| Segurança - A Notícia |
Rosana Ritta (47) 3431-9111
|
Caso Marciel
Fim de três anos de dor e
espera
Ossada encontrada em 2005
era mesmo de adolescente desaparecido em Joinville
Josi Tromm
A família de Marciel Giovane Alves colocou fim a uma
angústia de mais de três anos ao enterrar, no sábado,
a ossada do rapaz, encontrada em novembro de 2005. Mesmo certos
de que os restos mortais eram do adolescente de 17 anos, os pais
não podiam fazer o sepultamento porque o Instituto Médico
Legal (IML) de Joinville esperava confirmação da
identidade.
Demora
A exposição de um ano dos restos mortais ao tempo
prejudicou a identificação por meio de exame de
DNA |
O
IML só pode liberar corpos e ossadas se há documentos
comprovando quem é a pessoa morta. Como não havia
condições de reconhecer Marciel, amostra dos ossos
foi encaminhada para o Instituto Geral de Perícias (IGP),
em Florianópolis. Exames de DNA não confirmaram
a identidade. "Tínhamos certeza de que era ele, porque
tinha roupas e objetos dele junto", disse a madrasta Rute
da Silva.
Desde que a ossada foi encontrada, ficou armazenada no IML. A
cada novo teste, um osso era encaminhado para Florianópolis,
onde foram feitos três exames. Foram solicitados exames
ainda em Porto Alegre, Curitiba e Brasília. E foi em um
laboratório da Capital brasileira que foi confirmado que
os ossos eram de Marciel.
A dificuldade na identificação foi por causa do
longo período de exposição ao tempo. O IGP
informou que algum reagente inibia a extração do
DNA. Isso porque a ossada foi encontrada um ano depois do desaparecimento
de Marciel. Uma moção chegou a ser aprovada na
Câmara de Joinville, em junho deste ano, pedindo urgência
máxima na identificação.
"Agora, finalmente veio a confirmação e a
gente pôde enterrá-lo. Mas ficamos revoltados com
o IML. Abrimos a urna e só tinha alguns ossos. O que fizeram
com o resto?", questiona a madrasta. A coordenadora do Núcleo
Mesorregional do IGP/Jonville, Ruth de Souza Corrêa, explica
que para fazer exame é preciso tornar o osso pó
e reagi-lo com produtos químicos.
O caso estava sendo investigado pela Delegacia de Proteção
à Mulher, à Criança e ao Adolescente. A
delegada Marilisa Boehm disse que investigadores chegaram a viajar
atrás de denúncias e informações
falsas. Com a identificação, o caso passa a ser
investigado pela divisão de homicídios da Polícia
Civil. Não há confirmação de como
o rapaz morreu ou suspeitos.
josi.tromm@an.com.br
Anos de dúvidas
Setembro de 2004
Marciel Giovane Alves, com 17 anos, saiu de casa para comprar
um carrinho de mão em um material de construção,
a poucos metros de onde morava com a família, no bairro
Aventureiro, em Joinville. Ele foi de bicicleta e chegou a entrar
no estabelecimento. Marciel teve de esperar o vendedor terminar
o atendimento e decidiu ficar do lado de fora. Foi quando desapareceu.
Novembro de 2005
Garotos que brincavam em um matagal, a menos de 200 metros da
residência da família de Marciel, encontraram uma
ossada próxima a uma árvore. Em volta do pescoço
dos restos mortais havia uma corda. Mas o IML não confirmou
se o rapaz morreu enforcado.
Outubro de 2007
O IGP e o IML confirmaram que a ossada é de Marciel e
liberaram os restos mortais para a família realizar o
sepultamento. No sábado, a família faz o enterro,
no Cemitério São Sebastião. A causa da morte
não foi esclarecida.
_______________________________
A volta de Papagaio
"Aquilo é um inferno"
Assaltante diz que fugiu
porque se sentia ameaçado
Sem algemas, vestindo camisa cinza e calças jeans,
o assaltante Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio
o foragido mais procurado do Rio Grande do Sul , subiu
lentamente as escadas do Fórum Central de Porto Alegre
ontem e se entregou à Justiça.
Após meia hora de espera e preenchimento de papéis
junto à Vara de Execuções Criminais, no
quarto andar, Papagaio desceu as escadarias sozinho, assediado
pela imprensa, acompanhado a distância pela advogada. Deixou
o prédio como entrou, sem algemas ou vigilância
policial.
Papagaio não se negou a explicar aos jornalistas sobre
sua fuga do último sábado da Penitenciária
Estadual do Jacuí (PEJ), a quarta na sua carreira criminosa.
"Pensei em avisar o juiz sobre problemas que tenho lá
dentro, mas a Justiça fecha as portas a quem está
preso. Aquilo lá é um inferno. Fugi porque estou
sob ameaça. Era perigo iminente. Isso vai ser explicado
no momento certo, no PAD", relatou.
O PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) é inquérito
que foi aberto pela Superintendência de Serviços
Penitenciários (Susepe) para investigar, em 30 dias, as
condições da fuga.
O juiz Fernando Flores Cabral não recebeu Papagaio. Atendeu
à advogada dele, Katiuscia Machado, enquanto o mesmo preenchia
papéis no balcão. Agentes de segurança do
Judiciário impediram jornalistas de registrar a cena.
Pelo fato de Papagaio ter se apresentado de forma espontânea,
Cabral não ordenou que fosse algemado e permitiu que deixasse
o prédio pela saída comum.
O magistrado atendeu ainda a outro pedido do preso: que ele retome
o cumprimento da pena no Albergue Padre Pio Buck (bairro Partenon,
em Porto Alegre), um antigo desejo. O usual é que retornasse
a uma penitenciária, como castigo. Foi o que aconteceu
na fuga anterior, quando retornou à Penitenciária
de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). O juiz também
determinou que a Susepe garanta resguardo integral ao detento.
Papagaio entrou na caminhonete da advogada, e foram direto para
o Pio Buck, junto ao Presídio Central e onde estão
559 apenados. Lá ele se apresentou ao diretor, Paulo Campos,
e prometeu não fugir. Deverá trabalhar na cozinha,
com 15 detentos.
Histórico de fugas:
Condenado a 36 anos e 11 meses, Cláudio Adriano Ribeiro,
o Papagaio, começou a cumprir a pena em 7 de fevereiro
de 1998, com previsão de término em 27 de junho
de 2034.
A primeira fuga
Em 5 de junho de 1999, escapou da Penitenciária de
Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). É o único
preso até hoje que conseguiu fugir do local.
A primeira recaptura
No dia 6 de janeiro de 2000, foi preso na praia de Ibiraquera
(SC).
O semi-aberto
Em 14 de abril de 2004, obteve o direito de ir para o semi-aberto.
Permaneceu na Pasc até 21 de junho de 2006, quando foi
enviado ao albergue anexo à Penitenciária Estadual
do Jacuí, após o julgamento de recursos apresentados
pelo MP.
A segunda fuga
Durou 63 dias sua estada no semi-aberto. No dia 23 de agosto,
fugiu.
A segunda recaptura
No dia 28 de novembro
de 2006, foi detido em
Balneário Camboriú.
A permanência no fechado
Em 20 de março, o juiz Fernando Cabral puniu Papagaio
com 30 dias de isolamento por causa da segunda fuga e ordenou
ida para o semi-aberto. O MP recorreu ao TJ, e o isolamento foi
suspenso.
A volta ao semi-aberto
No dia 14 de maio, o juiz
decidiu que ele devia cumprir 30 dias de isolamento e retornar
ao semi-aberto.
Permanência no fechado
Em 18 de julho, o TJ decidiu pela permanência no regime
fechado.
A volta ao semi-aberto
No dia 10 de setembro,
o Superior Tribunal de Justiça autorizou o retorno ao
semi-aberto.
O que pode acontecer
Ainda ontem, foi aberto Procedimento Administrativo Disciplinar
(PAD) para verificar em que condições aconteceu
a fuga de Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, que saiu
por uma janela do albergue da Penitenciária Estadual do
Jacuí no sábado. Veja o que pode acontecer com
o preso:
Volta ao regime fechado
É o procedimento comum, quando acontece uma fuga e o preso
é recapturado. O juiz determina que o foragido retorne
a uma penitenciária e espere lá algum tempo, até
recuperar o direito de progressão de regime. É
punição prevista pela Lei de Execuções
Penais. O Ministério Público deve reivindicar esse
castigo para Papagaio.
Permanência no semi-aberto
Papagaio pode retomar o cumprimento da pena do ponto onde estava
- num albergue. Vai tentar isso, arranjando testemunhas de que
estava sob ameaça no albergue anexo à penitenciária
de Jacuí e que fugiu porque não foi ouvido pela
Justiça ou não teve tempo de avisar o juiz,
se o risco era iminente. O juiz Cabral deu sinais de aceitar
a permanência dele no semi-aberto, ao autorizar ontem que
Papagaio fosse para o Pio Buck.
Ida para o aberto
A advogada de Papagaio já pediu isso. No aberto, Papagaio
pode trabalhar fora do albergue e ainda ir para casa de familiares
no fim de semana.
_______________________________
Itapema
Dois assaltantes mortos e um ferido
Jorge Adão de Quadros, 36 anos, e Alexsander Jacinto
Costa, 21, morreram em em troca de tiros com policiais, na manhã
de ontem, em Itapema. A quadrilha que roubava postos de combustíveis
na região era investigada há 40 dias. Após
assaltarem um estabelecimento em Canelinha, quatro homens foram
perseguidos por policiais do Deic, da Capital, por volta das
6 horas. Houve troca de tiros. O grupo morava no bairro Monte
Alegre, em Camboriú, e já tinha passagens pela
polícia. Um rapaz de 17 anos que integrava a quadrilha
era foragido do Centro Educacional São Lucas e levou um
tiro na perna. O quarto envolvido fugiu.
_______________________________
Abadia
Estados Unidos pedem extradição
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu pedido oficial do
governo dos Estados Unidos para extradição do traficante
colombiano Juan Carlos Abadia. Os documentos foram entregues
ao Supremo e ao Ministério da Justiça. O processo
será relatado pelo ministro Eros Grau. Abadia é
apontado como um dos principais líderes do cartel Vale
do Norte, da Colômbia, e foi preso em agosto, em São
Paulo. Ele era procurado pelos governos dos EUA e Colômbia.
Foi denunciado por lavagem de dinheiro, formação
de quadrilha, uso de documento falso e corrupção.
Não há prazo para que o pedido seja incluído
na pauta do STF.
|