apoio às mães, aos pais, aos filhos, aos parentes
e aos amigos dos passageiros e tripulantes do vôo 3054
e dos funcionários da TAM que morreram na tragédia.
Que nosso carinho e nossa solidariedade possam ajudar a aliviar
a dor irreparável que estão sentindo."
Lula falou ainda sobre as outras decisões: fortalecimento
da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac),
modernização do controle de tráfego aéreo,
construção de um novo aeroporto em São Paulo
e exigência de que as companhias aéreas tenham regime
aeronaves e tripulações sobressalentes para serem
acionadas em caso de urgência.
"Nada que se possa fazer trará de volta aqueles que
amamos e perdemos, mas quero que todos saibam que o governo está
fazendo e fará o possível e o impossível
para apurar as causas do acidente. A Aeronáutica já
iniciou as investigações. Por determinação
minha, a Polícia Federal também está trabalhando
no caso. Todas as hipóteses serão examinadas",
afirmou.
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Ações só dez
meses após o início da crise
Dez meses depois do início da crise aérea, o
governo federal anunciou ontem o pacote para desafogar o Aeroporto
de Congonhas, na zona sul de São Paulo, o mais movimentado
do País. Dentro de 60 dias, ele deixará de ser
o principal ponto de distribuição de vôos,
conexões e escalas.
A decisão foi divulgada depois de dois dias de reuniões
com o presidente Lula e da aprovação do pacote
pelos representantes do Conselho Nacional de Aviação
Civil (Conac). Com isso, pelo menos 5,4 milhões de passageiros,
que fazem conexões e escalas em Congonhas, 30% do total
de movimentos, deixarão de circular pelo aeroporto mais
movimentado do País, que recebe hoje em torno de 18,8
milhões de passageiros por ano.
Em Congonhas só funcionarão vôos diretos,
no estilo ponte aérea. O avião que tiver como destino
Brasília, por exemplo, terá de seguir para a capital
e, de lá, regressar para o mesmo aeroporto. Os vôos
fretados ficarão proibidos de operar em Congonhas e haverá
um limite de pousos e decolagens para os jatos executivos. Esses
dois segmentos de passageiros representam 10% do movimento de
Congonhas. Ao serem retirados de lá, diminuirão
ainda em 1,8 milhão o número de pessoas que passam
pelo aeroporto.
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Especialistas questionam prioridade
O anúncio de um novo aeroporto em São Paulo
foi considerado como necessário, mas não "prioritário"
por especialistas em segurança de vôo. O pacote
de medidas para reduzir o tráfego aéreo no Aeroporto
de Congonhas foi bem recebido, com a ressalva de que será
necessário aguardar sua adoção para avaliar
os resultados na prática.
"A construção de um novo aeroporto em São
Paulo é viável, mas a prioridade deve ser a conclusão
do terceiro terminal e da terceira pista do Aeroporto de Guarulhos",
disse o presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte
Aéreo, Anderson Correia, professor do Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA).
O coordenador-técnico da Agência de Desenvolvimento
de Guarulhos (Agende), Marcelo José Chueiri, disse que
essas obras, estimadas em R$ 2 bilhões, elevariam para
30 milhões a capacidade de movimentação
de pessoas ao ano. Atualmente, Cumbica comporta 21 milhões,
mas recebe, em média, 17 milhões de pessoas.
O comandante aposentado Carlos Camacho, diretor do Sindicato
Nacional dos Aeronautas, afirmou que a redução
dos vôos no Aeroporto de Congonhas vai melhorar as condições
de tráfego em toda a área de controle de São
Paulo.
Trechos do pronunciamento
Nós, brasileiros, estamos vivendo dias muito
tristes, sob o impacto do acidente com o avião da TAM,
em Congonhas, que ceifou a vida de tantos compatriotas. Estamos
todos, homens e mulheres, de Norte a Sul do Brasil, com o coração
sangrando.
Sentimos suas perdas como se fossem nossas. Choramos
e nos revoltamos junto com vocês. Não conseguimos
aceitar a tragédia. E eu, pessoalmente, sofro como pai,
como esposo e como presidente.
Como presidente, quero garantir às famílias
que, além da apuração rigorosa dos fatos,
estamos tomando todas as providências ao nosso alcance
para diminuir os riscos de novas tragédias.
Nosso sistema aéreo, apesar dos investimentos
que fizemos na expansão e na modernização
de quase todos os aeroportos brasileiros, passa por dificuldades.
E seu maior problema hoje é a excessiva concentração
de vôos em Congonhas. E é isso que precisamos resolver
imediatamente.
Meus amigos e minhas amigas, na apuração
dos fatos, estamos trabalhando com rigor e serenidade, sem precipitações.
Rigor para conhecer a verdade e serenidade para não cometer
injustiças.
Com as medidas que anuncio hoje (ontem) e com outras
providências que o governo irá tomar nos próximos
dias, tenho certeza de que o nosso sistema aéreo voltará
a se adequar às necessidades do país.
O governo está fazendo e fará o possível
e o impossível para apurar as causas do acidente.
1 - Mudança do perfil operacional do Aeroporto de Congonhas,
com proibição de vôos fretados. Os vôos
já autorizados deverão ser redistribuídos
para outros aeroportos.
2 - Fortalecimento da Agência Nacional da Aviação
Civil (Anac) para que atue mais efetivamente em defesa dos interesses
dos usuários do sistema nacional.
3 - Intensificação das medidas de modernização
do controle de tráfego aéreo.
4 - Construção de um novo aeroporto na região
de São Paulo. Definição do local deve ocorrer
em 90 dias.
5 - Exigência de que as companhias aéreas tenham
sempre, de sobreaviso, em regime de contingência, aeronaves
e tripulações para ser acionadas em caso de necessidade.
6 - Redistribuição, até o fim de setembro,
dos horários de vôos das companhias aéreas
em Congonhas, com o objetivo de restringi-las a vôos diretos,
garantindo que o aeroporto não
seja mais ponto de conexão ou escala.
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Tem como justificar?
Assessor de Lula tenta explicar
os gestos que fez ao ouvir notícia de possível
falha mecânica no avião da TAM
Brasília
Um flagrante de gestos comprometedores do assessor de Assuntos
Internacionais da Presidência da República, ministro
Marco Aurélio Garcia, criou mais turbulência para
o governo Lula. Garcia foi filmado festejando, com gesto obsceno,
no seu gabinete, o noticiário do "Jornal Nacional",
da TV Globo, na quinta-feira, sobre o acidente da TAM que provocou,
até agora, 191 mortes. O JN noticiava um possível
problema técnico no Airbus que realizava o vôo 3054.
O significado do gesto de Garcia parecia claro: a TAM se estrepou,
melhor para o governo. Ao seu lado, o assessor de imprensa Bruno
Gaspar foi ainda mais grosseiro: um trejeito imitando o ato sexual.
No momento em que o âncora Willian Bonner dava a informação
sobre os problemas com o reverso do avião, Garcia ajeitou
os óculos e bateu a mão direita aberta sobre a
mão esquerda fechada, três vezes. Essa imagem, exibida
pelo "Jornal da Globo", foi captada por um cinegrafista
da emissora no gabinete do assessor, no Palácio do Planalto.
Ontem, o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio
Carlos Pannunzio (SP), divulgou nota oficial, defendendo a demissão
do ministro. "Não há desculpa que justifique
a cena. Não há atitude que redima o desrespeito
com uma nação inteira", diz a nota.
Questionado sobre o gesto, o ministro tentou argumentar que as
imagens foram feitas à revelia. Ontem, Garcia divulgou
nota pedindo desculpas pelo gesto. "Minha reação,
absolutamente pessoal, não expressa satisfação,
alívio ou felicidade, como pretenderam setores da mídia",
afirma Garcia no comunicado.
Segundo ele, "sem nenhuma investigação ou
parecer técnico consistente, importantes setores dos meios
de comunicação não hesitaram, poucas horas
depois do acidente, em lançar sobre o governo a responsabilidade
da tragédia de São Paulo".
Vídeos com as imagens foram parar até na página
do YouTube (youtube.com).
Outros gestos polêmicos
Devalni Balbino
Prefeito de Floresta do Araguaia (PA), Devalni
Balbino (PMDB) se ajoelhou diante do presidente Lula
em um encontro de prefeitos, em 17 de setembro de 2006. Lula
havia afirmado que não era preciso humilhação
para os municípios obterem verbas federais.
Angela Guadagnin
A deputada federal Angela Guadagnin (PT-SP) provocou indignação
ao bailar no plenário da Câmara na madrugada de
23 de março de 2006. Com a conhecida "dança
da pizza", Angela comemorava a absolvição
de João Magno (PT-MG), então suspeito de envolvimento
com o valerioduto.
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Mais problemas
Airbus 320 da TAM teve falha
mecânica no final do mês passado. Piloto foi obrigado
a abortar decolagem em Recife por complicação hidráulica
O Airbus 320 da TAM que se chocou contra um prédio
após pousar em Congonhas apresentou problemas nos últimos
30 dias, segundo o Jornal Nacional. Na noite do
dia 24, um piloto foi obrigado a abortar a decolagem no aeroporto
dos Guararapes, em Recife, por causa de falhas no sistema hidráulico.
O avião estava partindo para Natal. A TAM confirmou o
fato.
Reversor
Peça já foi causa de acidente com um Airbus 320
há 14 anos, na Polônia. Duas pessoas acabaram morrendo |
Segundo
a companhia aérea, o procedimento foi adotado porque o
piloto verificou que uma das três luzes de advertência
do sistema acendeu no momento da decolagem. O sistema foi reabastecido
com óleo e o avião seguiu viagem normalmente.
No sábado passado, mecânicos da empresa detectaram
um vazamento no sistema hidráulico do reversor da turbina
direita. O equipamento foi desligado e travado, seguindo orientação
da fabricante do avião (leia mais abaixo). Em um prazo
de até dez dias, o Airbus teria de ser submetida a uma
revisão do equipamento. Uma geral, quando o avião
é praticamente desmontado, estava programada para o próximo
ano. A aeronave tinha 26,3 mil horas de uso. O primeiro vôo
foi em fevereiro de 1998.
Os pilotos tomaram um novo susto na tarde de segunda-feira, ao
pousar em Congonhas, vindos do aeroporto de Confins, em Belo
Horizonte. O avião só teria conseguido parar muito
próximo do final da pista. O piloto do jato teria relatado
à torre de controle que a pista estava muito escorregadia.
Uma das hipóteses que vem ganhando força para explicar
o acidente é, justamente, a falha no reversor, que ajuda
na desaceleração do avião durante o pouso.
Problema parecido com um Airbus aconteceu há 14 anos,
durante um pouso de um avião da Lufthansa em Varsóvia,
na Polônia. O equipamento demorou para ser acionado. A
aeronave deslizou pela pista e acabou batendo em um barranco.
Duas pessoas morreram.
Outro fator que pode ter contribuído para o maior acidente
da história da aviação brasileira seria
uma falha no sistema de pouso por instrumentos do aeroporto.
Um comandante, com mais de 15 mil horas de vôo, que pousou
dez minutos antes do acidente, disse ao portal Exame, que recebeu
um aviso da torre de controle que o sistema, que facilita o processo
de aterissagem principalmente em condições
climáticas adversas -, estava inoperante. Não
é raro que problemas como esses ocorram em Congonhas.
Quando soube da falha, ele solicitou autorização
para pousar na pista auxiliar, que tem o grooving (ranhuras feitas
na pista para ajudar a água da chuva a escoar). O argumento
é que, com chuva, diante de uma área menor para
pouso, e na impossibilidade de ter o auxílio dos instrumentos,
seria seguro aterrissar onde houvesse o grooving.
Dúvidas no ar sobre o vôo 3054
O avião estava acima da velocidade normal ao aterrissar?
O vídeo divulgado pela Infraero na quarta-feira, com imagens
do vôo 3054 em alta velocidade na pista de Congonhas, não
deixa isso claro. A operação deve ser feita entre
200 e 250 quilômetros por hora, segundo recomendações
da Airbus. O que se sabe é que os últimos 300 metros
foram percorridos em três segundos. Em condições
normais, esse trajeto é feito entre dez e 15 segundos
Havia excesso de peso no avião?
O Airbus estava totalmente ocupado. 186 pessoas estavam no avião.
A recomendação da fabricante é que a aeronave
pouse com 65,4 toneladas. Segundo a TAM, a aeronave estava com
aproximadamente 62,7 toneladas de peso ao tocar a pista
O avião pousou no local certo?
Investigações preliminares apontam que o Airbus
pousou no lugar certo, ou seja, nos 300 metros iniciais da pista.
Os equipamentos falharam?
O sistema de checagem do avião detectou problemas no reversor
(auxiliar do freio) da turbina direita na sexta. O equipamento
foi desligado. A aeronave precisaria ir para a manutenção
em até 10 dias, segundo procedimentos da Airbus. Na segunda,
o mesmo avião teve problemas para pousar em Congonhas.
O pouso sem o reversoré possível, mas é
mais complicado em pistas curtas e em tempo chuvoso.
Havia excesso de água na pista?
Chovia muito na terça-feira em São Paulo. Quando
a lamina d´água atinge três milímetros,
as operações no aeroporto de Congonhas são
suspensas. Alguns pilotos teriam reclamado à torre que
a pista, recém-reformada, estava escorregadia. Nela, ainda
precisa ser feito o grooving. A ausência não pode
ser considerada uma causa.
O que o piloto fez para evitar o acidente?
O piloto teria tentado decolar de novo. Uma mureta de 30 centímetros
na cabeceira do aeroporto foi quebrada em dois pontos, provavelmente
pelas rodas traseiras do avião. Seria um sinal de que
o piloto tentou decolar. É pouco provável que
ele tenha tentado dar um cavalo-de-pau. Em alta velocidade, a
manobra seria impraticável.
Se o piloto tentou arremeter, por que a tentativa fracassou?
A decisão pode ter sido tomada tarde demais. Outra hipótese
é que, como a aeronave é totalmente informatizada,
os computadores de bordo possam ter desobedecido a alguns comandos
do piloto, por considerar que eles implicavam
alto risco. Segundo especialistas em aeronáutica, o Airbus
320 é um avião muito sofisticado e tem "vontade
própria".
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Airbus confirma que avião
podia voar sem reversor
Genebra
A Airbus confirma que, pelos padrões internacionais,
um avião pode ser autorizado a voar sem que o reversor
da turbina esteja em pleno funcionamento.
A empresa francesa recusa-se a declarar-se, oficialmente, sobre
o caso e alerta que apenas se pronunciará quando as investigações
estiverem concluídas. Mas fontes da companhia afirmam
que a versão da TAM estaria correta ao defender o vôo,
mesmo sem o funcionamento do equipamento.
Especialistas europeus também negam que a falta do reverso
seja a causa principal do acidente e apontam que a TAM estava
ainda dentro do prazo em que poderia usar o aparelho sem arrumar
o defeito. A peça é usada para ajudar a frear o
avião no pouso, mas, em caso de estar bloqueada, não
significaria que o aparelho não poderia pousar, segundo
os manuais da empresa.
Cinco técnicos foram enviados a São Paulo para
ajudar nas apurações, assim como autoridades francesas.
Pelas regras internacionais, um acidente aéreo deve ser
investigado pelo país onde ocorreu o desastre, pelas autoridades
da nação onde está a sede da construtora
de aviões e pela empresa que o vendeu.
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Comandantes se negam a pousar
O nevoeiro em São Paulo e as restrições
de pousos no aeroporto de Congonhas na manhã de ontem
provocaram um efeito cascata em todo o País. Segundo a
Infraero, 17 comandantes se recusaram a pousar em Congonhas com
a neblina e tiveram de ser desviados, causando atrasos em outros
aeroportos.
O Serviço Regional de Proteção ao Vôo
de São Paulo informou que o teto de visibilidade, entre
6 horas e 9h28, era inferior a 500 pés. Por regra de segurança,
abaixo desse teto não é permitido que as aeronaves
da aviação comercial pousem, mesmo com os aparelhos
de auxílio a aterrissagem funcionando. Caso quisessem
arriscar, cada avião teria de estar homologado para descer
com o equipamento e o comandante também teria de ter o
treinamento para isso.
Só as aeronaves da aviação geral (jato executivo
e táxi aéreo) poderiam tentar pousos.
Investimento - A América Latina é a região
que menos investe em aeroportos no mundo e consegue destinar
menos recursos ao setor aéreo que a África. A constatação
faz parte de um estudo do Conselho Internacional de Aeroportos,
com sede em Genebra, e que reúne 95% dos aeroportos mundiais.
Segundo o levantamento, os países latino-americanos investiram
US$ 1,2 bilhão em 2006 em aeroportos, contra mais de US$
3,6 bilhões na África e quase US$ 17 bilhões
no Canadá e Estados Unidos.
Pilotos - As deficiências na infra-estrutura do setor
aéreo, em contraste com o crescimento de dois dígitos
no fluxo de passageiros transportados, trazem mais um desafio
para as companhias aéreas: especialistas temem a falta
de pilotos, que poderia ocorrer em 2008. Segundo o Sindicato
Nacional dos Aeronautas, só este ano as principais empresas
aéreas nacionais devem acrescentar 34 aparelhos às
frotas.
Atrasos - O movimento no aeroporto de Congonhas em São
Paulo, continua crescente, assim como as filas no check-in das
companhias. No balcão de check-in da Gol, por exemplo,
os passageiros enfrentam longas filas, que chegam ao corredor
que liga a área ao saguão central, onde é
feito o embarque. Até as 18 horas de ontem, 74,6% dos
vôos foram cancelados ou apresentaram atrasos. Segundo
boletim da Infraero), das 209 partidas programadas, das 6 às
18 horas, 80 foram canceladas (38,2%).
"O País terá de escolher se prefere
o impacto econômico ou o impacto de novos acidentes."
Márcio Schusterschitz, procurador da República,
que pediu o fechamento do aeroporto de Congonhas
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Mais um passageiro
TAM confirmou ontem que Marcos
Stepansky, que trabalhava como co-piloto da empresa, estava na
aeronave, elevando para 191 o número de mortos
São Paulo
A TAM confirmou ontem o nome de mais uma vítima do
acidente com o vôo 3054, elevando para 187 o número
de pessoas que estavam no Airbus. Marcos Stepansky, que trabalhava
como co-piloto da empresa, estava na aeronave.
Como ele era funcionário, não fez check-in nem
usou cartão de embarque. Ele viajaria a São Paulo
para fazer a última prova para poder ser co-piloto de
um Airbus, como o que caiu na capital paulista. Assim, chega
191 o número de mortos no acidente.
O avô de Marcos, João Stepanski, que é piloto
e foi diretor de operações da Varig entre 1975
e 1980, contou que o procedimento de embarque de pilotos sem
o check-in é comum. O presidente da TAM, Marco Antônio
Bologna, havia dito na quarta-feira que a lotação
do avião era de 185 passageiros, mas que 186 pessoas estavam
na aeronave por conta de um bebê que estava sentado no
colo da mãe. Ele também afirmou que o avião
estava abaixo do peso recomendado pela empresa fabricante. A
Associação dos Tripulantes da TAM está acompanhando
o caso.
A empresa informou que a aeronave levava 160 passageiros adultos,
duas crianças de colo, seis tripulantes responsáveis
pelo vôo e 19 funcionários e tripulantes não-operantes
no vôo. A confirmação dos dados se dará
a partir da identificação das vítimas pela
Secretaria de Segurança Pública.
No começo da tarde de ontem, a secretaria informou que
mais quatro vítimas foram identificadas pelo Instituto
Médico Legal (IML) de São Paulo. Com isso, sobe
para 39 o número de vítimas já identificadas
do acidente. Também no começo da tarde, o Corpo
de Bombeiros informou que mais um corpo e cinco fragmentos foram
retirados do edifício da TAM, o que eleva para 213 a contagem
de sacolas retiradas do local.
Após o Corpo de Bombeiros divulgar 188 corpos resgatados,
ele desistiu da contagem oficial e passou a responsabilidade
para o IML. Agora, a contagem dos bombeiros é feita pelo
número de sacolas com fragmentos de corpos enviados ao
IML. O instituto terminou na quinta-feira a coleta de documentos
e informações sobre as vítimas do vôo
3054.
Segundo o IML, 160 famílias foram ouvidas. Faltam apenas
informações dos passageiros cujas famílias
ainda não foram localizadas. As famílias que ainda
não tiveram os corpos identificados terão de permanecer
em SP para ajudar na identificação.
Identificados até agora
Roberto Ilson Weiss Junior
Marcello Rodrigues Palmieri
João Roberto Brito
Alanis Ura Dona Andrade
Anderson Luís Falleiro Cassel
Antonio C. Araújo de Souza
Caio Augusto Bueno Dalprat
Claudemir Buzzanelli Arriero
Deolinda Magaly V. da Fonseca
Fábio M. Novakoski Fernandes
Fernando Volpe Estato
Guilherme Duque de Moraes
Heurico Hirochi Tomita
Helen de Cássia Monteiro
Inês Maria Kleinowski
João Francisco Caltabiano
José Antonio Lima da Luz
José Antonio R. Santos Silva
José Luís Souto Pinto
Julio Cesar Redecker
Lina Barbosa Cassol
Luiz Antonio Rodrigues da Luz
Márcio Rogério Andrade
Melissa Ura
Michele Dias Miranda
Mireile Franciane Bettiol
Nelson Wiebbelling
Osvaldo Luiz de Souza
Paulo de Tarso D. da Silveira
Paulo Rogério Amoretty Souza
Peter Max Finzsch
Rafaella Bueno Dalprat
Roberto Gaviolli
Rosangela M. de Ávila Severo
Rubem Withaeuper
Silvânia Regina de Ávila Alves
Simone Lacerda Westrupp
Valdemarina B. de A. e Souza
Vitacir Paludo
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Encerrada busca em parte de prédio
Os oito bombeiros da equipe especializada de Busca e Reconhecimento
em Estruturas Colapsadas (Brec) concluíram ontem os trabalhos
de resgate de vítimas em uma parte do prédio da
TAM Express, segundo informações da Secretaria
de Segurança Pública.
Estrutura
Comissão técnica optou pela demolição
total do prédio frontal da TAM Express, que ontem passou
por perícia |
Por
conta disso, uma comissão composta por peritos
do Núcleo de Engenharia do Instituto de Criminalística,
representantes da TAM, da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros
e da Secretaria Municipal de Transportes optou pela demolição
total do prédio frontal, sendo mantida somente a estrutura
do prédio que fica na lateral esquerda, onde houve a queda
das lajes.
A parte do prédio liberada é a que chega na Avenida
Washington Luiz, próximo ao Aeroporto de Congonhas, na
Zona Sul de São Paulo. Os bombeiros terminaram os resgates
nesta ala e liberaram, por volta das 11h30, o prédio para
a polícia técnica, que faz uma perícia no
local. Uma perícia técnica está sendo feita
pelo Instituto de Criminalística e a demolição
só ocorrerá após a devolução
do prédio à TAM. Um dos fatores que contribui para
a instabilidade do que restou do prédio da TAM Express
é o surgimento freqüente de novos focos de incêndio.
As buscas continuam sendo feitas pelos 60 homens do Corpo de
Bombeiros no prédio que fica atrás do posto de
combustível e que foi atingido pelo avião, onde
existe a possibilidade de serem encontradas outras vítimas.
O trabalho de rescaldo é árduo e vem sendo realizado
com o apoio de maquinário específico. Nenhum corpo
ou fragmento foi retirado dos escombros nesta sexta. Ontem, os
bombeiros também localizaram a cabine e a turbina direita
do Airbus-A320.
Ontem também funcionários da TAM foram chamados
e, no começo da manhã, retiraram computadores e
demais objetos do prédio da empresa. O prédio está
quase inteiramente destruído, mas, no fundo do andar térreo
há um galpão de onde restaram peças e materiais
que ainda podem ser aproveitados.
Supervisionados pelos bombeiros, os funcionários da empresa
carregaram caminhões para levar a carga. Também
foram recolhidos equipamentos e máquinas da loja de conveniência
do posto atingido no desastre.
No começo da manhã, os andares mais danificados
ainda continuavam queimando e a pista sentido centro-bairro da
Avenida Washington Luís seguia interditada. Os bombeiros
estudam como continuar com o trabalho de busca de corpos sem
colocar em risco as equipes, já que a estrutura ameaça
ceder.
Das 6 horas às 9h28 de ontem, o aeroporto de Congonhas
operou por instrumentos para pousos, devido a uma forte neblina.
Neste período, pousar ou não no terminal ficou
a critério dos pilotos. Nenhum o fez. A maioria desviou
seu trajeto para o aeroporto de Guarulhos (Grande São
Paulo). Ao menos 12 pousos foram cancelados.
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Minutos de pânico dentro
de aeronaves
Duas aeronaves tiveram problemas, para desespero dos passageiros
ainda traumatizados com o acidente em Congonhas. Os 136 passageiros
do vôo JJ 3892, da TAM, que iriam embarcar no começo
da madrugada de ontem de Belém para Santarém e
Manaus viveram trinta minutos de pânico quando o avião
começou a apresentar problemas no trem de pouso e teve
de retornar à capital paraense.
O vôo foi cancelado e todos conseguiram finalmente embarcar
às 10h40. Os passageiros passaram a noite em um hotel
pago pela TAM. "Já no momento da decolagem nós
percebemos que havia dificuldades com o avião. Ele não
conseguia ganhar altitude e começou a rodar em círculos",
contou o representante comercial Anivaldo Antunes. Os passageiros
começaram a ficar inquietos e a perguntar o que estava
acontecendo.
Dez minutos depois, o piloto informou que havia um problema no
trem de pouso e que iria ficar rodando até que a pista
fosse liberada para pousar com segurança. O avião
foi encaminhado para manutenção em um galpão
da TAM.
Os 97 passageiros do vôo 1050 da BRA Transportes Aéreos,
originário de São Paulo e com destino a Belém,
também levaram um susto quando o avião fazia escala
no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Tom Jobim/Galeão,
na quinta-feira. Eles tiveram a decolagem abortada ainda no solo,
depois que uma ave entrou na turbina esquerda do aparelho. O
grupo seguiu viagem somente ontem à tarde.
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O adeus à catarinense Simone
florianópolis
"Ela tinha planos. Planejava se casar, queria ter filhos."
A frase é de Liana Linhares. Amiga desde a adolescência
de Simone Lacerda Westrupp, Liana era uma entre as centenas de
pessoas que foram ontem à tarde ao enterro da advogada,
vítima da tragédia do vôo 3054, no cemitério
Jardim da Paz, na Capital. E lamentava o destino de Simone. A
última vez que elas se viram foi no casamento de uma amiga,
há duas semanas. "A última imagem que tenho
dela é uma Simone em festa, sorrindo e cheia de amigos
em volta."
O choque da tragédia misturada à tristeza da perda
era visível no velório. De família tradicional,
as últimas homenagens contaram com a presença de
políticos tradicionais da cidade e do Estado. A cerimônia
foi dirigida pelo padre Vilson Groh, conhecido em Florianópolis
por liderar movimentos sociais. "Simone tinha três
qualidades marcantes. Era inteligente, sabia transformar conhecimento
em saber de vida. Tinha uma profissão e era bem sucedida.
Tinha garra, sabia fazer as pessoas caminharem." A cerimônia
também foi conduzida pelo arcebispo da arquidiocese de
Florianópolis, dom Murilo Krieger.
Abalados, os familiares ficaram próximos ao caixão
fechado durante todo o velório. Sempre juntos estavam
o pai Antônio Westrupp, a mãe Zue Lacerda Westrupp
e o namorado de Simone, chamado por todos como Fifo. O irmão,
Roberto Westrupp, lembrava de Simone como uma trabalhadora. "Parecia
uma borboleta. Sempre batendo asas."
Essa é a segunda fatalidade na família envolvendo
desastre aéreo. Em 1958, o avô de Simone e ex-governador
Jorge Lacerda morreu na explosão de um avião, no
Paraná.
O corpo da advogada chegou em Florianópolis ontem pela
manhã e foi direto ao cemitério Jardim da Paz,
no bairro Saco Grande. Simone tinha 28 anos. Era advogada do
banco de investimentos Arsenal. Morava em São Paulo e
chegava de uma viagem de trabalho a Porto Alegre. "Ela sempre
foi muito feliz. Rimos muito juntas", lembrou a amiga de
infância Marina Rupp.
O corpo da outra catarinense que estava no vôo não
havia sido identificado até a noite de ontem. Cássia
Negretto, 28, era comissária de bordo.
"Crescemos lado a lado. As famílias se conheciam.
Fomos amigas confidentes, sempre juntas."
Marina Rupp, amiga de infância
"Nós a vimos semana passada. Ela visitou a
família. Se despediu devagar de todos. E foi embora."
Roberto Westrupp, irmão da vítima
"Simone gostava de festa e de balada. A gente sempre
se via em Florianópolis ou São Paulo."
Liana Linhares, amiga desde os 15 anos
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"Não precisa chorar,
ela vai voltar"
Eles brincavam perto da lareira, em frente à televisão,
quando as primeiras notícias sobre o desastre da TAM foram
divulgadas, no início da noite de terça-feira.
Os irmãos Eduarda, cinco anos, e Vinícius, sete
anos, pareciam indiferentes à movimentação
dos parentes, que tentavam disfarçar enquanto confirmavam
se a mãe deles, a autônoma Eliane Soares Dornelles,
33 anos, estava realmente entre as vítimas.
Mas quando a certeza da tragédia fez o desespero tomar
conta da casa, no bairro Anchieta, em Porto Alegre, os pequenos
órfãos surpreenderam a todos. Eduarda levou um
cartão ao ouvido e simulou uma ligação telefônica:
"Mãe, volta logo. Tá todo mundo chorando por
tua causa", pediu.
Quatro dias depois do acidente, Vinícius ainda se recusa
a acreditar no que aconteceu. Em sua incredulidade, tenta consolar
os mais de 30 familiares que se revezam para prestar assistência
e carinho aos órfãos. "Não precisa
chorar, ela já vai voltar. Ela só machucou a perna
dela, vai chegar de muleta", repete.
De tão apegados, os dois sempre dormiam de mãos
dadas com a mãe, um de cada lado. Naquela terça-feira,
a autônoma havia embarcado no vôo das 17h16 apenas
para levar uma encomenda para a empresa onde prestava serviços.
Retornaria no mesmo dia, no vôo das 20h30, a tempo de manter
o ritual cotidiano com os filhos. O pai de Eliane, José
Carlos Dornelles, 54 anos, estava em SP a trabalho e a esperava
no aeroporto de Congonhas, para voltarem juntos. Depois do acidente,
a família teve poucos minutos de esperança. Dornelles
assistiu à explosão e logo teve a certeza de que
não haveria sobreviventes.
Na noite em que Eliane não voltou para casa, a caçula
levou uma foto da mãe para a cama. Chorava, mas continuava
surpreendendo a família. "Minha mãe mandou
eu mamar e dormir", disse Eduarda, antes de deitar. No dia
seguinte, ao ver o avô dando entrevista na televisão,
com uma foto da mãe, foi a vez de Vinícius: "Viu
como minha mãe não tá morta? Ela tá
na televisão", insistia. Desnorteada, a família
agora se desdobra para acolher, explicar, confortar os pequenos.
Ao mesmo tempo em que enfrenta a angustiante espera pela identificação
do corpo, os pais de Eliane fazem planos de se mudar. A casa
onde moravam com a filha e os dois netos tem lembranças
demais. Tantas que nem cabem na razão.
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Culto ecumênico homenageia
vítimas do acidente
O culto ecumênico em homenagem às vítimas
do acidente aéreo e seus familiares terminou com um momento
de constrangimento. Ao fim do ato, realizado ontem no Aeroporto
de Congonhas, o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer,
acompanhado por representantes do judaísmo, xamanismo
e budismo, entre outras religiões, iniciaram uma caminhada
com cerca de 50 fiéis que assistiam ao culto para depositar
flores junto aos escombros do acidente.
Mesmo com o pedido do presidente da Companhia de Engenharia de
Tráfego (CET), Roberto Salvador Scaringella, a Polícia
Militar impediu a aproximação dos fiéis,
que chegaram a avançar poucos metros além do cordão
de isolamento, mas foram obrigados a recuar, por motivos de segurança.
Scaringella, que tinha acesso livre ao local do acidente, ofereceu-se
para levar as flores e desceu até o lugar sozinho, acompanhado
apenas por policiais militares. Durante a celebração,
dom Odilo disse que o ato era uma manifestação
de solidariedade de diversas comunidades religiosas às
vítimas. |