Joinville Domingo, 15 de abril de 2007 Santa Catarina - Brasil


Anexo D Domingo

SAÚDE

Olhos que a genética não deu

Seja para uso terapêutico ou estético, as lentes de contato podem melhorar a auto-estima

Betina Weber

Se a genética não foi legal com a cor da sua íris, as lentes de contato cosméticas podem impulsionar a reconciliação com sua árvore genealógica. Seja para uso estético ou terapêutico, esse tipo de lente contribui para o reparo e aumento da auto-estima. Apesar da facilidade de compra e da variedade de marcas, cores e materiais, a adaptação das lentes deve ser feita sempre após exame oftalmológico, como com qualquer outra lente de contato.
Primeiro porque você pode descobrir alguma doença, uma cicatriz na córnea ou ainda reativar uma úlcera com o uso indevido. Córneas muito curvas ou muito planas dificilmente se adaptam às lentes coloridas, porque elas são fabricadas para córneas de curvatura média. O mesmo vale para o tamanho da pupila.
Na consulta, você poderá fazer testes para seleção do tipo mais indicado para sua córnea. A escolha da cor também deve ser feita com a ajuda de especialistas. É importante testar para analisar o resultado da cor da lente com a cor do seu fundo de olho. As cores se diferenciam de fabricante para fabricante. Todas as lentes de contato coloridas para uso cosmético são gelatinosas. O que varia é o material e a durabilidade. A validade deve ser contada a partir do dia que a embalagem da lente foi aberta, não pelo número de vezes que é usada.

betina.weber@an.com.br

História

As lentes coloridas começaram a surgir na década de 80. As primeiras recebiam coloração levemente azulada, com o objetivo de facilitar a colocação e remoção. Alguns anos mais tardes surgiram as lentes cosméticas propriamente ditas, fabricadas com a intenção de mudar a coloração da íris. Algumas eram translúcidas e o efeito dependia da interação da cor da lente com a cor da íris. Outras eram opacas e permitiam que usuários com íris escuras pudessem aparentar olhos claros.
Como começaram a fazer parte de certos rituais de moda, seu uso estético ajudou a difundir a idéia equivocada de que sua adaptação não precisava de cuidados tal qual uma lente de contato “de verdade”. Muitos ignoravam a data de validade e outros, inclusive, usavam lentes rasgadas. O resultado não podia ser outro: aumento significativo de casos de ceratites (inflamações) e úlceras de córneas.


Lentes importadas mel (D) e cinza de uso prolongado


Lentes importadas turquesa (E) e lavanda de uso prolongado


Lentes importadas com motivos de futebol


Lente verde importada de uso prolongado (1 ano). Pode ser usada dos dois lados: um lado é verde-escuro outro é verde-claro


Lente azul importada de uso prolongado

Indicação

Lentes gelatinosas filtrantes e pintadas servem para:

• Reduzir a fotofobia (aversão à luz)
• Reduzir a entrada de luz na presença do albinismo ocular (problema congênito caracterizado pela ausência total ou parcial de pigmentação da íris)
• Proporcionar coloração parecida entre os olhos em casos de heterocromia (coloração diferente) de íris
• Simular presença da íris e da pupila em casos de aniridia congênita (ausência de íris) ou pós-trauma
• Recobrir cicatrizes e opacidades corneais
• Recobrir cicatrizes irianas ou corneais que possam ocasionar diplopia (visão dupla)
• Cobrir cataratas sem indicação de cirurgia
• Tratar ambliopia (imprecisão de visão), usando lente com pupila preta, quando a criança se recusa usar oclusão (tampão) convencional

Cuidados básicos

A oftalmologista e responsável pelo departamento de lentes de contato do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem, Cleusa Coral-Ghanem, observa que a lente não deixa de ser um objeto que vai encostar na córnea e vai alterar o meio ambiente do olho. “Se não for usada corretamente, passa a ser um obstáculo para o oxigênio chegar até a córnea. Quantos mais anos de uso, mais possibilidade você tem de ter um problema”, alerta.
Por isso, a importância de se comprar lentes com bons materiais para que haja oxigenação contínua da córnea. “Os preços das lentes variam pela qualidade do material”, relaciona. Cleusa sugere que os interessados usem sempre lentes de alta hidratação, com mais de 50% de água (onde a quantidade de água significa mais de 50% do peso da lente). “É a água que chupa o oxigênio do ar e leva até a córnea”.
Se a córnea não recebe oxigênio suficiente, a visão começa a borrar, dando a sensação de se ter uma fumacinha no ar. O quadro piora quando a pessoa passa a sentir dor e fica com os olhos vermelhos. Os colírios umidificadores ou lágrimas artificiais podem ser usados como recurso para hidratar os olhos. “Os cuidados com as lentes cosméticas têm de ser iguais aos de uma lente com 20 graus”, compara Cleusa.
A limpeza é fundamental. Como os nossos olhos produzem mucoproteínas, que grudam nas lentes, é essencial que ao tirá-las elas sejam limpas com soluções multiúso. “A lente sai como um prato sujo. A solução multiúso é uma espécie de detergente e o soro depois serve para tirar esse detergente. O soro não serve para limpar, muito menos desinfetar”, diferencia. Depois de limpa, as lentes devem ser guardadas em um estojo extremamente limpo, mergulhadas no produto multiúso, que deve ser trocado todos os dias para não ocorrer o acúmulo de bactérias. Cleusa alerta que dormir com lentes aumenta em 20 vezes a possibilidade de se desenvolver úlcera de córnea.

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