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Joinville Terça-feira, 25 de março de 2008 Santa Catarina - Brasil

Destaque - A Notícia

Nova mania joinvilense

Desde que chegou à cidade, o time de vôlei da Tigre/Unisul tem levado cada vez mais gente aos ginásios. Assistir a uma partida virou até programa de família

Ainá Vietro

Nos dias em que o time de vôlei da Tigre/Unisul entra em quadra, os gritos da torcida podem ser ouvidos de longe. E quando você se aproxima do ginásio começa a perceber uma movimentação que não era comum até pouco tempo atrás.
No lado de fora da Toca da Fera, como é popularmente conhecido o ginásio da equipe, a grande quantidade de carros estacionados mostra que a casa está cheia. Não param de chegar pessoas uniformizadas com camisetas azuis e bate-bates (uma espécie de plástico inflável para torcer). Ao entrar, é preciso ser uma pessoa de poucas emoções para não ficar contagiado pela torcida.
O cenário descrito anteriormente é uma novidade. Os moradores, antes acostumados a ver grandes públicos somente nos jogos de futebol do Joinville, nas partidas de basquete ou nos torneios de futsal, agora descobrem um novo esporte para torcer.
A prova de que a cidade adotou mesmo o time são as arquibancadas lotadas. São crianças, jovens e adultos que não perdem um jogo. Exemplo é a vendedora Ana Paula Bisewski, 27 anos. Há dois meses ela levou a filha Rafaela, de um ano e oito meses, para assistir ao primeiro jogo. A pequena adora o time, e segundo Ana Paula, torce junto, canta e bate palmas. “Achei que seria uma ótima diversão.”
A família da estudante de educação física Marilis Silva, 40 anos, também é assídua no ginásio. Junto com os filhos Rodrigo, 12, e Ricardo, dez, ela torcia pela Tigre no sábado passado, no jogo contra a Uniamérica/Foz (PR). “Começamos a vir no fim do ano, gostamos muito de esporte e competição”, diz.
Alessandra Reis de Paula, 28 anos, também estava na torcida organizada com a filha Giulia, de 10 anos. Fã do técnico Giovane Gávio, ela conta que foi ao primeiro jogo depois que viu uma reportagem que dizia que o treinador, medalhista de ouro em Barcelona 1992, iria treinar a equipe. “É muito interessante porque antes Joinville só era lembrada pelo Festival de Dança.”
Além do time, outras facilidades servem como atrativo na hora de escolher o jogo como diversão. O estacionamento é gratuito e a entrada, geralmente, um quilo de alimento não-perecível, material escolar ou agasalhos em bom estado. Tudo revertido posteriormente para entidades carentes. Até agora, conforme a Tigre/Unisul, já se arrecadaram mais de cinco toneladas entre alimentos e material escolar.

aina.vietro@an.com.br

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Torcida tranqüila

Um dos pontos positivos para Conrado Bogo, 21 anos, e a namorada, a estudante Jéssica Axt, 17, irem aos jogos da Tigre/Unisul é o fácil acesso. O irmão dela, Gustavo, de 12 anos, é diabético, e o espaço amplo permite que ele seja socorrido se algo ocorrer. “Fora isso, aqui a torcida é tranqüila e o jogo, bem inâmico”, diz Conrado.

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Animação no intervalo

Durante os intervalos dos sets, a Tigre/Unisul reserva uma programação especial para o público. São as cheerleaders, que fazem diversas coreografias e agitam a torcida. A coreógrafa Nanci Rosa conta que elas começaram junto com os jogadores. “O pessoal gosta de ver e sempre tentamos inovar nas coreografias”, diz.

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Programa ideal

Desde os primeiros jogos, o garçom Kleber Mann, 27 anos, vai ao ginásio com a mulher, Ligiane, 28, e o filho Guilherme, quatro. Ele lembra que o time começou a ganhar os jogos e aí o público se tornou mais assíduo. Kleber acha o vôlei um programa maravilhoso e bastante adequado para a família. “No futebol é muito agito.”

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Relação com público começou em junho

Tudo começou em junho do ano passado, quando a Tigre trouxe a Unisul para treinar em Joinville, junto com o técnico Giovane Gávio. Com uma equipe nova e ainda sem histórico na cidade, os jogos ocorriam sem muito público. “Foi uma questão de tempo para nos conhecerem”, acredita o técnico, que continua a arrancar suspiros de muitas tietes.
Giovane conta que o auge de arquibancadas lotadas ocorreu em março. A partida foi transmitida ao vivo pela televisão ao meio-dia de um sábado. Em quadra, a Tigre/Unisul enfrentava o Minas, em mais uma disputa da Superliga Masculina. Naquele dia, aproximadamente 1,5 mil pessoas compareceram para assistir.
Além do time, quem também comemora é a Tigre, que está feliz com o resultado do projeto. “Nossa intenção era estar entre os quatro primeiros nessa primeira temporada”, diz o gerente corporativo de marketing, Osvaldo Coni. O objetivo foi alcançado, e para o próximo ano eles sonham ainda mais. Querem vencer a Superliga.
O próximo jogo da Tigre/Unisul será hoje. Na partida, que é um clássico do vôlei catarinense, o time disputa uma vaga na final do quarto torneio da Superliga Masculina com a Cimed, de Florianópolis. A expectativa de Giovane é das melhores, mas ele quer fazer tudo com muita calma. “O componente emocional é muito grande, mas torço para que joguem tranqüilos.”

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Clint, o queridinho entre as meninas

Clint tem sido o queridinho das torcedoras. Sábado, na partida contra o Uniamérica (PR), Clint ficou fora das quadras, mas mesmo assim fez sucesso. Quando parou para conversar com elas, ficou fácil perceber por que o jogador é tão querido. A aproximação é tranqüila e Clint trata todas de forma carinhosa. Quando a estudante Jenifer Wenceslau, 14 anos, perguntou se poderia falar com ele depois do jogo, Clint respondeu que sim.
Junto com as amigas Luciana Peixoto, 14, Manuella Schmidt, 14, e Anne Maia, 12, Jenifer conta como é a sua relação de fã. “Quase todo jogo falamos com ele, e Clint não se importa de nos responder. Ele é fofo e o cabelo dele é lindo”, diz, mexendo nos cachinhos do jogador. As quatro amigas também treinam vôlei, mas quem pensa que é pelo puro prazer de jogar se engana. Jenifer confessa que faz aulas de vôlei mesmo só para ver o treino dos meninos depois.
Com um nome de ator, Clint Riw da Rosa diz que já está adaptado a Joinville. Ele nasceu em Caxias do Sul (RS) e sempre jogou por lá. Diz que em Joinville o povo é mais receptivo. Quando o assunto são fãs, ele confirma que gosta muito. Tira fotos sem problemas e lembra que dar atenção à torcida é retribuir o incentivo que elas dão à equipe.

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Clássico de hoje à noite sem favorito

Antonio Tomaz

Mais que um simples jogo de encerramento da primeira fase da Superliga, o confronto entre Tigre/Unisul e Cimed será uma batalha, hoje, às 20 horas, na Toca da Fera, em Joinville. O clássico que decidiu o título catarinense de 2007 e ganhou proporções nacionais nos últimos anos é apenas um dos ingredientes do duelo que define o finalista do quarto torneio na chave B. O Sportv transmite o jogo.
Será o forte ataque joinvilense, liderado por Digão, o melhor do fundamento na competição, contra a boa defesa do time de Florianópolis, comandado por Renato, o mais eficiente do campeonato. O ingresso é um agasalho em bom estado.
Após 27 rodadas, a Cimed lidera no geral e a Tigre está em quarto. Quem vencer consegue vaga na final do quarto torneio. Para a equipe de Joinville, a vitória ainda garante a quarta posição e vantagem de decidir em casa as partidas das quarta-de-final.
Os treinadores estão cautelosos. "Os pequenos detalhes decidirão”, aposta Giovane Gávio. “Não existe favoritismo”, afirma Marcos Pacheco, técnico da Cimed.

antonio.tomaz@an.com.br



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