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O lado ruim da internet
Polícia de olho no golpe
da pirâmide
Pelo menos 60 pessoas de
Itapoá foram atraídas por shopping virtual. Justiça
bloqueou dinheiro investido por quatro delas, que se arrependeram
Diego Rosa
A Polícia Civil de Itapoá está terminando
um inquérito para apurar supostas irregularidades cometidas
pela organização especializada em marketing e vendas
de produtos pela internet conhecida como Omni International.
Decisão
Juiz André Fonseca suspendeu a cobrança de taxas
da Omni para manutenção da loja de quatro pessoas |
As
denúncias foram apresentadas por clientes que se sentiram
lesados pela empresa, que também já está
sendo investigada no interior de São Paulo. Eles teriam
assinado um contrato motivados com a idéia de que poderiam
conseguir rendimentos fáceis na compra de um kit de produtos
para serem vendidos em lojas virtuais (na internet).
Pelo menos 60 pessoas de Itapoá podem ter entrado nesse
negócio. O advogado Izaque Goes representa 20 pessoas
que se sentiram prejudicadas. Foi ele quem acionou a polícia
no caso.
De acordo com o advogado, as perdas por cliente variam entre
R$ 5,5 mil e R$ 6 mil. Goes diz que a proposta da Omni sustenta
uma pirâmide financeira. Essa prática é considerada
golpe. O negócio funciona com sócios da empresa
convidando outras pessoas a participar da sociedade e, supostamente,
ganhar rendimentos apenas com a inclusão de novos participantes.
Só que não havia muitos produtos para a gente
escolher e vender na rede porque a maioria estava esgotada. Não
consegui vender nada, diz um dos participantes, que aderiu
ao sistema no ano passado.
Ele conta que era estimulado a trazer novos convidados para entrar
no negócio e, com isso, fatura com a participação
deles. O cliente chegou a ganhar cerca de R$ 2,7 mil ao incluir
três pessoas nesse negócio. Mas se arrependeu. Tenho
familiares e amigos que não conseguiram comercializar
os produtos pela internet. A Omni pagaria uma comissão.
Para se enquadrar no esquema e montar a loja, o convidado teria
de pagar R$ 3.999 mais uma mensalidade de R$ 70 para manter
o site da loja virtual ativo. A comissão sobre vendas
dos produtos poderia chegar a 10% do valor comercializado.
O economista do Programa de Proteção ao Consumidor
de Santa Catarina (Procon-SC), Fernando Bainha, alerta que essa
prática é considerada crime porque beneficia apenas
quem está no topo da pirâmide. É roubo,
resume. Dependendo do caso, a pena pode chegar a dez anos de
detenção.
Algumas ações encaminhadas pelo advogado foram
avaliadas pelo juiz da comarca de Itapoá, André
Fonseca. No dia 5 de outubro, ele determinou, por liminar, o
bloqueio do dinheiro investido por quatro pessoas e a suspensão
das cobranças de taxas da Omni para a manutenção
do site da loja. O Ministério Público de Santa
Catarina acompanha o caso. O promotor Rodrigo Cunha Amorin aguarda
a conclusão do inquérito policial. O delegado Rodrigo
Lemes dará seqüência ao inquérito depois
que retornar das férias, no dia 16 de outubro.
diego.rosa@an.com.br
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Vítimas falam em lavagem
cerebral
Algumas das pessoas que foram convidadas para participar da
montagem da loja virtual assinando o contrato de adesão
no valor de R$ 3.999 afirmaram que a empresa Omni costuma fazer
uma lavagem cerebral nos participantes para se incorporarem
ao esquema de pirâmide financeira.
Uma das vítimas de Itapoá diz que os encontros
ocorriam nas quartas-feiras e aos domingos, num restaurante nas
margens da BR-101.
Os membros apresentavam um cenário estimulante às
pessoas recém-chegadas muitas delas de Itapoá,
Garuva e Joinville. Eles aplaudiam os novatos. Depois,
faziam palestras e mostravam vídeos e depoimentos de pessoas
que tiveram sucesso com isso, recorda.
O homem, que investiu R$ 5 mil no negócio, se diz vítima
de pressão psicológica. Não tenho
nem computador para ter uma loja virtual. Eu ia comprar um,
conta.
Uma jovem de 26 anos diz ter pedido dinheiro emprestado ao pai
para entrar no negócio e que estimulou o irmão
a participar da montagem da loja virtual. Ninguém
conseguiu vender nada. É um golpe, reclama.
O marido dela diz que, nas reuniões, os coordenadores
do evento diziam muito para as pessoas terem fé e persistência
em apostar nesse novo negócio. Eles falavam que
a única oportunidade de assinar o contrato era aquela
hora, senão só após cinco anos. Fomos tentados
para uma realidade que não existe na prática,
reclama.
O advogado Izaque Goes ingressou com uma ação pedindo
a anulação do contrato e os reparos morais e materiais
dos clientes. Essas pessoas foram induzidas.
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Empresa diz que presta serviço
A Omni International emitiu um comunicado para a imprensa
informando como atua no mercado virtual. A empresa garante que
não pratica o sistema de pirâmide financeira. De
acordo com a nota, o sistema de pirâmide financeira consiste
no recrutamento de pessoas para gerar renda aos participantes
pela adesão de novos membros, mas sem oferecer nenhum
produto ou serviço.
No caso da operação realizada pela Omni, é
oferecido um serviço loja virtual que opera
com a venda de produtos pela internet.
A empresa ressalta que esse conceito é definido como marketing
de rede, amplamente utilizado por multinacionais. A nota também
diz que a Omni reúne 35 mil clientes ativos no País.
A empresa tem escritórios em onze cidades, inclusive em
Joinville e Florianópolis.
Segundo a Omni, a remuneração dos clientes é
resultado das vendas ou revendas de produtos pela internet ou
catálogo, que podem ser do próprio lojista ou da
Omni.
A proposta é motivar nosso clientes a aumentar suas
vendas e atraírem novos clientes para a Omni através
de recompensa financeira (percentual sobre as vendas na média
de 10%) ou crédito para aquisição de novos
produtos, diz a nota.
O comunicado destaca que a empresa está à disposição
da autoridades para esclarecer os fatos e apresentar a documentação
necessária que comprovem sua idoneidade.
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Como funciona o esquema
A empresa oferece uma espécie de shopping virtual,
onde as pessoas podem vender produtos e serviços.
Para fazer parte, é preciso desembolsar R$
4 mil.
A pessoa ganha R$ 350 a cada nova indicação.
Quanto maior o número de pessoas indicadas,
mais rapidamente o investimento é recuperado.
O golpe é chamado de pirâmide porque
quem
está no topo os primeiros a investir
ganham sobre todas as indicações.
Segundo a polícia, esta prática agora
é
classificada como networking marketing.
Geralmente, para convencer as pessoas, há grandes
encontros, palestras e reuniões em locais luxuosos, em
que casos de sucesso são apresentados.
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Na imprensa
No dia 3 de outubro, o site de notícias G1 (www.g1.com.br)
divulgou que a Polícia Civil de Ribeirão Preto
(SP) investiga a empresa Omni por causa da pirâmide. A
previsão seria de que a organização teria
faturado cerca de R$ 24 milhões com a adesão de
seis mil pessoas. No dia 4 de outubro, o "Jornal Hoje",
da Rede Globo, também noticiou o mesmo esquema.
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