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Joinville Terça-feira, 23 de outubro de 2007 Santa Catarina - Brasil

Segurança - A Notícia Rosana Ritta
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Caso Marciel

Fim de três anos de dor e espera

Ossada encontrada em 2005 era mesmo de adolescente desaparecido em Joinville

Josi Tromm

A família de Marciel Giovane Alves colocou fim a uma angústia de mais de três anos ao enterrar, no sábado, a ossada do rapaz, encontrada em novembro de 2005. Mesmo certos de que os restos mortais eram do adolescente de 17 anos, os pais não podiam fazer o sepultamento porque o Instituto Médico Legal (IML) de Joinville esperava confirmação da identidade.

Demora
A exposição de um ano dos restos mortais ao tempo prejudicou a identificação por meio de exame de DNA
O IML só pode liberar corpos e ossadas se há documentos comprovando quem é a pessoa morta. Como não havia condições de reconhecer Marciel, amostra dos ossos foi encaminhada para o Instituto Geral de Perícias (IGP), em Florianópolis. Exames de DNA não confirmaram a identidade. "Tínhamos certeza de que era ele, porque tinha roupas e objetos dele junto", disse a madrasta Rute da Silva.
Desde que a ossada foi encontrada, ficou armazenada no IML. A cada novo teste, um osso era encaminhado para Florianópolis, onde foram feitos três exames. Foram solicitados exames ainda em Porto Alegre, Curitiba e Brasília. E foi em um laboratório da Capital brasileira que foi confirmado que os ossos eram de Marciel.
A dificuldade na identificação foi por causa do longo período de exposição ao tempo. O IGP informou que algum reagente inibia a extração do DNA. Isso porque a ossada foi encontrada um ano depois do desaparecimento de Marciel. Uma moção chegou a ser aprovada na Câmara de Joinville, em junho deste ano, pedindo urgência máxima na identificação.
"Agora, finalmente veio a confirmação e a gente pôde enterrá-lo. Mas ficamos revoltados com o IML. Abrimos a urna e só tinha alguns ossos. O que fizeram com o resto?", questiona a madrasta. A coordenadora do Núcleo Mesorregional do IGP/Jonville, Ruth de Souza Corrêa, explica que para fazer exame é preciso tornar o osso pó e reagi-lo com produtos químicos.
O caso estava sendo investigado pela Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança e ao Adolescente. A delegada Marilisa Boehm disse que investigadores chegaram a viajar atrás de denúncias e informações falsas. Com a identificação, o caso passa a ser investigado pela divisão de homicídios da Polícia Civil. Não há confirmação de como o rapaz morreu ou suspeitos.

josi.tromm@an.com.br

Anos de dúvidas

Setembro de 2004
Marciel Giovane Alves, com 17 anos, saiu de casa para comprar um carrinho de mão em um material de construção, a poucos metros de onde morava com a família, no bairro Aventureiro, em Joinville. Ele foi de bicicleta e chegou a entrar no estabelecimento. Marciel teve de esperar o vendedor terminar o atendimento e decidiu ficar do lado de fora. Foi quando desapareceu.

Novembro de 2005
Garotos que brincavam em um matagal, a menos de 200 metros da residência da família de Marciel, encontraram uma ossada próxima a uma árvore. Em volta do pescoço dos restos mortais havia uma corda. Mas o IML não confirmou se o rapaz morreu enforcado.

Outubro de 2007
O IGP e o IML confirmaram que a ossada é de Marciel e liberaram os restos mortais para a família realizar o sepultamento. No sábado, a família faz o enterro, no Cemitério São Sebastião. A causa da morte não foi esclarecida.

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A volta de Papagaio

"Aquilo é um inferno"

Assaltante diz que fugiu porque se sentia ameaçado

Sem algemas, vestindo camisa cinza e calças jeans, o assaltante Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio – o foragido mais procurado do Rio Grande do Sul –, subiu lentamente as escadas do Fórum Central de Porto Alegre ontem e se entregou à Justiça.
Após meia hora de espera e preenchimento de papéis junto à Vara de Execuções Criminais, no quarto andar, Papagaio desceu as escadarias sozinho, assediado pela imprensa, acompanhado a distância pela advogada. Deixou o prédio como entrou, sem algemas ou vigilância policial.
Papagaio não se negou a explicar aos jornalistas sobre sua fuga do último sábado da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), a quarta na sua carreira criminosa. "Pensei em avisar o juiz sobre problemas que tenho lá dentro, mas a Justiça fecha as portas a quem está preso. Aquilo lá é um inferno. Fugi porque estou sob ameaça. Era perigo iminente. Isso vai ser explicado no momento certo, no PAD", relatou.
O PAD (Procedimento Administrativo Disciplinar) é inquérito que foi aberto pela Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) para investigar, em 30 dias, as condições da fuga.
O juiz Fernando Flores Cabral não recebeu Papagaio. Atendeu à advogada dele, Katiuscia Machado, enquanto o mesmo preenchia papéis no balcão. Agentes de segurança do Judiciário impediram jornalistas de registrar a cena. Pelo fato de Papagaio ter se apresentado de forma espontânea, Cabral não ordenou que fosse algemado e permitiu que deixasse o prédio pela saída comum.
O magistrado atendeu ainda a outro pedido do preso: que ele retome o cumprimento da pena no Albergue Padre Pio Buck (bairro Partenon, em Porto Alegre), um antigo desejo. O usual é que retornasse a uma penitenciária, como castigo. Foi o que aconteceu na fuga anterior, quando retornou à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). O juiz também determinou que a Susepe garanta resguardo integral ao detento.
Papagaio entrou na caminhonete da advogada, e foram direto para o Pio Buck, junto ao Presídio Central e onde estão 559 apenados. Lá ele se apresentou ao diretor, Paulo Campos, e prometeu não fugir. Deverá trabalhar na cozinha, com 15 detentos.

Histórico de fugas:

Condenado a 36 anos e 11 meses, Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, começou a cumprir a pena em 7 de fevereiro de 1998, com previsão de término em 27 de junho de 2034.

A primeira fuga

Em 5 de junho de 1999, escapou da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc). É o único preso até hoje que conseguiu fugir do local.

A primeira recaptura
No dia 6 de janeiro de 2000, foi preso na praia de Ibiraquera (SC).

O semi-aberto
Em 14 de abril de 2004, obteve o direito de ir para o semi-aberto. Permaneceu na Pasc até 21 de junho de 2006, quando foi enviado ao albergue anexo à Penitenciária Estadual do Jacuí, após o julgamento de recursos apresentados pelo MP.

A segunda fuga
Durou 63 dias sua estada no semi-aberto. No dia 23 de agosto, fugiu.
A segunda recaptura
No dia 28 de novembro
de 2006, foi detido em
Balneário Camboriú.

A permanência no fechado
Em 20 de março, o juiz Fernando Cabral puniu Papagaio com 30 dias de isolamento por causa da segunda fuga e ordenou ida para o semi-aberto. O MP recorreu ao TJ, e o isolamento foi suspenso.

A volta ao semi-aberto
No dia 14 de maio, o juiz
decidiu que ele devia cumprir 30 dias de isolamento e retornar
ao semi-aberto.

Permanência no fechado
Em 18 de julho, o TJ decidiu pela permanência no regime fechado.

A volta ao semi-aberto
No dia 10 de setembro,
o Superior Tribunal de Justiça autorizou o retorno ao
semi-aberto.

O que pode acontecer
Ainda ontem, foi aberto Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para verificar em que condições aconteceu a fuga de Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, que saiu por uma janela do albergue da Penitenciária Estadual do Jacuí no sábado. Veja o que pode acontecer com o preso:

Volta ao regime fechado
É o procedimento comum, quando acontece uma fuga e o preso é recapturado. O juiz determina que o foragido retorne a uma penitenciária e espere lá algum tempo, até recuperar o direito de progressão de regime. É punição prevista pela Lei de Execuções Penais. O Ministério Público deve reivindicar esse castigo para Papagaio.

Permanência no semi-aberto
Papagaio pode retomar o cumprimento da pena do ponto onde estava - num albergue. Vai tentar isso, arranjando testemunhas de que estava sob ameaça no albergue anexo à penitenciária de Jacuí e que fugiu porque não foi ouvido pela Justiça – ou não teve tempo de avisar o juiz, se o risco era iminente. O juiz Cabral deu sinais de aceitar a permanência dele no semi-aberto, ao autorizar ontem que Papagaio fosse para o Pio Buck.

Ida para o aberto
A advogada de Papagaio já pediu isso. No aberto, Papagaio pode trabalhar fora do albergue e ainda ir para casa de familiares no fim de semana.

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Itapema

Dois assaltantes mortos e um ferido

Jorge Adão de Quadros, 36 anos, e Alexsander Jacinto Costa, 21, morreram em em troca de tiros com policiais, na manhã de ontem, em Itapema. A quadrilha que roubava postos de combustíveis na região era investigada há 40 dias. Após assaltarem um estabelecimento em Canelinha, quatro homens foram perseguidos por policiais do Deic, da Capital, por volta das 6 horas. Houve troca de tiros. O grupo morava no bairro Monte Alegre, em Camboriú, e já tinha passagens pela polícia. Um rapaz de 17 anos que integrava a quadrilha era foragido do Centro Educacional São Lucas e levou um tiro na perna. O quarto envolvido fugiu.

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Abadia

Estados Unidos pedem extradição

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu pedido oficial do governo dos Estados Unidos para extradição do traficante colombiano Juan Carlos Abadia. Os documentos foram entregues ao Supremo e ao Ministério da Justiça. O processo será relatado pelo ministro Eros Grau. Abadia é apontado como um dos principais líderes do cartel Vale do Norte, da Colômbia, e foi preso em agosto, em São Paulo. Ele era procurado pelos governos dos EUA e Colômbia. Foi denunciado por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documento falso e corrupção. Não há prazo para que o pedido seja incluído na pauta do STF.



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