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Joinville Segunda-feira, 16 de julho de 2007 Santa Catarina - Brasil
AN Cidade - A Notícia Edenilson Leandro
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Turismo histórico

Ilha da Paz tem data para abrir
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Turismo histórico

Ilha da Paz tem data para abrir

Endereço do mais antigo farol de Santa Catarina poderá ser visitado a partir de 2009. Público verá museu e trilhas

Fotos Jessé Giotti

Robson Bonin

Fechada ao público desde 1905, a Ilha da Paz, em São Francisco do Sul, pode se tornar um dos pontos turísticos mais visitados da região. Propriedade da Marinha do Brasil, a ilha tem o farol mais antigo do Estado, com 101 anos, e está sendo preparada para receber um museu, um centro de exposições, além de trilhas organizadas para contar a história do lugar. No sábado, parte das obras, que iniciaram há dois anos, foi apresentada ao grupo de empresários que patrocinou a primeira fase do projeto.
Membros da Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) visitaram o novo trapiche, o deck flutuante e a construção de 1905 do farol, totalmente revitalizado. A primeira parte custou R$ 265 mil. A etapa final precisará de R$ 750 mil que poderão vir por doações descontadas no imposto de renda (Lei Rouanet). "Para abrirmos a ilha ao público é necessária uma estrutura que possibilite o turismo histórico e cultural em harmonia com a preservação da natureza. Esse trabalho combinará tudo isso", diz o comandante da marinha, Alex Martins. A abertura da ilha está prevista para o início de 2009.
Uma das trilhas passará pelas ruínas da casa do pirata francês Peninxe, que viveu na ilha em 1833. É o habitante mais antigo do local, de que se tem registro. Em uma pedra o pirata deixou escrito: "Peninxe, 1833, habitação da paz". "Estamos pesquisando a vida de Peninxe e dos barcos que naufragaram nessas águas para montar o Museu Marítimo da Ilha da Paz", diz o comandante.
Um dos naufrágios que serão registrados será o do navio Nedlloyd Recife, ocorrido em 1996. Na manhã fria e nublada de 2 de março, o navio encalhou entre as pedras da Ilha da Paz. A retirada dos 700 contêineres e da embarcação demorou dois anos. Dezoito metros dele afundaram e dez metros ficaram acima da superfície. O Nedlloyd precisou ser cortado em pedaços para ser retirado e parte do casco permanece perto da ilha. Ela fica no Arquipélago das Graças, perto das praias de Enseada e Ubatuba. Na temporada de verão, milhares de visitantes apenas admiram de longe a paisagem, porque a Marinha impede a presença de visitantes não autorizados, em virtude da falta de estrutura do lugar para receber turistas.

A ilha da paz
Com 83 metros de altitude, é a que tem o ponto mais alto do Arquipélago das Graças, localizado em São Francisco do Sul. A ilha tem 218 mil metros quadrados de extensão. Há, permanentemente, dois marinheiros no local para manter o farol aceso. Na ilha vivem tatus, lagartos e uma ampla variedade de pássaros.

Pirata
O primeiro habitante da ilha, acredita a Marinha, foi o pirata Peninxe, em 1833. Uma das trilhas que serão abertas ao público passa pela pedra onde há uma inscrição com o nome dele.

O farol
Em 1905, a ilha foi ocupada pela Marinha. Naquele ano, foi erguido o farol de 16 metros de altura, que recebeu uma poderosa lente de fabricação francesa, movida a
querosene, capaz de levar luz a barcos distantes até
24 milhas (38 quilômetros) da costa. Hoje, o farol opera com ajuda de motores ligados a um transformador.

Naufrágio
Em março de 1996, o navio Nedlloyd Recife, com problemas mecânicos e surpreendido pelo mau tempo, encalhou nas pedras da ilha. Carregava 700 contêiners. A operação de retirada da embarcação levou dois anos.

Futuro
Considerada área militar de acesso restrito à Marinha, a ilha passou por um longo período de degradação.

Há dois anos, a Sociedade Amigos da Marinha (Soamar) iniciou o processo de restauração do espaço.

Na ilha deve ser montado o Museu Marítimo da Ilha da Paz, que contará as histórias marítimas da região.

Trilhas ecológicas e espaço para exposições também estão previstos no projeto.

Até agora foram gastos R$ 265 mil, dinheiro obtido de empresários da região. A ilha deve ser aberta ao público em 2009 e ainda consumirá R$ 750 mil que serão captados pela Lei Rouanet (doações do valor devido em imposto de renda).

robson.bonin@an.com.br

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Projeto vai buscar parcerias privadas

Atualmente sob propriedade da Marinha, a Ilha da Paz é habitada por dois marinheiros que têm a missão de cuidar do funcionamento do farol, realizar reparos nos geradores e demais instalações, além de patrulhar a ilha para impedir a entrada de invasores. Com 18 anos de marinha, o comandante Dias é um dos atuais moradores. "Estou aqui há três meses. Cada dupla mora por 85 dias e depois é substituída por outra. Essa ilha tem história, tranqüilidade e beleza suficiente para me fazer ficar bem longe do Rio de Janeiro, de onde vim", garante Dias.
É ele quem dá manutenção no farol centenário, de fabricação francesa, que já funcionou a querosene e agora opera com transformadores. A ilha tem três geradores a óleo diesel, duas fontes naturais de água doce e captação de água da chuva. "Tudo está sendo preparado para receber o público em breve", garante.
O projeto da Ilha da Paz foi feito em parceira com a Polícia Ambiental, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Marinha de São Francisco do Sul. Nenhum centavo do dinheiro investido até agora veio dos cofres públicos. A Sociedade Amigos da Marinha, líder da revitalização da ilha, buscará convênios com a Prefeitura de São Francisco do Sul e com investidores privados.
O governo autorizou a captação pela Lei Rouanet. O dinheiro será usado na restauração de duas casas de barco, na instalação de dormitórios do início do século que estão em estado precário, e para erguer a passarela principal de acesso ao farol.


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