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Cláusula aprovada na Câmara
desaparece
Determinação
importante do projeto de prorrogação do transporte
coletivo foi excluída da lei sancionada pelo prefeito
Moacir Bertoldi
A omissão de cláusula aprovada pela Câmara
dos Vereadores na lei que prorrogou o contrato de concessão
do transporte coletivo de Jaraguá do Sul, por mais dez
anos, em março de 2006, causa um conflito aberto entre
o Legislativo e o Executivo. O fato foi descoberto e denunciado
pelo vereador Dieter Janssen, do PP.
Aprovado pela Câmara, o projeto foi sancionado pelo prefeito
Moacir Bertoldi (PR) e transformado em lei, mas sem conter a
cláusula que determina à Prefeitura "proceder
à aquisição, após desapropriação,
de um imóvel anexo ao atual terminal urbano central, para
fins de ampliaçõa do mesmo, até 31 de dezembro
de 2006".
O procurador jurídico do município e irmão
do prefeito, Jurandyr Bertoldi, garante que na minuta que recebeu
da Câmara de Vereadores em 2006 não estava incluída
a cláusula. Os vereadores e o diretor da Câmara,
Ruy Lessmann (PDT), afirmam que o projeto foi encaminhado para
sanção do prefeito da forma como foi aprovado.
Segundo Janssen, os 11 vereadores jaraguaenses discutiram por
três meses o projeto de prorrogação da concessão.
Na época foi incluída a cláusula sobre o
terreno. O vereador lembra que em agosto, setembro, outubro e
novembro do ano passado o Executivo foi alertado sobre o prazo
para a aquisição do terreno.
No final de dezembro foi solicitada a cópia da lei e do
contrato assinado pelo prefeito e a direção da
Viação Canarinho, a empresa concessionária.
"Só que nos enrolaram e acabaram nos entregando o
documento somente agora", destaca Dieter Janssen.
"Verifiquei toda a lei e estava tudo certo, mas levei um
susto ao ver que a cláusula (sobre a aquisição
do terreno) não estava na lei", enfatiza o vereador.
Na opinião dele, a omissão da cláusula é
um absurdo e uma afronta direta ao Legislativo, que aprova uma
lei e depois o prefeito, "a seu bel prazer", sanciona
o que quer.
Janssen afirma que se for comprovada a alteração
do projeto, com a exclusão da cláusula, é
até possível a cassação do prefeito.
"Não estou querendo isso. Quero inicialmente uma
explicação do Executivo. Vou cobrar através
da imprensa e no plenário da Câmara uma explicação.
Caso não convença vamos procurar os caminhos legais",
complementa.
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Câmara não enviou
a cláusula, assegura Bertoldi
O procurador jurídico da Prefeitura, Jurandyr Bertoldi,
disse ontem que o vereador Dieter Janssen está equivocado,
Segundo o procurador, a cláusula que o vereador diz ter
sido aprovada pelos vereadores não foi encaminhado à
prefeitura. "Se eles (vereadores) discutiram essa cláusula,
esqueceram de colocá-la na minuta do projeto. Ou o vereador
Dieter Janssen está de malandragem para atacar o prefeito",
resume Bertoldi.
Segundo o procurador, a minuta recebida incluia apenas a cláusula
que determinava "proceder a adequação física
e operacional do atual terminal urbano de passageiros, terminal
central, de modo a viabilizar a integração física
do sistema de transporte público de passageiros e a implantação
da tarifa única, na área urbana, até 31
de julho de 2007". Bertoldi acrescenta que não é
obrigação da prefeitura comprar terreno para a
ampliação do terminal.
O procurador rebate que se há alguma cláusula aprovada
pelos vereadores e que não está na lei, significa
que "alguém dentro da Câmara alterou a minuta
que foi enviada ao Executivo."
Protocolo
O diretor da Câmara de Vereadores, Ruy Lessmann (PDT),
afirma que toda lei aprovada pelos vereadores é encaminhado
através de protocolo para o Executivo e que a cláusula
citada por Dieter Janssen está no documento original.
"A Câmara aprovou a aquisição do terreno.
Nós temos essa cláusula na lei aprovada, agora
se o prefeito mudou a cláusula, o problema legal é
na Prefeitura que deverá responder por isso", enfatizou.
"Por lei o prefeito não pode mudar cláusula
aprovada pelos vereadores", complementa.
O vereador Ronaldo Raulino (sem partido), que também questiona
a retirada da cláusula, confirmou a denúncia feita
por Dieter Janssen. "Nós aprovamos a cláusula.
A imprensa na época divulgou o fato e temos até
cópias de matérias relatando o assunto. Alguém
errou, mas foi na prefeitura, não sei se propositamente
ou não."
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