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A intenção é
boa, mas o resultado...
Pacote do governo para tentar
evitar caos nos aeroportos só deve sair do papel após
as festas
Rodrigo Stüpp
A intenção parece boa. Devolver ao passageiro
parte do dinheiro que ele pagou na passagem se houver atraso
no vôo. Difícil será fazer o plano sair do
chão. Pilotos e técnicos em aviação
ouvidos por A Notícia desconfiam da eficácia do
pacote aéreo anunciado nesta semana pelo ministro da Defesa,
Nelson Jobim. Corremos o risco de esse pacote ficar só
numa embalagem enfeitada, diz Carlos Savóia, engenheiro
aeronáutico e ex-piloto comercial. As medidas de Jobim
foram anunciadas para amenizar principalmente os problemas neste
fim de ano, quando o movimento nos aeroportos aumenta.
Para Savóia, a chance de o passageiro ser indenizado é
pequena. Se estão excluídas as chances por
tráfego aéreo e mau tempo, o que resta? Só
se houver problemas com a aeronave ou se malha for mal distribuída,
o que não é o caso, afirma.
Savóia considera as margens de multa para as empresas
razoáveis. Mas acha difícil o passageiro receber,
porque as companhias vão recorrer até a última
instância. O cálculo levará em conta
a diferença entre a hora prevista para o pouso e o momento
da aterrissagem.
Piloto e consultor em aeronáutica, Carmelo Faraco não
vê muita novidade no pacote. Já se previam
multas pesadas por atraso. Só que as cobranças
entram num rolo jurídico e a coisa se arrasta, fala
o especialista.
Para Faraco, o governo deve focar em ações técnicas
e de gestão. Não há uma grande sala
de controle com tecnologia de ponta no Brasil. É preciso
usar a tecnologia a nosso favor.
O professor Carlos Rogério Franchesi, da Universidade
de São Paulo (USP), lembra que é estranho pôr
as próprias empresas aéreas para fiscalizar órgãos
como a Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac) e o Departamento de Controle de Espaço Aéreo
(Decea). Não está claro que tipo de problemas
estruturais as empresas terão o direito de questionar
nem a maneira como essa possibilidade poderá ocorrer.
Segundo Savóia, subir o valor cobrado das empresas para
as aeronaves para ficar em solo não faz sentido. O
valor será cobrado dos passageiros, tenha certeza disso."
rodrigo.stupp@an.com.br
Dois dias, muitos atrasos
AN acompanhou os vôos em dois aeroportos na 5ª e 6ª
JOINVILLE
10 vôos
- 4 com atrasos menores que 30 minutos
- 2 com atrasos entre 30 minutos e 1 hora
dia EMPRESA VÔO ATRASO
5/12 TAM 3034 33min
6/12 TAM 3034 41min
- 4 com atraso entre 1h e 2h
dia EMPRESA VÔO ATRASO
5/12 GOL 1381 1h17min
5/12 TAM 3040 1h39min
6/12 GOL 1381 1h19min
5/12 TAM 3034 1h09min
NAVEGANTES
12 vôos
- 11 com atrasos menores que 30 minutos
- 1 com atraso maior que 3 horas
dia EMPRESA VÔO ATRASO
6/12 GOL 1305 3h05min
Pacote aéreo do governo:
- A idéia é que o passageiro seja ressarcido por
atrasos a partir de meia hora, com valor que pode chegar a 50%
do valor do bilhete.
- A Anac ficará responsável pela elaboração
de boletins mensais onde estarão as causas de atrasos.
- O sistema de ressarcimento é semelhante ao de milhagem.
- A tarifação das empresas por permanência
nos aeroportos de Congonhas e de Guarulhos poderá aumentar
até 16.000%.
- Em Guarulhos, a tarifação será diferente
para vôos internacionais. Na permanência maior que
três horas, a taxa subirá 5.200%.
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Até a medida provisória
deve chegar atrasada
Por ironia, o pacote que busca fazer os vôos saírem
no horário pode chegar atrasado. Até agora, não
há sinal de aprovação da medida provisória
(MP) que colocaria essas regras em vigor. Em nota, a assessoria
de comunicação do Ministério da Defesa informa
que o plano de ressarcimento não valerá necessariamente
para o Natal.
Dúvida
Ainda não está claro como será o sistema
de informação aos clientes e os prazos em que eles
poderão usar os créditos |
Ou
seja: o pacote montado para evitar problemas nas festas de fim
de ano pode sair só depois disso. Segundo os especialistas
ouvidos por AN, o prazo máximo para a medida entrar em
vigor seria entre os dias 20 e 21 deste mês pouco
menos de duas semanas.
Ainda segundo a assessoria, não está decidido se
a MP já publicará a tabela de ressarcimento anunciada
pelo ministro, para que possa ser aplicada assim que o texto
for editado. Isso quer dizer que a regra pode estar valendo,
mas o passageiro pode não saber ao certo a quanto terá
direito no ressarcimento.
O pacote prevê que a Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) terá, a partir do dia do vôo, prazo
de um mês para julgar se o atraso foi de responsabilidade
da companhia ou não. Se for, o passageiro terá
direito ao reembolso. Ainda não está claro como
as empresas tornarão os créditos disponíveis,
como será o sistema de informação aos clientes
e os prazos em que eles poderão usar os créditos,
no mesmo sistema das milhas atuais.
Também procurado pela reportagem, o Sindicato Nacional
das Empresas Aeroviárias (SNEA) disse que, primeiro, discutirá
o pacote com o governo para, então, fazer uma avaliação
das medidas. Nós somos parte envolvida para ajudar
o governo e, por isso, optamos em não analisar nem a comentar
o assunto, diz o professor Ânderson Corrêa.
Se a MP sugerida pelo ministro Nelson Jobim já estivesse
em vigor, nenhum passageiro que pegou vôo nos aerportos
de Joinville e Navegantes, no Norte do Estado, seria ressarcido,
apesar de todos os 22 terem atrasado (veja infografia acima).
A maioria (15) está abaixo do limite mínimo de
meia hora proposto pelo governo. Mesmo assim, os sete vôos
atrasados entre 30 minutos e três horas (veja infografia)
representam 31,8% do total. Isso a um mês do previsto caos
do fim de ano. Dos que entrariam na linha de fogo
do Ministério da Defesa, todos seriam justificados pelos
motivos que que excluem o pagamento: mau tempo e tráfego
aéreo, segundo as empresas.
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Investimento
Fundos DI perdem para a poupança
Considerada medíocre pelos investidores mais experientes,
a boa e velha poupança está cada vez presente.
Mesmo com a infinidade de fundos de investimento no mercado.
O recorde de depósitos na caderneta de poupança
alcançado nos 11 primeiros meses do ano mostra que muitos
investidores continuam optando pela segurança e facilidade
desse tipo de investimento. E, com a queda nas taxas de juros,
cada vez mais a poupança tem se mostrado uma aplicação
até mais rentável do que alguns fundos de renda
fixa.
Até o começo de dezembro, a poupança acumulava
uma rentabilidade de 7,7% no ano, contra cerca de 11% dos fundos
de renda fixa e DI, sem considerar a cobrança do Imposto
de Renda.
É importante lembrar, que as aplicações
na caderneta de poupança estão isentas de IR. Além
disso, a CPMF paga na aplicação da caderneta é
devolvida no caso dos depósitos com mais de 90 dias.
Já os fundos são tributados com uma alíquota
que varia de 22,5% a 15% (a alíquota diminui de acordo
com o tempo em que o dinheiro permanecer na aplicação).
Há também cobrança de IOF (Imposto sobre
Operações Financeiras) nas aplicações
por menos de 30 dias.
Se você tirar os impostos e a taxa de administração
dos fundos, a poupança dá praticamente a mesma
lucratividade. E ela ainda tem a facilidade da operação,
diz o consultor financeiro Marcos Crivelaro, professor da Faculdade
de Informática e Administração Paulista
(Fiap).
Casas Bahia
As Casas Bahia, a maior rede de eletrodomésticos e móveis
do País quer ampliar as vendas para as classes A e B.
Especula-se, que, para isso, as lojas seriam vendidas para um
grande grupo. Três empresas: Carrefour, Wal-Mart e Pão
de Açúcar estaria interessadas.
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Entrevista
O ressurgimento da potência
Diplomata brasileiro lança
livro e elogia situação da Rússia
Claudio Loetz
colunista de Economia
Natural de Blumenau, o ministro conselheiro da Embaixada do
Brasil em Berlim, na Alemanha, Roberto Colin, lançou o
livro Rússia o Ressurgimento da Grande Potência.
O lançamento ocorreu em Joinville, na quinta-feira, e
em Florianópolis, na sexta.
O jornal A Notícia conversou com o diplomata brasileiro,
que por oito anos serviu a Embaixada do Brasil em Moscou. Na
obra, Colin faz uma análise do papel da Rússia
no mundo desde o czar Pedro, o Grande. Avalia a burocracia do
poder passando pelos ex-líderes soviéticos Mikhail
Gorbachev e Boris Yeltsin e pelo fim da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS). Fala, ainda, sobre a transição
para abordar a nova correlação de forças
políticas que o país joga no xadrez político
global com o mundo capitalista na era do presidente Vladimir
Putin.
claudio.loetz@an.com.br
Roberto Colin | Diplomata
A Notícia O senhor diz que a Rússia
ressurge como potência no cenário global. O que
a torna atrativa para investidores estrangeiros?
Roberto Colin O tamanho do mercado, com cerca de 140
milhões de habitantes. A Rússia cresce 7% ao ano
e tende a continuar sua expansão. Isso não acontece
só por causa do grande volume de negócios gerado
a partir do gás e do petróleo, como se poderia
pensar. O perfil do povo mudou. O russo é consumidor.
Viaja mais, nunca foi tão rico e livre. A Rússia
tem o terceiro maior número de milionários do mundo.
AN Do que se queixa a população?
Colin Ah, dos preços altos, da inflação,
agora já menos elevada.
AN Reclama-se da democracia?
Colin Não, até porque ninguém
imagina que o país vá ter um processo democrático
nos moldes do que existe nos Estados Unidos e na Inglaterra.
Temos de lembrar que a Rússia viveu dezenas de anos sob
o czarismo e outras dezenas de anos sob o comunismo. Então,
tem suas características próprias.
AN Como surgiu o livro?
Colin Vivi oito anos na Rússia como diplomata
brasileiro em Moscou (entre 1989 e 1994 e, num outro momento,
de 1998 a 2001). Então, achei que o que era tese deveria
se tornar uma publicação mais abrangente. Teve
também uma motivação política. Vi
muita coisa sendo escrita sobre a Rússia com abordagem
negativa, que me parecia equivocada. A obra quer mostrar que
a Rússia é um país de oportunidades. O livro
estava pronto em outubro. O governador (de Santa Catarina) Luiz
Henrique da Silveira sugeriu lançamento em evento com
a formatura da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville.
Foi o que fizemos.
AN Onde os investidores estrangeiros podem ganhar
dinheiro na Rússia?
Colin Sem dúvida, os dois melhores exemplos
estão nas áreas de alimentos e da construção
civil. Moscou assiste a um extraordinário boom imobiliário.
AN A pauta dos negócios brasileiros é
muito concentrada...
Colin Sim, principalmente em produtos primários.
E há um superávit comercial muito grande a favor
do Brasil. Seria desejável equilibrar isso.
AN O que Santa Catarina tem a ganhar com a aproximação
com a Rússia?
Colin A Rússia é muito menos complexa
do que a Índia e a China. Todos só falam desses
dois países e ninguém se lembra da Rússia.
A Rússia é um país cristão, com peculiaridades
seculares, é verdade. Mas o importante: é europeu.
A cultura asiática, a religião e costumes são
mais difíceis para o ocidental assimilar.
AN Que papel exerce o governo catarinense neste
ambiente de aproximação?
Colin O governador Luiz Henrique (a quem Colin serviu
como secretário de Articulação Internacional
entre 2003 e 2006) abriu caminhos importantes. Foi diversas vezes
a Moscou. Atuou fortemente no campo da cultura. Trouxe a Escola
do Teatro Bolshoi para Joinville, por exemplo. LHS tornou-se
conhecido e abriu canais. Agora, negócios são coisas
que a iniciativa privada deve promover. Os resultados, necessariamente,
devem ser esperados a longo prazo.
AN A corrupção dificulta os negócios
por lá?
Colin O mercado corrupto é elemento que cria
problemas, sim. As análises de negócios passam
a ser mais cuidadosas. A situação melhorou. Para
se perceber como o país se preocupa com a questão,
uma informação é essencial: o primeiro-ministro
da Rússia veio da polícia que investiga fraudes
financeiras. Algo como o que é a Receita Federal do Brasil.
AN Qual é o tamanho da economia russa?
Colin O produto interno bruto (PIB medida de
riquezas) é ligeiramente inferior ao do Brasil, com renda
per capita maior e mais bem distribuída, menos desigual.
AN A Rússia vai entrar na União Européia?
Colin Não! Nem a Rússia nem os países
da União Européia têm interesse nisso. O
tamanho da Rússia é demasiado. E assusta. Poderia
se tornar exageradamente hegemônica no contexto europeu.
AN Que papel tem o presidente Vladimir Putin nas
transformações na Rússia?
Colin A estabilidade do processo da Rússia
depende, em grande medida, de Putin. Ele tem conseguido cumprir
uma agenda difícil. A da mudança de situações
anteriormente negativas. Reverte o colapso econômico e
promove a reversão da irrelevância da Rússia
no cenário global e altera a noção do vale-tudo.
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Inovar hoje para garantir o amanhã
Laboratórios e muita
pesquisa garantem espaço para o produto catarinense no
exterior. Mas ainda falta mão-de-obra especializada
Daniel Cardoso
Se não inovar a empresa morre. Sob essa ameaça
constante, os empresários catarinenses tiveram que arregaçar
as mangas e investir sem cessar em projetos de pesquisa. Criaram
novos produtos, aprimoraram os que já existiam. O fruto
do trabalho minucioso feito dentro dos laboratórios, por
muitos anos, firmou marcas daqui no exrterior e garantiu o aumento
dos lucros.
65%
É o percentual do faturamento da Embraco que está
ligada ao desenvolvimento de novos produtos |
A
Schulz, fabricante de compressores de ar sediada em Joinville,
exporta para o mundo inteiro e criou musculatura para se manter
viva graças ao dinheiro investido nos programas de inovação.
Em 2000, os produtos da China invadiram o mercado com preços
muito baixos. Entramos pela necessidade e agora a inovação
faz parte do dia-a-dia, diz Evandro de Souza Santos, supervisor
de produtos.
Para fincar os pés no chão e resistir à
ameaça oriental, a empresa investe 2,2% do faturamento
líquido na divisão de compressores. Isso significa
mais de R$ 3,3 milhões para pesquisas de inovação.
Resultado? Cerca de 20 produtos novos são lançados
todos os anos. Hoje, mais da metade dos produtos é considerada
nova, ou seja, começou a ser vendida em 2002.
O caso da Schulz uma das empresas mais inovadoras do Sul
do Brasil, segundo a revista "Amanhã" e a consultoria
Edusys é emblemático e reflete a teoria
difundida nos livros de marketing e gestão encontrados
em qualquer livraria: inovar é a solução.
Mas tirar a idéia do papel requer mais que leitura de
livros. Há diversos obstáculos que podem fazer
da inovação uma armadilha para a empresa.
Cascas de bananas são jogadas no caminho que trilham os
executivos. No caso da Schulz, Santos destaca dois problemas.
Um deles é a falta de recursos, o outro é a falta
de pessoal especializado.
A necessidade de ter mão-de-obra extremamente qualificada
faz a Datasul manter uma unidade com 150 profissionais em Córdoba,
na Argentina. A estratégia ajudou a fugir da escassez
de pesquisadores no Brasil. A empresa também é
generosa com os laboratórios. Neste ano, investiu R$ 15
milhões no desenvolvimento de produtos. Entre eles o software
on-demand. O cliente não paga por um pacote fechado de
software. A idéia é cobrar apenas quando é
usado.
O tempo, aliado da Datasul, também selou o sucesso da
Embraco, a empresa que mais inova na região Sul, de acordo
da "Amanhã" e da Edusys . Quando dava os primeiros
passos, a empresa percebeu que criar e pesquisar catapultaria
a qualidade e os lucros. Isso porque a Embraco tinha que importar
tecnologia. Foi aí que se percebeu a necessidade
de se trilhar o caminho do conhecimento, lembra Roberto
Campos, diretor de tecnologia.
Três décadas depois do insight, a maior fabricante
de compressores do mundo tem 40 laboratórios, 13 deles
em Joinville, 420 pesquisadores trabalhando em três continentes
e mais de 100 projetos em andamento. Além disso, 65% do
faturamento está ligados ao desenvolvimento de produtos.
Para escapar das armadilhas do mercado, a Embraco trabalha no
longo prazo. Um grupo de diretores analisa cenários num
horizonte de 10 anos. Com base nesse mapa, a empresa define os
produtos que vai criar. Hoje, a Embraco é a segunda empresa
brasileira que mais tem patentes registradas nos Estados Unidos.
Só perde para a Petrobras.
daniel.cardoso@an.com.br
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Cópia é preocupação
de quem investe em pesquisa
Muito tempo de pesquisa, muito dinheiro investido e, finalmente,
o produto é lançado. Recebe elogios dos clientes
e grande aceitação no mercado. Mas em pouco tempo,
a concorrência copia o produto, faz pequenas alterações
e começa a tirar proveito comercial da novidade. O trabalho
que pode ter levado cinco anos para uma empresa, levou meses
para outra.
A cópia rápida é motivo de dor-de-cabeça
para empresas que investem em pesquisa e inovação.
Para tentar reprimir a usurpação intelectual, o
jeito é se proteger de várias maneiras. Não
apenas com patentes ou registros oficiais. A patente é
a última etapa do processo. Na verdade, é preciso
proteger desde o início. Quando a idéia ainda está
criando forma, diz a advogada, Daniela de Abreu Santos,
do Núcleo de Inovação e Propriedade Intelectual
(Nipi), da Universidade da Região de Joinville (Univille).
A estratégia é não deixar vazar nenhuma
informação importante ou que possa dar pistas do
projeto para a concorrência. Entre os mecanismos usados
para segurar os dados está o chamado termo de confidencialidade.
Ele não vale apenas para os pesquisadores que trabalham
no projeto. Vale também para parceiros ou qualquer entidade
que tenha acesso aos dados. Por exemplo, quando estamos
buscando parcerias, temos que apresentar o projeto para empresas.
Nesses casos, garantimos o sigilo das informações
que compartilhamos, explicou Daniela.
Outro instrumento é o caderno de laboratório, onde
são descritos todos os passos da pesquisa. Mas nem isso
garante que o produto não será copiado, antes ou
depois de pronto. A solução para evitar a cópia
não é fugir da cópia. É ficar sempre
um passo à frente da concorrência. Para se
proteger, é preciso continuar inovando, diz o supervisor
de produtos da Schulz, Evandro de Souza Santos.
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O primeiro passo para o lucro é
o planejamento
Antes de jogar dinheiro nos laboratórios de inovação,
é preciso definir o que se quer. Um erro estratégico
ou a criação de um produto inadequado são
sinônimos de prejuízo. Para evitar que dinheiro
seja jogado fora, as empresas inovadoras costumam formar as equipes
de inteligência competitiva. A idéia é convergir
o foco de diferentes áreas e desvendar o que o futuro
vai exigir do mercado.
A inovação tem que estar no DNA da empresa.
Todos têm que participar do processo de criação.
O pessoal de vendas, os pesquisadores e até os motoristas
que estão nas ruas vendo as dificuldades dos clientes,
diz o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Natalino
Uggioni.
Segundo ele, as empresas catarinenses têm despertado para
a inovação. Ano passado, conseguiram R$ 134 milhões
junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Rivalizamos
com São Paulo, comemora Natalino.
Neste ano, segundo a Federação das Indústrias
do Estado de Santa Catarina (Fiesc), uma das principais finalidades
de aplicação de recursos das empresas é
a atualização tecnológica: 13,1% dos investimentos
têm esse destino.
O foco dos investimentos em pesquisa não está só
nas empresas ou no mercado. É o caso da Universidade da
Região de Joinville (Univille). Trabalhamos de maneira
aplicada à comunidade, diz o reitor Paulo Ivo Koehntopp.
Um exemplo é o convênio com o Departamento Nacional
de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) e com o Instituto Militar
de Engenharia (IME).
O objetivo é levantar o impacto ao meio ambiente das duplicações
da BR-101 e BR-282. A Univille investe cerca de 4% da receita
líquida - quase R$ 5 milhões por ano fora
os recursos que chegam via instituições como o
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) e a Fundação de Apoio à Pesquisa
Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina
(Fapesc). A idéia é que a pesquisa se reverta também
em receita para a universidade. |