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Joinville Terça-feira, 09 de janeiro de 2007 Santa Catarina - Brasil


Geral - AN Jaraguá

Repasse ao Hospital Jaraguá está atrasado

Diretor recorre a bancos para pagar salários dos médicos plantonistas

Carolina Carradore

"Se continuar assim, temo pela suspensão do plantão no hospital". A afirmação é do administrador do Hospital e Maternidade Jaraguá, Hilário Dallmann, em relação aos dois meses de atraso por parte da prefeitura do repasse de verba do convênio firmado entre a administração municipal e a instituição. O atraso da verba, calculado em R$ 244 mil, obrigou o administrador a apelar para empréstimo bancário para pode pagar o salário dos médicos plantonistas.
Hilário pretende manter o plantão, mas adianta que se a dívida não for quitada em breve, teme em não poder mais arcar com as despesas do plantão e consenquentemente, prevê a suspensão dos atendimentos dos plantões. "Se não pagarmos os médicos, eles suspendem os atendimentos. Nossa situação está a crítica, pois estamos fazendo de tudo para manter um bom atedimento à população", lamenta.
O convênio envolvendo a prefeitura e o Hospital Jaraguá, foi firmado em 1999 e prevê o pagamento por parte da administração municipal do plantão obstétrico, pediátrico e plantão da UTI neonatal e infantil. Em 2002, o valor do repasse aumentou com a implantação do plantão pediátrico 24 horas que até então funcionava feriados e finais de semana. Conforme o administrador, a partir de 2005 o repasse do recurso passou de R$ 111 mil para R$ 122 mil. A prefeitura passou a atrasar o convênio em julho do ano passado e começou 2007 com dois meses em atraso, totalizando uma dívida de R$ 244mil. A verba é destinada ao pagamento dos 25 médicos plantonistas do hospital. O fluxo de atendimento no plantão ultrapassa a seis mil atendimentos por mês.
O secretário municipal da Fazenda, Alexandre Alves, informou que todo mês um repasse é realizado para o hospital, porém não há previsão de quando a prefeitura poderá saldar a dívida com a instituição. O motivo do atraso, justificado pelo secretário, é a diminuição da arrecadação do ICMS. A prefeitura enfrenta hoje uma dívida de R$ 4 milhões.
Além do atraso do convênio da prefeitura, a situação no Hospital Jaraguá piora com a diminuição de internação nos meses de dezembro e janeiro. De acordo com o administrador, Hilário Dallmann, o hospital possui uma receita de R$ 800mil. De janeiro a novembro, cerca de 900 internações foram realizadas. Desde dezembro, o número diminuiu para 500. Das internações, 60% são realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o reajuste das Autorizações de Internações Hospitalares (AIHs) não ocorre há seis anos. Cada internação é avaliada em R$ 100,00 e apenas R$ 60,00 fica para o hospital. "Fechamos o ano com um prejuízo de R$ 400mil. Estamos muito preocupados com a situação", ressalta o administrador.

carolina.carradore@an.com.br

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Convênio do trânsito será debatido

Na sexta-feira, representantes da prefeitura, polícias civil e militar vão participar de uma nova reunião para se tentar um acordo antes mesmo do parecer final do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em relação ao relatório apresentado pela PM de defasagem das prováveis deficiências causadas pelos descontos do repasse por parte da prefeitura do convênio de trânsito.
Segundo o comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar de Jaraguá do Sul, coronel Ricardo Alcebíades Broering, desde o início da administração atual, a prefeitura vem repassando o valor com descontos consideráveis. A polêmica maior ocorreu após a secretaria municipal de Urbanismo comunicar através de uma correspondência a suspensão total do repasse do mês de janeiro referente ao mês de dezembro.

Decisão

O secretário da Fazenda, Alexandre Alves, afirma que a prefeitura poderá voltar atrás da decisão após ter em mãos o resultado do levantamento. "Se sobrar recurso, poderemos não atrasar o repasse", enfatiza. A prefeitura corre o risco também de ter que ressarcir os descontos feitos na distribuição da verba para a PC e PM, caso o TCE definir que houve irregularidade na forma de utilização do recurso.

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Festival de Música abre temporada cultural na Scar

Mais de mil professores consagrados e alunos do Brasil e de outros países movimentam Jaraguá do Sul a partir do dia 14, no 2º Femusc

Sônia Pillon

Musicistas consagrados no Brasil e no exterior devem aportar em Jaraguá do Sul de 14 a 23 deste mês, com a realização da segunda edição do Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), na Sociedade Cultura Artística (Scar), abrindo com chave de ouro a temporada cultural do Estado.
Está confirmada a inscrição de 900 músicos. A expectativa dos organizadores é alcançar 1.100 participantes em várias categorias, que incluem cursos, audições e apresentações em teatros e espaços alternativos. Um dos destaques é a formação de um grande coral e de orquestras que se apresentarão em concertos especiais. O lançamento oficial será às 10 horas de hoje, no Centro Cultural da Sociedade Cultura Artística (Scar).
O evento é iniciativa do Instituto Festival de Música, com o apoio do governo do Estado, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, Jaraguá Convention & Visitors Bureau e Prefeitura de Jaraguá do Sul.
A direção artística é do oboísta-maestro ganhador do Grammy de 2002, Alex Klein, que há muitos anos dirige festivais de música dentro e fora do Brasil. A programação movimenta a região Norte do Estado, principalmente os setores de hotelaria, comércio e serviços.
Segundo o responsável para os assuntos da Rede Hoteleira, Hospedagem e Mídia ligada ao Convention Bureau & Visitors de Jaraguá do Sul, Fenício Pires Júnior, dos 750 apartamentos disponibilizados pela rede hoteleira da cidade 150 já estão reservados para os participantes internacionais. "Com essa atração, estamos criando produto novo. É o maior evento de música erudita no Brasil".
Fenício aalienta que as agências estão trabalhando com pacotes para trazer o público no período, que se deslocarão do litoral especialmente para assistir o Femusc.
Grandes nomes da música nacional e internacional integram a lista de professores do Femusc, como o violinista Chaim Taub, célebre spalla da Filarmônica de Israel; o flautista Michel Debost; os pianistas Ricardo Castro e Fany Solter; e dezenas de outros professores do Brasil, Argentina, Uruguai, Alemanha, Itália, França, Estados Unidos, Canadá, Suíça, Inglaterra e Espanha.

sonia.pillon@an.com.br

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Grandes filarmônicas e estudos

Jaraguá do Sul receberá membros das orquestras filarmônicas de Berlim, Israel e Buenos Aires; a Concertgebouw Orkester, de Amsterdã; e as grandes orquestras de Cleveland, Montreal, Munique, Londres, Nova York (Metropolitan Opera).
Dentre as atrações brasileiras estão a OSESP, assim como professores da UFRJ, Eastman School of Music e a Juilliard School (Nova York). Dentre as instituições nacionais estão a UNB, OSESP, UFRJ, UFPR, UDESC, Orquestra de Câmara de Blumenau, Camerata Antiqua de Curitiba e a Banda Sinfônica de São Paulo.
O Femusc 2007 oferece classes em oito programas de estudo. Além do programa Orquestral, aparecem também programas para Bandas e Coral, assim como a Nova Orquestra Jovem, que desenvolve uma nova orquestra durante o evento, seguindo as indicações do Método Jaffé de Ensino Coletivo de Cordas.
Pelo Método Jaffé, 40 participantes sem conhecimento instrumental e musical prévios farão seu primeiro ensaio no primeiro dia do Femusc e apresentarão seu primeiro concerto no dia do encerramento.
Outra atração do programa orquestral é a inclusão de obras que serão apresentadas por cinco orquestras, como a Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky; as Metamorfoses Sinfônicas de Paul Hindemith; a abertura "Euryanthe" de Weber; o Concerto "Imperador" de Beethoven e a Sinfonia número 2 de Gustav Mahler.

Aprendizagem

Participantes de nível profissional integrarão da Orquestra de Professores e Alunos do Femusc, sob a direção do diretor artístico Alex Klein, que, ao explicar o significado de tal experiência para o jovem músico destaca: "É difícil imaginar um ambiente mais propício para o aprendizado da verdadeira arte orquestral do que um grupo em que o spalla é também o spalla da Ópera de Pittsburgh, onde o primeiro violista é o mais novo integrante da Filarmônica de Berlin, o primeiro violoncelista é também o solista de cello da Bayirischer Rundfunk, o primeiro fagote exerce este cargo na Concertgebouw".
Também haverá um Programa de Estúdio de Gravações, em que o professor encarregado será Eric Arunas, engenheiro da rádio WFMT-Network Chicago, uma das principais rádios de música clássica nos Estados Unidos.

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Quarteto de cordas e solistas

A exemplo da primeira edição, o Femusc é o único do gênero da América Latina a oferecer Programa de Quartetos de Cordas, como acontece em países da Europa e nos Estados Unidos. Limitado a no máximo quatro Quartetos de Cordas, cada grupo recebe sua própria sala de estudo climatizada, que é visitada regularmente por professores durante o dia.
Participantes deste programa não integram as orquestras do Femusc, e vão integrar uma pequena turnê de concertos, gravar CD para promoção e receber instrução de mestres da música de câmara internacional, como o violista Richard Young (Vermeer Quartet), o cellista Watson Clis (Trio Brasileiro) e os violinistas Daniel Guedes(UNB) e José-Luis Garcia, ex-spalla da English Chamber Orchestra e hoje professor do Conservatório Reyna-Sofia em Madrid.
Novidade de 2007 é o novo Programa de Solistas. No máximo três participantes serão escolhidos, e receberão aulas particulares além das master classes com professores do festival. Solistas também gravarão CD para promoção, tocarão recitais, receberão acomodação individual em hotel, e não participarão em orquestras a fim de se dedicarem integralmente ao estudo de seu instrumento. Ao final do evento, um concurso decidirá qual dos três será solista com orquestra no Femusc 2008.

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Loteamentos dão o ritmo do crescimento

Firenze 1 e 2 já está tomado por construções e o 3º segue o padrão

Leonel Camasão

Uma comunidade cresce à velocidade espantosa no bairro Chico de Paulo, em Jaraguá do Sul. É o conjunto de loteamentos Firenze 1 e 2. O lugar, até há pouco tempo ocupado por uma densa vegetação, hoje recebe uma terceira área desmatada pronta para a construção de mais casas, o Firenze 3. Apesar da localidade não possuir asfalto, o número de moradores cresce consideravelmente nos últimos dois anos.
A professora Gisele Marschner foi a primeira a construir uma casa na rua Cabo João Alves, há dois anos e meio. Ela, como a maioria dos moradores, não é natural de Jaraguá. A maior parte dos moradores nasceu no Paraná. Hoje, além da casa em construção em frente, diversas outras moradias se colocam lado a lado por toda a rua.
Nascida em Canoinhas, Gisele e a família vieram para Jaraguá em 1999. A professora, que dá aulas de história, diz gostar muito do bairro, apesar de alguns problemas. "O bairro é tranqüilo e seguro, muitos policiais moram aqui no loteamento", conta. "Também é bom para as crianças, tem escolas, creches e o centro é perto", completa.
O bairro Chico de Paulo, onde os loteamentos foram planejados, também possui unidades de saúde e as residências dispõem de rede de água e esgoto. "Mas o que falta é mais panificadoras e asfalto", lamenta Gisele.
Ela não é a única a reclamar. Delvino Parizotto, dono de uma loja de materiais de construção, aponta exatamente os mesmo problemas: asfalto e padarias. "Quando chove é aquela lama, quando esquenta, é pó." Ele mora na cidade há 20 anos, mas veio do Paraná e há sete meses está no Firenze.
O comércio do local é variado, desde mercados, lojas de confecções e materiais de construção. Este último, aliás, movimenta a economia do bairro: é impossível olhar para o lado e não ver uma casa com os tijolos aparentes.
Olhando do alto, brotam residências em obras, desde a demarcação do terreno até o acabamento. "Em 20 anos de profissão, é a primeira vez que venho trabalhar aqui", conta o mestre de obras Elias Alves da Silva. Ele estava marcando um terreno para construir uma casa de 60 metros quadrados. "As vezes olhamos pela janela e nos surpreendemos com a paisagem", conta a professora Gisele.

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Lotes são vendidos rapidamente

"O paraíso das lojas de material de construção", como define Gisele Marschner, também é o paraíso das corretoras imobiliárias. Quando ela comprou seu lote, pagou R$ 18 mil. Hoje, com a procura crescente, os lotes estão à venda por R$ 28 mil. "O pessoal aproveita o final de ano, o décimo terceiro e a participação nos lucros para investir na casa própria", esclarece Gisele.
Os últimos lotes de uma área de 56 mil metros quadrados estão sendo vendidos, mas há apenas terrenos de esquina. A área foi dividida em 160 lotes de 350 metros quadrados. Os que sobraram podem ser adquiridos em financiamento direto com a imobiliária, em até 60 vezes.

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