clicRBS

Buscar
Joinville Segunda-feira, 08 de outubro de 2007 Santa Catarina - Brasil

Anexo - A Notícia Fabiano Melato
(47) 3431-9293
fabiano.melato@an.com.br

Música

Um virtuose em competição

Acordeonista Bruno Moritz Neto é eleito o melhor do País e agora busca o título mundial

divulgação

Bruno descobriu o acordeon aos quatro anos e aos seis tocou ao lado do ídolo Sivuca

Rodrigo Schwarz

Música não é olimpíada, mas isso não evitou incontáveis discussões sobre quem é o melhor em diversos instrumentos. Até hoje, os amantes das seis cordas batem boca para decidir qual integrante do triunvirato da guitarra rock inglesa está acima dos demais: Eric Clapton, Jimmy Page ou Jeff Beck. Briga que só é resolvida quando é atirado na mesa o nome de Jimi Hendrix (americano, por sinal). Ou quem é o baterista mais completo, John Bonham ou Keith Moon. A polêmica se estende a todos os instrumentos e estilos. Ajuda na argumentação quando o campeão é escolhido por concurso. Caso do brusquense Bruno Moritz, que recentemente foi aclamado como o melhor acordeonista do Brasil.

Eclético
Como músico de estúdio em São Paulo, Bruno já participou de disco infantil e de gravações de sertanejo e forró
Bruno, 24 anos, venceu a etapa nacional do 1o Festival Internacional Roland de Acordeon, realizada em São Paulo. Em 9 e 10 de novembro, na cidade italiana de Pesaro, ele disputará o título de melhor acordeonista do mundo, com 11 músicos de 11 países. Um concurso é pouco para decidir quem é o rei do acordeon? Não tem problema. Poucos dias antes do Festival Internacional Roland (maior fabricante de instrumentos musicais do globo), Bruno saiu vitorioso do Primeiro Concurso Internacional de Acordeon de Jaú (SP), promovido pela Confederação Internacional de Acordeonistas (CIA).
Modesto, Bruno não deixa de citar aqueles que considera os verdadeiros mestres do instrumento, Oswaldinho do Acordeon e o falecido Sivuca (quando tinha apenas seis anos, ele já tocava ao lado do ídolo). “Dos cinco finalistas do Festival Roland, dois eu já havia enfrentado em Jaú. Foi um concurso muito difícil, que venci por apenas um ponto de diferença em relação ao segundo colocado”, conta o instrumentista, que está fazendo licenciatura em música pela Universidade de São Paulo (USP).
No Festival Roland, ele tocou “Spain”, do jazzista americano Chick Corea, e “Oblivion”, de Astor Piazzolla. Um repertório refinado, mas Bruno também se envereda por estilos mais populares. Ele trabalha como músico e arranjador em um estúdio profissional na capital paulista. “Aparece tudo que é tipo de trabalho. Já gravei desde CD para o público infantil até sertanejo e forró. Toda semana tenho trabalho, tanto que é difícil as pessoas falarem comigo, vivo enfurnado no estúdio com o celular desligado.”
No Brasil, o acordeon ainda é muito associado à música tradicionalista gaúcha – imagem que foi reforçada nos anos 1980, graças à popularidade de Renato Borghetti. Mas, segundo Bruno, o alcance do instrumento vai muito além das porteiras dos CTGs. “Eu acredito que ele se tornou um instrumento diferencial. Cada vez mais, a gente vê gravações de MPB e bossa nova onde aparecem solos de acordeon”, explica.
Na semana passada, Bruno apresentou-se acompanhado da Orquestra Sinfônica do Estado de Santa Catarina e comprovou a versatilidade do instrumento. No repertório, músicas clássicas, composições de Piazzolla, canções germânicas, gaúchas e até sertanejas. “No acordeon não há uma predileção, você pode tocar de tudo.”

rodrigo.schwarz@an.com.br

....................................................

Instrumentista veterano antes dos 30 anos

Aos 24 anos, Bruno já pode ser considerado um músico veterano. Sua estréia nos palcos foi quando tinha apenas seis anos, em uma apresentação do acordeonista paraibano Sivuca, em Florianópolis. “Na época, eu nem sabia quem ele era. Eu e meu pai o conhecemos no hotel. Na mesma noite, no show que o Sivuca realizou no CIC, ele me chamou ao palco, e tocamos juntos. Aquilo, para mim, foi o grande despertar”, lembra Bruno. O catarinense já tinha o que mostrar ao público, afinal, toca desde os quatro anos.
A apresentação com Sivuca foi o começo de uma longa amizade. Bruno acompanhou o mestre em vários shows pelo Estado. “A agilidade do Sivuca me deixava fascinado. O jeito que eu toco e componho é completamente influenciado por ele. Senti uma tristeza enorme quando o perdemos no ano passado.” Sivuca morreu aos 76 anos, vítima de câncer de laringe.
Em seu único CD, “Toque do Povo de Algum Lugar”, Bruno gravou uma clássica composição de Sivuca, “Feira de Mangaio”. O próximo trabalho ele pretende produzir quando retornar da Itália, onde disputará o título de melhor acordeonista do mundo. “Tenho propostas de dois estúdios. Metade do disco será com composições próprias, já que tenho muito material guardado. Há músicas que escrevi há mais de 15 anos e ainda fazem algum sentido para mim”, brinca.

_______________________________

Crônica

suzanamafra@terra.com.br

Suzana Mafra, escritora

Daminha de vermelho

Vestido vermelho de cetim vestia a menina de quantos anos? Talvez sete. Não sei quem teve a idéia de convidar alguém tão pequena para tamanha responsabilidade. “Vai, boba, você ganha um vestido novo.” Ela ainda não entendia de contas, um a mais, um a menos, foi sem saber. A costureira encostava a tesoura gelada em sua pele, dentro da menina existia o medo de levar alfinetadas, vai que a sua pele fosse confundida com o cetim, por exemplo, ou que a costureira, por distração, cometesse um engano.
Pois lá na sua pequenez ela descobriu que as pessoas conseguem trabalhar e conversar ao mesmo tempo. É o que fazia a costureira, falava de uma cristaleira que havia se quebrado na casa dos noivos. “Não sabes o que é?”, pergunta à menina. “É quase como um armário, só que é feita de vidro e nela se guardam cristais, daí o nome. Entendeu?” A criança fez que sim com a cabeça. A preocupação da menina era com a distração da costureira; por ela, nem conversariam, assim nenhuma das duas se distrairia de seu ofício, ela ficando parada, e a outra não lhe alfinetando. Há aqueles e aquelas que não conseguem trabalhar sem conversar. Assim devia ser a costureira, pois continuava a falar: “Ah, tantos copos se quebraram, que tristeza, copos novos de cristal, a noiva quis deixar a casa arrumada antes do casamento”.
A menina ouvia tudo isso enquanto provava o vestido vermelho, “está ficando lindo, veja as flores que serão bordadas no peitilho”, foi quando pela porta aberta ela viu chegar o irmão do noivo, um menino moreno. A mulher diz ao rapaz: “veja a nossa daminha”, ele ficou algum tempo parado à porta, olhando sério e saiu sem nada dizer. Dos seus sete ou oito anos ela até que o achou bonitinho. A costureira pediu para que mudasse de posição, havia outros ajustes a fazer no vestido, “como pode um vidro daquele se quebrar dois dias antes do casamento, me diga”.
O vestido ficaria pronto no dia seguinte. Primeiro, ela costurou o da noiva, agora fazia o da daminha, da daminha de vermelho, a tímida daminha de vermelho, a inocente daminha de vermelho que levou as alianças na igreja pensando nos refrigerantes e no menino. Após a cerimônia religiosa, recomendaram que ela trocasse de roupa, ainda bem, assim podia brincar bastante, de pega-pega, adivinhações, esconde-esconde. É que o vestido não podia ser estragado, pois haveria outro casamento naquela família, e tanto a menina quanto o vestido seriam reaproveitados, verdade que a menina soube que não tinha vocação para daminha, mas cumpriu com sua obrigação pela segunda e última vez, tão pequena e tão correta.
O segundo casamento foi mais legal ainda do que o primeiro, por conta da de um parque dentro do clube onde acontecia a festa. Além dos brinquedos fabricados, havia os naturais, as árvores, sob o mais límpido céu de estrelas.

_______________________________

Múltipla

Rock

Expresso Rural fará novo show

Estão à venda os ingressos para um segundo show, em Florianópolis, da banda Expresso Rural, que se reúne depois de 15 anos para uma curtíssima temporada. O novo show será no Teatro Ademir Rosa, na Capital, no dia 25. O preço do ingresso é de R$ 40,00 e está à venda no site www.nosvamos.com.br. Mais informações sobre a banda no blog http://grupoexpresso.blogspot.com.

_______________________________

“Sob o Céu de Joinville”

Um olhar de 24 horas

Documentário investiga cotidiano da maior cidade de SC

Cristiane Serpa

A equipe em ação: dificuldade para encontrar a "face alemã" que caracteriza Joinville

Cristiane Schmitz

Você conhece todas as Joinvilles escondidas por meio milhão de habitantes? Para contrastar as realidades da “Manchester catarinense” e verificar se esse título ainda perdura, o documentário “Sob o Céu de Joinville”, aprovado pelo Edital de Apoio às Artes de 2007, vai mostrar a vida urbana, industrial e rural da maior cidade do Estado em uma passagem de tempo de 24 horas.

Resgate
Curta remete ao construtivismo russo e dispensará depoimentos, centrando a narrativa na trilha e imagens
“A idéia é passar por um dia da cidade sob diversos pontos de vista”, explica o diretor e produtor Rodrigo Falk Brum. O curta deve homenagear uma forma de filmar documentários há muito esquecida, baseada na escola do construtivismo russo. Nela, filmes como “Um Homem com uma Câmera na Mão”, do russo Dziga Vertov, fazem um registro apenas com imagens e uma trilha sonora que dialoga com o que foi registrado pela câmera. “Você tem um roteiro, mas o documentário depende muito mais do que vai acontecer na rua”, explica o diretor.
Ainda sobre a cidade, a equipe deve mostrar no documentário que ela não é tão homogênea como se imagina. “Tivemos dificuldade em encontrar a cidade alemã”, avalia o grupo. “A cidade tenta passar essa imagem, mas não cuida muito disso”, interpreta Rodrigo. Casas enxaimel se contrapõem aos edifícios envidraçados, e construções antigas esquecidas pelos passantes, por causa dos prédios comerciais, voltam a ser observadas, só que desta vez pela lente da câmera. A área rural, a rotina dentro das fábricas, os bairros retirados e a periferia também serão lembrados, remetendo não só a amplitude da cidade, mas também às suas diversas realidades. “As pessoas não percebem a cidade com um olhar diferente”, diz Rodrigo.
“A cidade é bem ampla”, avalia o grupo sobre as possibilidades de se ter Joinville como tema de um documentário. Por abrigar na mesma cidade o ambiente industrial, rural e urbano, a cidade originalmente vista somente como alemã e operária reserva uma riqueza como cenário para vídeos, sejam amadores ou profissionais. O grupo acha que, culturalmente, ela ainda pode melhorar muito e alguns mitos podem cair. “Hoje, ela é uma cidade muito mais dos carros do que das bicicletas”, avalia o diretor.
Com uma câmera na mão e um roteiro flexível, a única certeza do grupo é a de que o resultado final não deve se parecer em nada com um vídeo amador. A busca por equipamentos profissionais fez a equipe investir em uma câmera Redrock Micro 35 Cinema Lens Adapter, que trabalha com a película 35 mm digital. Na equipe, além de Rodrigo, opera a câmera Roger Santos, na produção também está Júlio May e, na fotografia, Saburo Miyamoto. A trilha será de Rafael Zimath, Jean Douat e Jean Sabatovicz.
“Sob o Céu de Joinville” deve ficar pronto em dezembro. Quem quiser conhecer o trabalho da equipe, fazer sugestões ou comentários, o site é www.ceudejoinville.com.br.

cristiane.schmitz@an.com.br

....................................................

A repressão à mulher na história

Começa hoje na Capital a mostra de filmes e simpósio “Corpo Feminino: Bruxaria e Histeria”. Com a participação de historiadoras, cineastas, psicanalistas e filósofas, o tema do diálogo é a representação da imagem da mulher em textos, filmes e práticas sociais históricas e míticas.
A primeira fase da mostra será a exibição de filmes que apresentam o universo das bruxas na Ilha de Santa Catarina, presente na obra do pesquisador e escritor catarinense Franklin Cascaes (1908-1983), e a representação cinematográfica da bruxa européia.
Para esse estudo serão exibidos os filmes “Bruxa Viva” e “Haxan: a Feitiçaria através dos Tempos”, hoje. Na terça-feira, “As Bruxas” (“Le Stregue”) e na quarta-feira, “Gritos de Mulher/Kravgi Gynaikon”. As exibições iniciam sempre às 18h30. Depois de cada filme haverá debate sobre os trabalhos.
O simpósio começa na próxima terça-feira, dia 16. Serão três dias com debates sobre a representação de corpos e a demarcação binário do masculino e feminino. A intenção é compreender algumas representações da mulher no teatro.
Serão analisadas personagens míticas, queima das bruxas na fogueira pela Inquisição e os tratamentos de cura para a histeria feminina. Esses encontros serão realizados sempre das 19 às 21 horas. Mais informações sobre o evento no site bruxariahisteria@gmail.com.

O quê: Mostra de filmes e simpósio “Corpo Feminino: Bruxaria e Histeria”. Quando: Dias 8, 9, 10 de outubro de 2007, das 18h30 às 21h30 (mostra de filmes) e dias 16, 17 e 18 de outubro, das 19 às 21h (simpósio). Onde: No auditório do CEART/UDESC, avenida Madre Benvenuta, nº 2.007, Itacorubi, Florianópolis.

....................................................

 Segunda-feira
Universo Feminino

Terça-feira
 Literatura

Quarta-feira
Turismo

Quinta-feira
Música

Sexta-feira
Fim de semana

Sábado
Gastronomia e DVD

Da platéia ao palco

Grupo Blahobrazoff mostra que sempre há tempo para dançar

Susi Padilha, BD, 21/7/2006

Grupo que valoriza a tradição folclórica russa é velho conhecido do público do Festival de Dança de Joinville

Cristiane Schmitz

Elas são donas-de-casa, mães, professoras, bancárias, comerciantes, costureiras e até aposentadas. Mas, nos minutos em que estão no palco, deslizando sobre o tablado, são simplesmente dançarinas, não importa quando começaram a dar os primeiros passos. Integrantes da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff, essas mulheres não tinham nenhuma pretensão de se tornarem famosas ou profissionais, mas foram mais longe do que imaginavam nos 11 anos de trajetória.
Impulsionadas por dona Angelina, coreógrafa que nasceu no Irã, filha de russos e radicada no Brasil, elas dão orgulho aos filhos, deleite ao público e amor a si próprias. Foram segundo lugar no Festival de Dança de Joinville 2007 na categoria danças populares. Também no mê de julho, apresentaram-se no Festival Internacional de Belgrado, na Sérvia. A experiência foi inesquecível e ocorreu graças a doações, patrocínios e promoções que levaram as 20 bailarinas a embarcar. Na volta, trouxeram na bagagem o respeito internacional.
O convite para o festival na Sérvia foi graças à participação do grupo no Festival Internacional de Montes Claros (MG), onde eram as únicas brasileiras dançando um folclore de outro país. “As crianças nos pediam autógrafo. Achavam que, pelo grupo ser de folclore russo, éramos russas”, recorda Milagros Del Carmem Joseph De Schreiber, jornalista peruana radicada no Brasil que participa do grupo há quatro anos.
Hoje, Mila, como é conhecida, se sente mais brasileira do que peruana, apesar do sotaque. Na Sérvia, foi a intérprete do grupo. Quando pensou em dança russa pela primeira vez, lembrou de acrobacias e uma dança agitada. Nada disso. “Nós deslizamos no palco. É uma dança que marca”, explica.

cristiane.schmitz@an.com.br

....................................................

Diferentes histórias integram a associação Angelina

O estilo de dança russa que executam é o mesmo do grupo folclórico Berioska, da Rússia. Na coreografia, as dançarinas sobem na meia-ponta dos pés, flexionam levemente os joelhos e, aos olhos do público, parecem deslizar sobre o palco. Falando assim parece fácil, mas elas fazem isso sob o rigor de dona Angelina, uma coreógrafa perfeccionista.
Angelina cresceu em São Paulo, teve aula com professores russos e chegou a participar de programas de televisão, como o “São Paulo Domingo à Noite”, na TV Record, e “Clímax para Milhões”, na TV Globo. Formou-se em pedagogia, fez cursos de jazz, hatha yoga, dirigiu escolas de dança em São Paulo e também no Rio Grande do Sul. Há 11 anos mudou-se para Piçarras, em busca de uma vida menos agitada.
Mesmo depois de um derrame cerebral, que limitou um pouco seus movimentos, ela não pára o trabalho. Ainda dá aulas de ioga, reiki e segue firme como coreógrafa e alma do grupo. Os ensaios ocorrem duas vezes por semana – nas segundas-feiras no Bailão do Silva, no balneário de Penha e nas quintas-feiras, na casa de dona Angelina, em Piçarras. O dono do Bailão do Silva cedeu gratuitamente o espaço para os ensaios há dois anos.
Antonina Luczynski Makara sempre teve vontade de dançar, mas não entrou antes no grupo por causa dos filhos pequenos. Hoje, além de se realizar, realiza também a filha. Stéfanie, de nove anos, já fez aulas de balé e não tira os olhos da mãe quando ela se apresenta.
Nessa história de se realizar, a decoradora Josiane Brittes é a única que admite que queria ser bailarina quando criança. “Não foi possível antes, mas ser aceita no grupo foi uma das melhores coisas que já me aconteceu”, conta. A colega Lúcia Erli Chilanti é a costureira do grupo. De suas mãos saem todas as roupas, que levam mais de um mês para ficarem prontas. A costura é uma herança de família, mas a criação dos modelitos fica por conta da filha de Angelina, Kátia Blahobrazoff Tomacelli, que é designer e cresceu admirando e participando do trabalho da mãe.

....................................................

Uma viagem que deixou saudades

Do namoro ao casamento, a dança sempre fez parte da vida de Neida Sueli Dornbsch de Andrade, pedagoga aposentada e atual presidente da Associação Parafolclórica Angelina Blahobrazoff. "Nosso esforço sempre valeu a pena. Meus netos vibram com as apresentações”, diz.
Na visita a Belgrado, Neida recorda que o grupo dançou em um asilo mantido pela Unicef, onde muitas pessoas tinham deficiências físicas e problemas de saúde. Na época, Angelina estava se recuperando do derrame e estava em uma cadeira de rodas. Mesmo assim, dirigia o grupo e impressionava a platéia. “Foi emocionante mostrar que eles também poderiam estar ali”, recorda.
Foi lá que a caçula do grupo, Soeli Tomasi, tocou piano em um instrumento tão antigo que as peças chegavam a pular. Há cinco meses em atividade, mas há muito mais tempo na platéia, ela sempre acompanhou as apresentações da associação na cidade, e sente-se feliz por ter participado de momentos tão marcantes.
Com poucos amigos e recém-chegada à cidade, foi de abelhuda que Deise Maria Ilkiu Vidal entrou no grupo há quatro anos. “Fui ver um ensaio, achava que era dança para a terceira idade”, lembra. Na viagem à Sérvia, ela ficou famosa cozinhando. Foi responsável por apresentar a feijoada, prato típico do Brasil, aos sérvios. “Acho que eles gostaram.”

_______________________________

Relacionamento

goldin@oglobo.com.br

Alberto Goldin, psicanalista

O gato, o rato e o cachorro

Tenho 27 anos e fui casado, mas depois de seis anos me separei e reconheci que gostava realmente de homens. Dois anos após a separação, senti-me livre para me envolver com um homem. Samy e eu estamos juntos há sete meses e nele descobri o prazer. Estou apaixonado. Seria perfeito se fosse recíproco. Ele diz que gosta da minha companhia, mas não está apaixonado. Terminou um relacionamento de anos pouco antes de nos conhecermos e ainda não esqueceu o ex. Quando percebi, já estava envolvido e passei a perseguir seu amor. Às vezes, estou nas nuvens, outras no inferno. Vivo com medo de que ele desista de mim. Queria muito que ele me amasse, que visse que posso lhe dar estabilidade e que não irei trocá-lo, como fez o anterior. Acho que o fato de eu ser diferente é o que o impede de me amar. Sempre tive ótima auto-estima e pela primeira vez me vejo em situação de desvantagem. O que fazer? Desistir ou persistir? Ricardo

O gato persegue velozmente o rato, sem notar que pela retaguarda é perseguido por um cachorro que, por sua vez, escapa de outro cachorro, ainda maior, que se aproxima espumando pela boca. Na corrida do amor competem duas grandes categorias: perseguidores e perseguidos. O Ricardo tinha uma mulher que certamente o amava e... o perseguia. E ele, por ser gay, escapava, até conhecer o Samy, que se contorce e não se deixa prender, e corre em busca de um ex que o abandonou e provavelmente também está na sua própria correria.
O que é melhor: perseguir ou ser perseguido? São situações opostas e complementares, porém que não deixam margem para dúvida: o melhor é perseguir. Explico. Os que perseguem sabem exatamente o que querem, enquanto os que fogem só têm certeza de que querem escapar, sem noção de para onde vão, nem do que procuram. O Ricardo mudou de posição, não somente por assumir sua homossexualidade, mas por se pôr na posição de perseguidor, de sujeito que demanda o amor do Samy.
De alguma forma, mesmo frustrado, é mais feliz do que seu companheiro. Sabe exatamente o que quer e, caso atinja seu objetivo, será um indivíduo realizado. Por isso, Ricardo, um pouco eufórico devido à sua recente paixão, não percebe que, quanto mais correr, mais se afastará do Samy e, se o alcançar, este, como o rato, sentirá um enorme temor de ser devorado e, logicamente, encontrará resistências a permanecer ao seu lado. Esta premissa é óbvia, e válida para homens, mulheres, ratos, gatos e cachorros.
Ninguém é feliz preso. Por isso nosso conselho para os felizes e afoitos perseguidores é abandonar o quanto antes a corrida, acalmar os perseguidos, deixá-los à vontade ou, melhor ainda, esperar que eles, seja por desejo ou curiosidade, sintam mais confiança para se aproximar, sem temor, expectativas ou compromissos. Não sugiro transformar perseguidos em perseguidores (o que ocorre com freqüência), já que a inversão do processo não o melhora, somente o repete. O ideal é transformar a corrida, sempre angustiante, num passeio tranqüilo, se possível num parque florido, para silenciar a gritaria e transformá-la em diálogo com a maior quantidade de pausas e silêncios. As perseguições acabam mal, seja por tragédia, seja por desistência, já os passeios sempre acabam bem, sem exigir de ninguém um final feliz.
Este extenso prólogo tem como objetivo alertar o Ricardo para não confundir suas recentes descobertas com suas novas aspirações. Descobriu que é capaz de amar um homem, o que não lhe dá o direito de dispor desse amor. Samy poderá corresponder ou não, dependerá das suas próprias variáveis. É clássico os perseguidores tentarem convencer os perseguidos dos benefícios de serem amados. Poderá ser verdade, porém, não é obrigatório. A experiência mostra que o único amor que cresce e se fortalece é o que se desenvolve na liberdade do próprio desejo. Quando todos concordam, o universo se harmoniza: não se perseguem, acompanham-se. Gatos, ratos e cachorros, num suave ritmo de passeio.

....................................................

_______________________________

Sexo e saúde

jbouer@uol.com.br

O médico Jairo Bouer escreve neste espaço todas as segundas-feiras

A camisinha ficou dentro!

“Tenho 21 e ainda sou virgem, mas minha amiga sempre me relata suas aventuras amorosas. Outro dia a camisinha ficou dentro de sua vagina. Quais os riscos? Como evitar? O que fazer para tirar a camisinha?”
“Tenho 17 e queria saber como se usa lubrificante com camisinha. É melhor passar dentro ou fora da camisinha? Pode usar o lubrificante direto na vagina? Isso não aumenta a chance de o preservativo escapar? Tira a sensibilidade?”

Para começar, os lubrificantes que podem ser usados com as camisinhas são aqueles feitos à base de água e que são achados nas farmácias ao lado dos preservativos. Eles não interferem na sensibilidade e podem facilitar a relação sexual (principalmente para as garotas que têm dificuldades com sua lubrificação natural).
Os lubrificantes devem ser usados do lado de fora da camisinha e também podem ser aplicados diretamente na vagina. Embora alguns garotos usem um pouco de lubrificante dentro da camisinha, para facilitar sua colocação, essa não é uma boa idéia, já que isso pode aumentar a chance de a camisinha escapar durante a transa.
Aliás, é bastante incomum que uma camisinha escape do pênis se a colocação foi bem feita. O garoto deve se certificar se desenrolou a camisinha toda sobre o pênis. Depois, deve lembrar que gel lubrificante só deve ser aplicado na vagina ou na parte externa da camisinha.
Além disso, alguns garotos podem ter o pênis mais fino, o que poderia, em tese, facilitar que uma camisinha padrão escapasse. Para isso, existem os preservativos mais justos (tamanho teen). Para terminar, é bom tirar o pênis da vagina assim que acontecer a ejaculação, já que, logo depois disso, o pênis pode perder sua rigidez (ereção) e facilitar tanto o vazamento de esperma quanto o escape do preservativo.
Se, eventualmente, uma camisinha escapar e ficar retida na vagina, a primeira tentativa da garota deve ser tentar retirar o preservativo com ajuda de dois dedos, como se fosse fazer um movimento de pinça. Quando isso não der certo, é importante procurar o ginecologista para que ele faça a retirada.
Uma camisinha presa na vagina pode causar infecções graves. Se ocorreu a ejaculação ou se há a menor suspeita de uma DST (doença sexualmente transmissível) é importante que a garota também procure o médico para cuidados suplementares como, por exemplo, pílula do dia seguinte. É isso!



   Este Portal é melhor visualizado na resolução 800x600
Expediente
 Copyright © A Notícia - Fone 055-0xx47 3431 9000 - Fax 055-0xx47 3431 9100
 Rua Caçador, 112 - CEP 89203-610 - C. Postal: 2 - 89201-972 - Joinville - SC - Brasil