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Joinville Domingo, 16 de setembro de 2007 Santa Catarina - Brasil

Anexo D Domingo Carolina Mar Pereira/Genara Rigotti
(47) 3431-9291/(47) 3431-9197
carolina.mar@an.com.br/genara.rigotti@an.com.br

ANTÔNIO BAÇO

Chatos, sarnas e micoses

Deus deve gostar dos chatos, porque fez muitos deles.
Há muita gente que tem o dom de provocar urticária nos outros.
Se tivesse de dizer qual é o símbolo-mor da chatice, diria que são os fiéis dessas igrejas alopradas que pululam por aí: as criaturas não se contentam em salvar as próprias almas, mas vivem na obrigação de salvar também as almas dos outros. É um tédio. Os caras estão sempre à porta da nossa casa (nas piores horas) com uma revistinha que anuncia o fim do mundo. E o pior: eles nos acusam de ser os culpados, porque vivemos em pecado.

Inofensivos

Há os chatos que são como as micoses e provocam pequenas irritações. É o caso das pessoas que se referem a si mesmas na terceira pessoa. É comum entre os futebolistas brasucas. Um useiro e vezeiro era o centroavante Jardel, que jogou no Vasco e no Porto.
O repórter pergunta.
– Então, Jardel, acha que vai fazer um golzinho hoje?
O jogador responde.
– O Jardel está sempre de olho no gol. É por isso que o Jardel é artilheiro do campeonato.
É irritante. Mas não tanto quanto os caras que deixam o celular ligado quando vão ao cinema, teatro ou estão numa sala de aula. E, cá entre nós, gostaria de saber onde essa gente vai buscar aqueles toques esquisitos: galos a cantar, nuvens de grilos... e até o hino do Corinthians, mano. O pior é a cara-de-pau: os tipos estão no teatro, o telefone toca e eles ainda atendem.
Um tipo de chato inenarrável é o chato socialite. O cara não pode soltar um "pum" que a fotografia dele tem de aparecer na coluna social. Na maioria das vezes são pessoas irrelevantes, sem cultura ou qualquer charme. Mas sempre dão um jeitinho de aparecer. É o onanismo mental tornado celebridade.
Outro chato insuportável é o comedor de soja. Os caras viram vegetarianos não por gostarem de vegetais, mas por acharem mau matar animais para comer. Até aí tudo bem, é uma opinião. Só que a maioria das criaturas se preocupa mais com os animais do que com os seres humanos. São uns alienadões que fazem manifestações contra farra-do-boi e o escambau, mas não ligam patavina para os pobres que morrem de fome ou as guerras que provocam mortes atrás de mortes.

Patológicos

Também há os chatos patológicos, que parecem sarna.
Aquele casal te convida para um jantarzinho. E quando você está lá, pimba: fica refém da visualização de um álbum de fotos da última viagem.
– Olha nós aqui em Tracunhaém.
– E aqui no centro de Pindamonhangaba.
Pior mesmo é quando os caras têm filhos e querem mostrar fotografias dos pimpolhos. Não há paciência.
E há o chato musculoso. Os caras passam a vida nos ginásios a levantar pesos e ficam a olhar para os próprios músculos com um olhar apaixonado. Fazem pose. Viram de lado. Fazem beicinho. Mas quando abrem a boca, só sai abobrinha. Se eu mandasse no planeta, haveria uma regra. Para cada hora de maromba, duas horas de leitura.
Mas a quintessência da imbecilidade são os caras que gostam de impor a própria música. Essas toupeiras gastam uma nota preta no aparelho de som do carro e depois andam por aí com os decibéis quase a detonar os tímpanos alheios. É uma coisa que os capiaus gostam de fazer na praia: estacionam, abrem o porta-malas e bam-bam-bam. Há sempre exércitos desses imbecis. Ah... o verão vem aí e eles vão invadir a sua praia.
É como diz o velho deitado: "Irritante é uma pessoa que, quando tem uma tosse, em vez de ir ao médico, vai ao cinema".

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Capa - Anexo D Domingo

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Antônio Baço

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