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Joinville Domingo, 29 de julho de 2007 Santa Catarina - Brasil

Cidades - AN Capital Mauro Geres
(48) 3261-9538
mauro.geres@an.com.br

Política

Acuado pela Moeda Verde, prefeito ataca adversários

Dário Berger admite disputa em 2008 e crítica o casal Amin

Upiara Boschi

Os indicios de irregularidades na concessão de licenças ambientais e na elaboração da chamada “lei dos hotéis”, revelados pela Operação Moeda Verde da Polícia Federal anteciparam o debate político em relação à sucessão municipal em Florianópolis.

Farpas
Chefe do Legislativo credita venda de licenças ambientais a "desmandos do passado"
Acuado pelas citações nas conversas telefônicas gravadas pela PF, o prefeito Dário Berger (PSDB) garante que vai ser candidato à reeleição e revela o que deve ser a tônica do seu discurso de campanha: dizer que herdou de administrações anteriores o modelo de gestão que resultou nos escândalos, focando especialmente nos dois possíveis adversários de maior peso político, o ex-governador Esperidião Amin (PP) e sua mulher, Angela Amin (PP), ex-prefeita da Capital e deputada federal.
“Eles foram prefeitos por dois mandatos cada. O Esperidião foi governador duas vezes. Eles administraram esta cidade nos últimos 30 anos. O que eles fizeram?”, questiona Dário Berger.
O prefeito pretende levantar a tese de que a cidade vive um momento divisor de águas. “Precisamos dar um basta ao desenvolvimento do modo que aconteceu até agora. Um desenvolvimento feito apesar das pessoas, que gerou desorganização, violência, a droga e a favelização”, afirma, já ensaiando o discurso.
Berger pretende comparar diretamente a atual gestão com os mandatos da antecessora, Angela Amin (prefeita entre 1997 e 2004), resgatando as críticas que ela priorizou ações no Centro da Capital. “Nunca fizeram nada pelas regiões mais afastadas do Centro”, acusa. Para o prefeito, todas as questões envolvendo licenças ambientais são anteriores ao governo dele. “Os Amin estão enraizados na cidade", alfineta. Na avaliação de Berger, a repercussão das gravações grampeadas pela PF está perdendo força.

upiara.boschi@an.com.br

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Ex-prefeita cita gravações da PF e também fala como candidata

Cotada para enfrentar Dário Berger nas urnas ano que vem, a deputada federal e ex-prefeita Angela Amin (PP) admite a candidatura e rebate as acusações feitas pelo atual prefeito. “O que existe são nove meses de conversas gravadas durante a gestão dele. Se algum ato da minha administração deve ser avaliado ou julgado, que seja pela Justiça, não na boca do prefeito”, rebate Angela Amin.
Inicialmente reticente em relação a participar de uma nova disputa pelo comando da Prefeitura da Capital, a deputada afirma que colocou o nome à disposição do diretório municipal em função da mudança de cenário político gerado pela Operação Moeda Verde e demonstra entusiasmo de candidata.
“Acreditava que deveríamos buscar novas lideranças, porque o Esperidião já foi prefeito duas vezes, e eu também. Mas, a partir da Moeda Verde minha visão mudou. Agora eu acredito que todos os possíveis candidatos que têm ligação com Florianópolis, que amam a cidade, devem colocar seus nomes à disposição”, afirma.
Além disso, ela aponta a necessidade de se construir um projeto para a cidade e buscar novas alianças. Durante a semana, a vereadora Angela Albino (PC do B) participou de um encontro do PP em Biguaçu e conversou com o casal Amin.
Enquanto Berger afirma publicamente que gostaria de debater com a deputada, Angela Amin minimiza a possibilidade de enfrentar o candidato que derrotou em 2004 o seu ex-secretário de Obras, Francisco de Assis Filho (PP).
“O debate é com a população. Vamos conversar sobre tudo que construímos e também fazer a auto-crítica das coisas que não conseguimos fazer”. Mas não deixa de alfinetar o rival. “Tudo que é ruim ele coloca a culpa na minha administração. Está na hora de ele assumir e fazer o que precisa ser feito”, afirma.

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Em destaque

Esporte mistura superação, talento e sonhos

Jovens atletas de Florianópolis deixam de lado as dificuldades do dia-a-dia e alimentam a expectativa de um futuro melhor

André Luís Cia

O nome de alguns deles ainda pode ser novidade para muitas pessoas, assim como a maneira de jogá-los. Independente disso, as 34 modalidades esportivas do Pan-americano do Rio de Janeiro, que termina hoje, são a prova de que superação e força de vontade caminham juntas quando o esporte é o foco principal do trabalho. Em Florianópolis, são muitas as histórias de atletas que venceram as dificuldades e que hoje são exemplos de superação e de luta.

Exemplo
Prata de Mayra Silva nos Jogos Pan-americanos serve de estímulo à judoca da Ilha
Aos 12 anos e com pinta de campeã, a judoca Karolyne Hunges dos Santos treina judô desde os seis anos de idade. Na última semana, ela não desgrudou os olhos da TV enquanto eram transmitidas as competições das equipes brasileiras no Pan. O maior incentivo veio da judoca Mayra Silva que, aos 15 anos, ficou com a medalha de prata nos jogos ao ser derrotada na final pela norte americana Ronda Rousey, na categoria até 70 quilos .
Para a mãe de Karolyne, a vigilante Michele Souza Hunger, 28 anos, o bom resultado da brasileira na competição foi encarado como um desafio para que a filha continue no esporte e sonhe com um futuro promissor. “Assim como a Mayra, ela também pode representar o nosso País em breve. Basta se dedicar aos treinos e ter força de vontade.”
Talento e disposição é o que não devem faltar para a garota que, apesar da pouca idade, já conquistou alguns títulos importantes na carreira, como os campeonatos regionais e sul-brasileiro. Em setembro, ela se prepara para o campeonato brasileiro que será disputado em João Pessoa, na Paraíba.
“Gosto de treinar porque é um esporte de defesa pessoal. Nele, posso gastar toda minha energia e competir.” Michele conta que treinava jiu-jitsu quando uma amiga que era professora de judô sugeriu que ela inscrevesse a filha num esporte. “A Karol sempre foi uma menina muito ativa e forte. O judô só trouxe benefícios a ela tanto na questão física quanto no comportamento.”

andre.cia@an.com.br

Saiba mais
Modalidades do Pan
• Atletismo • Badminton • Basquete • Beisebol • Boliche • Boxe • Canoagem • Caratê • Ciclismo • Esgrima • Esqui aquático • Futebol • Futsal • Ginástica artística • Ginástica rítmica • Handebol • Hipismo • Hóquei sobre grama • Judô • Levantamento de peso • Luta • Nado sincronizado • Natação • Patinação • Patinação artística • Pentatlo moderno • Pólo aquático • Remo • Saltos Ornamentais • Softbol • Squash • Taekwondo • Tênis • Tênis de mesa • Tiro com arco • Tiro esportivo • Trampolim • Triatlo • Vela • Vôlei • Vôlei de praia.

História
Os Jogos Pan-americanos são uma versão continental dos Jogos Olímpicos que conta com esportes do programa olímpico e de outros que não são disputados em Olimpíadas. Eles são realizados de quatro em quatro anos, sempre em anos anteriores às Olimpíadas. A primeira edição do Pan aconteceu em 1951, em Buenos Aires, Argentina. No Brasil, os jogos deste ano reuniram 5.648 atletas, divididos em 42 países.
O nome “Cauê” foi o escolhido para batizar o mascote destes jogos (um sol) e realizado através de uma votação popular . O significado vem da língua indígena tupi e é derivado de “auê”, uma saudação tupi, que significa “salve!”.

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Nadadora diz que segredo é a dedicação

Vinda de uma família de classe média, a nadadora Patrícia Soares, 22 anos, é a prova de que o esporte é uma das únicas profissões onde não existem diferenças sociais, pois o que está em jogo é o talento e disposição dos atletas em vencer. Estudante de direito, diz que encontrou no esporte, uma motivação para superar os seus próprios desafios.
Ela relembra que sua família tinha uma casa de praia em Porto Belo e que, nas férias, ficava fascinada com competições de travessia no mar. “Quando fiz 11 anos, disse ao meu pai que queria fazer a mesma travessia, mas ele não deixou. Ao voltar para Florianópolis ele me matriculou numa escola de natação.”
Onze anos depois de entrar para uma escola de natação, Patrícia é hoje uma das principais atletas do Estado tendo conquistado destaque em competições mundiais, como a sétima colocação na Copa do Mundo de Natação, em 2005. “O esporte é muito importante porque abre portas, tira muitas pessoas de situações de risco e diminui as desigualdades sociais", diz.
A psicóloga Miriela de Nadai ressalta que a pessoa que pratica um esporte desde cedo tende a tornar-se um adulto mais disciplinado e preparado para o mercado de trabalho.
Para o presidente da Fundação Catarinense de Taekwondo, Adelino da Silva Filho, na Grande Florianópolis existem hoje cerca de 1.000 pessoas treinando o esporte com idades que vão dos quatro aos 60 anos. Ele acredita que o bom desempenho dos atletas brasileiros no Pan irá impulsionar o crescimento da modalidade.

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Projeto social comemora resultados positivos

Há quatro anos, a vida de muitos jovens da periferia da região do morro da Caixa, no Continente, passou por uma transformação após a criação do projeto social da Fundação Casan (Fucas), em Santa Catarina, que oferece gratuitamente esporte, além de oficinas de música, artesanato, teatro e circo para os adolescentes carentes da comunidade. Os horários são diferenciados aos das aulas na escola.

Social
Fundação Casan está ajudando a mudar a realidade de meninos e meninas pobres
Atualmente participam do projeto 150 adolescentes entre os 12 e os 18 anos. Um dos esportes oferecidos é o judô, chamado também de Ação e Vida, que conta com 100 dos 150 alunos atendidos pela fundação. Jaqueline Pereira, atleta da seleção brasileira nos anos de1996 a 2000, medalha de ouro dos Jogos Abertos de 2006 e campeã do estadual de Judô em 2007 é quem orienta as aulas.
Há três anos na equipe, ela diz que o foco das atividades não é restrito somente às práticas do judô, mas também baseado em pesquisas teóricas sobre o assunto. Para ela, isso é uma forma de despertar o interesse deles pela leitura. “Busco uma orientação multi-focal. As crianças chegam com problemas de agressividade e mau comportamento e o judô ajuda a canalizar essa agressividade.”
Jaqueline ressalta que, através do projeto, os alunos aprendem técnica e disciplina e; com isso, mudam a forma de agir no convívio social e com a família. “Há um tempo não podíamos deixar o carro estacionado nessa região, pois ele era roubado. Hoje não existe mais esse problema. As crianças mudaram e os pais também nos procuram para realizar atividades na academia de ginástica.”
Para a mãe de uma das alunas matriculadas no projeto, Rosangela Fagundes, de 30 anos, desde que a filha Jéssica, de 14 anos, entrou para o Fucas, há dois anos, houve uma mudança positiva no seu comportamento. “Ela aprendeu a respeitar mais a opinião das pessoas, a ser mais disciplinada e a lutar pelos seus objetivos”, explica. Jéssica treina futsal, faz aulas de teatro, informática, entre outras atividades de segunda a sexta-feira pela manhã e, à tarde, vai para a escola.

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Esportes

Estádios de clube amador terão recurso para reforma

Prefeitura da Capital deverá repassar R$ 500 mil para as obras

Júlio Castro

Os estádios de clubes amadores da Capital vão dividir R$ 500 mil em melhorias de infra-estrutura até o final do ano. A garantia é da Prefeitura de Florianópolis que, por meio da Fundação Municipal de Esportes (FME), vai abrir uma licitação para definir a empresa responsável pela execução das obras prioritárias nas praças esportivas.
O valor a ser aplicado representa 2% do montante de R$ 250 milhões pagos recentemente pelo banco Santander pela compra das contas salariais dos servidores municipais. O levantamento dos custos das obras em cada um dos estádios já foi realizado por uma comissão da FME e os relatórios devem chegar nos próximos dias no gabinete do prefeito Dário Berger para a sua aprovação.

Ação
“Passaremos a contar com estádios de melhor qualidade”, diz presidente da Liff
“O futebol é um grande meio de socialização, já que envolve muitas gente e comunidades. A valorização destas comunidades é uma das prioridades de governo”, destacou o superintendente técnico da FME, Ivo José Oliveira, o Badeco. Cada clube deve receber um investimento de R$ 25 mil em média. A revitalização das praças esportivas de Florianópolis representa uma grande conquista, conforme destaca o presidente da Liga Florianopolitana de Futebol (Liff), Manoel de Paula Machado.
“Passarmos a contar com estádios de melhor qualidade. As competições vão ficar mais valorizadas com as disputas em campos apropriados e com segurança”, atesta Manoel Machado. O dirigente acrescenta que a iniciativa também vai atender as condições mínimas de praticabilidade esportiva, conforme a legislação em vigor.
As obras são as mais variadas. Entre as carências identificadas pela comissão de vistoria, destacam-se as reformas de gramados, alambrados, instalação de iluminação nos campos para jogos noturnos, redes de proteção nos fundos, construção de vestiário para a arbitragem e até mesmo a troca de gramados ou de traves. Reformas hidráulicas e elétricas também serão necessárias em muitos estádios da região.

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Os estádios de clubes amadores da Capital

vão dividir R$ 500 mil em melhorias de infra-estrutura até o final do ano. A garantia é da Prefeitura de Florianópolis que, por meio da Fundação Municipal de Esportes (FME), vai abrir uma licitação para definir a empresa responsável pela execução das obras prioritárias nas praças esportivas.
O valor a ser aplicado representa 2% do montante de R$ 250 milhões pagos recentemente pelo banco Santander pela compra das contas salariais dos servidores municipais. O levantamento dos custos das obras em cada um dos estádios já foi realizado por uma comissão da FME e os relatórios devem chegar nos próximos dias no gabinete do prefeito Dário Berger para a sua aprovação.
“O futebol é um grande meio de socialização, já que envolve muitas gente e comunidades. A valorização destas comunidades é uma das prioridades de governo”, destacou o superintendente técnico da FME, Ivo José Oliveira, o Badeco. Cada clube deve receber um investimento de R$ 25 mil em média. A revitalização das praças esportivas de Florianópolis representa uma grande conquista, conforme destaca o presidente da Liga Florianopolitana de Futebol (Liff), Manoel de Paula Machado.
“Passarmos a contar com estádios de melhor qualidade. As competições vão ficar mais valorizadas com as disputas em campos apropriados e com segurança”, atesta Manoel Machado. O dirigente acrescenta que a iniciativa também vai atender as condições mínimas de praticabilidade esportiva, conforme a legislação em vigor.
As obras são as mais variadas. Entre as carências identificadas pela comissão de vistoria, destacam-se as reformas de gramados, alambrados, instalação de iluminação nos campos para jogos noturnos, redes de proteção nos fundos, construção de vestiário para a arbitragem e até mesmo a troca de gramados ou de traves. Reformas hidráulicas e elétricas também serão necessárias em muitos estádios da região.

julio.castro@an.com.br

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Liga Josefense de Futebol quer seguir exemplo de Florianópolis

A iniciativa da Prefeitura de Florianópolis representa um novo incremento na ajuda para as diferentes divisões do futebol praticado na Ilha de Santa Catarina. Há três anos, o Executivo vem isentando os clubes das taxas de arbitragem nos campeonatos das primeira, segunda e terceira divisões, além dos participantes das grupos juvenil, infantil e mirim. Nos últimos três anos foram gastos R$ 258 mil.
Os valores são repassados para a Liff que, por sua vez, distribui entre os clubes proporcionalmente ao número de atuações do quarteto de arbitragem (árbitro, dois assistentes e o delegado). A despesa média com arbitragem é de R$ 250,00 por jogo.
Na carona da iniciativa da Prefeitura de Florianópolis, a Liga Josefense de Futebol está elaborando um projeto para a captação de recursos na Prefeitura de São José visando reformar a maioria dos estádios de seus clubes filiados. A proposta, segundo o presidente da Liga, Orivaldo Leal, é de deixar em condições satisfatórias de uso todas as praças esportivas em 2008.
A Liga aguarda para este ano o repasse de R$ 178 mil aprovados pela Câmara de Vereadores no ano passado. A verba será destinada para a compra de bolas, troféus e o pagamento das arbitragens nas partidas organizadas pela entidade este ano.

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Memória

MEL é apenas recordação de ecologistas

Movimento Ecológico Livre, o pioneiro da resistência na Ilha

Felipe Silva

Há aproximadamente 25 anos, surgiu uma organização tida como uma das primeiras – senão a primeira – entidade ambientalista de Florianópolis. Era o Movimento Ecológico Livre (MEL), que começou suas atividades entre 1983 e 1984, chamando a atenção para problemas discutidos até hoje na Capital. plano diretor, saneamento básico, reciclagem do lixo, turismo ecológico e combate a ocupações irregulares foram algumas das preocupações do movimento. “Éramos pessoas que acreditavam num modelo sustentável de desenvolvimento”, afirma o ex-integrante da organização e atual superintendente da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), Itamar Pedro Bevilaqua.

Social
Questões como racismo, pacifismo e feminismo também eram debatidas no grupo
O MEL não era apenas um movimento ecologista. Questões como racismo, feminismo e pacifismo estavam na pauta de discussões do grupo. “Começou mais como movimento cultural. Era uma espécie de ONG, mas não como hoje”, conta a ex-integrante do movimento e professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Márcia Gristotti.
As reuniões ocorriam quase sempre na Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina ou em uma sala na rua Álvaro de Carvalho, no Centro. “Às vezes vinham pessoas que nem conhecíamos. Como o próprio nome diz, era um movimento livre”, diz Márcia.
No início, o MEL era formado principalmente por jovens que estavam entrando na vida universitária. Havia também professores, empresários e profissionais liberais. O auge das atividades do movimento ocorreu na segunda metade da década de 1980, época em que o Brasil saía da ditadura militar e entrava em período de democratização. Algumas das sementes plantadas pelo MEL renderam frutos.
Os mais visíveis foram a desativação do aterro sanitário do Itacorubi e a criação do Parque Municipal da Galheta, duas bandeiras do MEL. Mas houve outras conseqüências importantes da atuação do grupo, como maior cobertura da imprensa local aos assuntos ecológicos da cidade.

felipe.silva@an.com.br

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Nova geração não demonstra mesmos ideais

A busca por profissionalização foi um dos fatores que colaborou para a dissolução do movimento. “Entendemos que precisávamos nos profissionalizar para divulgar os temas que defendíamos. Acabamos entrando em vários setores, como direito, a sociologia e a política”, afirma Márcia.
O MEL, na prática, ainda existe, mas não teve mais atividades. A coordenadora é a bancária Yolanda Maria Vieira da Veiga, que atua no grupo desde a década de 1980. Para ela, a falta de engajamento de novas gerações explica o declínio do grupo. “Acho que um movimento como o MEL teria condições de recomeçar, mas gente vê hoje uma gurizada meio desligada”, afirma.
Yolanda tentou reativar o antigo grupo há cerca de dois anos, mas não obteve sucesso. “Está todo mundo disperso hoje. Cada um seguiu seu caminho.”

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Ex-militante não acredita em fracasso

A discussão há 20 anos de temas ainda atuais mostra que o MEL era um movimento “à frente de seu tempo” na opinião de Itamar Bevilaqua. A falta de soluções para muitas das questões nas quais o movimento atuou não é encarada por ele como um fracasso. “Valeu a pena sim. Basta ver onde estão hoje vários dos integrantes para notar que conseguimos penetrar na defesa do meio ambiente em vários segmentos da sociedade”, diz Bevilaqua, que é também professor de Direito Ambiental, citando nomes de ex-integrantes do grupo conhecidos na cidade, como o de Analúcia Hartmann (procuradora da República), André Freyesleben (ex-vereador) e Rogério Portanova (ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina, a Fapesc).
Os problemas ambientais que a cidade enfrenta hoje poderiam ter sido resolvidos na época de atuação do MEL, na opinião da professora Márcia Grisotti. “A cidade tinha mais condições de fazer com que as leis fossem implementadas. Havia menos interesses. As dificuldades hoje são maiores e mais complexas”, avalia. O plano diretor é uma das questões apontadas por Márcia como possível de solução há duas décadas. “Poderia ter sido algo mais real, que pudesse ser implantado de verdade e as pessoas respeitariam, nem que para isso ele tivesse um pouco menos de preocupações ambientais.”
Para Yolanda da Veiga, o principal o desafio de Florianópolis e do mundo hoje é melhorar o saneamento básico. “Fala-se muito na questão climática, mas pouco do esgoto. O ser humano ainda não sabe como lidar com seus resíduos.

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Cidades

Pombo traz riscos para população

Transmissão de doenças ainda é desconhecida pelas pessoas

Felipe Silva

No Centro de Florianópolis, os pombos fazem parte da paisagem. Pousados sobre parapeitos ou passando por entre os pedestres nos calçadões da área central da cidade, eles sobrevivem dos restos deixados pelo homem. Há o risco, porém, da transmissão de doenças, muitas vezes ignorado pelas pessoas que alimentam as aves.
Em Florianópolis, os pombos concentram-se principalmente em dois dos locais mais conhecidos e visitados da cidade: a Catedral Metropolitana e o Mercado Público Municipal. No templo católico, por exemplo, as escadarias estão sujas com penas e fezes.

Reação
“Não conheci quem tenha morrido por doença transmitida por pombos”, reclama turista
Quando não estão ali, os pombos ficam nos parapeitos dos prédios vizinhos. É só alguém jogar um pedaço de pão ou um punhado de milho no chão que o alvoroço começa.
Moradora de Palhoça, a vendedora Elaine Raulino é outra que se espanta com a quantidade de pombos no Centro de Florianópolis. “A gente tem que caminhar desviando deles. É um incômodo”, diz. Ela conta que já sofreu um “acidente” com pombos, quando um deles defecou sobre sua jaqueta.
A técnica em enfermagem Íris Teresinha Ribeiro acha bonito os pombos, mas considera demasiado o número de aves no Centro. Para ela, deveria haver um controle da população dos animais. “É muita sujeira, muita pena e cocô. E tem gente que dá comida para eles, o que acho errado.”
O autônomo Áureo Soares também acha os pombos bonitos, mas inconvenientes. Ele teme a transmissão de doenças, mas não sabe exatamente quais são.
Nem todo mundo, porém, teme as aves. A empresária Merli Angeli, moradora de São João Batista, aproveitou a aglomeração de pombos no Largo da Alfândega para alimentá-los. Colocou punhados de milho sobre as mãos e a cabeça dela e de crianças que a acompanhavam e divertiu-se com os animais.
Merli conta que já esteve em Veneza, na Itália, e que lá é normal as pessoas alimentarem os pombos em locais públicos. “Eles não devem ser vistos como uma praga e sim como atração. Não conheci ninguém que tenha morrido por doença transmitida por pombos.”

felipe.silva@an.com.br

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Veterinário recomenda que não se alimente as aves nas praças

A atitude de Merli é reprovada pelo coordenador do Programa de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o veterinário Henrique Sávio de Souza Pereira. “A gente recomenda às pessoas não alimentar os pombos, por causa do risco de doenças e para controlar a população dos aves.”
A alimentação das aves pela população é a principal causa da aglomeração de pombos no Centro de Florianópolis. Com comida garantida e locais para fazer os ninhos, eles não têm motivos para voltar ao seu habitat natural. A falta de predadores na região central da cidade (aves de rapina) colabora para o crescimento no número de animais.
Bem alimentados, os pombos se reproduzem mais rapidamente, segundo Henrique Pereira. A média natural de posturas de ovos é de duas a três vezes por ano, mas em centros urbanos ela pode chegar a cinco. O coordenador da SMS afirma que as aves não correm risco de se extinguir se deixarem de ganhar comida da população. “Eles podem encontrar alimento fácil na natureza, como frutas, grãos e insetos.”
De acordo com Pereira, o melhor método de controle do número de pombos nos centros urbanos é o fim da alimentação das aves pelos humanos. Ele ressalta que exterminar os animais é crime, segundo lei federal.
Os pombos freqüentemente encontrados em várias áreas urbanas não são nativos do Brasil.

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Riscos de contaminação são bem maiores perto dos ninhos

As doenças que os pombos transmitem ao homem ainda são pouco conhecidas da população. O arquivista Maurício da Silva, por exemplo, ouviu falar dos riscos, mas não sabe ao certo quais são as enfermidades que pode contrair por ter contato com as aves. Sentado em um banco ao lado de dezenas de pombos no Largo da Alfândega, ele não sabia dizer também como poderia ocorrer o contágio. “Acho que isso deveria ser melhor divulgado, até para as pessoas se prevenirem.”
Os perigos que os pombos representam têm nomes complicados. Um deles é a histosplamose, uma infecção causada por um fungo que pode levar à morte. Outros são a salmonelose (causada pela bactéria salmonella. Provoca, entre outras coisas, náuseas, vômito e diarréia) e a criptococose (espécie de meningite, também pode levar à morte).
Em todos os casos, o modo de contágio é parecido e mais provável próximo a regiões onde há ninho dos pombos, segundo explica o coordenador do Programa de Zoonoses, Henrique Pereira. As aves contaminadas defecam e, depois, acabam passando por cima das fezes ressecadas. Ao levantar vôo, o bater das asas espalha o pó formado pelos excrementos secos, que pode ser inalado pelo homem. É aí que ocorre a infecção.
Para quem percebe a proliferação de pombos, afirma Pereira, a recomendação é não deixar que façam ninhos nas residências.



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