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Administração
pública em Santa Catarina
Um guru para ajudar nas contas
Governo do Estado mantém
"conversas informais" com a equipe de Vicente Falconi
Carlito Costa
Florianópolis
O governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) nega, mas o
governo pode estar recorrendo a um dos maiores especialistas
em choque de gestão para ajudar no esforço
de ajuste das contas públicas. O consultor mineiro Vicente
Falconi, espécie de guru dos donos de algumas das maiores
empresas do País (Jorge Gerdau, Carlos Alberto Sicupira,
da Ambev, entre outros) ajudou o governo Aécio Neves (PSDB),
em Minas Gerais, a zerar em dois anos de mandato um déficit
de R$ 2,4 bilhões no orçamento estadual. Falconi
também assessorou o governo de Germano Rigotto (PMDB)
no Rio Grande do Sul, mas os resultados não foram os esperados.
Privado
ONG empresarial estaria negociando a contratação
da equipe de Falconi para auxiliar na gestão do governo
de SC |
A
equipe de Falconi mantém contato freqüente por telefone
com o secretário estadual da Coordenação
e Articulação, Ivo Carminati (PMDB), e pode ser
contratada no segundo semestre para uma consultoria paga pela
iniciativa privada.
A contratação do Instituto de Desenvolvimento Gerencial
(INDG), de Falconi, seguiria os mesmos moldes do contrato feito
com o governo Aécio Neves, onde a consultoria foi bancada
por um grupo de empresários mineiros. No Rio Grande do
Sul, uma consultoria semelhante custou R$ 3 milhões, também
pagos pela iniciativa privada. Em Santa Catarina, as negociações
estão a cargo do Movimento Catarinense para a Excelência
(MCE), ligado ao nacional Movimento Brasil Competitivo (MBC).
Instalado numa sala no 1º andar da Federação
das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o
MCE é uma organização não-governamental
(ONG) formada por empresários que busca promover o aumento
da competitividade da economia catarinense, viabilizando programas
de qualidade nas esferas pública e privada.
Fontes do Centro Administrativo e do MCE confirmam que as negociações
estão em curso e podem chegar a um acordo na primeira
quinzena de julho. O governo, que firmaria um termo de cooperação
técnica com o MCE, deve retomar o assunto após
a viagem do governador à Itália e a Portugal.
O segundo mandato de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) tem tomado
o forte ajuste nas contas públicas como uma espécie
de guia das ações de governo. Com a folha de pagamento
chegando ao limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal
(LRF) e o alto custo da máquina estatal, o governo corre
o risco de ficar sem sobras para investimentos.
Luiz Henrique encarregou a missão de fazer sobrar dinheiro
ao Grupo Gestor, formado pelos secretários Ivo Carminati
(Coordenação e Articulação), Sérgio
Alves (Fazenda), Antônio Gavazzoni (Administração)
e Altair Guidi (Planejamento). Gavazzoni, no corte de gastos
de custeio, e Alves, nas ações de aumento da receita,
são peças-chaves nesse processo.
A consultoria do INDG obteve sucesso quando os governos toparam
tomar medidas duras de cortes de gastos, melhorar processos e
adotar sistemas de meritocracia (vinculando recompensas salariais
a metas de desempenho dos servidores).
Na Prefeitura de São Paulo durante a gestão do
hoje governador paulista José Serra (PSDB), por exemplo,
a economia obtida com corte de gastos de manutenção
da máquina chegou a R$ 129 milhões. Em Minas Gerais,
10 mil funcionários ganham bônus de até um
salário, de acordo com o atingimento de metas em suas
área estabelecidas em conjunto com o INDG.
Já no Rio Grande do Sul, o governo de Germano Rigotto
(PMDB) cortou menos da metade do que foi recomendado e o ajuste
fracassou.
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Um choque de gestão
O que é o INDG
O Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG) nasceu como
fundação ligada à faculdade de Engenharia
da UFMG. É uma empresa com 800 consultores (250 deles
atuando fora do País) que fatura R$ 130 milhões/ano.
Os contratos com governos são geralmente bancados por
fundações privadas como a Fundação
Brava, de Carlos Alberto Sucupira, da Ambev, que já levantou
fundo de R$ 30 milhões para financiar projetos comandados
por Falconi.
O INDG já atuou com governos como os de Minas Gerais e
Rio Grande do Sul, e acaba de fechar um contrato com o Rio de
Janeiro, onde o governo estadual precisa cortar gastos de
R$ 1,5 bilhão.
Também atuou nas prefeituras de Porto Alegre e de São
Paulo, onde implantou, em 2004, o sistema de nota fiscal eletrônica,
semelhante ao que está para ser implantado em Santa Catarina.
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Os desafios em SC
Os problemas que o governo já está tentando
atacar e pode contar com o reforço da consultoria de Falconi
para sanar
Ajuste de contas
O governo tem o desafio de manter a parte do orçamento
para investimentos entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões
por ano, nível alcançado desde 2003. Para fechar
a conta, o Grupo Gestor do governo está tentando implementar
um ajuste nos gastos públicos.
Salários
Salários dos 123 mil servidores públicos estaduais
representaram gastos de R$ 301,5 milhões em março.
Só com o crescimento "vegetativo" da folha (como
adicionais por tempo de serviço e promoções),
a projeção da Secretaria de Administração
é de que esse valor chegue a R$ 310 milhões em
dezembro. O gasto com pessoal está no limite prudencial
estabelecido pela LRF (57% da receita corrente líquida).
Ultrapassando esse limite, o Estado enfrenta dificuldade para
fazer empréstimos. Para conter o crescimento da folha,
estão vetados reajustes salariais. O governo está
fazendo auditoria permanente para evitar o pagamento de benefícios
indevidos, como gratificações conquistadas por
decisão judicial e já derrubadas, que por falhas
do sistema possam ser pagas.
Gastos de custeio
Despesas com combustíveis e celulares estão sendo
cortadas. A meta é reduzir os gastos em R$ 200 milhões.
"Não vai ser fácil", admite o secretário
de Administração, Antônio Gavazzoni.
Contratos
Todos os contratos do governo do Estado estão sendo revistos.
Alguns estão sendo cancelados e outros readequados, às
vezes cortando o valor pela metade. Somente com terceirizados
(essencialmente serviços de vigilância e despesa),
a meta é reduzir os gastos de R$ 122 milhões (em
2006) para R$ 70 milhões.
Inativos
Além dos gastos com a folha de pagamento, o governo repassa
R$ 80 milhões por mês ao Ipesc para cobrir o rombo
com pagamento de inativos. O governo trabalha no projeto de um
fundo previdenciário, discutido há quase duas décadas,
mas que nunca foi aprovado na assembléia por falta de
consenso entre os poderes.
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Governador nega o interesse
O primeiro contato com Vicente Falconi foi feito pelo governador
no início do ano. Ontem, Luiz Henrique negou interesse
pelo trabalho. A receita deles já estamos executando
há muito tempo. Em termos de consultoria, não temos
nada a aprender com ninguém, afirmou. A manifestação
ou é uma forma de despistar o assunto ou revela a falta
de sintonia do governador com uma dos seus principais secretários.
O secretário Ivo Carminati disse que está em contato
freqüente com a equipe de Falconi. Eles estiveram
aqui há uns três meses e conheceram o trabalho que
já estamos fazendo no Grupo Gestor. Desde então,
eles estão em contato comigo por telefone e trocamos experiências,
contou o secretário.
Segundo Carminati, todas sugestões apresentadas até
agora já vinham sendo implementadas, como as medidas para
redução de gastos com telefone e combustível
e uma auditoria permanente na folha de pagamento. O secretário
admite que houve uma proposta de contratação da
consultoria, em que um técnico do INDG trabalharia com
a equipe do Centro Administrativo, mas que, por enquanto, não
há intenção de fazer essa contratação.
Vamos tentar resolver primeiro com a prata da casa,
disse Carminati, referindo-se às medidas já tomadas
pelo Grupo Gestor.
O INDG informou que tem como praxe não comentar os contratos
de consultoria, deixando que os clientes façam isso. A
assessoria de imprensa apenas respondeu que não há
ainda nenhum contrato fechado com o governo catarinense.
O MCE confirmou que há negociações para
a contratação da consultoria e que o INDG poderá
ser a empresa escolhida, mas que a ONG também só
revelaria detalhes depois de assinado o contrato.
Os secretários Antônio Gavazzoni, da Administração,
e Sérgio Alves, da Fazenda, disseram que desconhecem a
atuação de Falconi junto ao governo. Gavazzoni
coordena o esforço para reduzir em R$ 200 milhões
os gastos com manutenção da máquina governamental
(as despesas foram de R$ 1,6 bilhão em 2006) e Alves tem
como meta um aumento de 12% a 16% da arrecadação
até o fim do ano, com medidas de combate à inadimplência
e à sonegação de impostos.
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Dois Estados, resultados diferentes
A consultoria comandada por Vicente Falconi provocou diferentes
resultados nos governos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul.
Fazer a lição de casa, como sugeriu a consultoria,
foi o diferencial entre as duas experiências.
Aécio Neves (PSDB) assumiu o governo de Minas Gerais em
2003 com um déficit de quase R$ 2,4 bilhões no
orçamento estadual. Bancado por empresários mineiros,
o INDG de Vicente Falconi prestou assessoria do governo mineiro
para resolver o problema. Em 2004, o secretário mineiro
da Fazenda, Antônio Anastasia, anunciou que o Estado havia
equilibrado as contas e zerado o déficit.
Para atingir o resultado, o Estado adotou medidas duras para
cortar gastos. Foram reduzidos secretarias e cargos comissionados,
cortados os reajustes salariais ao funcionalismo, além
do enxugamento nos gastos com a manutenção da máquina.
O sucesso do ajuste facilitou a reeleição de Aécio
Neves no primeiro turno, com mais de 70% dos votos válidos.
Anastasia, que ajudou a operar o milagre, entrou para o PSDB
e tornou-se o vice-governador no segundo mandato de Aécio.
A experiência no Rio Grande do Sul acabou com um bate-boca
público entre Vicente Falconi e o então governador
Germano Rigotto (PMDB), no ano passado. Contratado para repetir
o milagre mineiro, o INDG fracassou em terras gaúchas
e Falconi culpou a liderança fraca de Rigotto.
O governo gaúcho conseguiu efetivar um corte de despesas
de R$ 62 milhões em 16 meses, quando a meta planejada
era de R$ 130 milhões.
Falconi disse que teria faltado fé, dedicação
e vontade para atingir as metas. O governador se defendeu
dizendo que o governo se empenhou em cortar gastos e que os técnicos
do INDG teriam repassado informações distorcidas
a Falconi. A dificuldade no controle das finanças públicas
foi decisivo na derrota eleitoral de 2006. Candidato à
reeleição, Rigotto nem chegou ao segundo turno,
vencido por Yeda Crusius (PSDB) contra Olívio Dutra (PT).
O INDG acabou recontratado e está em ação
no atual governo de Yeda Crusius, que prometeu tomar as medidas
não levadas à frente por Rigotto e sanear a máquina
do Estado.
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Contas salários
Será pelo Bradesco ou BB?
Estado lança duas
estratégias para agilizar a liberação de
R$ 210 milhões
Upiara Boschi
Florianópolis
O governo do Estado trabalha em duas frentes para conseguir
levantar o mais rapidamente possível os R$ 210 milhões
referentes à venda das contas salários do funcionalismo.
Ao mesmo tempo em que negocia com o governo federal a inclusão
das contas no processo de incorporação do Besc
pelo Banco do Brasil, o governo destacou o procurador-geral do
Estado, Adriano Zanotto, para acelerar a tramitação
da ação da União, que suspendeu o leilão
realizado em dezembro e que vendeu as mesmas contas para o Bradesco.
Agenda
Secretários de SC têm reunião hoje na Fazenda
nacional para conferir negociações de incorporação
do Besc pelo BB |
Na
estratégia principal, o grupo técnico chefiado
pelos secretários de Coordenação, Ivo Carminati,
e da Fazenda, Sérgio Alves, se reúne hoje com o
secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Os catarinenses
vão apurar se avançou a elaboração
dos pareceres da Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) e do Banco Central (BC), sem os quais o BB não pode
assinar a minuta do contrato de incorporação. Será
a primeira reunião comandada por Augustin, que assumiu
o cargo no mês passado.
Na outra frente, o procurador Adriano Zanotto foi a Brasília
na quinta-feira passada e pré-agendou uma reunião
para a próxima semana com o procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, relator do parecer do Ministério
Público sobre a ação da União. O
parecer é a peça que falta para que a ação
seja julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A União
argumenta que o Estado não poderia vender as contas salários,
porque o contrato de federalização do Besc previa
a manutenção desses ativos até a privatização
da instituição.
Zanotto confirmou que a reunião com Souza se refere apenas
a esse processo, mas minimiza os efeitos políticos desses
encontros. Quem trata da questão política
é a Secretaria da Fazenda. Eu sou procurador-geral e o
Estado é réu de um processo. Estou trabalhando
para acelerar o processo, para que a questão seja julgada,
alegou Zanotto.
O secretário Carminati negou que o governo esteja trabalhando
em duas frentes ou que pretenda pressionar o governo federal
a fechar mais rapidamente a negociação das contas
salários. Não adiantaria nada esse tipo de
pressão, porque o jogo é na mesa e é aberto.
Nós temos um cronograma e ele está sendo cumprido,
disse.
upiara.boschi@an.com.br
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Legislativo
Chinaglia quer votar a reforma
Apesar da divisão dos deputados e com a insegurança
sobre o que será aprovado, o presidente da Câmara
dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), manteve a votação
da proposta de reforma política para hoje. "Como
tem muita divergência, estou preparado, digamos, para iniciativas
regimentais que atrasem as votações e que acentuem
as disputas. Isso é normal. Mas vamos votar", afirmou
Chinaglia. O deputado disse esperar que a casa produza um sistema
político melhor do que o atual.
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Criciúma
Góes denunciado por improbidade
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC)
analisa o processo com a denúncia oferecida pelo ex-prefeito
de Criciúma e o vereador Paulo Meller (PMDB) contra ex-prefeito
e deputado estadual Décio Góes (PT). A ação,
protocolada ontem, esquenta ainda mais a briga entre PMDB e PT
no município. Durante sua administração,
de 2001 a 2004, Góes teria firmado contratos de locação
de imóveis para funcionamento de órgãos
públicos na imobiliária da qual é sócio.
O deputado Décio Góes preferiu não se manifestar
sobre o assunto.
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Ministério das Minas
e Energia
Fome do PT ameaça vaga de
Zimmermann
Interino no ministério,
ligado à sigla, pode ser o indicado
Brasília
A lentidão do Planalto em escolher o substituto do
ex-ministro Silas Rondeau aguça o apetite do PT pelo Ministério
de Minas e Energia. Envolvidos na defesa do senador Renan Calheiros
(PMDB-AL), investigado pelo Conselho de Ética, lideranças
do PMDB colocaram em segundo plano a nomeação do
engenheiro catarinense Márcio Zimmermann ao cargo.
A estratégia dos peemedebistas desencadeou a mobilização
dos petistas, que planejam transformar o interino Nelson Hubner
em titular da vaga na Esplanada. A experiência mostra
que, quando uma nomeação é adiada, é
porque forças ocultas estão obstruindo o caminho,
avalia um petista ligado ao setor elétrico.
A Casa Civil comunicou que não há qualquer posse
marcada para esta semana. O Planalto também insiste que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não
escolheu o substituto de Silas Rondeau, derrubado em 22 de maio
pelo rastro da Operação Navalha, da Polícia
Federal.
Lula teria dito a auxiliares que não tem pressa em resolver
a situação, uma vez que não houve prejuízo
aos projetos do governo que estão sob a responsabilidade
da pasta.
Na quinta-feira, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer
(SP), voltou a cobrar de Lula a nomeação de Zimmermann.
Obteve a garantia de que a posse do catarinense é uma
questão de dias. Mas, desta vez, nem mesmo o partido se
convenceu das boas intenções do Planalto.
A cúpula do PMDB reconhece que colocou de lado as negociações
pelo controle do Ministério de Minas e Energia. O objetivo
agora é concentrar forças na defesa de Renan Calheiros,
investigado por envolvimento com um lobista da empreiteira Mendes
Júnior.
Apesar de negar o interesse pela pasta, nos bastidores os petistas
admitem o desejo de controlar o Ministério de Minas e
Energia. Na última semana, cresceu a mobilização
para que o ministro interino Nelson Hubner, que é filiado
ao PT e conta com a simpatia da ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff , seja nomeado o titular da pasta.
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Pesquisa CNT/SENSUS
Lula mantém avaliação
positiva
São Paulo
O desempenho do presidente Lula tem aprovação
superior à do governo que ele comanda, revela pesquisa
do Instituto Sensus encomendada pela Confederação
Nacional do Transporte (CNT) e divulgada ontem. De acordo com
a pesquisa, 64% disseram aprovar o presidente.
Realizada entre 18 e 22 de junho, a pesquisa ouviu 2 mil pessoas
com mais de 16 anos em 136 municípios distribuídos
em 24 Estados.
A avaliação do governo ficou em 47,5%. O índice
de aprovação do presidente pela população
é o segundo melhor desde 2005. Segundo o diretor do Instituto
Sensus, Ricardo Guedes, o fato de os entrevistados acharem que
Lula teria conhecimento das atividades do irmão Genival
Inácio da Silva, o Vavá, acusado de um suposto
tráfico de influência, não significa para
a população participação do presidente
no caso.
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No fio da navalha
Sibá Machado deixa cargo
de presidente
Brasília
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá
Machado (PT-AC), pediu ontem à noite o desligamento do
cargo. A informação foi confirmada pela assessoria
do senador. A secretária geral do Senado, Cláudia
Lira, também confirmou a informação. Diz
que Sibá enviou um ofício solicitando a saída
da presidência. Segundo ela, Sibá também
pede para deixar o Conselho, mas isso ainda não foi confirmado
pela assessoria do senador.
O Conselho de Ética tem reunião marcada para hoje.
Sibá pretendia colocar em votação o relatório
que pede o arquivamento do processo contra o presidente da Casa,
Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas
pelo lobista da construtora Mendes Júnior, Cláudio
Gontijo.
Desde que o relator do processo de Calheiros, Epitácio
Cafeteira (PTB-MA), se licenciou por razões de saúde
e o substituto Wellington Salgado (PMDB-MG) desistiu, o processo
do caso Renan está sem relator. Sibá Machado tinha
dificuldade de encontrar um substituto.
Irritado com a demora do PMDB em indicar um relator para o processo,
Sibá ameaçou não só renunciar, como
também colocar em votação nesta quarta o
relatório que pede o arquivamento do processo. Sem maioria
no conselho, Renan corria o risco de perder, e as investigações
continuariam.
O PMDB não gostou da atitude de Sibá e enviou um
recado por meio da líder do PT no Senado, Ideli Savaltti
(SC): se a base aliada não ajudar Renan, o PMDB não
garantiria mais apoio às votações de interesse
do governo. Os peemedebistas não querem indicar o relator
agora, porque trabalham para protelar a votação
a tempo de Renan recuperar apoio dentro do Senado.
A expectativa é que o vice-presidente do conselho, Aldemir
Santana (DEM-DF), assuma a função nesta quarta. |