Só se aproveitam o sol e
a areia
Entra ano e sai ano, e vários
pontos do Litoral Norte continuam impróprios para banho
Camille Cardoso
Não, né, tia? Não sou louco,
diz o menino Carlos Eduardo Erthal, 11 anos, nascido e criado
em Barra Velha, quando perguntado se, por acaso, é a água
da lagoa que ele está tentando tirar do corpo num banho
de ducha pública na quarta-feira passada. Apesar da pouca
idade, ele e seus amigos sabem que com aquela água não
se brinca. Considerado ponto impróprio para banho há
pelo menos uma década, a lagoa de Barra Velha é
um dos locais do Litoral Norte com nível acima do aceitável
de bactérias que mostram a presença de esgoto na
água.
Entra ano e sai ano, pontos do Litoral Norte continuam impróprios
para banho. A lista é variada assim como as desculpas
das prefeituras, responsáveis por combater o problema.
Há pontos críticos em locais de São Francisco
do Sul, Barra Velha e Penha. De acordo com a Fundação
do Meio Ambiente (Fatma), uma das formas de considerar o ponto
impróprio é analisar as amostras de água
coletadas nas últimas cinco semanas. Se mais de 20% delas
tiverem contaminação além da conta, o lugar
não serve para banho.
Alguns resultados não surpreendem mais os técnicos.
É o caso do ponto cinco nas proximidades da Univali
da praia da Armação do Itapocoroy, em Penha.
Ou da praia do Inglês, em frente à praça
da Figueira, em São Francisco do Sul. Uma tubulação
de esgoto, mais antiga que os moradores conseguem lembrar, é
uma das responsáveis por isso. Em Barra Velha, pode ser
nocivo à saúde o banho de mar no ponto da praia
Central, em frente ao posto de salva-vidas, onde há o
encontro com o poluído rio Cancela. Em Itapoá,
um riacho e um tubo de concreto se unem para escorrer um líquido
malcheiroso para um dos pontos da praia, ao lado de uma torre
de telefonia. Essa situação provocou amostras negativas
em mais da metade das 31 análises feitas desde novembro
de 2006.
O motivo desses ambientes estarem degradados é óbvio
aos olhos e aos narizes de todos. São rios poluídos
e canos de esgoto ligados à praia ou à rede
de escoamento de água da chuva. A solução
emergencial, diz o técnico responsável pelo laboratório
da Fatma, Marlon Daniel da Silva, começa com um primeiro
passo: Tem de notificar e lacrar os canos. Ou instalar
um sistema de retenção da água para impedir
a contaminação.
As duas iniciativas têm de partir das prefeituras, ancoradas
no trabalho de mapeamento das vigilâncias sanitárias
municipais e nas análises das fundações
do meio ambiente. Aí começam os entraves. Consultadas,
as prefeituras argumentam fazer o possível. O fato é
que o número de pontos impróprios subiu do ano
passado para cá. E o de turistas aumentou nos principais
balneários pelo menos 26% de 2006 para 2007.
Com isso, também se elevam as áreas contaminadas
por conta do excesso de gente. A Prainha de Balneário
Barra do Sul, na foz do canal do Linguado, é um exemplo.
O ponto recebe o título de próprio na baixa temporada,
mas sofre com o excesso de veranistas e fica poluído no
verão mesmo que as casas tenham os sistemas de
tratamento aceitáveis.
camille.cardoso@an.com.br
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Penha
Brisa do mar cheira a esgoto
Dos 11 pontos das praias de Penha analisados pela Fatma, em
quatro deles o banho de mar está proibido. Alguns pontos
na Armação do Itapocoroy são reincidentes:
em frente às ruas Fortaleza e Maria Emília da Costa.
É fácil identificar canos de concreto ligados à
praia. Um deles faz com que a aposentada Domingas Vieira (foto
acima), 73 anos, deteste a brisa que sopra à noite. O
cheiro de esgoto é terrível. Quando tem muita gente
na praia, fica insuportável, afirma. Ela veraneia
em Penha há mais de 20 anos.
O diretor da Vigilância Sanitária, Edevilson Nascimento,
diz que o órgão faz um trabalho de orientação
e punição de donos de casas com ligações
irregulares. Ele garante que o levantamento constatou uma melhora.
E que as tubulações são fechadas. Quando
notificado, o dono tem um mês para escolher duas saídas:
ou faz adequações a casa ou o esgoto é lacrado,
afirma.
A solução é evitada porque há conseqüências.
Quando a Prefeitura lacra a canalização,
transborda tudo quando chove e alaga a avenida. Como a
cidade não tem rede coletiva de esgoto, o município
tem aconselhado os moradores a adotarem práticas para
reduzir a contaminação. Entre elas, o uso de tabletes
de cloro e a lavagem periódica das fossas e sumidouros.
Na sexta-feira, o AN Cidade tentou falar com a Prefeitura, ao
longo do dia, sem sucesso. O engenheiro sanitarista da Secretaria
de Planejamento não retornou as ligações.
São Francisco do Sul
Um postal com problemas
Pracinha com bancos, palmeiras e uma bela vista. A praia dos
Ingleses, em São Francisco do Sul, serve apenas para cartão-postal.
Pelo menos desde novembro de 2006, a área em frente à
praça da Figueira e do lado direito do trapiche não
atende a 60% das condições para que o banhista
entre na água. Ela é a única praia com um
ponto poluído da cidade entre as outras quatro analisadas.
Talvez por isso a Prefeitura não tenha entre as prioridades
despoluir a praia. Felizmente, só temos um ponto
crítico. O problema não é tão grave
assim, afirma o prefeito Odilon Ferreira de Oliveira. A
principal ação do município, ele conta,
é dar o pontapé inicial na construção
da primeira estação de tratamento de esgoto. Com
licitação aberta e prevista para começar
a sair do papel em março, a estação vai
atender aos moradores de uma avenida, a Nereu Ramos. Vai custar
R$ 3 milhões, arrecadados no Ministério das Cidades.
Os balneários ainda vão esperar um pouco. São
necessários R$ 53 milhões para estender a rede
às praias.
O problema na praia dos Ingleses, diz o secretário do
Meio Ambiente, Carlos Folda, são as ligações
clandestinas de esgoto nos canos que dão vazão
à água da chuva. São ligações
antigas, porque as casas são antigas. Se trancarmos os
canos, inunda a avenida, afirma. O paliativo, como ele
mesmo define, será a a instalação de um
filtro para diminuir a poluição dos despejos. As
três saídas de água pluvial serão
unidas num ponto onde um filtro central será instalado.
O catador de papelão Abedenico Luiz Pedreira (foto abaixo),
50 anos, levava os cinco filhos à praia dos Ingleses quando
eram pequenos. Nascido e criado em São Francisco do Sul,
ele nem se lembra desde quando a praia é poluída.
Ninguém faz nada e quando a maré enche é
um problema. Apesar da sujeira, isso enche nos domingos,
conta.
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Site é mais confiável
que placas
Em duas situações o AN Cidade encontrou placas
da Fatma que sinalizavam água própria para banho
em locais onde havia tubulação que despejava esgoto.
Em Itapoá, na praia de Itapema, e em Penha, na Armação
do Itapocoroy. Ambos os pontos estavam descritos como impróprios
no relatório mais atualizado da fundação.
O técnico Marlon Daniel da Silva conta que é comum
haver adulterações e retirada das placas, principalmente
por comerciantes da região. E avisa: as placas têm,
pelo menos, cinco dias de defasagem em relação
a análises periódicas mais recentes. É tempo
suficiente para a condição da praia mudar durante
a temporada. Por isso, o melhor tipo de análise
é a do nariz. Praia suja, com cheiro de esgoto, é
indício de que o banho não é viável,
conta. Rios e canos também são sempre suspeitos.
Para ter certeza de que o banho de praia não vai render
doenças, é possível consultar o site da
fundação.
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Itapoá
Encontro do rio com o esgoto
Um ponto da praia mancha a reputação de águas
limpas de Itapoá. Na praia de Itapema, à esquerda
de uma torre de telefonia, um pequeno riacho encontra a água
que escorre de uma tubulação. O resultado é
uma correnteza que muitos banhistas não se arriscam a
atravessar. Gostei de tudo na praia, menos disso. É
nojenta essa água verde, acha a estudante Francielle
Reche Maciel, 17 anos. O namorado dela, Ricardo Gonçalves
Dias, 20 anos, também não se arriscou a pisar na
água. O casal que mora em Umuarama (PR) visita pouco a
Itapoá, onde o pai de Ricardo tem casa de praia.
Conhecida por ser o lado mais movimentado da calma Itapoá,
Itapema é a praia onde está a maior parte das casas
alugadas. Nesse ponto há dois riachos próximos.
É possível que os rios recebam efluentes e os joguem
no mar. Se o ponto está impróprio é porque
há contaminação por coliformes fecais,
avalia o técnico Marlon Daniel da Silva, da fundação.
Por causa da corrente, o dono de um bar tomou a iniciativa de
construir duas pontezinhas improvisadas de madeira. É
uma forma de trazer a clientela ao bar ilhado em meio aos dois
filetes de água escura. Deixamos e tiramos todas
as noites. É uma forma de o pessoal passar e chegar ao
bar, conta Narciso Karnikowski.
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Barra do Sul
Prainha entra na lista
Não há pontos impróprios para banho
em Balneário Barra do Sul, diz o secretário
do Planejamento, Antônio Paulo Schwingel. A afirmação
tinha o aval da Fatma até o dia 20 de dezembro. A partir
daí, a Prainha na foz do canal do Linguado, se dobrou
à maior quantidade de moradores. Excedeu o nível
regular de fezes na água e está oficialmente imprópria
para banho desde janeiro, segundo relatório da fundação
ambiental.
A prainha é um caso de terreno que não consegue
absorver quantidades grandes de resíduos quando há
aumento de população. A poluição
indireta do solo também chega às águas,
principalmente depois da chuva. O aposentado Otávio Dacher
(foto acima), 77 anos, mora há uma década à
beira do canal, que freqüenta há pelo menos 35 anos.
A casa tem fossa. Ele conta que a água mudou um pouco
ao longo dos anos, mas nada drástico. A água
é boa para tomar banho ainda. Para beber, temos poços
artesianos. Onde tem sardinha não tem poluição,
argumenta ele, que ainda pesca siris e peixes no canal.
No verão, ele passa a ser vizinho da também aposentada
Iracema Rohregger, 63 anos. A aposentada está na praia
com mais familiares, entre eles a filha e a neta. O pessoal
toma banho normalmente. Que eu saiba, nunca aconteceu nada,
conta ela, moradora de Joinville. A casa da família tem
mais de 20 anos.
Para prevenir que o problema se torne crítico, a Prefeitura
informa que deve continuar a política ambiental de vigilância.
No ano passado, instalamos mais de 400 fossas, filtros
e sumidouros. Para serem alugados, os imóveis têm
de provar ter um desses sistemas. Nenhum alvará é
expedido sem esse controle, afirma Schwingel. Segundo ele,
não é necessário lacrar canos nas praias
porque eles não existem.
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Barra Velha
Três focos de água
suja
A Vigilância Sanitária de Barra Velha afirma
estar numa cruzada para encontrar tubulações irregulares
de esgoto, a principal causa de poluição do mar.
Fechamos canos em Itajuba e no centro. Há algumas
semanas, intimamos moradores de uma rua inteira, na praia do
Grant, para que mostrem se o projeto sanitário está
regular, afirma o diretor do órgão, Juliano
Luiz.
Ainda assim, há dois pontos críticos. Um deles
está na praia Central em frente ao posto de salva-vidas,
onde grandes canos de água pluvial despejam água
escura no mar. Nesse ponto, o encontro com o rio Cancela é
o grande culpado. O rio atravessa toda a cidade desde o
bairro São Cristóvão, e existem vários
canos irregulares de esgoto conectados, conta Luiz. A lagoa
de Barra Velha é, há anos, considerada imprópria
para banho. A lagoa recebe todo o esgotamento do entorno.
Mesmo existindo fossa, filtro ou sumidouro, em caso de chuva,
o terreno acaba por levar o esgoto para as águas,
explica Marlon Daniel da Silva, da Fatma. Desde 2001, uma draga
faz parte do lixo jogado na lagoa. Ainda não se sabe se
ela contribuiu para poluir ainda mais a lagoa a análise
da Fatma não serve para indicar contaminação
por óleo.
A Prefeitura pretende usar as obras de pavimentação
das ruas do centro, que começam em março, para
verificar a existência de tubulação de esgoto
clandestina. Para despoluir a lagoa, existe o projeto da abertura
da boca da barra, que vai criar uma marina e permitir a renovação
da água.
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Palmas para o Menino Caranguejo
Revista feita em Joinville
é considerada o melhor lançamento nacional em quadrinhos
de 2007
Rogério Kreidlow, Especial
A primeira reação foi de surpresa. Quando a
reportagem de A Notícia contatou José Francisco
Xavier, o Chicolam, na tarde de sexta-feira, ele ainda não
sabia que havia sido um dos ganhadores do Prêmio Angelo
Agostini. A premiação é considerada uma
das mais importantes do País em histórias em quadrinhos.
A votação pode ser feita por qualquer pessoa, por
cartas e pela internet. O personagem Menino Caranguejo,
criado por Chicolam quando ele ainda cursava design, venceu na
categoria melhor lançamento de 2007. A premiação
completa foi divulgada sexta, no Blog dos Quadrinhos (blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br),
no Portal UOL.
Chicolam vê prêmio como incentivo a ele e sua equipe.
O Menino Caranguejo nasceu como projeto de conclusão
de curso quando ele era aluno de design, na Univille, em 1997.
Em 2007, o personagem chegou ao conhecimento de escolas e do
público, em forma de um gibi, patrocinado pelo Edital
de Apoio à Cultura da Fundação Cultural
de Joinville. As escolas municipais receberam 15% dos 3 mil exemplares
e o restante foi para as bancas.
Prêmio
Indicações ao Angelo Agostini são abertas
e feitas na internet e por cartas. Vencedores serão homenageados
dia 16 de fevereiro |
Na
produção dos quadrinhos, Chicolam é responsável
pelas cores e roteiro. Paulo Kielwagen, 22 anos, é o desenhista.
Cristiane Drewf, 22, é a arte-finalista. Os dois entraram
no projeto por serem alunos de Chicolam na Univille. A mulher
do criador do personagem, Viviane Cris Mendes, 28, trabalha nos
balões, letras e na editoração. Eugênio
Siqueira, o quinto integrante do grupo, também faz o roteiro.
Todos ajudam a criar a história e dão pitaco no
enredo, explica Viviane.
O fato de o Menino Caranguejo concorrer ao prêmio
já tinha sido uma surpresa para Chicolam. Agora,
foi surpresa em dose dupla. Ficamos muito felizes com a notícia,
afirma.
O grupo do designer foi responsável, também, pelos
grafites no Lar Abigail, durante a reforma promovida pelo "Caldeirão
do Huck".O Lar Doce Lar precisava de alguém
que fizesse desenhos na casa da mãe Abigail e chamou a
gente. Grafitamos o Menino Caranguejo no quarto dos meninos,
fizemos uma personagem feminina para o quarto das meninas e desenhamos
também nos banheiros, conta Chicolam. O grupo entregou
a história em quadrinhos para o apresentador do programa,
Luciano Hulk.
Para 2008, o plano é lançar a segunda edição
do Menino Caranguejo. A história tem seis
edições. Não há uma periodicidade
definida. Tudo depende do recurso que temos, diz
o criador do personagem.
O Menino Caranguejo é inspirado em Joinville
e outras cidades do Brasil. É uma espécie
de herói, que tira a força do mangue. Quando a
natureza é prejudicada, o menino enfraquece, explica
Chicolam. Ele acredita que o apelo socioambiental ajudou na conquista
do prêmio. A premiação será no dia
16 de fevereiro, em São Paulo.
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Personagem resgatará a cultura
local
O sucesso do primeiro número do "Menino Caranguejo"
levou a outro projeto que já está no forno: uma
edição especial, na qual o personagem tenta elucidar
o sumiço de uma imagem sacra venerada no Morro do Amaral.
O desaparecimento é fictício, mas O Mistério
de São Gonçalo (título da edição
especial) fala de um santo realmente admirado no bairro joinvilense.
E é ponto de partida para resgatar o patrimônio
cultural da cidade. Este projeto é bancado pela Prefeitura.
E há ainda a segunda edição da revista em
quadrinhos que deve chegar às bancas em março.
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Prefeitura abre debate
sobre futuro das figueiras
Executivo já considera
a possibilidade de encontrar uma solução para não
cortar as 40 árvores
A Prefeitura de Joinville vai abrir um debate com a sociedade
para definir o futuro das 40 figueiras na avenida Hermann August
Lepper, às margens do rio Cachoeira, no trecho entre a
ponte azul e a Fundação Cultural de Joinville.
A decisão foi tomada após a repercussão
do anúncio do prefeito Marco Tebaldi (PSDB) de cortar
as plantas, com o argumento de oferecer mais segurança
para quem passa pelo local.
Desafio
Prefeitura busca opção que considere a segurança
pública, os prejuízos ao asfalto e a preservação
das plantas |
Como
o projeto para a derrubada das árvores nem está
pronto, Tebaldi pediu empenho redobrado aos secretários
e técnicos na elaboração de uma proposta.
Serão consideradas sugestões como as apresentadas
por especialistas, como a construção de um deque
de madeira embaixo das figueiras sobre o rio ou uma barreira
de concreto para as raízes.
O desafio da Prefeitura será encontrar uma alternativa
que considere ao menos três aspectos: a segurança
dos pedestres que passam pelo local, o prejuízo que as
raízes das árvores estão provocando ao meio-fio
e ao asfalto, e a preservação das figueiras.
Os secretários e o prefeito ainda não sabem como
vão democratizar a discussão do assunto. É
certo que este será um debate apolítico,
disse um dos interlocutores de Tebaldi.
Na sexta-feira, a Fundação Municipal do Meio Ambiente
(Fundema) voltou a discutir o caso. Os técnicos do Instituto
de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável
de Joinville (Ippuj) também se reuniram para discutir
o futuro das árvores.
Há 120 figueiras entre a ponte azul e a rua Itaiópolis.
A proposta inicial da Prefeitura era de cortar as 40 plantadas
entre a ponte azul e a Fundação Cultural de Joinville,
num trecho de cerca de 500 metros.
Palavra do leitor
Nos dias 10 e 11, AN Cidade perguntou, no site www.an.com.br,
a opinião dos leitores sobre o corte das árvores.
42 pessoas responderam. Todas foram contra. Confira algumas manifestações:
Escrevo não somente em meu nome, mas em nome
de toda a minha família e amigos. Somos totalmente contra
o corte destas lindas e utilíssimas árvores. Não
entendemos como a Prefeitura de uma cidade como Joinville vai
na contramão a tudo que é dito em âmbito
mundial. As árvores não danificam a via, pelo contrário,
estão é protegendo, embelezando, melhorando nosso
ar e nos dando sombra neste verão escaldante (que palmeiras
não dão...). Nossa sugestão: façam
a calçada e preservem as árvores.
Hellmuth Schmith, Joinville
Em vez de se preocupar somente com as árvores
de um lado do rio, talvez a Prefeitura devesse se preocupar com
os dois lados. Pois acho feias e ultrapassadas as árvores
que existem no meio da avenida Beira-Rio. Talvez ali, sim, seria
um lugar ideal para colocar as palmeiras que a Prefeitura planeja,
numa nova Rua das Palmeiras. As do outro lado, em
minha opinião, devem permanecer. Só estruturar
as calçadas.
Charles Henrique Voos, Joinville
Eu acho isso um completo absurdo, aquela rua é
uma das mais belas de Joinville, senão a mais bela. Por
mais que muitos digam que é em nome do progresso cortar
aquelas árvores, é um completo absurdo.
André Luiz Quintino, Joinville
Para quê? Já não basta o rio podre,
agora querem deixar sem árvores também?
Jonatan Rafael, Joinville
É um absurdo. A rua se destaca pela beleza que
as árvores lhe trazem e que tornam até mais agradáveis
os longos minutos que passamos nos congestionamentos. Vai perder
toda sua beleza.
Ladjon Silva, Joinville
As próximas árvores seriam as da frente
do Museu do Príncipe (Museu Nacional da Colonização
e Imigração)?
Jorge Reis, EUA
Péssima idéia do autor. É uma das
passagens em vias públicas de Joinville mais bonitas de
se admirar. Mas é sempre assim: tem de haver um mau humorado
sempre para estragar o que está bonito. Sou contra. E
voto contra.
Klaus G. Schossland, Joinville
As árvores não podem ser eliminadas. Deveriam
ser podadas desde maio de 2007 para robustecer e reforçar
o tronco para suportar tempestades. Assim como estão podem
destruir parte da pavimentação por excesso de peso
ao chover. É o sinal do total abandono da prefeitura pelos
bons tratos, nos últimos dez anos, ao paisagismo.
Adolar Schroeder, Joinville
Vindo da atual administração, eu não
estranho. Por que se ela realmente pensasse em Joinville ou no
cidadão joinvilense muita coisa teria saído diferente.
Quando vim morar aqui, conhecia Joinville como cidade das flores,
hoje, cidade dos horrores!
Alberto Matos, Joinville
Isso é ridículo...Totalmente ridículo...
Sem comentários.
Juliano Bueno, Joinville
Por que a Prefeitura não arruma o que está
precisando, como as praças, que estão um lixo?
Deveria fazer praças de lazer para ter o que fazer com
os filhos no final de semana. Estamos em época de carbono
zero e o governo quer derrubar árvores para fazer
uma passarela?
Andre Luis Wisnheski, Joinville
É um desrespeito ao ser humano. Além da
preservação, a beleza dessas árvores faz
bem para a alma.
Roléia Solange Welter, Joinville
Retirar árvores desse local é tão
ridículo quanto a construção desse bulevar.
Paulo Curvello, Balneário Camboriú
Sou contra o corte das árvores. Elas não
são as responsáveis pelo mau estado do meio-fio
nem da pista de rolamento. Observei pessoalmente e não
vi estrago ocasionado pelas raízes. Acho que é
falta de manutenção mesmo.
José Luiz Gonzaga, Joinville
Sou totalmente contra. As árvores naquela região
ajudam a refrescar o clima, além de contribuir para a
fotossíntese numa cidade movimentada e poluída.
Mariana Heil Kinas, Curitiba
Acho um absurdo! As figueiras têm raízes
bem grossas e profundas. É impossível elas caírem
para dentro do rio. Onde está o respeito com o meio ambiente?
Déborah Helena Murara Moraes, Joinville
Acho um absurdo tirar um pouco da beleza que ainda existe
no centro da cidade sem contar que elas servem como proteção.
Ivone Ullmann, Joinville
Nosso prefeito deveria se preocupar com o vergonhoso
cartão postal que são o Cachoeira poluído,
estradas cheias de buracos, ruas mal sinalizadas, com os problemas
de nossa saúde em Joinville e não se preocupar
com as belas figueiras e determinar a sua derrubada. Hoje estão
belas, lindas para um cartão postal. Os órgãos
ambientais deveriam impedir esta decisão.
Ademir Mário Frisanco, Joinville
Um absurdo o que querem fazer com as árvores.
Deixem-nas viver. Sou totalmente contra.
Jucimar Hattenhauer, Joinville
Existem os extremistas 'ecochatos' de um lado, que olham
a natureza e o resto não importa, e existem os 'ecoburros'
que ao olhar uma árvore, pensam em arrancá-la para
pôr ali uma calçada.
Vitor Baveski, Torino, Itália
Como órgão público, esta atitude
(de cortar) estimula a não-preservação das
áreas verdes. Será que a equipe de planejamento
não consegue aproveitar no projeto bulevar as majestosas
árvores existentes?
Alexandre Simas, Joinville
É um contra-senso a Prefeitura sair com esta
asneira das retiradas das árvores para fazer aquilo que
ela deu o nome de bulevar.
Fernando Fernandes Dias, Joinville
O prefeito chamar as pessoas de leigas sobre o assunto?
Diria que ele deveria se preocupar muito mais com a saúde
pública em vez de mandar retirar as árvores que
tanto embelezam a cidade, são um cartão postal.
Jackson Krüger, Joinville
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Turismo
Um navio de luxo na Babitonga
Transatlântico atraca
em São Francisco do Sul neste domingo
Um transatlântico de luxo, com nome de diretor de teatro
alemão e bandeira das Bahamas, atraca na manhã
deste domingo no porto de São Francisco do Sul. Cerca
de 650 turistas, todos alemães, vêm conhecer cidades
do Norte e do Vale do Itajaí a bordo do navio Maxim Gorkiy.
O desembarque será às 8 horas da manhã.
Além de uma banda que vai tocar músicas da região,
uma recepção especial foi agendada para os visitantes.
Até as 17 horas, os turistas poderão escolher o
que fazer em solo catarinense. As opções são
ficar em São Francisco do Sul, conhecer as praias e o
centro histórico da ilha, ou fazer um passeio por Joinville
e Blumenau.
Em torno de 200 deles escolheram o segundo destino.
O transatlântico tem 195 metros de comprimento. A tripulação
é de 342 pessoas de várias nacionalidades. De Santa
Catarina, o navio segue para Punta del Este, no Uruguai. Antes
de chegar a São Francisco do Sul, os passageiros conheceram
regiões turísticas do litoral brasileiro, como
as praias do Recife (PE) e do Rio de Janeiro. A última
parada foi o Paraná, onde ele atracou no porto de Paranaguá.
No ano passado, o porto de São Francisco do Sul recebeu
o transatlântico Island Scapes, com suas 40 mil toneladas
e 185 metros de comprimento. O navio trouxe, além dos
1,6 mil turistas brasileiros, uma tripulação internacional
de 540 profissionais.
O Maxim Gorkiy em números:
- 195 metros de comprimento
- 650 passageiros é a capacidade
- 24,22 mil toneladas
O Maxim Gorkiy, com bandeira das Bahamas, foi construído
em 1969 ao custo de cinco milhões de libras. Foi transformado
em transatlântico alemão em 1988. Já foi
chamado de Hamburg, Hanseatic e Maksim Gorkiy.
Em 1989, o navio ficou famoso por ter se chocado contra um bloco
de gelo no Ártico e quase ido a pique. Também nesse
ano foi o primeiro navio de passageiros a hospedar o então
premiê soviético Mikhail Gorbachev e o atual presidente
dos EUA, George W. Bush.
Apesar de ser um dos navios mais importantes para o mercado alemão
de cruzeiros, deve se aposentar em 2010. Nesse ano, a exigência
de uma reforma vai fazer a empresa russa que o administra escolher
por desligá-lo da frota. |