_______________________________
Turismo histórico
Ilha da Paz tem data para abrir
Endereço do mais antigo
farol de Santa Catarina poderá ser visitado a partir de
2009. Público verá museu e trilhas
Fotos Jessé Giotti
Robson Bonin
Fechada ao público desde 1905, a Ilha da Paz, em São
Francisco do Sul, pode se tornar um dos pontos turísticos
mais visitados da região. Propriedade da Marinha do Brasil,
a ilha tem o farol mais antigo do Estado, com 101 anos, e está
sendo preparada para receber um museu, um centro de exposições,
além de trilhas organizadas para contar a história
do lugar. No sábado, parte das obras, que iniciaram há
dois anos, foi apresentada ao grupo de empresários que
patrocinou a primeira fase do projeto.
Membros da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) visitaram o novo
trapiche, o deck flutuante e a construção de 1905
do farol, totalmente revitalizado. A primeira parte custou R$
265 mil. A etapa final precisará de R$ 750 mil que poderão
vir por doações descontadas no imposto de renda
(Lei Rouanet). "Para abrirmos a ilha ao público é
necessária uma estrutura que possibilite o turismo histórico
e cultural em harmonia com a preservação da natureza.
Esse trabalho combinará tudo isso", diz o comandante
da marinha, Alex Martins. A abertura da ilha está prevista
para o início de 2009.
Uma das trilhas passará pelas ruínas da casa do
pirata francês Peninxe, que viveu na ilha em 1833. É
o habitante mais antigo do local, de que se tem registro. Em
uma pedra o pirata deixou escrito: "Peninxe, 1833, habitação
da paz". "Estamos pesquisando a vida de Peninxe e dos
barcos que naufragaram nessas águas para montar o Museu
Marítimo da Ilha da Paz", diz o comandante.
Um dos naufrágios que serão registrados será
o do navio Nedlloyd Recife, ocorrido em 1996. Na manhã
fria e nublada de 2 de março, o navio encalhou entre as
pedras da Ilha da Paz. A retirada dos 700 contêineres e
da embarcação demorou dois anos. Dezoito metros
dele afundaram e dez metros ficaram acima da superfície.
O Nedlloyd precisou ser cortado em pedaços para ser retirado
e parte do casco permanece perto da ilha. Ela fica no Arquipélago
das Graças, perto das praias de Enseada e Ubatuba. Na
temporada de verão, milhares de visitantes apenas admiram
de longe a paisagem, porque a Marinha impede a presença
de visitantes não autorizados, em virtude da falta de
estrutura do lugar para receber turistas.
A ilha da paz
Com 83 metros de altitude, é a que tem o ponto mais alto
do Arquipélago das Graças, localizado em São
Francisco do Sul. A ilha tem 218 mil metros quadrados de extensão.
Há, permanentemente, dois marinheiros no local para manter
o farol aceso. Na ilha vivem tatus, lagartos e uma ampla variedade
de pássaros.
Pirata
O primeiro habitante da ilha, acredita a Marinha, foi o pirata
Peninxe, em 1833. Uma das trilhas que serão abertas ao
público passa pela pedra onde há uma inscrição
com o nome dele.
O farol
Em 1905, a ilha foi ocupada pela Marinha. Naquele ano, foi erguido
o farol de 16 metros de altura, que recebeu uma poderosa lente
de fabricação francesa, movida a
querosene, capaz de levar luz a barcos distantes até
24 milhas (38 quilômetros) da costa. Hoje, o farol opera
com ajuda de motores ligados a um transformador.
Naufrágio
Em março de 1996, o navio Nedlloyd Recife, com problemas
mecânicos e surpreendido pelo mau tempo, encalhou nas pedras
da ilha. Carregava 700 contêiners. A operação
de retirada da embarcação levou dois anos.
Futuro
Considerada área militar de acesso restrito à Marinha,
a ilha passou por um longo período de degradação.
Há dois anos, a Sociedade Amigos da Marinha (Soamar)
iniciou o processo de restauração do espaço.
Na ilha deve ser montado o Museu Marítimo da Ilha da
Paz, que contará as histórias marítimas
da região.
Trilhas ecológicas e espaço para exposições
também estão previstos no projeto.
Até agora foram gastos R$ 265 mil, dinheiro obtido
de empresários da região. A ilha deve ser aberta
ao público em 2009 e ainda consumirá R$ 750 mil
que serão captados pela Lei Rouanet (doações
do valor devido em imposto de renda).
robson.bonin@an.com.br
....................................................
Projeto vai buscar parcerias privadas
Atualmente sob propriedade da Marinha, a Ilha da Paz é
habitada por dois marinheiros que têm a missão de
cuidar do funcionamento do farol, realizar reparos nos geradores
e demais instalações, além de patrulhar
a ilha para impedir a entrada de invasores. Com 18 anos de marinha,
o comandante Dias é um dos atuais moradores. "Estou
aqui há três meses. Cada dupla mora por 85 dias
e depois é substituída por outra. Essa ilha tem
história, tranqüilidade e beleza suficiente para
me fazer ficar bem longe do Rio de Janeiro, de onde vim",
garante Dias.
É ele quem dá manutenção no farol
centenário, de fabricação francesa, que
já funcionou a querosene e agora opera com transformadores.
A ilha tem três geradores a óleo diesel, duas fontes
naturais de água doce e captação de água
da chuva. "Tudo está sendo preparado para receber
o público em breve", garante.
O projeto da Ilha da Paz foi feito em parceira com a Polícia
Ambiental, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan) e Marinha de São Francisco do Sul. Nenhum
centavo do dinheiro investido até agora veio dos cofres
públicos. A Sociedade Amigos da Marinha, líder
da revitalização da ilha, buscará convênios
com a Prefeitura de São Francisco do Sul e com investidores
privados.
O governo autorizou a captação pela Lei Rouanet.
O dinheiro será usado na restauração de
duas casas de barco, na instalação de dormitórios
do início do século que estão em estado
precário, e para erguer a passarela principal de acesso
ao farol. |