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Joinville Domingo, 09 de dezembro de 2007 Santa Catarina - Brasil

AN Economia - A Notícia Vandré Kramer
(47) 3431-9115
vandre.kramer@an.com.br

A intenção é boa, mas o resultado...

Pacote do governo para tentar evitar caos nos aeroportos só deve sair do papel após as festas

Rodrigo Stüpp

A intenção parece boa. Devolver ao passageiro parte do dinheiro que ele pagou na passagem se houver atraso no vôo. Difícil será fazer o plano sair do chão. Pilotos e técnicos em aviação ouvidos por A Notícia desconfiam da eficácia do pacote aéreo anunciado nesta semana pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. “Corremos o risco de esse pacote ficar só numa embalagem enfeitada”, diz Carlos Savóia, engenheiro aeronáutico e ex-piloto comercial. As medidas de Jobim foram anunciadas para amenizar principalmente os problemas neste fim de ano, quando o movimento nos aeroportos aumenta.
Para Savóia, a chance de o passageiro ser indenizado é pequena. “Se estão excluídas as chances por tráfego aéreo e mau tempo, o que resta? Só se houver problemas com a aeronave ou se malha for mal distribuída, o que não é o caso”, afirma.
Savóia considera as margens de multa para as empresas razoáveis. Mas acha difícil o passageiro receber, “porque as companhias vão recorrer até a última instância”. O cálculo levará em conta a diferença entre a hora prevista para o pouso e o momento da aterrissagem.
Piloto e consultor em aeronáutica, Carmelo Faraco não vê muita novidade no pacote. “Já se previam multas pesadas por atraso. Só que as cobranças entram num rolo jurídico e a coisa se arrasta”, fala o especialista.
Para Faraco, o governo deve focar em ações técnicas e de gestão. “Não há uma grande sala de controle com tecnologia de ponta no Brasil. É preciso usar a tecnologia a nosso favor”.
O professor Carlos Rogério Franchesi, da Universidade de São Paulo (USP), lembra que é estranho pôr as próprias empresas aéreas para fiscalizar órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea). “Não está claro que tipo de problemas estruturais as empresas terão o direito de questionar nem a maneira como essa possibilidade poderá ocorrer.”
Segundo Savóia, subir o valor cobrado das empresas para as aeronaves para ficar em solo não faz sentido. “O valor será cobrado dos passageiros, tenha certeza disso."

rodrigo.stupp@an.com.br

Dois dias, muitos atrasos
AN acompanhou os vôos em dois aeroportos na 5ª e 6ª

JOINVILLE
10 vôos
- 4 com atrasos menores que 30 minutos
- 2 com atrasos entre 30 minutos e 1 hora
dia EMPRESA VÔO ATRASO
5/12 TAM 3034 33min
6/12 TAM 3034 41min

- 4 com atraso entre 1h e 2h
dia EMPRESA VÔO ATRASO
5/12 GOL 1381 1h17min
5/12 TAM 3040 1h39min
6/12 GOL 1381 1h19min
5/12 TAM 3034 1h09min

NAVEGANTES
12 vôos
- 11 com atrasos menores que 30 minutos
- 1 com atraso maior que 3 horas
dia EMPRESA VÔO ATRASO
6/12 GOL 1305 3h05min

Pacote aéreo do governo:
- A idéia é que o passageiro seja ressarcido por atrasos a partir de meia hora, com valor que pode chegar a 50% do valor do bilhete.
- A Anac ficará responsável pela elaboração de boletins mensais onde estarão as causas de atrasos.
- O sistema de ressarcimento é semelhante ao de milhagem.
- A tarifação das empresas por permanência nos aeroportos de Congonhas e de Guarulhos poderá aumentar até 16.000%.
- Em Guarulhos, a tarifação será diferente para vôos internacionais. Na permanência maior que três horas, a taxa subirá 5.200%.

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Até a medida provisória deve chegar atrasada

Por ironia, o pacote que busca fazer os vôos saírem no horário pode chegar atrasado. Até agora, não há sinal de aprovação da medida provisória (MP) que colocaria essas regras em vigor. Em nota, a assessoria de comunicação do Ministério da Defesa informa que “o plano de ressarcimento não valerá necessariamente para o Natal”.

Dúvida
Ainda não está claro como será o sistema de informação aos clientes e os prazos em que eles poderão usar os créditos
Ou seja: o pacote montado para evitar problemas nas festas de fim de ano pode sair só depois disso. Segundo os especialistas ouvidos por AN, o prazo máximo para a medida entrar em vigor seria entre os dias 20 e 21 deste mês – pouco menos de duas semanas.
Ainda segundo a assessoria, não está decidido se a MP já publicará a tabela de ressarcimento anunciada pelo ministro, para que possa ser aplicada assim que o texto for editado. Isso quer dizer que a regra pode estar valendo, mas o passageiro pode não saber ao certo a quanto terá direito no ressarcimento.
O pacote prevê que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) terá, a partir do dia do vôo, prazo de um mês para julgar se o atraso foi de responsabilidade da companhia ou não. Se for, o passageiro terá direito ao reembolso. Ainda não está claro como as empresas tornarão os créditos disponíveis, como será o sistema de informação aos clientes e os prazos em que eles poderão usar os créditos, no mesmo sistema das milhas atuais.
Também procurado pela reportagem, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) disse que, primeiro, discutirá o pacote com o governo para, então, fazer uma avaliação das medidas. “Nós somos parte envolvida para ajudar o governo e, por isso, optamos em não analisar nem a comentar o assunto”, diz o professor Ânderson Corrêa.
Se a MP sugerida pelo ministro Nelson Jobim já estivesse em vigor, nenhum passageiro que pegou vôo nos aerportos de Joinville e Navegantes, no Norte do Estado, seria ressarcido, apesar de todos os 22 terem atrasado (veja infografia acima).
A maioria (15) está abaixo do limite mínimo de meia hora proposto pelo governo. Mesmo assim, os sete vôos atrasados entre 30 minutos e três horas (veja infografia) representam 31,8% do total. Isso a um mês do previsto caos do fim de ano. Dos que entrariam na linha “de fogo” do Ministério da Defesa, todos seriam justificados pelos motivos que que excluem o pagamento: mau tempo e tráfego aéreo, segundo as empresas.

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Investimento

Fundos DI perdem para a poupança

Considerada medíocre pelos investidores mais experientes, a boa e velha poupança está cada vez presente. Mesmo com a infinidade de fundos de investimento no mercado. O recorde de depósitos na caderneta de poupança alcançado nos 11 primeiros meses do ano mostra que muitos investidores continuam optando pela segurança e facilidade desse tipo de investimento. E, com a queda nas taxas de juros, cada vez mais a poupança tem se mostrado uma aplicação até mais rentável do que alguns fundos de renda fixa.
Até o começo de dezembro, a poupança acumulava uma rentabilidade de 7,7% no ano, contra cerca de 11% dos fundos de renda fixa e DI, sem considerar a cobrança do Imposto de Renda.
É importante lembrar, que as aplicações na caderneta de poupança estão isentas de IR. Além disso, a CPMF paga na aplicação da caderneta é devolvida no caso dos depósitos com mais de 90 dias.
Já os fundos são tributados com uma alíquota que varia de 22,5% a 15% (a alíquota diminui de acordo com o tempo em que o dinheiro permanecer na aplicação). Há também cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas aplicações por menos de 30 dias.
“Se você tirar os impostos e a taxa de administração dos fundos, a poupança dá praticamente a mesma lucratividade. E ela ainda tem a facilidade da operação”, diz o consultor financeiro Marcos Crivelaro, professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap).

Casas Bahia
As Casas Bahia, a maior rede de eletrodomésticos e móveis do País quer ampliar as vendas para as classes A e B. Especula-se, que, para isso, as lojas seriam vendidas para um grande grupo. Três empresas: Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar estaria interessadas.

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Entrevista

O ressurgimento da potência

Diplomata brasileiro lança livro e elogia situação da Rússia

Claudio Loetz
colunista de Economia

Natural de Blumenau, o ministro conselheiro da Embaixada do Brasil em Berlim, na Alemanha, Roberto Colin, lançou o livro “Rússia – o Ressurgimento da Grande Potência”. O lançamento ocorreu em Joinville, na quinta-feira, e em Florianópolis, na sexta.
O jornal A Notícia conversou com o diplomata brasileiro, que por oito anos serviu a Embaixada do Brasil em Moscou. Na obra, Colin faz uma análise do papel da Rússia no mundo desde o czar Pedro, o Grande. Avalia a burocracia do poder passando pelos ex-líderes soviéticos Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin e pelo fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Fala, ainda, sobre a transição para abordar a nova correlação de forças políticas que o país joga no xadrez político global com o mundo capitalista na era do presidente Vladimir Putin.

claudio.loetz@an.com.br

Roberto Colin | Diplomata

A Notícia – O senhor diz que a Rússia ressurge como potência no cenário global. O que a torna atrativa para investidores estrangeiros?
Roberto Colin
– O tamanho do mercado, com cerca de 140 milhões de habitantes. A Rússia cresce 7% ao ano e tende a continuar sua expansão. Isso não acontece só por causa do grande volume de negócios gerado a partir do gás e do petróleo, como se poderia pensar. O perfil do povo mudou. O russo é consumidor. Viaja mais, nunca foi tão rico e livre. A Rússia tem o terceiro maior número de milionários do mundo.

AN – Do que se queixa a população?
Colin
– Ah, dos preços altos, da inflação, agora já menos elevada.

AN – Reclama-se da democracia?
Colin
– Não, até porque ninguém imagina que o país vá ter um processo democrático nos moldes do que existe nos Estados Unidos e na Inglaterra. Temos de lembrar que a Rússia viveu dezenas de anos sob o czarismo e outras dezenas de anos sob o comunismo. Então, tem suas características próprias.

AN – Como surgiu o livro?
Colin
– Vivi oito anos na Rússia como diplomata brasileiro em Moscou (entre 1989 e 1994 e, num outro momento, de 1998 a 2001). Então, achei que o que era tese deveria se tornar uma publicação mais abrangente. Teve também uma motivação política. Vi muita coisa sendo escrita sobre a Rússia com abordagem negativa, que me parecia equivocada. A obra quer mostrar que a Rússia é um país de oportunidades. O livro estava pronto em outubro. O governador (de Santa Catarina) Luiz Henrique da Silveira sugeriu lançamento em evento com a formatura da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville. Foi o que fizemos.

AN – Onde os investidores estrangeiros podem ganhar dinheiro na Rússia?
Colin
– Sem dúvida, os dois melhores exemplos estão nas áreas de alimentos e da construção civil. Moscou assiste a um extraordinário boom imobiliário.

AN – A pauta dos negócios brasileiros é muito concentrada...
Colin
– Sim, principalmente em produtos primários. E há um superávit comercial muito grande a favor do Brasil. Seria desejável equilibrar isso.

AN – O que Santa Catarina tem a ganhar com a aproximação com a Rússia?
Colin
– A Rússia é muito menos complexa do que a Índia e a China. Todos só falam desses dois países e ninguém se lembra da Rússia. A Rússia é um país cristão, com peculiaridades seculares, é verdade. Mas o importante: é europeu. A cultura asiática, a religião e costumes são mais difíceis para o ocidental assimilar.

AN – Que papel exerce o governo catarinense neste ambiente de aproximação?
Colin
– O governador Luiz Henrique (a quem Colin serviu como secretário de Articulação Internacional entre 2003 e 2006) abriu caminhos importantes. Foi diversas vezes a Moscou. Atuou fortemente no campo da cultura. Trouxe a Escola do Teatro Bolshoi para Joinville, por exemplo. LHS tornou-se conhecido e abriu canais. Agora, negócios são coisas que a iniciativa privada deve promover. Os resultados, necessariamente, devem ser esperados a longo prazo.

AN – A corrupção dificulta os negócios por lá?
Colin
– O mercado corrupto é elemento que cria problemas, sim. As análises de negócios passam a ser mais cuidadosas. A situação melhorou. Para se perceber como o país se preocupa com a questão, uma informação é essencial: o primeiro-ministro da Rússia veio da polícia que investiga fraudes financeiras. Algo como o que é a Receita Federal do Brasil.

AN – Qual é o tamanho da economia russa?
Colin
– O produto interno bruto (PIB – medida de riquezas) é ligeiramente inferior ao do Brasil, com renda per capita maior e mais bem distribuída, menos desigual.

AN – A Rússia vai entrar na União Européia?
Colin
– Não! Nem a Rússia nem os países da União Européia têm interesse nisso. O tamanho da Rússia é demasiado. E assusta. Poderia se tornar exageradamente hegemônica no contexto europeu.

AN – Que papel tem o presidente Vladimir Putin nas transformações na Rússia?
Colin
– A estabilidade do processo da Rússia depende, em grande medida, de Putin. Ele tem conseguido cumprir uma agenda difícil. A da mudança de situações anteriormente negativas. Reverte o colapso econômico e promove a reversão da irrelevância da Rússia no cenário global e altera a noção do “vale-tudo”.

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Inovar hoje para garantir o amanhã

Laboratórios e muita pesquisa garantem espaço para o produto catarinense no exterior. Mas ainda falta mão-de-obra especializada

Daniel Cardoso

Se não inovar a empresa morre. Sob essa ameaça constante, os empresários catarinenses tiveram que arregaçar as mangas e investir sem cessar em projetos de pesquisa. Criaram novos produtos, aprimoraram os que já existiam. O fruto do trabalho minucioso feito dentro dos laboratórios, por muitos anos, firmou marcas daqui no exrterior e garantiu o aumento dos lucros.

65%
É o percentual do faturamento da Embraco que está ligada ao desenvolvimento de novos produtos
A Schulz, fabricante de compressores de ar sediada em Joinville, exporta para o mundo inteiro e criou musculatura para se manter viva graças ao dinheiro investido nos programas de inovação. “Em 2000, os produtos da China invadiram o mercado com preços muito baixos. Entramos pela necessidade e agora a inovação faz parte do dia-a-dia”, diz Evandro de Souza Santos, supervisor de produtos.
Para fincar os pés no chão e resistir à ameaça oriental, a empresa investe 2,2% do faturamento líquido na divisão de compressores. Isso significa mais de R$ 3,3 milhões para pesquisas de inovação. Resultado? Cerca de 20 produtos novos são lançados todos os anos. Hoje, mais da metade dos produtos é considerada nova, ou seja, começou a ser vendida em 2002.
O caso da Schulz – uma das empresas mais inovadoras do Sul do Brasil, segundo a revista "Amanhã" e a consultoria Edusys – é emblemático e reflete a teoria difundida nos livros de marketing e gestão encontrados em qualquer livraria: “inovar é a solução”. Mas tirar a idéia do papel requer mais que leitura de livros. Há diversos obstáculos que podem fazer da inovação uma armadilha para a empresa.
Cascas de bananas são jogadas no caminho que trilham os executivos. No caso da Schulz, Santos destaca dois problemas. Um deles é a falta de recursos, o outro é a falta de pessoal especializado.
A necessidade de ter mão-de-obra extremamente qualificada faz a Datasul manter uma unidade com 150 profissionais em Córdoba, na Argentina. A estratégia ajudou a fugir da escassez de pesquisadores no Brasil. A empresa também é generosa com os laboratórios. Neste ano, investiu R$ 15 milhões no desenvolvimento de produtos. Entre eles o software on-demand. O cliente não paga por um pacote fechado de software. A idéia é cobrar apenas quando é usado.
O tempo, aliado da Datasul, também selou o sucesso da Embraco, a empresa que mais inova na região Sul, de acordo da "Amanhã" e da Edusys . Quando dava os primeiros passos, a empresa percebeu que criar e pesquisar catapultaria a qualidade e os lucros. Isso porque a Embraco tinha que importar tecnologia. “Foi aí que se percebeu a necessidade de se trilhar o caminho do conhecimento”, lembra Roberto Campos, diretor de tecnologia.
Três décadas depois do insight, a maior fabricante de compressores do mundo tem 40 laboratórios, 13 deles em Joinville, 420 pesquisadores trabalhando em três continentes e mais de 100 projetos em andamento. Além disso, 65% do faturamento está ligados ao desenvolvimento de produtos.
Para escapar das armadilhas do mercado, a Embraco trabalha no longo prazo. Um grupo de diretores analisa cenários num horizonte de 10 anos. Com base nesse mapa, a empresa define os produtos que vai criar. Hoje, a Embraco é a segunda empresa brasileira que mais tem patentes registradas nos Estados Unidos. Só perde para a Petrobras.

daniel.cardoso@an.com.br

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Cópia é preocupação de quem investe em pesquisa

Muito tempo de pesquisa, muito dinheiro investido e, finalmente, o produto é lançado. Recebe elogios dos clientes e grande aceitação no mercado. Mas em pouco tempo, a concorrência copia o produto, faz pequenas alterações e começa a tirar proveito comercial da novidade. O trabalho que pode ter levado cinco anos para uma empresa, levou meses para outra.
A cópia rápida é motivo de dor-de-cabeça para empresas que investem em pesquisa e inovação. Para tentar reprimir a usurpação intelectual, o jeito é se proteger de várias maneiras. Não apenas com patentes ou registros oficiais. “A patente é a última etapa do processo. Na verdade, é preciso proteger desde o início. Quando a idéia ainda está criando forma”, diz a advogada, Daniela de Abreu Santos, do Núcleo de Inovação e Propriedade Intelectual (Nipi), da Universidade da Região de Joinville (Univille).
A estratégia é não deixar vazar nenhuma informação importante ou que possa dar pistas do projeto para a concorrência. Entre os mecanismos usados para segurar os dados está o chamado termo de confidencialidade. Ele não vale apenas para os pesquisadores que trabalham no projeto. Vale também para parceiros ou qualquer entidade que tenha acesso aos dados. “Por exemplo, quando estamos buscando parcerias, temos que apresentar o projeto para empresas. Nesses casos, garantimos o sigilo das informações que compartilhamos”, explicou Daniela.
Outro instrumento é o caderno de laboratório, onde são descritos todos os passos da pesquisa. Mas nem isso garante que o produto não será copiado, antes ou depois de pronto. A solução para evitar a cópia não é fugir da cópia. É ficar sempre um passo à frente da concorrência. “Para se proteger, é preciso continuar inovando”, diz o supervisor de produtos da Schulz, Evandro de Souza Santos.

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O primeiro passo para o lucro é o planejamento

Antes de jogar dinheiro nos laboratórios de inovação, é preciso definir o que se quer. Um erro estratégico ou a criação de um produto inadequado são sinônimos de prejuízo. Para evitar que dinheiro seja jogado fora, as empresas inovadoras costumam formar as equipes de inteligência competitiva. A idéia é convergir o foco de diferentes áreas e desvendar o que o futuro vai exigir do mercado.
“A inovação tem que estar no DNA da empresa. Todos têm que participar do processo de criação. O pessoal de vendas, os pesquisadores e até os motoristas que estão nas ruas vendo as dificuldades dos clientes”, diz o superintendente do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Natalino Uggioni.
Segundo ele, as empresas catarinenses têm despertado para a inovação. Ano passado, conseguiram R$ 134 milhões junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Rivalizamos com São Paulo”, comemora Natalino.
Neste ano, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), uma das principais finalidades de aplicação de recursos das empresas é a atualização tecnológica: 13,1% dos investimentos têm esse destino.
O foco dos investimentos em pesquisa não está só nas empresas ou no mercado. É o caso da Universidade da Região de Joinville (Univille). “Trabalhamos de maneira aplicada à comunidade”, diz o reitor Paulo Ivo Koehntopp. Um exemplo é o convênio com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) e com o Instituto Militar de Engenharia (IME).
O objetivo é levantar o impacto ao meio ambiente das duplicações da BR-101 e BR-282. A Univille investe cerca de 4% da receita líquida - quase R$ 5 milhões por ano – fora os recursos que chegam via instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc). A idéia é que a pesquisa se reverta também em receita para a universidade.



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