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Joinville Quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 Santa Catarina - Brasil

Segurança - A Notícia Rosana Ritta
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Crime no Oeste

Preso suspeito de matar pai e filho

Casa de família em Chapecó foi invadida na noite de terça

Lilian Simioni
Chapecó

O dia foi de perplexidade e lágrimas ontem em Chapecó, no Oeste do Estado, depois da morte de pai e filho de famílias tradicionais da cidade. Eles foram assassinados na própria casa, na noite de terça-feira.
Os corpos do fazendeiro Marco Aurélio Guella Camacho, 44 anos, e do filho Matheus Lunardi Guella Camacho, 20 anos, estudante de direito, foram enterrados ontem no cemitério da cidade. Cerca de 17 horas após o crime, operação conjunta das polícias Militar e Civil prendeu Ezequiel Pereira de Melo, 27 anos, suspeito do crime.
O crime foi na Linha São Francisco, distante 17 km do centro de Chapecó. Marco foi surpreendido pelo assaltante na sala de casa, por volta das 23 horas. Levou um tiro no peito, no lado direito, e morreu na hora. Percebendo o barulho, Matheus foi até o local e foi atingido por um tiro no pescoço. O estudante chegou a ser levado ao Hospital Regional do Oeste.
Ezequiel nega o crime, mas foi reconhecido por foto pela mulher de Marco Aurélio – Ângela Lunardi Camacho, que foi levada como refém no Ford Mondeo da família – e pela filha.
Ângela foi encontrada pela polícia, às 3 horas de ontem, no porta-malas do carro, no estacionamento de um frigorífico. A polícia localizou Ezequiel na casa de uma irmã dele, no bairro Alta Floresta. Chegou até ele por meio de um policial da parte Oeste da cidade, que imprimiu uma foto do acusado e foi perguntando pelas ruas próximas se alguém o conhecia.
O policial foi informado de que no bairro morava uma irmã de Ezequiel.
Uma equipe foi até a casa e encontrou o rapaz dormindo. Segundo o coronel Paulo Henrique Henn, Ezequiel não resistiu à prisão. Ele foi levado à Central de Polícia e, de lá, ao Presídio Regional. Ezequiel chegou em casa por volta das 7h30, conforme relatou um sobrinho dele à polícia.
Segundo a polícia, Ezequiel é foragido da Penitenciária Agrícola de Chapecó desde 17 de junho. Foi condenado por roubo, homicídio qualificado (por motivo fútil) e estupro. Tem 20 anos de pena a cumprir. Ezequiel também foi reconhecido pelo dono de uma mercearia, que foi ferido com um tiro no pé durante tentativa de roubo, no sábado, no bairro Santo Antonio.

Como foi:
Terça-feira
23 horas: homem entrou por uma janela da casa da família Camacho. Ao encontrar Marco na sala, o criminoso atirou com um revólver calibre 38. O tiro acertou o peito do agropecuarista.

Matheus, o filho, foi até a sala e também foi atingido com um tiro no pescoço.

A mãe Ângela e uma das filhas, que estavam indo dormir, também foram até a sala. As meninas correram de volta para um dos quartos e ligaram para a PM.

Ângela foi levada como refém no porta-malas do carro da família.

O criminoso entrou no pátio de um frigorífico, bateu em um barranco e teve de abandonar o carro. Ele pulou o muro do estacionamento e fugiu por um matagal.

Quarta-feira
3 horas: Ângela foi encontrada pela PM no porta-malas do carro.

16 horas: polícia prende Ezequiel Pereira de Melo, 27 anos. A polícia diz que tem provas testemunhais e materiais de que ele cometeu os crimes. Ezequiel foi reconhecido por fotos por familiares dos mortos.

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Restam lembranças positivas

Familiares, amigos e funcionários da família Camacho lotaram a capela da Funerária Wolff para as últimas homenagens a Marco e Matheus. Marco era cunhado do secretário de Agricultura de Chapecó, Ricardo Lunardi. No fim da tarde, centenas de pessoas seguiram em um cortejo até o cemitério Jardim do Éden.
O fazendeiro Marco Aurélio plantava grãos e era produtor de frangos. Morava com a família na fazenda na linha São Francisco. A dedicação ao trabalho era uma das marcas do fazendeiro, segundo amigos e familiares. Os funcionários lembraram que Marco nunca se colocava na posição de chefe quando o assunto era trabalho. Fazia as mesmas tarefas, e com a mesma dedicação que esperava dos funcionários.
Nelis Furlan, que convive há 14 anos com a família, contou que Marco era uma pessoa humilde, sem ostentações.
O primo Ricardo Costa disse que Marco era tão querido, que foi padrinho de diversos filhos de funcionários. "Ele era muito simples e brincalhão. Estava sempre rindo. Não era materialista e tinha uma família muito unida."
Matheus era o filho mais velho do casal. Era muito apegado à família. Ele cursava direito na Universidade Comunitária Regional de Chapecó (Unochapecó) e iria para o sexto período. No futebol, torcia pela Chapecoense.
"Ele era feliz", definiu a amiga Monique Morselli, 19 anos. Cinthya Treichel, 23 anos, foi namorada de Matheus durante dois anos. Para ela, Matheus era um garoto de bem com a vida.

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Leilão de bens de traficante

Três imóveis vendidos

São Paulo

Três dos cinco imóveis do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía foram arrematados ontem em um leilão judicial. A mansão na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, foi comprada por R$ 2,050 milhões. O valor da venda é 36,67% maior que o lance inicial, de R$ 1,5 milhão.
A casa de Jurerê Internacional obteve 12 lances: 11 virtuais, via internet, e um no local onde ocorria o leilão, em São Paulo. O imóvel tem 400 metros quadrados e fica em uma das regiões mais caras de Florianópolis. O leilão terminou 30 minutos depois do previsto por causa do interesse dos compradores no imóvel de Jurerê. Começou às 14 horas e estava previsto para durar 15 minutos.
O advogado paulista Homero Machado, 58 anos, foi o comprador da casa de Jurerê. Ele foi uma das sete pessoas que compareceram ao leilão em São Paulo. Disse que não se preocupou em comprar o imóvel que pertenceu a um traficante. "Comprei a casa da Justiça, não de um traficante. Para mim, o caso é semelhante a comprar um apartamento onde o dono acabou de morrer", disse. O advogado afirmou que, depois que a casa estiver no nome dele e todos os detalhes da posse estiverem resolvidos, viajará com as filhas para conhecer o local.
Segundo Renato Moysés, do Instituto Nacional de Qualidade Judiciária, após os pagamentos, que serão à vista, o juiz deverá determinar em 15 dias a transferência dos bens.
Não foram vendidas a casa avaliada em R$ 877 mil, em Aldeia da Serra (SP), onde Abadia vivia com a mulher, nem a fazenda em Guaíba (RS), com valor estimado em R$ 1,7 milhão. Os dois bens não receberam lances. Eles voltam a leilão no dia 21 deste mês, com lance inicial 40% menor.
A Justiça arrecadou R$ 4,3 milhões no leilão de ontem. Após o julgamento de Abadia, caso ele seja condenado, o valor será revertido à União. Se for inocentado, o dinheiro será devolvido a ele corrigido.
Além de tráfico de drogas, Abadia é suspeito de homicídios. A polícia estima que ele montou um patrimônio de R$ 3,4 bilhões com o tráfico.

O martelo foi batido:
Casa em Jurerê Internacional, Florianópolis
Lance inicial: R$ 1,5 milhão
Vendida por: 2,050 milhões a um morador de São Paulo

Sítio em Pouso Alegre (MG)
Lance inicial: R$ 540 mil
Vendido por: R$ 650 mil

Casa em Angra dos reis (RJ)
Lance inicial: R$ 1,1 milhão
Vendido por: R$ 1,6 milhão

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Jardim Paraíso

Reforço policial em bairro de Joinville

A Policia Militar intensificou as rondas no Jardim Paraíso, considerado o bairro mais violento de Joinville. Desde ontem, 30 agentes trabalham no reforço policial, além de membros da cavalaria e do Grupo de Resposta Tática (GRT). Na Estrada Timbé, que dá acesso ao bairro, uma barreira foi montada para revista em carros e motocicletas. Segundo o comandante da operação, Jair Pereira de Sousa, a intenção é localizar foragidos e coibir o tráfico de drogas. "Devido ao aumento dos crimes nas últimas semanas, resolvemos intensificar a presença dos policiais", diz. A operação segue por tempo indeterminado.



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