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Elas estão com os dias contados
Cleber Gomes
Prefeitura abre polêmica
ao decidir cortar figueiras às margens do Cachoeira
Carolina Spricigo
As 40 figueiras plantadas na avenida Hermann August Lepper,
às margens do rio Cachoeira, nos cerca de 500 metros entre
a ponte azul e a Fundação Cultural de Joinville,
estão com os dias contados. Isto se a Prefeitura de Joinville
mantiver a decisão de cortá-las ainda em janeiro.
O motivo apontado pelo prefeito Marco Tebaldi: questões
de segurança para quem transita pelo local.
O projeto oficial para a derrubada das árvores nem está
pronto, mas já causa protestos. Mas está decidido
e não adianta a população reclamar, avisa
o prefeito. Tebaldi diz que só é contra a derrubada
quem não conhece os problemas causados pelas plantas.
Para a Prefeitura, as árvores são grandes, pesadas,
estão caindo no rio e danificando o asfalto.
Diariamente, recebo ligações de pessoas falando
que está perigoso transitar por lá. Se não
tirarmos estas árvores, logo, logo a imprensa dará
notícias de um carro que caiu no rio porque o asfalto
cedeu, argumenta o prefeito. Segundo Tebaldi, este tipo
de planta não é adequado para ficar nas margens
de um rio, porque a raiz é pesada, pressiona demais o
solo e causa erosão. De acordo com ele, duas árvores
já teriam caído no rio no ano passado.
A idéia do prefeito é fazer um muro de contenção
como o do bulevar Cachoeira e plantar outras árvores
menos pesadas e que deixem também bonita rua. Na
região perto do Fórum, não será necessário
retirar as figueiras, porque elas não estão causando
problemas, diz o prefeito.
A Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema)
está preparando o laudo de quais árvores devem
ser derrubadas. Depois de receber a licença, a Prefeitura
vai se responsabilizar em plantar este tipo de árvore
em locais como o morro do Boa Vista e nos parques que serão
implantados na cidade. O Instituto de Pesquisa e Planejamento
para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj)
ficará responsável pelo projeto de revitalização
das margens do rio.
carolina.spricigo@an.com.br
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Especialistas saem em defesa das
árvores
e apontam alternativas para preservá-las
Roberto Drefahl, paisagista e produtor de plantas ornamentais,
conta que foi contra quando as figueiras foram plantadas na margem
do rio, em 1996. Ele acredita que, na época, as plantas
eram uma solução rápida para camuflar o
Cachoeira. Hoje, é contra a retirada das árvores.
Acredito que falta um projeto de longo prazo. Falta um
estudo direcionado. Tudo o que se faz é imediatista. E
não adianta dizer que é a figueira que estraga
o asfalto. Qualquer árvore de grande porte vai estragar
o asfalto se ele for mal feito, diz.
A sugestão do paisagista é abrir uma vala no asfalto,
a cerca de 1,5 metro de distância das árvores e
com um metro de profundidade, e colocar uma cortina de concreto
para desviar a raiz das plantas para baixo. Não
iria prejudicar a árvore em nada e não seria necessário
cortá-la, avalia.
"Se formos arrancar todas as árvores que estragam
os passeios e asfaltos, a cidade vai ficar sem plantas",
protesta o paisagista Jordi Castan. Para ele, é difícil
entender como o poder público pagou para plantar as árvores
e agora vai pagar novamente para arrancar as árvores.
Não acho que este seja o caminho. Acredito que para
retirarem as plantas da margem do rio tem de haver um argumento
muito forte. As raízes destas plantas estão ajudando
a conter a erosão, ressalta.
Segundo o paisagista, qualquer tipo de planta pode danificar
o asfalto se ele não tiver qualidade. Não
precisa nem ser uma figueira. Se a cidade tivesse mais áreas
verdes poderíamos retirar as árvores, mas não
tem. As prioridades estão invertidas, considera.
Castan acredita que este tipo de projeto tem de ser discutido
por toda a sociedade.
Para o arquiteto Sérgio Gollnick, a retirada das árvores
será a destruição de um patrimônio
da cidade. Falam de humanização da cidade,
em poluir menos, em valorizar o indivíduo, mas todas as
ações são voltadas para os carros.
Ele acredita que, do ponto de vista ecológico, é
muito melhor ter árvores às margens do rio do que
placas de concreto.
A alternativa apontada por Castan e Gollnick para evitar o corte
das árvores seria a construção de um deque
de madeira como se fosse uma varanda por cima do
rio. As plantas não precisariam ser cortadas e as
pessoas poderiam caminhar na sombra e com segurança pelo
deque. Com certeza seria mais barato do que o projeto de retirada
das plantas, avalia Gollnick.
Quem não conhece é contra. Quem é
leigo não entende. Estas árvores estão causando
insegurança.
Marco Tebaldi, prefeito
As plantas atrapalham o trânsito. Não tem
passeio para pedestres, as raízes entram no sistema de
drenagem e estouram os canos.
Geovah Amarante, presidente do Ippuj
Na rua
AN Cidade ouviu na quarta-feira pessoas que passavam pela avenida
Hermann Lepper sobre a proposta de cortar as árvores
Cortar estas árvores é um crime. Elas
são muito bonitas, enfeitam a avenida e ajudam a preservar
a margem do rio. Deviam incentivar o plantio de árvores
e não destruir o que está feito.
Lourival Fernandes, operador de qualidade
Acho que não devem tirar as árvores. Se
ficar só asfalto vai ficar muito quente. Não acredito
que as raízes possam danificar o asfalto. Por que não
reforçam a pavimentação?
Dalva Felizari, gerente de vendas
Estas árvores devem continuar onde estão,
porque embelezam a cidade. E a sombra que elas fazem? Se forem
retiradas, vamos ter de andar no sol.
Jair Proença da Luz, auxiliar de escritório
As plantas:
40 figueiras em um trecho de 500 metros, entre a ponte azul
e a Fundação Cultural de Joinville, na avenida
Hermann August Lepper, podem ser derrubadas. Ao longo dos 1.450
metros da avenida, entre a ponte azul até a rua Itaiópolis,
há 120 figueiras plantadas.
Os argumentos:
Da prefeitura, em defesa dos cortes
- As plantas não são nativas.
- São muito grandes.
- Têm raízes pesadas que pressionam o solo e causam
erosão.
- Estragam o asfalto.
- Correm o risco de cair dentro do rio.
- É uma questão de segurança pública.
De técnicos, contra os cortes
- Retirar as árvores é desperdício de dinheiro.
- As árvores protegem o solo da erosão.
- As raízes só estragam asfaltos de qualidade duvidosa.
- Poderia ser construído um deque de madeira por cima
do rio, para que as pessoas pudessem caminhar com segurança
e na sombra.
- Poderia ser feita uma vala de concreto no asfalto, a 1,5 metro
de distância das árvores e com um metro de profundidade,
para desviar as raízes para baixo. |