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Prefeitura e Câmara assumem
culpa
Conversa esclarece
o caso da cláusula suprimida de documento sobre concessão
do transporte coletivo
A denúncia feita pelo vereador Dieter Janssen (PP)
sobre a supressão de um item no contrato entre a Prefeitura
de Jaraguá do Sul e a empresa Canarinho foi esclarecida
ontem, na Câmara de Vereadores. A polêmica foi encerrada
numa conversa entre o vereador pepista, o procurador jurídico
do município Jurandyr Bertoldi, e o assessor jurídico
da Câmara, Leonel Floriani.
Bertoldi apresentou os originais do documento recebido pela prefeitura.
No documento, não consta a parte que teria sido suprimida.
Os papéis contém rúbricas e marca d'água
em relevo comprovando sua autenticidade. Entretanto, o procurador
do município assumiu ter feito modificações
na lei antes dela ser sancionada pelo prefeito.
A Câmara aprovou o contrato que, entre outras itens, determinava
que a Canarinho deveria comprar um terreno ao lado do terminal,
para poder ampliá-lo. A Prefeitura recebeu outro documento,
no qual este item estava modificado. O item dava prazo para a
empresa executar mudanças estruturais no terminal até
31 de dezembro do ano passado, mas não previa a compra
do terreno.
"Não duvidamos que o contrato tenha sido aprovada
como o vereador Dieter falou. O problema é que o documento
chegou de outra forma na Prefeitura", argumenta Jurandyr.
De qualquer forma, há uma diferença entre o documento
enviado e a lei sancionada. O procurador do município
admite ter modificado a redação da lei. Isso aumentou
o prazo para a execução das mudanças até
31 de julho deste ano.
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Erro não isenta empresa
de cumprir prazo
O prazo para a Canarinho executar modificações
e implantar a tarifa única está previsto no item
"a", cláusula quinta. Entretanto, o item "e"
ordena à Canarinho "executar, até 31 de julho
de 2007, a construção de novo Terminal Urbano Central,
na forma do lay-out fornecido e/ou aprovado pelo concedente [prefeitura]".
Isso significa que o item "a" previa "adequações
físicas" e o item "e" a reforma. Na prática,
são as mesmas coisas com prazos diferentes. "Minha
equipe realizou as mudanças porque os dois itens estavam
conflituosos", admite o procurador da prefeitura Jurandyr
Bertoldi.
"A partir desta conversa podemos chegar à conclusão
de que tanto o executivo quanto o legislativo erraram neste caso",
proferiu o assessor jurídico da Câmara, Leonel Floriani.
Segundo ele, o erro da Câmara foi ter enviado um projeto
diferente do aprovado em plenário, com itens contraditórios.
Já o erro do executivo foi alterar a redação
do contrato, passando por cima do poder legislativo.
"Houve algum problema aqui na Câmara e devemos isso
para a comunidade. Mas também houve erro na prefeitura.
Ambos temos que nos explicar", concluiu o vereador Dieter
Janssen.
Jurandyr Bertoldi ainda afirmou que, independente da modificação
do item "a", a Canarinho tem responsabilidade de comprar
o terreno e ampliar o terminal até o prazo estipulado.
"Caso a empresa não cumpra o acordo ela irá
pagar multa de 10% do valor do contrato, além de correr
o risco de perder a concessão", disse. O contrato
da prefeitura com a Canarinho é de R$ 3,7 milhões.
O diretor da empresa, Décio Bogo, não foi encontrado
para falar sobre o caso.
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