|
Não façam suas apostas
MPF recomendou e governo
suspendeu loterias como Trimania e Prêmio do Rei
Diogo Vargas
Florianópolis
Em plena discussão sobre os ganhadores do prêmio
da Mega-Sena, o jogo perdeu espaço em Santa Catarina.
Loterias como Trimania e Prêmio do Rei estão suspensas
e reabriram a polêmica da legalização ou
não da atividade. A Companhia de Desenvolvimento do Estado
de SC (Codesc), que emitia as autorizações de funcionamento,
cancelou as licenças após recomendação
do Ministério Público Federal (MPF).
A proibição vale para loterias promocionais (quando
bilhetes/cupons não podem ser vendidos, geralmente feitas
por lojistas e entidades) e de número (concurso de sorteio
manual, mecânico ou eletrônico).
Se alguém ainda estiver vendendo os bilhetes nas ruas,
certamente são ilegais. Todas as autorizações
de loterias no Estado tiveram a operacionalização
suspensa no dia 16 deste mês. Assim como já havia
feito em relação a bingos e videoloterias, a Codesc
resolveu recuar com os jogos das loterias por recomendação
legal.
O procurador da República André Bertuol pediu o
cancelamento das licenças. O Supremo (Tribunal Federal)
já decidiu: quem regulamenta jogos e sorteios é
a União e não os Estados. Qualquer atividade que
não seja assim vai ser considerada ilegal, afirmou
Bertuol.
No comunicado enviado ao MPF em que confirma a suspensão,
a Codesc informa, por meio do seu ex-presidente, Içuriti
Pereira da Silva, que caberia agora à Caixa Econômica
Federal autorizar as modalidades lotéricas do Estado.
A superintendência da Caixa negou ontem, pela assessoria
de imprensa, que possa fazer qualquer interferência nesse
sentido. Afirmou que cabe à União editar legislação
específica, o que depende de projeto de lei e aprovação
na Câmara dos Deputados e no Senado.
A Caixa mantém uma série de loterias federais,
entre elas a Mega-Sena, que continuam em atividade. O presidente
da Codesc, Miguel Ximenes de Melo Filho, confirmou a suspensão
das loterias por sugestão do MPF. Ele não quis
comentar o assunto por estar há pouco tempo no cargo e
alegou desconhecer o funcionamento dos jogos cancelados.
diogo.vargas@an.com.br
...................................................
...................................................
...................................................
Trimania vai recorrer à
Justiça
Poliana Santos
A direção da GR Sul Loterias Promoções
e Eventos Ltda., detentora da marca Trimania, vai recorrer ao
Tribunal de Justiça para voltar a explorar loterias.
O comunicado sobre o fim das autorizações para
funcionamento foi recebido pela empresa no dia 30 de julho. O
setor jurídico da Trimania propôs à Procuradoria
Federal da República um ajuste de conduta, alegando que
gerava renda, pagava impostos e contribuía para a construção
da sede da Federação Catarinense de Futebol. O
pedido não foi aceito. Os sorteios puderam ser feitos
até 16 de setembro. A Trimania tentou obter liminar. Teve
novo pedido negado. Agora, vai entrar com outro recurso no Tribunal
de Justiça.
No domingo passado, durante a transmissão do último
sorteio, os apresentadores destacaram que a Trimania se preocupa
com a questão social e gera renda aos distribuidores.
Roberto Kaviski, diretor-executivo da Trimania, afirma que muitos
contratados conseguiam tirar de dois a três salários
mínimos nas vendas. Em muitos casos era a única
possibilidade de renda, diz. A cada rodada semanal, a loteria
distribuía R$ 80 mil em prêmios.
A reportagem não localizou os responsáveis pelo
Prêmio do Rei.
poliana.santos@an.com.br
...................................................
Medida atinge promoções
de lojas
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá
do Sul é uma das entidades que não poderá
mais realizar sorteios promocionais. O vice-presidente, Wanderlei
Passol, desconhecia, ontem à noite, a decisão da
Codesc.
Com autorização do govetno estadual, a CDL realizava
promoções de estímulo às vendas,
por meio de sorteios de prêmios em datas como Natal, Dia
das Mães e dos Pais. O último foi em agosto.
Nesse tipo de promoção, o consumidor recebe quantidade
de cupons conforme o valor da compra. Com os cupons, têm
direito a sorteio, concorrendo a prêmios, como vale-compras,
motocicletas e TVs.
...................................................
Entidade e esporte perdem verba
O fim das loterias que corriam no Estado representa o fim
de repasses milionários, nos últimos anos, a entidades
esportivas e assistenciais. A Trimania, por exemplo, tinha como
foco a Federação Catarinense de Futebol (FCF) e
as ligas amadoras de Santa Catarina.
Estima-se que a FCF recebeu mais de R$ 1,5 milhão desde
2005. Foi pela Trimania que estamos realizando um sonho
de 83 anos: a nossa sede própria (em Balneário
Camboriú). Ela ajudava o futebol catarinense, profissional
e amador, que agorá terá prejuízo,
resumiu, ontem, o presidente da FCF, Delfim Peixoto. Ele afirmou
que não tem dinheiro para concluir a sede da federação.
A Rede Feminina de Combate ao Câncer era a principal gestora
do Prêmio do Rei. Em 2005 e 2006, recebeu mais de R$ 400
mil. A nova sede da entidade, no bairro Agronômica, na
Capital, foi bancada com dinheiro do jogo. A entidade atende
pelo menos 450 mulheres.
A Federação das Apaes de Santa Catarina se preparava
para entrar no projeto de loterias da Codesc e começar
a ter fundos dessa origem. A expectativa ficou no pensamento
da presidente, Rosane Vailatti, de Joinville. Iríamos
aplicar em convênios e capacitações de professores
e dirigentes. Beneficiaríamos 190 Apaes no Estado e 15
mil alunos, projetava.
No centro de Florianópolis, Sueli Vosnik, 51 anos, estava
feliz com a venda de 300 cartelas da Trimania, em média,
por semana. Não sei nem o que fazer da vida. Vender
outra coisa nem dá, o fiscal bate muito, disse ela,
ontem, com receio de se aventurar como vendedora ambulante.
João Batista, 47 anos, achou injusta a decisão
de acabar com as loterias que vendia no calçadão
da Felipe Schmidt, em Florianópolis. Passou a vender cartões
telefônicos, o que afirma não garantir nem metade
do que faturava antes. |