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Joinville Sexta-feira, 11 de janeiro de 2008 Santa Catarina - Brasil
AN Cidade - A Notícia Suzana Klein
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suzana.klein@an.com.br

Elas estão com os dias contados

Prefeitura abre polêmica ao decidir cortar figueiras às margens do Cachoeira


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Elas estão com os dias contados

Cleber Gomes

Prefeitura abre polêmica ao decidir cortar figueiras às margens do Cachoeira

Carolina Spricigo

As 40 figueiras plantadas na avenida Hermann August Lepper, às margens do rio Cachoeira, nos cerca de 500 metros entre a ponte azul e a Fundação Cultural de Joinville, estão com os dias contados. Isto se a Prefeitura de Joinville mantiver a decisão de cortá-las ainda em janeiro. O motivo apontado pelo prefeito Marco Tebaldi: questões de segurança para quem transita pelo local.
O projeto oficial para a derrubada das árvores nem está pronto, mas já causa protestos. Mas está decidido e não adianta a população reclamar, avisa o prefeito. Tebaldi diz que só é contra a derrubada quem não conhece os problemas causados pelas plantas. Para a Prefeitura, as árvores são grandes, pesadas, estão caindo no rio e danificando o asfalto.
“Diariamente, recebo ligações de pessoas falando que está perigoso transitar por lá. Se não tirarmos estas árvores, logo, logo a imprensa dará notícias de um carro que caiu no rio porque o asfalto cedeu”, argumenta o prefeito. Segundo Tebaldi, este tipo de planta não é adequado para ficar nas margens de um rio, porque a raiz é pesada, pressiona demais o solo e causa erosão. De acordo com ele, duas árvores já teriam caído no rio no ano passado.
A idéia do prefeito é fazer um muro de contenção – como o do bulevar Cachoeira – e plantar outras árvores menos pesadas e que deixem também bonita rua. “Na região perto do Fórum, não será necessário retirar as figueiras, porque elas não estão causando problemas”, diz o prefeito.
A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema) está preparando o laudo de quais árvores devem ser derrubadas. Depois de receber a licença, a Prefeitura vai se responsabilizar em plantar este tipo de árvore em locais como o morro do Boa Vista e nos parques que serão implantados na cidade. O Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj) ficará responsável pelo projeto de revitalização das margens do rio.

carolina.spricigo@an.com.br

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Especialistas saem em defesa das árvores
e apontam alternativas para preservá-las

Roberto Drefahl, paisagista e produtor de plantas ornamentais, conta que foi contra quando as figueiras foram plantadas na margem do rio, em 1996. Ele acredita que, na época, as plantas eram uma solução rápida para camuflar o Cachoeira. Hoje, é contra a retirada das árvores. “Acredito que falta um projeto de longo prazo. Falta um estudo direcionado. Tudo o que se faz é imediatista. E não adianta dizer que é a figueira que estraga o asfalto. Qualquer árvore de grande porte vai estragar o asfalto se ele for mal feito”, diz.
A sugestão do paisagista é abrir uma vala no asfalto, a cerca de 1,5 metro de distância das árvores e com um metro de profundidade, e colocar uma cortina de concreto para desviar a raiz das plantas para baixo. “Não iria prejudicar a árvore em nada e não seria necessário cortá-la”, avalia.
"Se formos arrancar todas as árvores que estragam os passeios e asfaltos, a cidade vai ficar sem plantas", protesta o paisagista Jordi Castan. Para ele, é difícil entender como o poder público pagou para plantar as árvores e agora vai pagar novamente para arrancar as árvores. “Não acho que este seja o caminho. Acredito que para retirarem as plantas da margem do rio tem de haver um argumento muito forte. As raízes destas plantas estão ajudando a conter a erosão”, ressalta.
Segundo o paisagista, qualquer tipo de planta pode danificar o asfalto se ele não tiver qualidade. “Não precisa nem ser uma figueira. Se a cidade tivesse mais áreas verdes poderíamos retirar as árvores, mas não tem. As prioridades estão invertidas”, considera. Castan acredita que este tipo de projeto tem de ser discutido por toda a sociedade.
Para o arquiteto Sérgio Gollnick, a retirada das árvores será a destruição de um patrimônio da cidade. “Falam de humanização da cidade, em poluir menos, em valorizar o indivíduo, mas todas as ações são voltadas para os carros.” Ele acredita que, do ponto de vista ecológico, é muito melhor ter árvores às margens do rio do que placas de concreto.
A alternativa apontada por Castan e Gollnick para evitar o corte das árvores seria a construção de um deque de madeira – como se fosse uma varanda – por cima do rio. “As plantas não precisariam ser cortadas e as pessoas poderiam caminhar na sombra e com segurança pelo deque. Com certeza seria mais barato do que o projeto de retirada das plantas”, avalia Gollnick.

“Quem não conhece é contra. Quem é leigo não entende. Estas árvores estão causando insegurança.”
Marco Tebaldi, prefeito

“As plantas atrapalham o trânsito. Não tem passeio para pedestres, as raízes entram no sistema de drenagem e estouram os canos.”
Geovah Amarante, presidente do Ippuj

Na rua
AN Cidade ouviu na quarta-feira pessoas que passavam pela avenida Hermann Lepper sobre a proposta de cortar as árvores

“Cortar estas árvores é um crime. Elas são muito bonitas, enfeitam a avenida e ajudam a preservar a margem do rio. Deviam incentivar o plantio de árvores e não destruir o que está feito.”
Lourival Fernandes, operador de qualidade

“Acho que não devem tirar as árvores. Se ficar só asfalto vai ficar muito quente. Não acredito que as raízes possam danificar o asfalto. Por que não reforçam a pavimentação?”
Dalva Felizari, gerente de vendas

“Estas árvores devem continuar onde estão, porque embelezam a cidade. E a sombra que elas fazem? Se forem retiradas, vamos ter de andar no sol.”
Jair Proença da Luz, auxiliar de escritório

As plantas:
40 figueiras em um trecho de 500 metros, entre a ponte azul e a Fundação Cultural de Joinville, na avenida Hermann August Lepper, podem ser derrubadas. Ao longo dos 1.450 metros da avenida, entre a ponte azul até a rua Itaiópolis, há 120 figueiras plantadas.

Os argumentos:
Da prefeitura, em defesa dos cortes
- As plantas não são nativas.
- São muito grandes.
- Têm raízes pesadas que pressionam o solo e causam erosão.
- Estragam o asfalto.
- Correm o risco de cair dentro do rio.
- É uma questão de segurança pública.

De técnicos, contra os cortes
- Retirar as árvores é desperdício de dinheiro.
- As árvores protegem o solo da erosão.
- As raízes só estragam asfaltos de qualidade duvidosa.
- Poderia ser construído um deque de madeira por cima do rio, para que as pessoas pudessem caminhar com segurança e na sombra.
- Poderia ser feita uma vala de concreto no asfalto, a 1,5 metro de distância das árvores e com um metro de profundidade, para desviar as raízes para baixo.


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