Nova mania joinvilense
Desde que chegou à
cidade, o time de vôlei da Tigre/Unisul tem levado cada
vez mais gente aos ginásios. Assistir a uma partida virou
até programa de família
Ainá Vietro
Nos dias em que o time de vôlei da Tigre/Unisul entra
em quadra, os gritos da torcida podem ser ouvidos de longe. E
quando você se aproxima do ginásio começa
a perceber uma movimentação que não era
comum até pouco tempo atrás.
No lado de fora da Toca da Fera, como é popularmente conhecido
o ginásio da equipe, a grande quantidade de carros estacionados
mostra que a casa está cheia. Não param de chegar
pessoas uniformizadas com camisetas azuis e bate-bates (uma espécie
de plástico inflável para torcer). Ao entrar, é
preciso ser uma pessoa de poucas emoções para não
ficar contagiado pela torcida.
O cenário descrito anteriormente é uma novidade.
Os moradores, antes acostumados a ver grandes públicos
somente nos jogos de futebol do Joinville, nas partidas de basquete
ou nos torneios de futsal, agora descobrem um novo esporte para
torcer.
A prova de que a cidade adotou mesmo o time são as arquibancadas
lotadas. São crianças, jovens e adultos que não
perdem um jogo. Exemplo é a vendedora Ana Paula Bisewski,
27 anos. Há dois meses ela levou a filha Rafaela, de um
ano e oito meses, para assistir ao primeiro jogo. A pequena adora
o time, e segundo Ana Paula, torce junto, canta e bate palmas.
Achei que seria uma ótima diversão.
A família da estudante de educação física
Marilis Silva, 40 anos, também é assídua
no ginásio. Junto com os filhos Rodrigo, 12, e Ricardo,
dez, ela torcia pela Tigre no sábado passado, no jogo
contra a Uniamérica/Foz (PR). Começamos a
vir no fim do ano, gostamos muito de esporte e competição,
diz.
Alessandra Reis de Paula, 28 anos, também estava na torcida
organizada com a filha Giulia, de 10 anos. Fã do técnico
Giovane Gávio, ela conta que foi ao primeiro jogo depois
que viu uma reportagem que dizia que o treinador, medalhista
de ouro em Barcelona 1992, iria treinar a equipe. É
muito interessante porque antes Joinville só era lembrada
pelo Festival de Dança.
Além do time, outras facilidades servem como atrativo
na hora de escolher o jogo como diversão. O estacionamento
é gratuito e a entrada, geralmente, um quilo de alimento
não-perecível, material escolar ou agasalhos em
bom estado. Tudo revertido posteriormente para entidades carentes.
Até agora, conforme a Tigre/Unisul, já se arrecadaram
mais de cinco toneladas entre alimentos e material escolar.
aina.vietro@an.com.br
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Torcida tranqüila
Um dos pontos positivos para Conrado Bogo, 21 anos, e a namorada,
a estudante Jéssica Axt, 17, irem aos jogos da Tigre/Unisul
é o fácil acesso. O irmão dela, Gustavo,
de 12 anos, é diabético, e o espaço amplo
permite que ele seja socorrido se algo ocorrer. Fora isso,
aqui a torcida é tranqüila e o jogo, bem inâmico,
diz Conrado.
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Animação no intervalo
Durante os intervalos dos sets, a Tigre/Unisul reserva uma
programação especial para o público. São
as cheerleaders, que fazem diversas coreografias e agitam a torcida.
A coreógrafa Nanci Rosa conta que elas começaram
junto com os jogadores. O pessoal gosta de ver e sempre
tentamos inovar nas coreografias, diz.
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Programa ideal
Desde os primeiros jogos, o garçom Kleber Mann, 27
anos, vai ao ginásio com a mulher, Ligiane, 28, e o filho
Guilherme, quatro. Ele lembra que o time começou a ganhar
os jogos e aí o público se tornou mais assíduo.
Kleber acha o vôlei um programa maravilhoso e bastante
adequado para a família. No futebol é muito
agito.
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Relação com público
começou em junho
Tudo começou em junho do ano passado, quando a Tigre
trouxe a Unisul para treinar em Joinville, junto com o técnico
Giovane Gávio. Com uma equipe nova e ainda sem histórico
na cidade, os jogos ocorriam sem muito público. Foi
uma questão de tempo para nos conhecerem, acredita
o técnico, que continua a arrancar suspiros de muitas
tietes.
Giovane conta que o auge de arquibancadas lotadas ocorreu em
março. A partida foi transmitida ao vivo pela televisão
ao meio-dia de um sábado. Em quadra, a Tigre/Unisul enfrentava
o Minas, em mais uma disputa da Superliga Masculina. Naquele
dia, aproximadamente 1,5 mil pessoas compareceram para assistir.
Além do time, quem também comemora é a Tigre,
que está feliz com o resultado do projeto. Nossa
intenção era estar entre os quatro primeiros nessa
primeira temporada, diz o gerente corporativo de marketing,
Osvaldo Coni. O objetivo foi alcançado, e para o próximo
ano eles sonham ainda mais. Querem vencer a Superliga.
O próximo jogo da Tigre/Unisul será hoje. Na partida,
que é um clássico do vôlei catarinense, o
time disputa uma vaga na final do quarto torneio da Superliga
Masculina com a Cimed, de Florianópolis. A expectativa
de Giovane é das melhores, mas ele quer fazer tudo com
muita calma. O componente emocional é muito grande,
mas torço para que joguem tranqüilos.
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Clint, o queridinho entre as meninas
Clint tem sido o queridinho das torcedoras. Sábado,
na partida contra o Uniamérica (PR), Clint ficou fora
das quadras, mas mesmo assim fez sucesso. Quando parou para conversar
com elas, ficou fácil perceber por que o jogador é
tão querido. A aproximação é tranqüila
e Clint trata todas de forma carinhosa. Quando a estudante Jenifer
Wenceslau, 14 anos, perguntou se poderia falar com ele depois
do jogo, Clint respondeu que sim.
Junto com as amigas Luciana Peixoto, 14, Manuella Schmidt, 14,
e Anne Maia, 12, Jenifer conta como é a sua relação
de fã. Quase todo jogo falamos com ele, e Clint
não se importa de nos responder. Ele é fofo e o
cabelo dele é lindo, diz, mexendo nos cachinhos
do jogador. As quatro amigas também treinam vôlei,
mas quem pensa que é pelo puro prazer de jogar se engana.
Jenifer confessa que faz aulas de vôlei mesmo só
para ver o treino dos meninos depois.
Com um nome de ator, Clint Riw da Rosa diz que já está
adaptado a Joinville. Ele nasceu em Caxias do Sul (RS) e sempre
jogou por lá. Diz que em Joinville o povo é mais
receptivo. Quando o assunto são fãs, ele confirma
que gosta muito. Tira fotos sem problemas e lembra que dar atenção
à torcida é retribuir o incentivo que elas dão
à equipe.
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Clássico de hoje à
noite sem favorito
Antonio Tomaz
Mais que um simples jogo de encerramento da primeira fase
da Superliga, o confronto entre Tigre/Unisul e Cimed será
uma batalha, hoje, às 20 horas, na Toca da Fera, em Joinville.
O clássico que decidiu o título catarinense de
2007 e ganhou proporções nacionais nos últimos
anos é apenas um dos ingredientes do duelo que define
o finalista do quarto torneio na chave B. O Sportv transmite
o jogo.
Será o forte ataque joinvilense, liderado por Digão,
o melhor do fundamento na competição, contra a
boa defesa do time de Florianópolis, comandado por Renato,
o mais eficiente do campeonato. O ingresso é um agasalho
em bom estado.
Após 27 rodadas, a Cimed lidera no geral e a Tigre está
em quarto. Quem vencer consegue vaga na final do quarto torneio.
Para a equipe de Joinville, a vitória ainda garante a
quarta posição e vantagem de decidir em casa as
partidas das quarta-de-final.
Os treinadores estão cautelosos. "Os pequenos detalhes
decidirão, aposta Giovane Gávio. Não
existe favoritismo, afirma Marcos Pacheco, técnico
da Cimed.
antonio.tomaz@an.com.br |