Música
Um virtuose em competição
Acordeonista Bruno Moritz
Neto é eleito o melhor do País e agora busca o
título mundial
divulgação

Bruno descobriu o acordeon aos quatro anos e aos seis tocou ao
lado do ídolo Sivuca
Rodrigo Schwarz
Música não é olimpíada, mas isso
não evitou incontáveis discussões sobre
quem é o melhor em diversos instrumentos. Até hoje,
os amantes das seis cordas batem boca para decidir qual integrante
do triunvirato da guitarra rock inglesa está acima dos
demais: Eric Clapton, Jimmy Page ou Jeff Beck. Briga que só
é resolvida quando é atirado na mesa o nome de
Jimi Hendrix (americano, por sinal). Ou quem é o baterista
mais completo, John Bonham ou Keith Moon. A polêmica se
estende a todos os instrumentos e estilos. Ajuda na argumentação
quando o campeão é escolhido por concurso. Caso
do brusquense Bruno Moritz, que recentemente foi aclamado como
o melhor acordeonista do Brasil.
Eclético
Como músico de estúdio em São Paulo, Bruno
já participou de disco infantil e de gravações
de sertanejo e forró |
Bruno,
24 anos, venceu a etapa nacional do 1o Festival Internacional
Roland de Acordeon, realizada em São Paulo. Em 9 e 10
de novembro, na cidade italiana de Pesaro, ele disputará
o título de melhor acordeonista do mundo, com 11 músicos
de 11 países. Um concurso é pouco para decidir
quem é o rei do acordeon? Não tem problema. Poucos
dias antes do Festival Internacional Roland (maior fabricante
de instrumentos musicais do globo), Bruno saiu vitorioso do Primeiro
Concurso Internacional de Acordeon de Jaú (SP), promovido
pela Confederação Internacional de Acordeonistas
(CIA).
Modesto, Bruno não deixa de citar aqueles que considera
os verdadeiros mestres do instrumento, Oswaldinho do Acordeon
e o falecido Sivuca (quando tinha apenas seis anos, ele já
tocava ao lado do ídolo). Dos cinco finalistas do
Festival Roland, dois eu já havia enfrentado em Jaú.
Foi um concurso muito difícil, que venci por apenas um
ponto de diferença em relação ao segundo
colocado, conta o instrumentista, que está fazendo
licenciatura em música pela Universidade de São
Paulo (USP).
No Festival Roland, ele tocou Spain, do jazzista
americano Chick Corea, e Oblivion, de Astor Piazzolla.
Um repertório refinado, mas Bruno também se envereda
por estilos mais populares. Ele trabalha como músico e
arranjador em um estúdio profissional na capital paulista.
Aparece tudo que é tipo de trabalho. Já gravei
desde CD para o público infantil até sertanejo
e forró. Toda semana tenho trabalho, tanto que é
difícil as pessoas falarem comigo, vivo enfurnado no estúdio
com o celular desligado.
No Brasil, o acordeon ainda é muito associado à
música tradicionalista gaúcha imagem que
foi reforçada nos anos 1980, graças à popularidade
de Renato Borghetti. Mas, segundo Bruno, o alcance do instrumento
vai muito além das porteiras dos CTGs. Eu acredito
que ele se tornou um instrumento diferencial. Cada vez mais,
a gente vê gravações de MPB e bossa nova
onde aparecem solos de acordeon, explica.
Na semana passada, Bruno apresentou-se acompanhado da Orquestra
Sinfônica do Estado de Santa Catarina e comprovou a versatilidade
do instrumento. No repertório, músicas clássicas,
composições de Piazzolla, canções
germânicas, gaúchas e até sertanejas. No
acordeon não há uma predileção, você
pode tocar de tudo.
rodrigo.schwarz@an.com.br
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Instrumentista veterano antes dos
30 anos
Aos 24 anos, Bruno já pode ser considerado um músico
veterano. Sua estréia nos palcos foi quando tinha apenas
seis anos, em uma apresentação do acordeonista
paraibano Sivuca, em Florianópolis. Na época,
eu nem sabia quem ele era. Eu e meu pai o conhecemos no hotel.
Na mesma noite, no show que o Sivuca realizou no CIC, ele me
chamou ao palco, e tocamos juntos. Aquilo, para mim, foi o grande
despertar, lembra Bruno. O catarinense já tinha
o que mostrar ao público, afinal, toca desde os quatro
anos.
A apresentação com Sivuca foi o começo de
uma longa amizade. Bruno acompanhou o mestre em vários
shows pelo Estado. A agilidade do Sivuca me deixava fascinado.
O jeito que eu toco e componho é completamente influenciado
por ele. Senti uma tristeza enorme quando o perdemos no ano passado.
Sivuca morreu aos 76 anos, vítima de câncer de laringe.
Em seu único CD, Toque do Povo de Algum Lugar,
Bruno gravou uma clássica composição de
Sivuca, Feira de Mangaio. O próximo trabalho
ele pretende produzir quando retornar da Itália, onde
disputará o título de melhor acordeonista do mundo.
Tenho propostas de dois estúdios. Metade do disco
será com composições próprias, já
que tenho muito material guardado. Há músicas que
escrevi há mais de 15 anos e ainda fazem algum sentido
para mim, brinca.
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Crônica
suzanamafra@terra.com.br
Suzana Mafra, escritora
Daminha de vermelho
Vestido vermelho de cetim vestia a menina de quantos anos?
Talvez sete. Não sei quem teve a idéia de convidar
alguém tão pequena para tamanha responsabilidade.
Vai, boba, você ganha um vestido novo. Ela
ainda não entendia de contas, um a mais, um a menos, foi
sem saber. A costureira encostava a tesoura gelada em sua pele,
dentro da menina existia o medo de levar alfinetadas, vai que
a sua pele fosse confundida com o cetim, por exemplo, ou que
a costureira, por distração, cometesse um engano.
Pois lá na sua pequenez ela descobriu que as pessoas conseguem
trabalhar e conversar ao mesmo tempo. É o que fazia a
costureira, falava de uma cristaleira que havia se quebrado na
casa dos noivos. Não sabes o que é?,
pergunta à menina. É quase como um armário,
só que é feita de vidro e nela se guardam cristais,
daí o nome. Entendeu? A criança fez que sim
com a cabeça. A preocupação da menina era
com a distração da costureira; por ela, nem conversariam,
assim nenhuma das duas se distrairia de seu ofício, ela
ficando parada, e a outra não lhe alfinetando. Há
aqueles e aquelas que não conseguem trabalhar sem conversar.
Assim devia ser a costureira, pois continuava a falar: Ah,
tantos copos se quebraram, que tristeza, copos novos de cristal,
a noiva quis deixar a casa arrumada antes do casamento.
A menina ouvia tudo isso enquanto provava o vestido vermelho,
está ficando lindo, veja as flores que serão
bordadas no peitilho, foi quando pela porta aberta ela
viu chegar o irmão do noivo, um menino moreno. A mulher
diz ao rapaz: veja a nossa daminha, ele ficou algum
tempo parado à porta, olhando sério e saiu sem
nada dizer. Dos seus sete ou oito anos ela até que o achou
bonitinho. A costureira pediu para que mudasse de posição,
havia outros ajustes a fazer no vestido, como pode um vidro
daquele se quebrar dois dias antes do casamento, me diga.
O vestido ficaria pronto no dia seguinte. Primeiro, ela costurou
o da noiva, agora fazia o da daminha, da daminha de vermelho,
a tímida daminha de vermelho, a inocente daminha de vermelho
que levou as alianças na igreja pensando nos refrigerantes
e no menino. Após a cerimônia religiosa, recomendaram
que ela trocasse de roupa, ainda bem, assim podia brincar bastante,
de pega-pega, adivinhações, esconde-esconde. É
que o vestido não podia ser estragado, pois haveria outro
casamento naquela família, e tanto a menina quanto o vestido
seriam reaproveitados, verdade que a menina soube que não
tinha vocação para daminha, mas cumpriu com sua
obrigação pela segunda e última vez, tão
pequena e tão correta.
O segundo casamento foi mais legal ainda do que o primeiro, por
conta da de um parque dentro do clube onde acontecia a festa.
Além dos brinquedos fabricados, havia os naturais, as
árvores, sob o mais límpido céu de estrelas.
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Múltipla
Rock
Expresso Rural fará
novo show
Estão à venda os ingressos para um segundo show,
em Florianópolis, da banda Expresso Rural, que se reúne
depois de 15 anos para uma curtíssima temporada. O novo
show será no Teatro Ademir Rosa, na Capital, no dia 25.
O preço do ingresso é de R$ 40,00 e está
à venda no site www.nosvamos.com.br. Mais informações
sobre a banda no blog http://grupoexpresso.blogspot.com.
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Sob o Céu de
Joinville
Um olhar de 24 horas
Documentário investiga
cotidiano da maior cidade de SC
Cristiane Serpa

A equipe em ação: dificuldade para encontrar a
"face alemã" que caracteriza Joinville
Cristiane Schmitz
Você conhece todas as Joinvilles escondidas por meio
milhão de habitantes? Para contrastar as realidades da
Manchester catarinense e verificar se esse título
ainda perdura, o documentário Sob o Céu de
Joinville, aprovado pelo Edital de Apoio às Artes
de 2007, vai mostrar a vida urbana, industrial e rural da maior
cidade do Estado em uma passagem de tempo de 24 horas.
Resgate
Curta remete ao construtivismo russo e dispensará depoimentos,
centrando a narrativa na trilha e imagens |
A
idéia é passar por um dia da cidade sob diversos
pontos de vista, explica o diretor e produtor Rodrigo Falk
Brum. O curta deve homenagear uma forma de filmar documentários
há muito esquecida, baseada na escola do construtivismo
russo. Nela, filmes como Um Homem com uma Câmera
na Mão, do russo Dziga Vertov, fazem um registro
apenas com imagens e uma trilha sonora que dialoga com o que
foi registrado pela câmera. Você tem um roteiro,
mas o documentário depende muito mais do que vai acontecer
na rua, explica o diretor.
Ainda sobre a cidade, a equipe deve mostrar no documentário
que ela não é tão homogênea como se
imagina. Tivemos dificuldade em encontrar a cidade alemã,
avalia o grupo. A cidade tenta passar essa imagem, mas
não cuida muito disso, interpreta Rodrigo. Casas
enxaimel se contrapõem aos edifícios envidraçados,
e construções antigas esquecidas pelos passantes,
por causa dos prédios comerciais, voltam a ser observadas,
só que desta vez pela lente da câmera. A área
rural, a rotina dentro das fábricas, os bairros retirados
e a periferia também serão lembrados, remetendo
não só a amplitude da cidade, mas também
às suas diversas realidades. As pessoas não
percebem a cidade com um olhar diferente, diz Rodrigo.
A cidade é bem ampla, avalia o grupo sobre
as possibilidades de se ter Joinville como tema de um documentário.
Por abrigar na mesma cidade o ambiente industrial, rural e urbano,
a cidade originalmente vista somente como alemã e operária
reserva uma riqueza como cenário para vídeos, sejam
amadores ou profissionais. O grupo acha que, culturalmente, ela
ainda pode melhorar muito e alguns mitos podem cair. Hoje,
ela é uma cidade muito mais dos carros do que das bicicletas,
avalia o diretor.
Com uma câmera na mão e um roteiro flexível,
a única certeza do grupo é a de que o resultado
final não deve se parecer em nada com um vídeo
amador. A busca por equipamentos profissionais fez a equipe investir
em uma câmera Redrock Micro 35 Cinema Lens Adapter, que
trabalha com a película 35 mm digital. Na equipe, além
de Rodrigo, opera a câmera Roger Santos, na produção
também está Júlio May e, na fotografia,
Saburo Miyamoto. A trilha será de Rafael Zimath, Jean
Douat e Jean Sabatovicz.
Sob o Céu de Joinville deve ficar pronto em
dezembro. Quem quiser conhecer o trabalho da equipe, fazer sugestões
ou comentários, o site é www.ceudejoinville.com.br.
cristiane.schmitz@an.com.br
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A repressão à mulher
na história
Começa hoje na Capital a mostra de filmes e simpósio
Corpo Feminino: Bruxaria e Histeria. Com a participação
de historiadoras, cineastas, psicanalistas e filósofas,
o tema do diálogo é a representação
da imagem da mulher em textos, filmes e práticas sociais
históricas e míticas.
A primeira fase da mostra será a exibição
de filmes que apresentam o universo das bruxas na Ilha de Santa
Catarina, presente na obra do pesquisador e escritor catarinense
Franklin Cascaes (1908-1983), e a representação
cinematográfica da bruxa européia.
Para esse estudo serão exibidos os filmes Bruxa
Viva e Haxan: a Feitiçaria através
dos Tempos, hoje. Na terça-feira, As Bruxas
(Le Stregue) e na quarta-feira, Gritos de Mulher/Kravgi
Gynaikon. As exibições iniciam sempre às
18h30. Depois de cada filme haverá debate sobre os trabalhos.
O simpósio começa na próxima terça-feira,
dia 16. Serão três dias com debates sobre a representação
de corpos e a demarcação binário do masculino
e feminino. A intenção é compreender algumas
representações da mulher no teatro.
Serão analisadas personagens míticas, queima das
bruxas na fogueira pela Inquisição e os tratamentos
de cura para a histeria feminina. Esses encontros serão
realizados sempre das 19 às 21 horas. Mais informações
sobre o evento no site bruxariahisteria@gmail.com.
O quê: Mostra de filmes e simpósio Corpo
Feminino: Bruxaria e Histeria. Quando: Dias 8, 9, 10 de
outubro de 2007, das 18h30 às 21h30 (mostra de filmes)
e dias 16, 17 e 18 de outubro, das 19 às 21h (simpósio).
Onde: No auditório do CEART/UDESC, avenida Madre Benvenuta,
nº 2.007, Itacorubi, Florianópolis.
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Segunda-feira
Universo Feminino |
Terça-feira
Literatura |
Quarta-feira
Turismo |
Quinta-feira
Música |
Sexta-feira
Fim de semana |
Sábado
Gastronomia e DVD |
Da platéia ao palco
Grupo Blahobrazoff mostra
que sempre há tempo para dançar
Susi Padilha, BD, 21/7/2006

Grupo que valoriza a tradição folclórica
russa é velho conhecido do público do Festival
de Dança de Joinville
Cristiane Schmitz
Elas são donas-de-casa, mães, professoras, bancárias,
comerciantes, costureiras e até aposentadas. Mas, nos
minutos em que estão no palco, deslizando sobre o tablado,
são simplesmente dançarinas, não importa
quando começaram a dar os primeiros passos. Integrantes
da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff,
essas mulheres não tinham nenhuma pretensão de
se tornarem famosas ou profissionais, mas foram mais longe do
que imaginavam nos 11 anos de trajetória.
Impulsionadas por dona Angelina, coreógrafa que nasceu
no Irã, filha de russos e radicada no Brasil, elas dão
orgulho aos filhos, deleite ao público e amor a si próprias.
Foram segundo lugar no Festival de Dança de Joinville
2007 na categoria danças populares. Também no mê
de julho, apresentaram-se no Festival Internacional de Belgrado,
na Sérvia. A experiência foi inesquecível
e ocorreu graças a doações, patrocínios
e promoções que levaram as 20 bailarinas a embarcar.
Na volta, trouxeram na bagagem o respeito internacional.
O convite para o festival na Sérvia foi graças
à participação do grupo no Festival Internacional
de Montes Claros (MG), onde eram as únicas brasileiras
dançando um folclore de outro país. As crianças
nos pediam autógrafo. Achavam que, pelo grupo ser de folclore
russo, éramos russas, recorda Milagros Del Carmem
Joseph De Schreiber, jornalista peruana radicada no Brasil que
participa do grupo há quatro anos.
Hoje, Mila, como é conhecida, se sente mais brasileira
do que peruana, apesar do sotaque. Na Sérvia, foi a intérprete
do grupo. Quando pensou em dança russa pela primeira vez,
lembrou de acrobacias e uma dança agitada. Nada disso.
Nós deslizamos no palco. É uma dança
que marca, explica.
cristiane.schmitz@an.com.br
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Diferentes histórias integram
a associação Angelina
O estilo de dança russa que executam é o mesmo
do grupo folclórico Berioska, da Rússia. Na coreografia,
as dançarinas sobem na meia-ponta dos pés, flexionam
levemente os joelhos e, aos olhos do público, parecem
deslizar sobre o palco. Falando assim parece fácil, mas
elas fazem isso sob o rigor de dona Angelina, uma coreógrafa
perfeccionista.
Angelina cresceu em São Paulo, teve aula com professores
russos e chegou a participar de programas de televisão,
como o São Paulo Domingo à Noite, na
TV Record, e Clímax para Milhões, na
TV Globo. Formou-se em pedagogia, fez cursos de jazz, hatha yoga,
dirigiu escolas de dança em São Paulo e também
no Rio Grande do Sul. Há 11 anos mudou-se para Piçarras,
em busca de uma vida menos agitada.
Mesmo depois de um derrame cerebral, que limitou um pouco seus
movimentos, ela não pára o trabalho. Ainda dá
aulas de ioga, reiki e segue firme como coreógrafa e alma
do grupo. Os ensaios ocorrem duas vezes por semana nas
segundas-feiras no Bailão do Silva, no balneário
de Penha e nas quintas-feiras, na casa de dona Angelina, em Piçarras.
O dono do Bailão do Silva cedeu gratuitamente o espaço
para os ensaios há dois anos.
Antonina Luczynski Makara sempre teve vontade de dançar,
mas não entrou antes no grupo por causa dos filhos pequenos.
Hoje, além de se realizar, realiza também a filha.
Stéfanie, de nove anos, já fez aulas de balé
e não tira os olhos da mãe quando ela se apresenta.
Nessa história de se realizar, a decoradora Josiane Brittes
é a única que admite que queria ser bailarina quando
criança. Não foi possível antes, mas
ser aceita no grupo foi uma das melhores coisas que já
me aconteceu, conta. A colega Lúcia Erli Chilanti
é a costureira do grupo. De suas mãos saem todas
as roupas, que levam mais de um mês para ficarem prontas.
A costura é uma herança de família, mas
a criação dos modelitos fica por conta da filha
de Angelina, Kátia Blahobrazoff Tomacelli, que é
designer e cresceu admirando e participando do trabalho da mãe.
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Uma viagem que deixou saudades
Do namoro ao casamento, a dança sempre fez parte da
vida de Neida Sueli Dornbsch de Andrade, pedagoga aposentada
e atual presidente da Associação Parafolclórica
Angelina Blahobrazoff. "Nosso esforço sempre valeu
a pena. Meus netos vibram com as apresentações,
diz.
Na visita a Belgrado, Neida recorda que o grupo dançou
em um asilo mantido pela Unicef, onde muitas pessoas tinham deficiências
físicas e problemas de saúde. Na época,
Angelina estava se recuperando do derrame e estava em uma cadeira
de rodas. Mesmo assim, dirigia o grupo e impressionava a platéia.
Foi emocionante mostrar que eles também poderiam
estar ali, recorda.
Foi lá que a caçula do grupo, Soeli Tomasi, tocou
piano em um instrumento tão antigo que as peças
chegavam a pular. Há cinco meses em atividade, mas há
muito mais tempo na platéia, ela sempre acompanhou as
apresentações da associação na cidade,
e sente-se feliz por ter participado de momentos tão marcantes.
Com poucos amigos e recém-chegada à cidade, foi
de abelhuda que Deise Maria Ilkiu Vidal entrou no grupo há
quatro anos. Fui ver um ensaio, achava que era dança
para a terceira idade, lembra. Na viagem à Sérvia,
ela ficou famosa cozinhando. Foi responsável por apresentar
a feijoada, prato típico do Brasil, aos sérvios.
Acho que eles gostaram.
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Relacionamento
goldin@oglobo.com.br
Alberto Goldin, psicanalista
O gato, o rato e o cachorro
Tenho 27 anos e fui casado, mas depois de seis anos me separei
e reconheci que gostava realmente de homens. Dois anos após
a separação, senti-me livre para me envolver com
um homem. Samy e eu estamos juntos há sete meses e nele
descobri o prazer. Estou apaixonado. Seria perfeito se fosse
recíproco. Ele diz que gosta da minha companhia, mas não
está apaixonado. Terminou um relacionamento de anos pouco
antes de nos conhecermos e ainda não esqueceu o ex. Quando
percebi, já estava envolvido e passei a perseguir seu
amor. Às vezes, estou nas nuvens, outras no inferno. Vivo
com medo de que ele desista de mim. Queria muito que ele me amasse,
que visse que posso lhe dar estabilidade e que não irei
trocá-lo, como fez o anterior. Acho que o fato de eu ser
diferente é o que o impede de me amar. Sempre tive ótima
auto-estima e pela primeira vez me vejo em situação
de desvantagem. O que fazer? Desistir ou persistir? Ricardo
O gato persegue velozmente o rato, sem notar que pela retaguarda
é perseguido por um cachorro que, por sua vez, escapa
de outro cachorro, ainda maior, que se aproxima espumando pela
boca. Na corrida do amor competem duas grandes categorias: perseguidores
e perseguidos. O Ricardo tinha uma mulher que certamente o amava
e... o perseguia. E ele, por ser gay, escapava, até conhecer
o Samy, que se contorce e não se deixa prender, e corre
em busca de um ex que o abandonou e provavelmente também
está na sua própria correria.
O que é melhor: perseguir ou ser perseguido? São
situações opostas e complementares, porém
que não deixam margem para dúvida: o melhor é
perseguir. Explico. Os que perseguem sabem exatamente o que querem,
enquanto os que fogem só têm certeza de que querem
escapar, sem noção de para onde vão, nem
do que procuram. O Ricardo mudou de posição, não
somente por assumir sua homossexualidade, mas por se pôr
na posição de perseguidor, de sujeito que demanda
o amor do Samy.
De alguma forma, mesmo frustrado, é mais feliz do que
seu companheiro. Sabe exatamente o que quer e, caso atinja seu
objetivo, será um indivíduo realizado. Por isso,
Ricardo, um pouco eufórico devido à sua recente
paixão, não percebe que, quanto mais correr, mais
se afastará do Samy e, se o alcançar, este, como
o rato, sentirá um enorme temor de ser devorado e, logicamente,
encontrará resistências a permanecer ao seu lado.
Esta premissa é óbvia, e válida para homens,
mulheres, ratos, gatos e cachorros.
Ninguém é feliz preso. Por isso nosso conselho
para os felizes e afoitos perseguidores é abandonar o
quanto antes a corrida, acalmar os perseguidos, deixá-los
à vontade ou, melhor ainda, esperar que eles, seja por
desejo ou curiosidade, sintam mais confiança para se aproximar,
sem temor, expectativas ou compromissos. Não sugiro transformar
perseguidos em perseguidores (o que ocorre com freqüência),
já que a inversão do processo não o melhora,
somente o repete. O ideal é transformar a corrida, sempre
angustiante, num passeio tranqüilo, se possível num
parque florido, para silenciar a gritaria e transformá-la
em diálogo com a maior quantidade de pausas e silêncios.
As perseguições acabam mal, seja por tragédia,
seja por desistência, já os passeios sempre acabam
bem, sem exigir de ninguém um final feliz.
Este extenso prólogo tem como objetivo alertar o Ricardo
para não confundir suas recentes descobertas com suas
novas aspirações. Descobriu que é capaz
de amar um homem, o que não lhe dá o direito de
dispor desse amor. Samy poderá corresponder ou não,
dependerá das suas próprias variáveis. É
clássico os perseguidores tentarem convencer os perseguidos
dos benefícios de serem amados. Poderá ser verdade,
porém, não é obrigatório. A experiência
mostra que o único amor que cresce e se fortalece é
o que se desenvolve na liberdade do próprio desejo. Quando
todos concordam, o universo se harmoniza: não se perseguem,
acompanham-se. Gatos, ratos e cachorros, num suave ritmo de passeio.
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Sexo e saúde
jbouer@uol.com.br
O médico Jairo Bouer escreve neste espaço
todas as segundas-feiras
A camisinha ficou dentro!
Tenho 21 e ainda sou virgem, mas minha amiga sempre
me relata suas aventuras amorosas. Outro dia a camisinha ficou
dentro de sua vagina. Quais os riscos? Como evitar? O que fazer
para tirar a camisinha?
Tenho 17 e queria saber como se usa lubrificante com camisinha.
É melhor passar dentro ou fora da camisinha? Pode usar
o lubrificante direto na vagina? Isso não aumenta a chance
de o preservativo escapar? Tira a sensibilidade?
Para começar, os lubrificantes que podem ser usados
com as camisinhas são aqueles feitos à base de
água e que são achados nas farmácias ao
lado dos preservativos. Eles não interferem na sensibilidade
e podem facilitar a relação sexual (principalmente
para as garotas que têm dificuldades com sua lubrificação
natural).
Os lubrificantes devem ser usados do lado de fora da camisinha
e também podem ser aplicados diretamente na vagina. Embora
alguns garotos usem um pouco de lubrificante dentro da camisinha,
para facilitar sua colocação, essa não é
uma boa idéia, já que isso pode aumentar a chance
de a camisinha escapar durante a transa.
Aliás, é bastante incomum que uma camisinha escape
do pênis se a colocação foi bem feita. O
garoto deve se certificar se desenrolou a camisinha toda sobre
o pênis. Depois, deve lembrar que gel lubrificante só
deve ser aplicado na vagina ou na parte externa da camisinha.
Além disso, alguns garotos podem ter o pênis mais
fino, o que poderia, em tese, facilitar que uma camisinha padrão
escapasse. Para isso, existem os preservativos mais justos (tamanho
teen). Para terminar, é bom tirar o pênis da vagina
assim que acontecer a ejaculação, já que,
logo depois disso, o pênis pode perder sua rigidez (ereção)
e facilitar tanto o vazamento de esperma quanto o escape do preservativo.
Se, eventualmente, uma camisinha escapar e ficar retida na vagina,
a primeira tentativa da garota deve ser tentar retirar o preservativo
com ajuda de dois dedos, como se fosse fazer um movimento de
pinça. Quando isso não der certo, é importante
procurar o ginecologista para que ele faça a retirada.
Uma camisinha presa na vagina pode causar infecções
graves. Se ocorreu a ejaculação ou se há
a menor suspeita de uma DST (doença sexualmente transmissível)
é importante que a garota também procure o médico
para cuidados suplementares como, por exemplo, pílula
do dia seguinte. É isso! |